Ressurreição - O julgamento final 2
12 Capítulo 12 - Busca
Notas iniciais
Pov – Carl
Eu talvez tenha sido muito duro com ela, Angel passou mesmo por tantas coisas, deve ser confuso para uma garotinha saber que o próprio pai tentou matá-la, que a tia saiu em busca de uma forma de protege-la e acabou abusada.
Me esqueci de tudo isso, dela sozinha na floresta, de ter se separado de Sophia e depois como todos ter visto Sophia saindo daquele celeiro, de se perder do pai quando a prisão caiu, ela está sempre tão feliz, Daryl deu tanto a ela que apagou da minha memória tudo que ela passou.
Eu a fiz chorar, ela está certa sobre tudo que fez por mim, eu sempre cheio de raiva e rancor, lutando em meio a escuridão e Angel me trazendo de volta, me fazendo sorrir, perdi minha mãe, mas ela me amava, tivemos um momento juntos, uma despedida cheia de amor, Angel não teve nada disso.
Bato na porta de seu quarto, se a conheço bem está encarando o teto, como não tem resposta abro a porta, ela não está, só pode estar com Ringo Star, me viro descendo as escadas, não tem nada no mundo que a deixe mais feliz do que aquele cavalo.
Eu não sei o que nos aguarda e não quero começar isso brigado com ela, desço as escadas, o grupo reunido acertando detalhes, meu pai apontando aqui e ali, sei que está distribuindo tarefas de proteção.
─Carl! – Meu pai me convida com um movimento de mão — Precisa participar disso.
─Eu já venho! – Aviso me afastando, estranho ela não estar lá dando palpite e chorando para o pai deixar que siga conosco se formos a comunidade.
O estabulo parece estranhamente mais vazio, junto as sobrancelhas, não é só o fato de Angel não estar ali é... Cadê o Ringo Star?
─Não acredito! – Digo em voz alta demorando a raciocinar, falta quatro cavalos, entre eles Ringo Star e isso só pode significar uma coisa – Aquela idiota! – Grito me virando apressado.
Ela, Redan, Vickie e quem mais? Não acredito que fez isso, não acredito!
Todos param de falar quando me assistem correm em direção a eles, olham em volta em busca de um sinal de inimigos, paro diante de Daryl não queria estar na pele dela quando for encontrada.
─Angel, aquela maluca, irresponsável, ela, ela não tem nada na cabeça, é uma...
─O que aconteceu? – Daryl grita – Angel! – Olha em volta em busca da filha – Fala de uma vez.
─Os cavalos, quatro, Ringo inclusive, não estão lá, ela saiu, saiu eu sei que sim!
─Minha esquilinha não... Amy acha...
─Sim, minha filha! – Ela abraça Maggie, Daryl anda de um lado para outro.
─Com quem? – Ele pergunta.
─Redan não está, nem Vickie.
─Não acredito que ela se arriscou com aquela... Temos que ir.
─Quem mais Carl? – Amy questiona olhando em volta, todos os fortes e preparados estavam ali – Connor deve saber, cadê aquele garoto, como pode deixa-la ir?
─Connor! Connor! – Daryl grita pelo garoto, depois de uma busca rápida e inútil pela fábrica descobrimos que ele não estava, justo ele, o mais frágil de todos, o mais querido para ela, Angel vai fazer qualquer loucura por ele.
─Melhor pegar um cavalo, acho que posso encontra-la, quanto tempo acha que faz? – Daryl questiona.
─Eu os vi conversando tem umas três, quatro horas eu acho! – Glenn diz meio incerto.
─Espera Daryl! – Meu pai o segura quando ele e Amy começam a caminhar – Não vai alcança-los de carro, vamos de uma vez para essa comunidade, estamos nos enganando aqui, encolhidos rezando para que não nos encontrem, cedo ou tarde vão encontrar e se querem guerra melhor que seja na porta deles não na nossa.
─Rick está certo, vamos levar a guerra para o lado de fora da fábrica.
─Pode ser agora por favor? – Não acredito que me deixou de for disso, a culpa é minha se não estivéssemos brigados eu saberia disso e nunca teria permitido.
Uns minutos recolhendo armas e Amy logo sente falta de algumas, sua mão tremiam quando colocava as armas e munições nas mãos de todos nós.
─Não levou muito, mas levou! – Avisa a Daryl.
Dividimos o grupo, dez pessoas iriam, o resto ficaria para proteger a fábrica, Daryl e Amy abraçam Max que chorava assustado, Meu pai e Mich envolviam Judy, o pequeno Elliot olhava tudo assustado e sinto pena do garotinho, está prestes a perder sua família se já não perdeu, mas eu não vou perder a minha.
─Eugene, você e Rosita cuidam de tudo! – Meu pai diz sério quando caminhávamos para os carros, Tyler beija Beth, pede que fique tranquila e faz recomendações ao doutor Taylor.
Os dois carros partem em alta velocidade, temos que ganhar tempo, se conheço Angel foi pela floresta, foi criada por Daryl Dixon, ela conhece a mata muito bem, iria preferir, além disso chegaria despercebida, estou sentando no banco de traz, Glenn e Maggie ao meu lado, meu pai e Mich na frente, todos absolutamente calados.
─Vou parar antes da linha de visão deles, então vamos a pé, é o melhor que podemos fazer! – Meu pai diz acelerando o máximo que pode porque atrás dele Daryl dirigia alucinado.
Angel não sai da minha cabeça, nossas aventuras infantis, os beijos, os passeios a cavalo, as brigas bobas, as sérias, eu a amo, ela tem que ficar bem, me coração é só escuridão e medo, minha mente fervilha, não vou ficar sem ela, não posso, não posso.
─Carl precisa manter a mente fria, não coloque tudo a perder, se a vir não faça tolices, Angel não é tola, sabe se defender.
─Como pode dizer que não é tola depois do que fez?
─Calma filho, ela é bem treinada, vai saber o que fazer, não vai invadir a comunidade de peito aberto, aposte nisso.
─Vou fazer o que for preciso e ninguém vai me impedir! – Aviso num tom firme e ele e Mich trocam um olhar, sei o que significa, vão ficar de olho em mim, me veem como um garotinho tolo e talvez eu seja, mas agora só quero aquela cara de esquilo em meus braços.
─Eu não dei a chance que ela pediu! – Digo em voz alta, não era para ouvirem, era apenas minha mente confusa trabalhado.
─Vai ter tempo para isso! – Maggie responde secando uma lágrima – A gente pensa que acabou que é tempo de reconstruir e é só tempo de guerra como sempre foi!
─Esse mundo deixou as pessoas malucas, sem direção.
Glenn comenta e não quero conjecturar sobre o mundo que vivemos agora, é o mundo que temos e que se dane, só quero Angel.
─Fumaça! – Michonne diz forçando a visão, olhamos todos para frente, nos dobrando um pouco, meu pai diminui e assistimos um incêndio, vem da comunidade, meu coração falha.
─É o prédio que eles montam vigia, isso significa que podemos chegar mais perto de carro.
Agora não falta muito, meu pai enfia o pé no acelerador e agradeço, quero minha namorada de volta.
─Sabe que não volto sem ela não é? – Aviso logo porque não quero ninguém recuando.
─Carl, estamos falando de Angel, um dia ela salvou minha vida quando protegeu sua irmã, não me esqueço disso, nunca me esqueci, não vai voltar sem ela, não se preocupe sobre isso.
Avistamos carros parados na estrada, meu pai e Daryl param os dois carros fechando a estrada, acho boa ideia, por aqui afinal esses malditos não passam, estarem virados em direção a nós pode ser indicio de que alguém abriu o bico, tem mais focos de incêndio e isso é preocupante.
Nos posicionamos atrás dos carros, no momento apenas observando, nada de cavalos, tiros, coisa alguma, apenas o foco de incêndio, isso vai trazer zumbis, não podemos perder tempo.
Assisto os homens começarem a sair de lá de dentro, trazem reféns com eles, observo cada um com medo de Angel estar entre eles, faço mira disposto a derrubar qualquer um que arrastasse ela daquele jeito.
Amy e Daryl parecem tão tensos que posso sentir, nos olhamos os três, sabemos que não vamos voltar sem ela, que podemos nos atirar na frente de uma bala ou zumbis por ela, é bom não estar sozinho sobre isso.
Então ouvimos uma bomba, depois outra, nos abaixamos, e a terceira acerta o carro com reféns dentro, sei que são eles, só não entendo porque começaram aquilo se vieram para proteger as pessoas porque mataram seu próprio grupo?
─Eles estão confusos, vamos aproveitar agora! – Daryl avisa e começamos a atirar, sei que Angel está na floresta nesse momento, é de lá que vem os tiros, e as bombas.
Tem muita fumaça em volta deles, não os vemos muito, mas sei que pelo menos dois ou três caíram.
─Daryl, aproveita a confusão, vai pela floresta pegar a Angel, Amy e Carl vão com você, vamos conte-los por aqui.
─Certo, nos vemos em casa! – Daryl avisa e pego mais uma arma uma caixa de munição e corremos abaixados em direção a floresta enquanto o grupo atira sem parar nos dando cobertura.
─Vai encher de zumbi em breve, fiquem atentos! – Daryl diz quando chegamos a floresta e corremos todos em direção ao que deveria ser o grupo de Angel.
Uns minutos depois alguns vultos passam correndo pela floresta, não podemos atirar, não sei se é Angel ou os caras atrás deles.
Apenas corremos, Amy acerta um zumbi que avança e eu nem o tinha visto, Angel também não veria um assim tão rápido.
─Eles têm cavalos, não se esqueçam! – Daryl me tranquiliza um pouco, na estrada a guerra continuava com tiros e explosões.
─Será que fugiu? Será que foram seguidos?
Continuamos seguindo, então Daryl para, os tiros parecem ter diminuído, torço para meu pai ter conseguido, no fim estávamos em uma boa vantagem.
─Aqui, estavam aqui, voltaram – ele aponta a floresta – Entraram mais fundo. Vamos!
Seguimos Daryl sem reclamar, realmente eles não foram em direção a fábrica, talvez eles possam ter sido seguidos, apressamos o passo, Daryl não esconde que está muito preocupado.
─Uns quilômetros nessa direção têm uma cidade, acha que Angel sabia disso? – Amy pergunta.
─Não, mas foi para lá que seguiu, possivelmente fugindo.
Zumbis começam a surgir, não quero me desviar das pistas, então me precipito acertando o primeiro, Daryl e Amy me ajudam, juntos e em formação vamos pegando todos, mesmo cercados ainda não estamos em risco, são apenas seis, eles caem todos, nos olhamos cansados, nunca acaba, essas coisas mal se suportam de pé, mas continuam e continuam.
─Vamos, não é tempo para descanso.
Amy parece agora mais calma, olhamos para ela que suspira.
─Minha filha está bem! – Diz firme – Não tem mais oito anos, sabe se defender, entende de armas, pode caçar com armadilhas, mata zumbis se for preciso e conhece a floresta tão bem quanto o pai, ela vai saber se proteger até encontrarmos com ela.
─Vai! – Daryl por sua vez está taciturno, os olhos escuros, sua cabeça deve estar trabalhando com as piores hipóteses.
Meia hora depois paramos de andar, um homem está caído, zumbis se alimentam de suas entranhas, ao seu lado uma arma, nos olhamos, ele perseguiu o grupo, tentou alcança-los, passo a mão pela testa, suspiro.
Retomamos a caminhada nos desviando um pouco.
Estamos cansados sedentos e somos incapazes se quer de falar sobre isso, apenas continuamos.
Escuto gemidos, uma boa quantidade deles, nos juntamos um pouco, olhando a floresta, Daryl aponta sua direita, olhamos e as folhas das arvores começam a balançar nos avisando que não eram poucos.
─Será que encontraram...
─Não Carl, ela fugiu deles! – Amy não me deixa terminar, ela sempre fica tão forte quando coisas assim acontecem, fica cega para todo o resto, parece uma parede de tão forte – Vamos.
Devíamos seguir em frente, mas algo dá errado, zumbis começam a aparecer de todos os lados e dessa vez não podemos nos juntar em grupo e derruba-los, é um mundo deles.
─Que merda! – Daryl esbraveja – Eles seguiram para o norte, temos que ir para o norte!
Começamos a tentar fugir dos zumbis, preciso acertar um, empurrar outro mais a frente, vejo Amy e Daryl fazendo o mesmo, vamos nos separando, correndo em direções diferentes impedidos de nos juntar por conta dos zumbis.
─Carl! – Amy grita por mim – Vem!
─Não dá! – Eu grito – Vão sem mim! Encontro Angel, não vou desistir! Sai daqui infeliz! – Atiro porque estou ficando cercado demais para agir diferente, depois corro, Daryl e Amy fazem o mesmo.
Estou sozinho, mas isso não muda nada, acho que devo ter corrido mais de meia hora quando finalmente me sinto seguro o bastante para parar um instante e respirar com os pulmões ardendo e a garganta seca.
Sigo andando, demora mais quase uma hora para achar o leito do rio e matar minha sede, depois continuo, não queria estar sozinho quando a noite caísse, a floresta não é minha especialidade embora tenha aprendido um pouco sobre isso.
Pelo menos agora temos duas frentes de trabalho, Amy e Daryl de um lado e eu do outro.
Me ponho a andar, quero chegar a cidade antes de anoitecer, porque ela mudou seu caminho? Porque seguiu para longe se podia ir em direção a fábrica?
Angel não está sozinha Carl, ela tem ajuda! – Tento me lembrar disso, é o único jeito de manter a sanidade e seguir, se tiver algum rastro dela, Daryl vai encontrá-la, pela terceira vez ele vai achar Angel.
A floresta vai mudando sua dinâmica e logo percebo que estou chegando a uma cidade, cruzo uma pequena estrada de terra quando vejo as primeiras casas do outro lado, a noite começava a cair, nenhum sinal a minha volta de que Angel possa ter estado ali.
Corri muito, me distanciei demais do caminho original e ela pode ter pego a cidade em algum outro ponto, decido que voltaria pela estradinha em busca de algum sinal antes de me arriscar naquelas ruas, quando escurecer será perigoso, não carrego uma porcaria de lanterna, nunca pensei em mim sozinho no meio da noite.
Ouço gemidos, um zumbi começa a me seguir, lento uns metros atrás, ignoro e sigo em frente, meia hora de caminhada e o desgraçado não desistiu de mim, olho para trás, falta lhe um braço, idiota.
Volto a caminhar, outro sai da mata, acelera e se agita ao me notar, pego a faca e acerto ele que tomba, nada de marcas de cavalos, pegadas, coisa alguma, a luz do dia chegando ao fim, prefiro morrer sozinho nessa porcaria de meio do nada a voltar sem ela.
O zumbi me seguindo de repente me perturba, seu gemido constante, sua completa determinação, Angel perdida, a noite dominando tudo, uma angustia me invade de modo a me dominar, queria gritar e soltar toda minha frustação, mas até isso nos foi tirado, nem mesmo voz temos mais.
Me volto decidido a dar fim aquele monstro, apresso o passo cheio de fúria, passo a faca por seu rosto, ele tomba quando a violência do golpe lhe arranca pele morta e sangue podre, me atiro sobre ele e golpeio, uma, duas, três, repito o processo até quase perder as forças, depois me deixo cair a seu lado.
Mal posso respirar, o céu está agora escuro e foco a visão assistindo as primeiras estrelas se anunciarem, aquele corpo podre ao meu lado me protege de possíveis inimigos, me deixo ficar ali um momento, decidindo que caminho seguir.
Penso nos quadrinhos que desenhava até pouco tempo, as aventuras em preto e branco de dois garotinhos no meio do apocalipse, os personagens foram crescendo junto conosco, ela sempre me pedindo para colorir o vestido dela, quando chegarmos vou fazer isso, vai ser meu presente.
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