Retalhos
9 Capítulo IX
Notas iniciais
RETALHOS
Escrita por Coffee
Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez
CAPÍTULO IX
– Estou grávida.
A garota loira – da qual ele nem ao menos se lembrava do nome – repetiu quando ele e Hinata não lhe responderam, ficaram estáticos.
Ele ainda absorvia as palavras.
Grávida, grávida, grávida...
– De quanto tempo?
Ouviu a voz doce de Hinata preencher o ar.
Não...
Não...
Não pergunte isso...
– Um mês.
A loira disse, e ele viu Hinata desabar e se recompor em poucos segundos, tão rápido que ele mal acompanhou.
– Hinata eu-
Ele parou de tentar se explicar quando ela pegou a garota pelo braço, e puxou-a para dentro de casa, colocando-a sentada no sofá. E em seguida foi até a cozinha, pegando sua bolsa e saindo enfurecida pela sala.
– Hinata espere-
Ele não teve tempo de continuar, Hinata saiu pela porta de sua casa, deixando-o sozinho, com a confusão, o pânico, o temor e com a garota loira.
[...]
Ela estava sozinha, em sua sala do hospital quando a porta foi aberta de repente.
– Hinata?
Perguntou incerta, ao ver a morena chorando descontroladamente.
Levantou-se, fechando a porta e puxando a morena até o sofá de sua sala, colocando-a sentada nele e se sentando ao seu lado.
– Hinata? Está machucada? O que aconteceu?
De súbito a morena colocou seus braços ao redor de si, abraçando-a e chorando descontroladamente em seu ombro.
– Naruto...
Ela disse, em meio aos soluços.
– Ele se machucou?
– Ele engravidou uma garota.
Ela não pode disfarçar o olhar surpreso.
– Hinata, eu sinto mu-
– Estávamos tentando um relacionamento sério! Ou pelo menos era o que eu estava...
– Shiii... Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem...
Disse, abraçando-a.
– Eu sinto muito, por ter falado aquelas coisas para você, você estava certa... Sobre ele... Ele nunca vai mudar...
– Tá tudo bem, tá tudo bem... Eu acho que... Sei do que você precisa.
[...]
– Você o que?
– Engravidei uma garota.
Sasuke olhou para os lados, incerto.
– Está brincando Naruto?
– Não...
Disse sem graça.
– Hinata? – Sasuke perguntou.
– Não.
Viu Sasuke arregalar os olhos, ele finalmente havia entendido.
– Ela já sabe?
– Estava lá quando a garota veio me falar.
– O que vai fazer?
– Não sei... Não sei... Preciso assumir esse filho, eu sei, mas embora não seja homem o suficiente para Hinata... Não acho que posso viver sem ela.
– Homem o suficiente? É esse o motivo? Dorme com várias mulheres porque não é homem o suficiente para Hinata?
– Hinata é boa demais, bondosa demais, bonita demais, tudo demais. Eu a amo, eu a amo tanto que não suporto. Mas... Jamais estaria a altura dela.
– Então dorme com outras mulheres para?
– Esquecê-la, ou tentar, mas eu nunca consigo...
– Você é um idiota.
– O que?
– Você tentou matá-la? Você quase a matou? A fez sofrer? A deixou sozinha? Usou susanoo nela?
– Sasuke o que-
– Você quer ser Hokage, e mesmo que eu odeie admitir, salvou toda essa gente...
– O que quer dizer? Que eu a mereço?
– Sim.
– Mas...
– Mas você é um idiota. E acho que agora a perdeu de vez.
– Você não está ajudando Sasuke...
[...]
O som de armas era alto. Ela estava sentada em um tronco de arvore. E chovia tanto que ela sabia que amanhã amanheceria com gripe.
Hinata estava em pé, na chuva, ensopada e enfurecida jogando armas nos troncos de treinamento.
A morena havia parado de chorar, e estava tão enfurecida que ela nunca havia sequer imaginado que um dia veria Hinata assim.
– Eu sabia que era disso que você precisava.
Disse sorrindo, embora soubesse que ela nem ao menos estava a ouvindo.
Havia tantas armas nos troncos, e tantas no chão, e Hinata continuava as jogando... Olhou com pena para os troncos.
Quando via que as armas estavam acabando, levantava-se e pegava dos troncos – desviando das outras – e colocava-as no chão próximo a Hinata.
Ela não soube dizer quantas horas ficaram lá.
Minutos, horas... Dias...
Embaixo da chuva forte e do vento gelado.
Hinata jogou tantas armas que os troncos haviam virado pó, fagulha.
E depois ela começou a socar arvores e outros troncos e o próprio solo.
E quando ela se esgotou, jogando-se no chão, não mais chorando.
Levantou e foi até ela, ajoelhando-se e curando seus punhos feridos. Ela sorriu amargurada.
– Obrigada...
– Queria poder curar sua dor também.
Disse, sorrindo tristemente.
– Vamos tomar café da manhã.
Disse, ajudando-a a se levantar, com os cabelos e roupas pingando água.
– Já amanheceu?
– Já devem ser oito horas da manhã.
Hinata sorriu.
– Decidiu o que vai fazer? – Perguntou a morena.
– Vou capá-lo.
– Gostei da ideia, precisa de ajuda?
A morena sorriu.
– Vou conversar com ele, mais tarde. Apesar de tudo, ainda sinto que não posso desistir.
– Ele tem muita sorte de ter você.
Hinata sorriu enquanto andavam rumo a sua casa.
[...]
– Naruto?
O loiro estava sonolento e seu sofá estava babado. Ele quis vomitar.
– Naruto? – Chamou mais uma vez, quando não houve resposta bateu na cabeça loira – Acorde e pare de babar no meu sofá!
– Ai! Teme!
– Ande, levante e vá para sua casa.
– Não vai me oferecer café?
Bufou, ele estava testando sua paciência.
– Tem café na bancada da cozinha.
– E bolo?
Fez uma careta. Nem ao menos o respondeu.
– Ontem antes de pegar no sono...
– Você pegou no sono conversando comigo Naruto.
– Sim, mas antes disso...
– O que?
– Você disse aquilo, sobre tentar matar... Você estava se referindo a Sakura ou a Karin?
– Ambas.
Disse dando as costas. Não queria conversar sobre aquilo aquela hora da manhã.
– Então... Você acha que não as merece?
Acenou positivamente de costas.
Onde estava com a cabeça quando deixou o loiro dormir no sofá ao invés de jogá-lo pela janela?
– Você tem razão. Não as merece.
– Obrigada.
– Mas elas parecem não se importar, então você vai ter que decidir.
– Hum.
– Não pode ter as duas.
– Naruto eu realmente não-
– Eu voto na Sakura-chan, porque ela te ama há mais tempo e...
– Naruto?
– Oi?
– Vai comprar fraudas...
[...]
Quando voltou para sua casa encontrou Hinata, com lenços de papel na mão, mas ela não chorava, apenas espirrava com o nariz vermelho.
– O que aconteceu? – Perguntou sem graça, se referindo à gripe.
– Sakura.
Ele não tentou entender. Sentou-se ao lado dela.
– Hina-chan eu sinto muito, eu sei que-
– O que vai fazer?
– Como?
– Vai se casar com ela? Assumir o filho?
– Eu não sei... Eu... Eu vou assumir o filho, mas...
– Eu o crio.
– O que?
– Caso não se case com a garota... Eu me caso com você, e crio seu filho.
– Mas...
– Ela é muito nova, provavelmente não vai querer a criança.
– Então... Está dizendo que casa comigo e cria um filho que não é seu?
– Sim.
– Por quê?
– Porque eu o amo.
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