Ressurreição - O julgamento final 2
3 Capítulo 3 - Uma nova comunidade
Notas iniciais
Pov – Carl
Nunca fico muito confortável com Angel assim em perigo, ela é sempre forte e independente, mas é também impulsiva o que nos mete em encrenca as vezes, principalmente por que sempre me vejo caindo em suas armadilhas e colocando em pratica todo tipo de plano ridículo que passa por aquela cabeça de vento.
Estamos com as três pessoas mais fortes que já vi lutar, Daryl, Michonne e meu pai, já vi todos eles fazerem algo inusitado e louco para nos manter vivos, mas isso não muda o medo que tenho de algo dar errado e Angel acabar ferida, é só até ai que minha mente pode ir, mais não consigo nem imaginar.
─Se forem muitos como vamos acomoda-los? – Angel pergunta e todos olhamos para ela, não tem jeito de ela não fazer planos, a mente dela agora deve estar fervilhando de ideias.
─Não está na nossa lista de planos acomodar ninguém cara de esquilo! – Daryl avisa.
─Como não? A gente não está indo atrás dos sobreviventes?
─Não, estamos indo atrás de um sinal de fumaça!
─Que os sobreviventes fizeram Carl, o sinal é meu, eu que vi, então são sobreviventes e pronto! – Esse é o jeito Angel de argumentar, como posso não amar essa garota? Sorrio, Daryl também, ele e meu pai trocam um olhar no banco da frente.
─Vamos observar Angel, apenas isso, se forem sobreviventes então vamos esperar um pouco, ver como se comportam, se realmente precisam de ajuda, se podem ser boas pessoas, depois decidimos.
─Boas pessoas não sobreviveram! – Michonne diz com os olhos vidrados na estrada vazia.
─A gente sobreviveu, somos legais! Eu acho, não me lembro de termos feito nada que nos envergonhe, nos defendemos quando foi preciso, mas nunca começamos nada e chegamos até aqui!
─Sorte! ─ Michonne rebate as palavras de Angel.
─Talento, você é talentosa Mich, um pouco chata de vez em quando, mas talentosa.
─Sem planos Angel, vamos apenas esperar para ver onde estamos indo.
─Se lembra do pote de pudim?
─Sim, seu pai então nunca esqueceu – Michonne diz a ela e rimos todos.
─Viu como é chata de vez em quando, disso que estou falando, eu e o Carl estávamos lá bem sentadinhos e você chegou toda brava para levar a gente embora.
─Fala como se tivesse sido ontem, se lembra seu tamanho naquela época? Fugiram os dois, mais uma vez alias!
─Mich o Carl era bem mais velho, o erro foi totalmente dele! – Olho para Angel sem acreditar, ela não cansa de me colocar em confusão – Era sim Carl, admite.
Ela se encosta em mim sorrindo, depois seus olhos vão para a estrada, agora mais longe do que qualquer um dos dois já foi antes, entramos na cidade, meu pai dirigia mais lentamente as ruas estavam completamente vazias, íamos por ruas mais distantes do centro, olhando casas e carros abandonados, eles já estiveram aqui algumas vezes, tudo que temos veio dessas casas.
─Bom, acho que agora estamos perto demais para continuar de carro, vamos estacionar e seguir a pé.
Meu pai para o carro, olho em volta marcando o lugar, nunca se sabe o que pode acontecer, quem pode acabar sozinho.
─Está prestando atenção Angel? – Ela sorri, afirma, não cabe em si de alegria, damos as mãos, é automático, sempre fazemos isso, então seguimos o resto do grupo.
Quando viramos uma rua vemos uns quarteirões mais a frente algumas madeiras, folhas de formica e todo tipo de coisas fechando a calçada e a rua, paramos meio escondidos, detesto estar ali, por mim nem me dava ao trabalho de saber se são bons ou ruins.
─Olha ali, naquele quarteirão mais próximo, o edifício! – Mich nos mostra – Vamos até o telhado, de lá temos boa visão e podemos observar o que estão fazendo.
─Gosto mais de bater na porta e sorrir! – Angel diz seguindo o grupo.
─Você me assusta as vezes cara de esquilo! – Daryl passa o braço por seu ombro, ela faz aquela cara engraçada para ele que beija sua testa.
─Te amo pai! Agora começa nossa aventura.
─Sim esquilinha, não esquece, é do meu jeito.
─Eu sei.
Chegamos a portaria do prédio, felizmente Michonne encontra uma escada de emergência do lado de fora, fico grato, invadir o prédio e correr o risco de estar cheio de zumbis me preocupa.
Vamos subindo rápido e em silencio, um atrás do outro, Angel no meio, meu pai na frente e Daryl por último, então chegamos no telhado, seguimos abaixados até o parapeito, um ao lado do outro olhamos para o quarteirão logo a frente, estava todo fechado, de todos os lados.
O fogo vinha de uma fogueira alta num canto, lá eles queimavam zumbis, acho que os que encontraram nas casas e comércios que encontraram no perímetro.
Eles pareciam ter algumas armas, conto mentalmente o número de pessoas, acho que todos estão fazendo isso.
─Dezessete! — Aviso.
─Dezenove, tem dois ali dentro do carro, isso contando aquele menininho – Angel avisa e ninguém discute com ela, Angel sempre foi observadora.
─Dois rifles, algumas pistolas e umas facas! – Mich comunica.
─Mas quem pode garantir que eles não tem mais guardadas.
─Ninguém Carl, você está certo.
Daryl concorda comigo, eles estavam arrastando mais alguns corpos e empilhando próximos a fogueira, alguns apenas estavam parados ali, olhando em volta, procuro por vigias fora do lugar, ou no perímetro, nada, nem um homem fora.
─Deviam ter olheiros não acham, eu colocaria um homem exatamente onde estamos para garantir, nem podem ver se uma horda se aproxima! – Digo e todos me olham, procuram assim como eu algum sinal, mas não tem nada.
─Não olha para as garotas Carl – Angel tampa meus olhos com a mão – Sou sua única opção!
─Para Angel, não estou olhando nada! – Tiro sua mão do meu rosto, ela faz de novo – Daryl olha sua filha aqui! – Apelo empurrando sua mão de novo.
─Angel! – É tudo que ele diz, um pai muito mole isso sim.
─Me pediu em namoro Carl, agora aguenta! – Ela resmunga.
─Fui obrigado!
─Rick olha o Carl me magoando! – Agora é a vez dela apelar.
─Carl! – Me pai diz apenas e tudo bem, ele é meio mole comigo também, mas não sou um mala feito essa minha namorada maluca.
Michonne já é mais impaciente, e costuma ser mais brava também, ela entra entre nós, nos olha severa, prendemos o riso, não é como se estivéssemos mesmo brigando, isso quase nunca acontece.
─Eu não sei onde vocês acham que estão, mas isso é sério, fiquem quietos os dois!
─Eu sei, ele que começou! – Angel me atirando ao fogo mais uma vez.
─Ela...
─Calados! – Michonne acaba com a coisa e voltamos a nossa atenção ao grupo lá em baixo.
Ficamos meia hora ali, observando a movimentação, nada que indicasse que eram maus, nada que indicasse que eram bons, só conseguimos mesmo ver pessoas, acontece que pessoas são algo raro, perigoso e desconhecido para nós, pessoas são perigosas, mais do que zumbis, mais do que qualquer coisa a nossa volta.
─O que fazemos? – Eu pergunto cansado de ficar ali.
─Que pergunta, a gente vai lá e se apresenta, não é pai?
─Não sei filha, não parece boa ideia, eles não precisam de nós, nem nós deles, acho que devíamos apenas voltar para casa, voltar um outro dia para acompanhar como as coisas vão indo.
─Como assim eles não precisam de nós?
Angel não vai ser convencida facilmente a dar as costas as pessoas, ninguém gosta mais de gente do que ela.
─Angel, está vendo alguém em perigo ali? – Daryl questiona.
─Pai o que eles vão comer? Não se pode mais achar latas de pudim sobre armários, quer dizer, se não planta não come.
─Talvez cacem, caçamos ás vezes! – Rick pondera.
─Meu pai é o melhor caçador do planeta e já ficamos semanas sem uma carne descente a não seu galinhas, coelhos e porcos que criamos.
─Bom então eles podem criar animais também.
─Carl, eu não estou vendo nada!
Ficamos mais um tempo em silencio, sei que ela está maquinando uma maneira de nos convencer e claro que vai conseguir, é Angel, ela consegue tudo que quer.
─Combustível é algo que economizamos mais do que tudo, só usamos em necessidades estremas!
─Sim cara de esquilo, isso é verdade.
─Usamos para vir aqui, vamos voltar sem saber quem são o que querem, talvez tenhamos que voltar um outro dia para descobrir, gastar mais combustível, tudo porque ninguém quer ir lá dizer um oi.
─Já pensou em dizer um oi e receber uma bala na testa!
─Carl se for assim então melhor que seja nós, e aqui, do que eles batendo em nossa porta, com nossas crianças lá, sua irmã, meu irmão, o Henry a Beth grávida.
Acho que agora ela tocou fundo, meu pai, Daryl e Mich se olham, estão finalmente pensando a respeito, ela esconde um sorriso, me olha e sei o que está fazendo.
─Espero que se um dia eu ou nossos pequenos, sei lá, qualquer um de nós, estiver nessa situação que não seja ignorado por quem pode ajudar.
A cartada final, golpe baixo e certeiro, a cara de Angel, ela me sorri, passa por Mich que ficou entre nós e vem para meu lado, dou um beijo leve nela, até eu já estou convencido, não sei como faz isso.
─Ok, está certo, vamos saber afinal quem são essas pessoas, de onde vem e o que fazem aqui! – Rick determina.
Angel está animada, mas eu sei que ela não vai a lugar nenhum e vai ficar bem brava quando descobrir.
─Então vamos! – Sorri para o pai que nega com a cabeça.
─Você fica aqui com a Mich, nós três vamos.
─Está me enganando né pai? Eu vou junto.
─Agora não, agora fica aqui, se tudo ficar bem, se forem bons e resolvermos as coisas pode conhece-los.
─Pai isso é como um depende! Não gosto de depende!
─Depende faz parte da vida, ao menos da sua!
Eles organizam as armas, meu pai troca de arma com Mich, entrega a ela a sua que tem longo alcance e mira mais precisa, eles trocam um beijo rápido, quase nunca fazem isso em público, mas sempre gosto quando me lembro que somos uma família, que Mich é um pouco minha mãe agora.
─Porque a gente tem que ficar? – Angel não sabe perder.
─Esquilinha admita, é a melhor atiradora que temos, melhor que sua mãe até, preciso que nos dê cobertura com a Mich, além disso sabe o que pode acontecer com mulheres no caso de serem inimigos, não preciso dizer.
Amy me vem a mente, foi Angel quem me contou na única vez que a vi mais triste que qualquer coisa, quando descobrir finalmente com todos os detalhes porque Amy não voltou aquele apartamento quando ela era apenas uma menininha e Daryl a encontrou.
Aquilo é o bastante, ela se convence, e Daryl estava certo, pode ser que a gente apanhe, morra, mas para mulheres tudo pode ser sempre muito pior.
Beijo Angel, ela me abraça, depois beija o pai, se aperta a ele com os olhos tristes e preocupados, acho que agora se apresentar não é mais uma boa ideia para ela.
─Boa sorte e cuidado, eu e a Mich cuidamos de vocês!
─Se lembrem de ficar onde a gente possa vê-los! – Mich pede e depois de afirmar nos viramos.
─Carl! – Angel sussurra, me viro para ela – Vê se tem um gay lá – Eu não sei de onde vem essas ideias dela – Para o Connor!
─Como acha que vou descobrir algo assim? – Eu dou as costas a ela, meu pai e Daryl riam de mim, passo pelos dois e desço na frente.
Seguimos meio sem saber o que estamos fazendo, não é como a outra comunidade que encontramos, aquela foi sem querer, apenas demos de cara com eles, foram gentis, logo nos demos bem, eles também plantavam e não foi realmente difícil nos entendermos com eles, mas essa gente está bem fechada e não sabemos o que isso significa.
─Parados! – Ouvimos uma voz quando nos aproximávamos de uma entrada, finalmente nos notaram, eu penso quando paramos.
─Somos de paz! – Meu pai garante.
─Palavras! – O homem diz – Apenas palavras ao vento, o que querem aqui?
─Apenas conversar! – O homem surge a nossa frente, não está sozinho, mais um o acompanha, os dois nos apontavam as armas, nós ficamos ali, imóveis.
─Estamos ouvindo – O homem diz firme.
─Estamos de passagem, vimos a movimentação, não vemos muita gente viva por ai, ficamos curiosos.
─Olhem aqui, não queremos mais membros, o grupo é grande! – O homem comenta – Deem meia volta!
─Chegaram a pouco? – Meu pai ignora o comentário.
─Que diferença faz?
─Nenhuma, só queremos saber se tem mais gente por ai, se viram mais comunidades.
─Uma, e foi o bastante, não vão querer dar de cara com eles, melhor pararem de caçar pessoas – O aviso é claro, nos preocupa, agora se torna mais importante saber o que afinal aquelas pessoas sabem.
─Sabemos que tem gente ruim por aí, fizeram mal a vocês? – Daryl pergunta.
─Meia volta e fora! – O homem ameaça mais uma vez.
─Somos fortes, porque não querem mais ajuda? – Meu pai questiona.
─Cara ─ O homem diz impaciente ─ Temos mulheres aqui, crianças, o que restou de um lugar próspero, não vou coloca-los em risco por desconhecidos, chegaram até aqui, sigam a diante.
─Meu nome é Rick, esse é meu irmão Daryl, e aquele é meu filho Carl!
─Não queremos saber!
─Vamos pai, os caras não querem ajuda e não precisamos ajuda-los.
─O Carl está certo Rick, melhor irmos.
Nos olhamos, tentamos, eles não parecem mesmo maus, o que parece é que estão assustados, então o melhor é seguirmos em frente.
─Espere Dimitri! – Um homem mais velho surge – O que está havendo?
─Eles estão de saída! – Dimitri diz nos olhando sério.
─E porque está mandando braços fortes embora no meio desse caos?
─Ismael, não é boa ideia, nem sabemos de onde eles vem.
─Entrem! – Está claro que quem manda é o velho que ignora as palavras do outro e nos acena convidando, obedecemos sem muito entusiasmo.
Entramos e o grupo se reúne nos olhando surpresos.
─Chegamos aqui faz uns dias, dormimos nesse prédio, todos nós num único apartamento, depois não tivemos escolha, começamos a limpar e fechar, vamos ficar aqui, com o tempo melhoramos tudo.
─Comida? – Rick pergunta.
─Não temos nada para oferecer, sinto muito, a última refeição foi pela manhã, vamos pensar em algo, dois homens vão tentar caçar algo na mata! – Os três olhamos para o menino de uns nove anos sentado ao lado de uma mulher abatida.
─Me entenderam errado, ofereci comida, não pedi – Meu pai é mesmo o velho Rick de sempre.
Os olhos do homem se arregalam.
─Vamos até o carro Carl! – Daryl me chama, eu olho para meu pai – Seu pai vai ficar bem.
─Querem que um dos meus amigos os acompanhe?
─Não! – Daryl responde e saímos os dois, ando de cara fechada, levamos bastante comida, legumes e algumas frutas, carne de frango assada e pães, o objetivo era justamente esse oferecer aos possíveis amigos.
─Daryl eles vão saber que temos um lugar quando virem os legumes.
─Vão, mas o que pode ser pior, nos descobrirem ou deixarmos uma criança morrendo de fome?
─Entendi! – Pegamos tudo e voltamos.
Angel deve estar alucinada! Nem imagino a alegria que vai ficar quando souber como foi e as mil perguntas que vai me fazer.
Quando chegamos eles estavam reunidos com Rick, um homem nos abre a passagem e sinto pena de ver o quanto ficam emocionados quando veem a comida.
─Plantam?
─Sim! – Meu pai confessa.
─Não vieram pedir abrigo?
─Não Ismael, não precisamos de nada, viemos ver se nos oferecem risco e se precisam de algo.
Ismael concorda com um movimento, vê as mulheres dividindo a comida, a criança mastigando uma fatia do pão, seus olhos ficam marejados.
─Obrigado, éramos muitos, tínhamos um lugar, durou anos, crescemos, procriamos! – O homem sorri triste – Mas fomos encontrados, gente ruim, no começo era só gente querendo comida, homens armados, depois foram ficando gananciosos, um dia caímos, foi isso que restou e vamos reconstruir.
─Não correm risco conosco, vamos embora agora, voltamos em uns dias, podemos ajudar.
Meu pai promete e o homem aceita, eles apertam as mãos, e depois Daryl faz o mesmo.
─Não estamos longe, cuidado com as hordas, precisam de um homem no alto do prédio de vigia, viremos pelo norte – Daryl avisa – E quando forem caçar cuidado com as matilhas de lobos, eles não estão longe e estão famintos, podem ser mais perigosos que os zumbis.
Se podem, eu e Angel já fugimos de uma matilha uma vez, foi há uns quatro anos, ficamos presos em casa uma semana de castigo pela imprudência.
Quando chegamos perto do prédio Angel e Mich nos esperavam na ponta da escada, abraço Angel, ela sorria tão feliz que só posso sorrir de volta.
─Me conta tudo! – E é isso que faço, conto cada detalhe meia dúzia de vezes durante toda a viagem, me lembra a Angel da infância, seus olhos brilham assim como os meus, ver Angel feliz sempre me faz feliz.
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