Ressurreição - O julgamento final 2
7 capítulo 7 - Inimigas
Notas iniciais
Pov – Angel
─Bom, vou deixar vocês aqui e vou procurar meu namorado, antes que aquela Vickie grude nele!
─Quem? – Minha mãe pergunta preocupada sem entender do que falávamos.
─Trouxemos uma garota e um menininho, eles têm inimigos, achamos boa ideia, mas vou te contar do começo. – Meu pai avisa, eu não tenho tempo a perder.
─Isso o meu pai te conta, depois falamos, tenho que ir.
─Filha, não vai ficar pegando no pé do seu namorado por conta de ciúme, ele não te dá motivos – Minha diz numa bela cara de pau.
─Isso mesmo esquilinha! – Meu pai concorda com mais cara de pau ainda.
─São dois caras de pau, a minha mãe é a maior ciumenta do apocalipse e você também não dá motivos pai!
─Mas eu sou irresistível, sua mãe tem motivos! – Meu pai ganha um beliscão, bem feito, rio dos dois, aceno, e lá está ela se desculpando com um beijo, ele a abraça, adoro esse amor deles.
─Beijos, vou cuidar da minha vida, conta tudo para ela pai!
Desço as escadas pensativa, ela é bonita, sei lá se não é legal, e além disso é diferente, eu sou a mesma de sempre, e se o Carl se encantar com a diferença? Se ficar interessado em saber mais dela e então quando se der conta perceber que eu sou uma boba e que a garota é melhor que eu? Droga, ela é bonita, devia ser feia, bem feia, assim ele nem pensava nessas coisas, mas essa merda é uma droga e a garota é bem bonita.
Brian passava por mim, aposto que indo em busca de Beth, eu o paro na ponta da escada, seguro seu braço, olho para todos os lugares e vejo a garota parada com Elliot a seu lado olhando sem direção nosso pátio interno.
─Brian Tyler, preciso de ajuda.
─O que precisa Angel?
─De uma opinião honesta.
─Vamos lá, do que estamos falando?
Brian Tyler é um dos meus melhores amigos, ele e o Connor e meu pai, não tenho muitas amigas porque me dou melhor com meninos e isso é mesmo culpa do meu pai e aquele jeito que ele me criou.
─Quem é mais bonita, eu ou aquela ali, a garota nova, detesto garotas novas!
─É sério isso? – Ele pergunta espantado, afirmo, ele suspira.
─Seja honesto comigo! – Exijo, ele revira os olhos.
─Angel eu não sei, olho para você e só vejo a garotinha de dez anos que achava que eu matava vampiros.
─Ainda acho, aposto que faz isso escondido no meio da noite com alguma máscara e identidade secreta.
─Vê? É isso, não acho nada sobre você, só que é uma menininha linda e especial, que adoro ter por perto.
─Isso foi lindo, mas no momento não serve para nada, então me diz o que acha dela. – Aponto a garota com o nariz depois cruzo os braços.
─No momento a única beleza feminina que reparo é a barriga da minha mulher crescendo a cada dia e ela ficando sempre mais perfeita.
─Brian Tyler você é um péssimo amigo, sua ajuda foi inútil.
─Sinto muito, posso ir agora? Beth ficou nervosa com tudo que aconteceu.
─Vou me lembrar disso quando se meter em encrenca com ela, não vou ajudar.
─Certo, vou evitar encrenca, se me deixar ir já evito a primeira.
─Pode ir então, mas lembre-se, eu sou a responsável por sua felicidade matrimonial.
─E eu sou muito grato!
─Então diz que sou mais bonita que ela.
─Você é muito mais bonita que ela, tchau Angel.
Eu suspiro, respiro fundo e caminho pelo pátio, estava indo ao encontro dela que conversava com Maggie quando Connor me para.
─Saiu daqui dizendo que iria atrás de um gatinho para mim e chega com essa loira metida a gostosa? Bela amiga você!
─É as amizades nesse lugar andam mesmo estremecidas! – Responde de péssimo humor.
─Quase morri do coração com aquela confusão, me escondi debaixo da cama! – Mesmo nervosa eu não consigo evitar o riso, Connor é o maior covarde do apocalipse, me diverte demais.
─Connor você é ridículo!
─Eu sei, mas foi um terror! Sua mãe é tão poderosa, e seu pai também, e lindo, mas tem cara de mau.
─Connor acha ela bonita? Quem preferiria? – Ignoro suas bobagens e vou ao que interessa.
─Bom Angel somos amigos e preciso ser honesto, entre você e ela eu prefiro o Carl!
─Ninguém me ajuda! – Reclamo, ele me abraça carinhoso.
─Você é linda! Uma chata e linda garota, mas pense comigo, se uma garota só porque é bonita pode separar você e o Carl depois de uma vida juntos, então ele não te merece e posso pegar ele para mim.
─Connor para de tentar me roubar meu namorado, vou arrumar um para você!
─Eu estou vendo o que me arrumou, melhor eu me vivar sozinho.
─Olha aquilo! – Cutuco ele, Carl caminhava e sei que vinha em nossa direção, mas então Vickie faz cara de vadia e o chama, ele acena e segue até ela.
─Vai coração, não deixa ela dominar seu homem.
─Depois nos falamos!
Caminho com passos duros e cara amarrada, Carl aponta aqui e ali para ela, um inocente que nem imagina que ela só quer jogar charme.
Maggie os deixa sozinhos e sai levando Elliot com ela, bela amiga essa Maggie, a única que não arrumei namorado porque já tinha, a primeira traidora.
─Oi! – Digo quando chego e me penduro no meu namorado, posso quem sabe colocar uma plaquinha nele escrito ocupado e fazê-lo andar com ela por ai.
─Estava indo te procurar, como estão o Max e a Amy?
─Com meu pai em casa meu irmão e minha mãe estão ótimos! – Beijo Carl, um longo beijo que o deixa constrangido e corado, não me importo.
─Vocês têm um ótimo lugar aqui, fiquei impressionada.
Vickie sente que foi deixada de lado e briga por atenção.
─Temos, mas não se acostume, afinal é temporário não é?
─Pode deixar, não pretendo me estabelecer aqui.
─Amor vamos ver os meninos? – Carl sorri, porque chamei ele de amor e nunca o chamo assim e porque assim como eu deve estar louco de saudade dos nossos cavalos – Temos que ir Vickie, vamos ver nossos cavalos, tchau.
─Vocês têm cavalos aqui? – Ela demonstra seu interesse.
─É temos alguns.
─Quem sabe não posso dar uma volta por ai?
─Desculpe, não saem com qualquer um, são minha responsabilidade e só os usamos para as tarefas mesmo, não é seguro para estranhos.
─Sei, não estou de férias Angel, posso ajudar nas tarefas. – Ela diz escondendo a irritação por trás de um sorriso falso.
─Aposto que pode, fale com o pessoal da cozinha, quem sabe eles precisam de ajuda, vem amor!
Puxo Carl para longe dela, ele me segue silencioso, de mau humor, já sei que estou com problemas, não diz nada até chegarmos no estabulo, depois me olha torto.
─O que foi aquilo? – Pergunta bravo.
─Oi Ringo Star, sentiu minha falta? – Acaricio meu cavalo fingindo que Carl não disse nada, pego uma escova e começo a alisar sua crina longa e caramelo. ─Sentiu não é, mas estou aqui, amanhã vamos correr um pouco, sei que detesta ficar aqui dentro o dia todo, vamos cedo amanhã assim a gente...
─Fiz uma pergunta Angel, quer parar de fingir que não ouviu.
─Aquilo o que?
─A agressão gratuita, a garota não te fez nada e provocou ela o tempo todo!
Ela nem chegou direito e já está fazendo a gente brigar, eu a odeio, e odeio Carl Grimes por defende-la sem nem ao menos disfarçar, meus olhos ficam marejados, não sei lidar com isso.
─Não fiz nada demais!
─Fez, e não acredito que vai chorar!
─Não vou chorar droga nenhuma, se está tão preocupado com Vickie vá lá ficar com ela e me deixa em paz! – Eu solto a escova, o cavalo relincha, se incomoda com a confusão, espero que dê um belo coice no idiota diante de mim, começo a me afastar e ele me segura.
─Onde vai?
─Para longe de você!
─Não vai mesmo, não é assim que resolve as coisas, não vai fugir, não vai entregar os pontos no primeiro segundo como se eu não fosse importante, está com ciúme e me atira para ela? É assim que me ama?
Ele estava certo e só tem uma coisa que odeio mais do que Vickie, é quando tenho que admitir que ele está certo e eu errada.
─Amo você Carl, amo desde sempre, amo antes mesmo de saber o que é amor.
Ele me solta o braço, só para me puxar para os seus braços e me faz um carinho no rosto, seca minhas lágrimas, beija a ponta do meu nariz só porque sabe que isso me faz sorrir, e sorrio.
─Amo você Angel, muito, sempre, mesmo quando ficava dizendo que eu seria seu namorado quando a gente crescesse, nem sabia de como me sentia e morria de ciúme do Bryan Tyler! – ele imita minha voz de criança – Ainda morro.
─Eu sei.
─Vê como são as coisas? Tenho ciúme do Brian e tenho ciúme do Connor – Abro a boca para falar ele a tampa e rimos – Eu sei ele é gay, o Brian ama a Beth e são todos apenas amigos, mas sinto e pronto, mas isso não me faz maltratar nenhum dos dois.
─Mas eu não sei lidar com isso, cresci com a certeza que era sua única opção, não tinha com o que me preocupar, agora é diferente, acha ela bonita? Mais bonita do que eu?
─Não gosto, nunca gostei e nunca vou gostar de quando diz que é minha única opção, isso diminui você e mais, diminui o que sinto por você, amo você porque é a Angel, a cara de esquilo, engraçada, inteligente, intrometida, cheia de vida, corajosa, amo você, amo!
─Desculpe, eu sei disso, mas não sei se posso lidar com essa garota sem...
─Pode tentar? Sabe, quando se mostra assim toda insegura, só o que consegue e faze-la se sentir poderosa, como se ela tivesse algum poder sobre mim e ela não tem.
─Carl você está muito adulto, melhor a gente brigar como sempre, ficar de bico umas horas e depois vir aqui se agarrar.
─Melhor a gente pular a briga, o bico e ir direto para a agarração já que a gente já está aqui mesmo.
─Essa é a melhor ideia do dia! – Sorrio, faço cara de esquilo para ele, sempre arranco risos dele, porque ele acha engraçado, agora, quando era criança me chamava de idiota.
─Idiota! – Bom, ele ainda chama, mas agora um beijo longo e profundo sempre vem depois disso.
Seus lábios descem por meu pescoço e ali em seus braços sempre quero ir mais longe, mas não hoje, hoje ele pensaria que é por causa da vadia, então ficamos ali, trocando beijos, amassos como Maggie costuma brincar, minha respiração sempre me deixa em apuros, as vezes acho que se pode ter um colapso no meio de tudo isso.
Nos afastamos um pouco para respirar, ele me faz um carinho, me rouba um beijo leve.
─Agora eu sou amor é? – Ri de mim, ganha uma mordida, reclama, se afasta e depois volta.
─Não vou te chamar assim, temos que ter um jeito nosso de se chamar, amor todo mundo chama, meu pai e minha mãe se chamam assim.
─Pense e me avise, mas gostei, achei divertido!
─Você ri do meu sofrimento Carl, isso não é amor!
─Quer dar uma volta com os cavalos?
─Quero, mas é melhor não, meu pai não dormiu, nem o seu, saímos e eles ficam preocupados, deixe que descansem, amanhã voltamos a vida normal.
─Vai deixar a garota em paz? Sem provocações?
─Vou tentar, juro que vou, mas não vai ser fácil, e no fim nem descobri se tinha um gay lá, será que ela sabe?
─Angel, não vai perguntar, vai?
─Não, claro que não, vou mandar alguém fazer isso por mim, tipo a Maggie, aquela traidora que bem deixou vocês dois sozinhos.
─O Henry estava com fome e precisava trocar a fralda e o Elliot estava de pé feito um dois de paus e ela foi mostrar tudo para ele.
─Certo, queria saber porque dizem, feito um dois de paus!
─Não é mesmo normal, te amo, mas é maluca!
─Temos que ir não é? – Ele me beija, sabe que sim, que temos coisas para fazer, que o dia está difícil que alguém foi morto que minha mãe que matou e que não podemos ficar ali.
─Vamos, de noite vem ficar comigo um pouco?
─Sim senhor! – Ganho um beijo e deixamos os estábulos.
Carl vai ajudar os homens com o enterro de David, eu não pretendo participar, o cara ameaçou meu irmão, minha mãe o matou, não vou fazer parte disso, subo as escadas em direção a meu quarto, ainda nem entrei lá, estava abrindo a porta quando Vickie para na minha frente de queixo erguido e cara de malvada, não me assusta, mas irrita.
─Eu sei que acha que é a rainha do lugar, que pensa que pode fazer o que quiser e tudo bem, mas não comigo, não sou como você, não tenho papai e mamãe para me proteger, nem titios e titias dispostos a morrer por mim, eu enfrento a vida e não aceito ser maltratada.
─Está certa, eu tenho mesmo tudo isso, mas não veio de graça, conquistei essas pessoas, se fazem tudo por mim foi porque mereci e faço o mesmo por elas, além disso não fico escondida enquanto as coisas acontecem, eu luto, mato e vou lá fora.
─Claro que vai, com quantos guarda-costas princesa? Quantos soldados andam a sua volta quando sai lá fora?
Meia dúzia ao menos, eu preciso admitir ao menos para mim, os olhos dela brilham com minha reação.
─Não vim ficar aqui por que sou frágil e preciso ser protegida, vim porque sou forte e estou aqui para proteger Elliot, por isso fui escolhida, meu povo sabe que posso manter o garoto vivo, então não brinque comigo.
─Gosto disso! – eu a enfrento, ficando bem diante dela – das coisas claras, é isso, está tudo explicado agora, mas não me subestime, sei me defender e sei atacar e posso fazer, saia do meu caminho e pode ficar aqui na minha casa, com a minha família enquanto precisar.
─Sobre o seu namorado, bom ele é mesmo muito bonito, mas por enquanto é só isso, um cara bonito, já tive caras assim, outros nem tanto, como vê não sou nenhuma garotinha inocente, sei como é a vida, não tive papai me mandando ir para cama antes das nove, durmo com quem quero e quando quero, mas sempre sou eu quem decide.
─Não faz o tipo dele, somos felizes, ele não precisa de você.
─Não me desafie, apenas não faça isso!
Ela se afasta, me deixa no meio do corredor completamente sem reação, de boca aberta com sua atitude, sua insolência.
─Eu tentei Carl, mas não vai dar, está claro, ela é minha inimiga! – Digo em voz alta, ali, sozinha, não queria isso, mas não vou recuar, ele quer que lute por ele, posso fazer isso, sempre posso e vou arrumar aliados, muitos deles.
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