Ressurreição - O julgamento final 2
2 Capítulo 2 - O que nos aguarda
Notas iniciais
Pov – Daryl
─Andei te procurando – Amy diz quando entra no quarto e me vê deitado olhando para o teto, ela caminha até mim, se deita ao meu lado, se enrola em mim como de costume, a cabeça no meu peito, me dá tranquilidade saber que sempre está comigo – Essa mão na testa e esse olhar perdido é sinônimo de preocupação.
─Estava só pensativo, nada demais.
─Para uma esposa ciumenta como eu é ótimo saber que o marido é um péssimo mentiroso.
Isso era um fato, eu era casado com o raio de uma mulher ciumenta que era de assustar, desde o começo ela sempre foi assim, não consegue evitar, me arranca um sorriso, na verdade eu devia odiar, mas para um Dixon esse tipo de coisa faz bem, é um jeito de sentir seu amor.
Só uma vez isso nos afastou, odeio me lembrar daquela Tessa e do quanto colocou Amy e nosso amor em risco.
─Nunca pude entender de onde vem tanto ciúme.
─Sempre digo que não se enxerga direito, tem uma visão completamente distorcida de si mesmo, é perfeito, tenho que cuidar para ninguém me roubar você.
─Está certo namorada, entendo isso! – ela morde meu ombro, não tem como não rir – Você gostava de ser minha namorada! – Provoco.
─Quando eu era sua namorada, agora sou sua mulher, há anos se lembra? Não gosto quando finge que esqueceu isso.
─Nunca, foi numa loja de bebê, comprando roupinhas para meu pequeno.
─Agora pare de me enrolar senhor Dixon, o que sua esquilinha fez?
─Nada! – eu respondo, ela não fez mesmo – Apenas conversamos um pouco lá no telhado, sobre... sobre a vida dela, o Carl e sexo.
Amy acaricia meu rosto, depois com delicadeza, me faz olhar para ela, aqueles olhos vivos de sempre, cheios de amor e tranquilidade.
─Passa por cima de muitas coisas para ser o melhor amigo dela!
─Eu aguento o tranco! – Digo roubando um beijo de Amy.
─Não precisa, nada vai mudar esse amor dela por você, não é um cara moderno, não precisa fingir que é.
─Não finjo, quero mesmo ajuda-la, quero que dê tudo certo com ela e com o Carl, ele ama minha esquilinha, ela o ama, mas não é fácil vê-la crescendo, e depois, não quero que ela procure outra pessoa, que ache que estou fazendo de novo.
Nenhum de nós dois superou o que fiz, ela sempre teve medo de me perder, acho que se não gosta de mudanças é por isso, por que eu a deixei uma vez.
─Eu salvei aquela cara de esquilo, cuidei dela, e um dia entreguei minha esquilinha para Lori e Carol, menti dizendo que era o melhor para ela, mas não era verdade, eu não a queria, não queria as mudanças que ela trazia, as preocupações, e no fim ela acabou perdida na floresta com Sophia.
─Depois você a encontrou, pegou ela de volta e nunca mais se separou dela, acho que Angel nem se lembra mais disso.
─Talvez não conscientemente, mas ficou marcada.
─Amor, está errado, se a Angel tem algum trauma, o que não vejo, é mais possível que seja culpa do Nolan, enquanto você sempre lutou por ela, ele que devia amar a filha mais do que tudo abandonou, pior, tentou nos matar!
─Canalha, tentou me tirar tudo que eu tinha e tenho, mas não conseguiu, estamos todos aqui agora, eu estou bem, gosto de ser o confidente da minha cara de esquilo, durante um tempo só tínhamos um ao outro, isso nos fez assim, é mais que pai e filha, se ela quer me contar sobre as... eu posso aguentar.
─Nem consegue dizer, se falam sobre tudo devia dizer a ela que ainda pensa nisso, em quando deu ela para Carol e Lori – Amy ri – Isso é tão bobo, amo isso em você, se preocupa com cada detalhe, não basta que estejamos vivos, temos que estar todos felizes.
─Sei como pode ser ruim ficar sem nada, sem ninguém, ter pessoas que estão a sua volta mas não se importam e sei como é quando se importam, então prefiro me importar.
─E eu prefiro te amar!
Eu beijo Amy, depois ficamos ali, abraçados um tempo, me lembro do sinal de fumaça.
─Será que tem mesmo gente por aí?
─Não sei, ás vezes quero que tenha, outras me da medo, temos um bom grupo, nos acostumamos com todos.
─É mas se pensarmos nas crianças acho que gente é boa ideia, um mundo maior que nossos muros, zumbis quase não são mais problema, a última horda que afastamos foi há meses, quem sabe não é hora de abrir fronteiras, Eugene sempre fala sobre isso.
─Abrimos uma vez, criamos relações e acabaram todos mortos, foi sofrido para todos nós.
─Foi, cadê meu filho? – Pergunto me dando conta que já estava escurecendo.
─Fazendo o dever de casa no quarto dele com um bico enorme.
─Eu vou falar com a professora dele, ela é muito chata, fica enchendo meu filho de lição, o coitado não tem sossego!
─Ouvi dizer que ela é brava, vai enfrenta-la? – Amy pergunta com aquele ar sedutor, ainda faz meu coração disparar.
─Estou acostumado, minha mulher é brava sei lidar com isso.
─O que pretende fazer?
─Posso seduzir a professora! – Ela me dá um tapa no ombro, faz cara de brava – Você é a professora mulher louca! Está com ciúme até de você?
─Chega de conversa! – Ela diz quando me puxa para ela.
─Uhm, quer uma atençãozinha?
─Preciso! – E lá estamos nós no meio da tarde, completamente envolvidos, esquecidos de todo o resto, perdidos um no outro, quando nos separamos o quarto estava escuro, ela sorri.
─Seu filho vai perguntar por que sumiu a tarde toda papai!
─Vou dizer a verdade, que estava descansando um pouco e fui atacado, admita, faz isso de vez em quando, me obriga!
─Tem a cara de pau da sua esquilinha!
O grupo estava reunido quando chegamos, as longas mesas do refeitório cheias de pessoas jantando.
─Caramba pai, onde você foi? – Max pergunta quando me sento com ele e Angel para o jantar.
─Tive que resolver umas coisas filho, já resolvi tudo! – Amy se senta ao lado dele – Fez a lição que a professora má passou?
─Viu mãe, o pai também acha, a Angel disse que era muito má com ela também e a Judy disse que não, que você é legal e ela vai ser professora quando crescer e você ficar velha.
─Então está perto! – Maggie se senta conosco, Glenn vem logo depois com Henry no colo.
─Quer que eu segure ele enquanto come? – me ofereço.
─Ele não vai falar Daryl antes de Glenn, quer dizer pai! – Glenn resmunga, sei como é isso, vivo provocando mas não faria isso com ele.
─Carl cadê seu pai e a Mich?
─Adoraria saber Daryl, mas não tenho ideia desde o meio da tarde não o vejo.
Amy e Maggie trocam um olhar que responde minha pergunta, procuro por Beth e Brian Tyler, nada de nenhum dos dois.
─A Beth está bem? – Pergunto e adoro que minha mulher não tenha ciúme da Beth porque depois da minha família é com quem mais me preocupo, ela fez muito por mim quando precisei.
─Deitada, teve uma tontura mais cedo, o Taylor achou melhor ela ficar na cama hoje.
─E a fumaça Glenn? – Angel pergunta.
─Apagou, sumiu uma hora depois que assumi a vigia.
Esquecemos o assunto, jantamos em família e depois encontramos Rick e Mich descendo quando subíamos, acho que tinha gente trocando o dia pela noite e eu não estava me referindo a minha tarde com Amy, sorrimos e vamos para cama.
─Seus filhos já estão dormindo, vai lá vê-los que te espero aqui.
Entro no quarto, Angel dormia como de costume, toda espalhada, acho que isso dizia muito sobre ele, tiro suas botas, beijo sua testa e sigo para Max, ele estava encolhido num canto, amanheceria na mesma posição, parecia uma pedra dormindo, tiro os tênis e beijo sua testa, as vezes acho que parece mais comigo, outras mais com Amy, agora ali, me lembra ela mais do que qualquer coisa, gosto disso.
Caminho até a porta, observo os dois um instante, penso na fumaça, no medo de um dia isso acabar, no desespero que foi caçar minha filha quando a prisão caiu, o que quer que seja não pode chegar até aqui antes de termos certeza.
─A fumaça voltou! – Brian diz se juntando a todos na mesa do café ─ Chamei o Glenn ele disse que é no mesmo ponto, do mesmo jeito que ontem.
─Sou muito a favor de irmos até lá! – Mich diz e mesmo que agora seja como uma mãe para Judy e Carl ela ainda é durona e não foge da luta.
─Eu também, melhor irmos lá antes que venham aqui, também produzimos fumaça, barulho, podemos ser encontrados.
─Ok, vamos organizar uma equipe, observação, nada de contato! – Rick diz decidido e acho perfeito.
─Deixa eu ir pai, se vamos só observar não vai ter problema! – Minha esquilinha me pede, penso um instante, e se forem inimigos? Se um dia estiverem em nossa porta, se esse lugar cair? Ela precisa ser capaz de viver lá fora, olho para Amy.
─Se vai estar com ela tudo bem.
─Pode cara de esquilo, mas do meu jeito, sempre do meu jeito, não do seu.
Ela sorri orgulhosa, Carl pisca, os dois precisam mesmo começar a ganhar esse mundo, depois do café vamos para sala de Eugene, conversar e montar um plano de ação.
─Quem acham que deve ir? – Eugene pergunta.
─Não quero montar nada grande, acho que se é uma missão de reconhecimento umas cinco, seis pessoas está ótimo – Rick decide.
─Eu vou e Angel também, então acho que o Carl não vai abrir mão de ir...
─Eu vou – Carl me corta, troca um olhar com Angel e sei que estão bem isso é ótimo.
─Certo, vou com Mich também.
─Rick eu posso ir, a Maggie fica com o Henry e eu...
─Não! ─ Dizemos eu e Rick ao mesmo tempo – Melhor ficar Glenn, Maggie precisa de você por perto – Continuo, não tem muitas pessoas em quem eu confie cegamente e a maior parte delas está indo comigo.
─Além disso sem nós é você quem cuida das coisas aqui! – Rick completa ele afirma e depois disso é com Eugene e seus milhões de cálculos, não sei como ele consegue transformar tudo em fórmulas, calcula tempo, distância, o quanto vamos precisar de comida, água, por mim era só pegar umas armas e seguir para lá.
Depois de uma hora e meia de cálculos podemos recolher o material necessário, armas, as que sempre tivemos, munição, as que agora produzimos, não em grande escala, mas como usamos pouco ao longo do tempo sempre temos um bom estoque, comida, isso há muito não falta, água, e depois combustível, iriamos em um carro, era raro usarmos carros.
─Está em bom estado! – Peter diz se juntando a nós, chegou há cinco anos, é bom com mecânica e cuida disso desde então – Ontem mesmo eu testei, boa sorte lá fora!
─Obrigado Peter, ajude o Glenn e o Brian – Rick pede e ele afirma.
─Bom todo mundo tem uns minutinhos para se despedirem – Mich diz seguindo para Judy que a abraça carinhosa.
─Cuida da minha menininha e traz meu marido de volta – Amy me beija, eu a envolvo, ela é boa lá fora, quando precisa é tão capaz quanto eu, mas sabemos que Max precisa dela e que esse lugar precisa dos mais fortes, seu trabalho é aqui dentro, educando e protegendo, o meu é lá fora e mesmo com medo, vivemos bem com isso.
─Te amo, vamos ficar bem, pelos mil cálculos do Eugene, ele acha que ainda hoje podemos estar de volta, de noite é claro, se cuida e não tenha medo.
─Está exigindo muito de mim!
─Sei que sim, mas a quem eu confiaria a segurança do nosso filho?
Max vem para perto de mim, os olhos preocupados, meu garotinho um dia vai estar como Angel, com uma arma nas costas e saindo lá fora, ele é agora grande demais para pega-lo no colo, mas mesmo assim é só um garotinho.
─Volta logo pai, eu queria ir também.
─Um dia você vai! – Ele me abraça – Por enquanto quero que cuide da sua mãe.
─Eu cuido, ela vai ficar chorando toda hora e tenho que ficar lembrando ela que você é muito forte e que os zumbis nunca te pegam.
─Isso, te vejo na volta.
Ganho mais abraços, um beijo e depois é hora de partir, Angel abraça a mãe, beija o irmão, Connor se aproxima, triste, são muito amigos.
─Se cuida lá fora, você parece louca, devia ficar segura aqui dentro.
─Quero ver o mundo Connor, saber se ainda é ao menos parecido com o de antes, preciso! – Os dois se abraçam e depois de beijar mais uma vez minha mulher e meu filho sigo para o carro com minha cara de esquilo ao meu lado.
─Obrigada pai! – Minha esquilinha sorri assim que ganhamos as ruas – sabia que um dia ia ser assim, nós dois juntos ganhando o mundo.
─Vamos ver o que nos aguarda afinal.
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