Ressurreição - O julgamento final 2
13 Capítulo 13 - Lagrimas
Notas iniciais
Pov – Angel
Galopamos em meio a tiros agora mais perto do que deveriam, o cavalo de Connor refuga diante de um tronco, está assustado demais com os tiros, Connor cai do cavalo, mas consegue continuar segurando o animal pelas rédeas, me aproximo, Vickie dispara mais a frente, Redan para comigo, ajudamos Connor.
─Está ferido? – Não podemos parar, ele monta novamente de modo atrapalhado, um tiro atinge um tronco de árvore logo a nossa frente, me abaixo um pouco, mais por reflexo que sabedoria, os cavalos agitados demais e então olho para trás alguns homens correm em nossa direção, mais tiros são disparados – Vamos! – Dou um toque em Ringo Star, ele galopa obediente sigo na frente na esperança que os outros cavalos o sigam, corremos o máximo que podemos, o máximo que os cavalos podem e então os tiros acabam.
Desvio de um zumbi, Redan acerta um tiro em outro e Connor apenas nos acompanha assustado e perdido, Vickie nos esperava mais a frente, achei que nos perderíamos dela.
─Eles ficaram para trás, mas não podemos seguir direto para fábrica.
─Porque Angel? – Connor pergunta tenso.
─Os cavalos deixam muitas marcas, eles podem seguir isso e acabamos entregando a fábrica para eles, vamos seguir em frente e pegamos outra direção!
─Ela está certa! – Redan diz a Connor tentando acalma-lo – Vamos em frente um tempo, tem uma cidade, lá podemos desviar e eles vão achar que ficamos por lá.
─O que acha que três ou quatro caras podem fazer contra todos na fábrica?
Vickie questiona quando começamos apenas a cavalgar de modo tranquilo.
─A gente sabe quase nada sobre eles, quem garante que são apenas eles, que não tem mais?
Ela revira os olhos e segue em frente, um grupo de zumbis surge e galopamos, o tempo todo me preocupo com Connor, procuro ficar a seu lado e então chegamos a uma pequena estrada e do outro lado casas começam a surgir.
Alguns zumbis saem da floresta, eles vêm de direções diferentes, uma dúzia, talvez mais.
─Vamos entrar na cidade de uma vez! – Redan diz e parte na frente, Connor logo o segue, eles galopam apressados, Vickie me olha assustada, sabe assim como eu que não se entra em uma cidade a cavalo dessa maneira intempestiva.
─Connor! – Eu grito – Não!
Ele não me escuta e disparo atrás deles, Vickie não me segue, sabe dos perigos e não se arrisca.
Meu coração se parte quando assisto o cavalo de Redan ser cercado por zumbis assim que me aproximo.
─Redan! – Connor grita, avança para ele, começa a acertar zumbis, os cavalos assustados, o de Connor se ergue relinchando desobediente, balança as patas dianteiras no ar, derruba Connor sobre um zumbi que morde sua perna ao mesmo tempo que outro ataca seu ombro, começo a atirar em desespero derrubo os dois e Ringo Star obediente e corajoso se aproxima para me ajudar a recolher Connor que sobe atrás de mim.
Redan e seu cavalo somem em meio ao pequeno mar de zumbis, ainda ouvimos seus gritos desesperados enquanto era devorado, eu ainda atirava furiosa, não quero pensar no que está acontecendo, mas sei que não tem mais nada a ser feito.
─Vamos! – Sinto a mão de Vickie tocam minha blusa, ela dispara com a pistola e só então me dou conta que assim como Redan, estamos ficando cercadas, galopo sem enxergar bem o que estou fazendo porque meus olhos estão cheios de lagrimas.
─Temos que ir coração! – Connor grita em minha garupa, sinto um liquido quente me molhar as costas, sei que é seu sangue.
─Anda! – Vickie exige e viramos os cavalos para partir, meio quarteirão e zumbis surgiam de todos os lados, acabou, não tem como sair disso.
─Desce Connor! – Eu peço a ele, que me obedece, faço o mesmo, zumbis caminhando daquele modo lento e cego em nossa direção. Ringo Star pode tentar, eu prometi a ele, disse que se tudo se perdesse eu lhe daria uma chance.
─O que está fazendo? – Vickie pergunta chocada. Connor dispara, um zumba cai uns metros antes de nos alcançar.
─Dando uma chance a ele, eu prometi! – Soluço, um zumbi se aproxima, acerto sua cabeça com meu machado, Ringo Star é sensível, inteligente, vai se salvar, se morrer pelo menos ele tentou – Vai! – Grito acertando seu dorso, ele dispara alguns zumbis o seguem, outros se viram para mim e então Vickie faz o mesmo, salta do cavalo e o acerta, ele corre seguindo Ringo Star.
─Vem Connor! – Nos apressamos em direção a uma escada de incêndio, num prédio de três andares, subimos enquanto Connor ia deixando seu rastro de sangue, está cada vez mais fraco.
Ajudo Connor a se deitar quando confirmo que o lugar está limpo de zumbis, meu amigo está pálido, tento conter o sangue, minhas mãos ficam molhadas daquele liquido viscoso que nos mantem a todos de pé e que agora está decidido a abandonar meu melhor amigo.
─Sinto muito querido, eu não sei o que fazer, eu não consigo – Minha voz reflete todo meu desespero e contrasta com o rosto sereno de Connor.
─Não tem mais nada a ser feito Coração, é hora de partir.
─Shiu, não diz isso, você vai conseguir, eu não sei ficar sem você.
─Eu te amo sabia? Muito, me salvou.
─Não, eu deixei que viesse, não estava preparado, a culpa é minha, me perdoa! – Soluço me abraçando a ele.
─Eu não vim por você coração, vim pelo Redan, queria conquista-lo, consegui não foi?
─Foi! – Choro ainda mais – Conquistou ele completamente.
─É mesmo um Anjo, seu nome diz tudo – Connor afasta meus cabelos do rosto, a mão suja de sangue, sorri ainda mais abatido – Tive uma vida miserável e solitária, cheia de medo e preconceito até você chegar e me salvar, foi meu anjo da guarda dia e noite, me deu amor e amizade, é meu porto seguro, você sempre faz isso coração, salva e enche de alegria todo mundo que está a sua volta.
─Connor, não me deixa! – Beijo seu rosto, me afasto para olha-lo mais, a mão dele se prende a minha com o resto de suas forças.
─Salvou seu pai, sua mãe, o Carl, e eu, agora vai voltar para eles, e vai ser feliz!
─Não desiste! – Imploro como se ele pudesse controlar aquilo.
─Coração eu no fim tive tudo, casa, família, uma irmã e um amor, consegui e estou em paz sobre isso, fui corajoso no final, não fui?
─Muito! – Uma dor rasgava meu peito e eu nem sabia que se podia sofrer tanto – Amo você, é meu irmão.
─Sei disso coração, Angel, meu anjo, meu pedacinho de sonho, não estou triste, nem com medo, não fique também, volta para o Carl e cuida daquele par de olhos azuis que é louco por você.
─Connor...
─Promete? – Ele aperta minha mão, geme de dor e me desespero.
─Juro! – Eu posso fazer isso, quero, por mim e por ele.
─Pode fazer? Quando chegar a hora pode fazer?
─Eu... – Como posso por fim a sua vida?
─Preciso que seja você Coração, preciso que seja um momento de amor, será como meu funeral, faz isso?
─Faço! – Agora nada mais pode conter minha dor, o rosto de Connor perde toda a cor, os olhos vão se fechando lentamente e então a cabeça pende, a vida se esvai num último suspiro.
Me ergo, pego minha pistola, tento firmar a mão que tremia como o resto de mim, faço mira e disparo, um único tiro, acabou, em algum momento sempre acaba e só agora me dou conta disso, acaba para todos, não tem exceções, nem mesmo eu tenho direito a elas como sempre achei que era, deixo a pistola cair.
Me sento naquele telhado desconhecido e escondo o rosto entre os joelhos, choro.
Não sinto vergonha de me entregar ao desespero, soluço sem forças para ficar de pé, para seguir em frente, Vickie se mantem calada, talvez tenha apenas ido embora, não me importo, nem sei porque me salvou.
Penso em Carl, só queria seus braços a me acalmar agora, talvez eu seja mesmo tão tola como ele acha que sou.
─Quando parar de sentir pena de si mesma me avise para podermos dar um jeito de sair dessa merda de telhado.
Ergo o olhar, Vickie está ali comigo ainda.
─Me salvou, porque?
─Não sou ingrata, você nos ajudou, perdeu seu amigo que fez o mesmo, não ache que agora vamos ser amigas, não é o caso.
─Sei disso! – Tento secar as lágrimas, elas me dominam por completo mais uma vez, mas então me lembro do meu pai me caçando, na infância, “Vou pegar você de volta” Ele disse quando eu o achei, está agora enfiado na floresta, não vai sossegar nunca enquanto não me tiver de volta, minha mãe vai estar com ele e Carl, não posso permitir isso, preciso ficar de pé e encontra-los, é isso que tenho que fazer.
─Pronto? – Vickie me pergunta quando me ergo.
─Vou voltar para casa, pode apostar nisso! – Ergo meu queixo firme.
─Ótimo!
Sigo até a beira do telhado, olho para baixo, uma dúzia de zumbis caminhavam, tinham uma direção definida e isso significava que logo a rua estaria livre.
─Quando eles forem embora vamos tentar voltar para a floresta, me sinto melhor lá.
─A floresta ficou a uns cinco quarteirões, não vai ser fácil chegar lá.
─Vamos aos poucos, ganhando espaço, parando e nos escondendo, mas é para lá que vamos, pode apostar.
─As armas estavam na mochila com o Redan, só temos isso.
Vickie leva uma pistola e um rifle assim como eu, além disso tem uma boa faca e um machado pequeno, carrego o mesmo.
─Vai ser o bastante, tem que ser.
─Logo vai escurecer, não temos nenhuma lanterna para nos guiar.
─Não Vickie, não temos, mas se não tentarmos eu coloco minha família mais em risco, meu pai está me caçando.
─Eu não tenho nada a perder Angel, ninguém me espera em lugar nenhum e se fosse honesta comigo mesma devia saltar dessa porcaria de telhado e por fim logo a isso, mas não consigo fazer isso.
─Atirou aquela granada de proposito ou errou o alvo?
─Podia dizer que errei, talvez acreditasse em mim, mas não foi o que aconteceu, eu fiz de proposito, Jane estava sendo levada por aqueles animais e não precisa ser um gênio para saber o que aconteceu com ela, aposto que ela queria isso, assim como Ismael, ele deve ter assistido o grupo morrer, Jane e sabe lá mais quantas mulheres serem abusadas, aconteceu da outra vez Angel, e eu teria adorado que alguém tivesse atirado uma bomba sobre mim.
Encaro Vickie, afirmo compreendendo o que ela quer dizer.
─Sinto muito, aconteceu com a minha mãe, ela tem marcas... marcas pelo corpo, se não fosse o amor do meu pai acho que já teria se entregado há muito tempo, não desista, não deixe que ganhem.
Vickie afirma, olhamos mais uma vez para baixo e agora apenas dois zumbis caminhavam pelo quarteirão, decidimos descer.
─Vamos? – Me aproximo da escada, quando pretendia descer ela me segura o braço.
─Connor... Não foi sua culpa, ele não era sua responsabilidade.
─Queria acreditar nisso, mas não posso.
─Devia, o cara não veio por você, queria impressionar o Redan, foram imprudentes, ele te colocou em risco, e não o contrário.
─Melhor irmos, vamos seguir juntas, não se afaste de mim. Podemos nos proteger.
─Certo!
Descemos e começamos a caminhar uma ao lado da outra, passos apressados e decididos, meu coração batendo fora de ritmo de modo tão forte que parecia querer sair pela boca.
Um zumbi se aproxima, depois outro, somos obrigadas a virar uma rua, a noite caindo, o rosto de Connor dançando em minha mente, se misturando com os rostos de meu pai, Carl, minha mãe, Max, as pessoas que amo estão agora sofrendo por mim, me arrependo de tudo que fiz, preciso ser forte e voltar.
Agora não tem mais prédios, apenas casas comuns, uma ao lado da outra, a noite cada vez mais perto, o céu cada vez mais escuro, passamos por um posto médico, penso se poderia ter conseguido ali algo para Connor.
─Ele foi mordido, duas mordidas, não podia ter feito nada! – Vickie me diz como se lê-se meus pensamentos, é estranho que terminemos assim, apenas nós duas, agora sei tanto sobre ela.
─Me desculpe, não te dei nenhuma chance.
Ela me olha, afirma apenas com a cabeça, um zumbi vira uma esquina.
─Carl foi inocente, eu o usei para te atingir, ele te ama, deixou tudo bem claro.
─Sei disso! – Respondo – Vem, vamos entrar nessa casa, esperar amanhecer, chega de imprudência.
Ela concorda, erguemos nossas armas, abrir a porta é bem complicado, meu pai faz isso com uma facilidade, nunca pensei que fosse assim complicado, mas entramos, aproveitamos o restinho de luz para verificar a casa e trancar tudo, depois me sento perto da janela e fixo meus olhos na fresta da cortina. Só quero que amanheça.
Vickie se deita num sofá velho, fecha os olhos, já eu fico de olhos bem abertos, assistindo a noite, um zumbi passa pela rua, prendo a respiração mas ele apenas caminha, some na escuridão da noite, não faz diferença para ele, nada mais faz diferença para ele.
─Não é a garotinha mimada que pensei que fosse.
As palavras de Vickie chegam aos meus ouvidos uma hora depois, provam que assim como eu ela não pode dormir.
─Não é como pensei que fosse também. – Respondo sem olhar para ela.
─Já fui como você, mas deixei que a dor e as perdas me mudassem, se ficar se correndo em culpa e rancor vai terminar como eu, sozinha.
─Não vou fazer isso, e não está mais sozinha, não precisa estar.
─Nem vem garota, já disse que não vamos ser amigas! – Sorrio ainda que ela não possa ver, então com os olhos ainda grudados na rua eu o vejo, meu coração falha num sobressalto.
─Carl! – Grito sem medo de fazer barulho, corro para porta abrindo num movimento brusco – Carl! – Grito mais uma vez e ele que caminhava atento se vira em minha direção, corro para seus braços, me aperto a ele.
─Você está viva, Deus Angel, você está aqui! – Ele me aperta, depois me afasta um instante e me puxa as pressas para dentro da casa mais uma vez, fecha a porta e me puxa mais uma vez para ele, nos beijamos longamente, cheios de pedidos de perdão, esquecidos de tudo que um dia nos separou – Amo você.
─Também te amo! – ele me afasta, investiga meu corpo, vê todo aquele sangue agora seco em meu corpo, rosto, mãos.
─O que...
─Connor – Toda a dor da perda me domina mais uma vez e desabo em lagrimas, agora elas têm um par de mãos carinhosas para recolhe-las, ele me envolve – Mordido, eu... Eu tive, doí muito!
─Estou aqui agora, não chore meu amor, vamos para casa, prometo.
─Meu pai? Minha mãe a guerra?
─Me separei do seu pai e da sua mãe na floresta, mas tenho certeza que estão bem, a sua procura e se te achei eles também vão chegar logo.
─Aqueles homens, aquela guerra? Alguns nos seguiram.
─Meu pai e os outros ficaram combatendo o grupo, não sei sobre isso, um dos caras que seguiram vocês, estava sendo devorado na floresta, os outros não vi.
Ele nota Vickie que agora estava sentada e de olhos abertos ouvindo nossa conversa, Carl dá uma busca no lugar.
─Redan? – Eu apenas nego com um movimento de cabeça – Ringo Star?
─Dei uma chance a ele, sei que agora cavalga por ai livre como prometi que seria – Volto a chorar, perdi dois grandes amigos, meu coração está em pedaços.
Carl volta a me envolver, nos sentamos de novo perto da janela, fico em seu colo, olhando a noite passar, agora cheia de esperanças de ver meus pais caminhando como Carl.
─Ficou sozinho?
─Aquilo foi... Doloroso, mas nada me impediria de ter você assim de novo, eu te amo! – Nos beijamos, me encosto em seu ombro, temos muitas coisas a dizer, mas agora só quero voltar para casa e beijar meu pai e minha mãe, penso em Beth, gravida e preocupada comigo, é e sempre foi quase como uma segunda mãe, ajudava meu pai a cuidar de mim até minha mãe chegar, estremeço quando penso no que ele pode fazer por mim.
─Meu pai... – Meus olhos voltam a ficar marejados – Ele está morrendo por dentro agora.
─Calma, vamos nos encontrar, precisa ficar forte.
─Eu estava até você chegar.
Fico em silencio, a noite corre longa e quando os primeiros raios do dia surgem nos erguemos, o melhor é seguir em frente, tentar chegar a fábrica.
─A floresta não está mais tão longe, então não vai demorar para chegarmos, a confusão de tiros e barulhos acabou e os zumbis voltaram a caminhar por ai, então é só nos mantermos juntos e vamos conseguir, há mais de duas horas que nenhum cruza a rua.
Carl diz firme e nos organizamos, pegamos nossas armas, nos preparamos e seguimos para a porta, ele é o primeiro a sair, eu caminho logo atrás dele.
Dois passos depois da soleira tiros começam a ser disparados em nossa direção, o primeiro estoura a vidraça, o segundo acerta a perna de Carl, ele cai, eu o puxo para dentro enquanto Vickie atirava nos dando cobertura.
─Anda! – Ela grita – Arrasta ele para dentro! Desgraçados! – Ela atirava quando estamos de volta dentro da casa, ela fecha a porta e ficamos no chão.
─Merda! Merda! – A perna sangrava com um tiro na altura da coxa, tiro seu cinto – O que vai fazer? – Ele me pergunta, Vickie estava na janela atirando.
─Um torniquete! – Aviso apressada – Deus não faz isso comigo! – Choro enquanto com mãos tremulas consigo prender sua perna, o sangramento diminui.
─Me ajuda aqui Angel, são dois, se dermos espaço eles chegam até aqui!
─Fica no chão meu amor! – Pego o rifle e corro para o lado de Vickie.
─Quarenta graus a sua direita! – Ela me avisa e me preparo para atirar, sou boa, posso derrubar o infeliz.
─Cuidado Angel! ─ Carl pede em meio ao desespero de tentar se arrastar em nossa direção.
─Vai! – Vickie diz e começo a atirar enquanto ela atirava em outra direção, eu enxergo o homem abaixado atrás de um carro, é hora de provar que sou mesmo boa nisso, atiro e ele tomba, disparo mais uma vez acertando o corpo caído, menos um, penso sem sentir culpa.
─Só resta um, mas está muito protegido! – Eu digo quando nos abaixamos depois de uma saraivada de disparos.
─Eles devem ter ficado a nossa espera, nos seguira ou seguiram o Carl.
─Está bem Carl? – Pergunto a ele que agora estava abaixado ao meu lado, ele afirma numa clara mentira – Vamos ficar sem munição.
─Quer saber? – Vickie diz com os olhos cintilando de ódio – Chega dessa merda toda, foi uma porcaria de apocalipse, esse desgraçado destruiu tudo que eu tinha e se ele for o último vou adorar seguir com ele para o quinto dos infernos.
─Vickie... – Tento segurar seu braço quando vejo ela rastejar para a porta.
─Fica pronta garota, não tenho mais nada, você tem.
─Espera, você tem o Elliot! – digo assustada na tentativa de prende-la.
─Não, agora você tem ele! – Ela se ergue, me dá um último olhar e abre a porta com violência, ergue a arma e avança cegamente atirando furiosa, recebe primeiro um tiro no braço, o baque a faz dar um solavanco para traz, ela continua e eu aproveito para atirar também, o homem a acerta agora no peito, ela tomba ao mesmo tempo que ele e não sei se fui eu ou ela, não importa, os tiros cessam, corro para fora para tentar traze-la para dentro antes dos zumbis.
Não chego a tempo, enquanto corria eu a vejo levar a arma até a têmpora e disparar sem pensar muito, a mão com a arma tomba e estaco, com os olhos pregados naquela cena chocante.
─Angel! – Ouço a voz de Carl me trazer de volta, corro para dentro, fecho a porta, empurro um móvel, as janelas estão quebradas o ajudo a se erguer, o sangue escorre por sua perna, caminho com ele abrindo portas, acho uma pequena sala com janelas altas, me fecho ali, zumbis virão com certeza, encosto alguns móveis. – Vamos sair dessa, fica calma.
─Eu sei meu amor, eu sei.
Me abraço a ele que está pálido.
─Vou só descansar um pouco e logo vamos sair daqui.
─Vamos! – Me lembro do posto médico, posso conseguir o que preciso para ele lá, ao menos algo que o deixe seguro até conseguirmos chegar a fábrica.
─Tem um posto médico a um quarteirão, eu vou...
─Não! – Ele me segura – Não vou mais me separar de você, vai ficar onde está, vamos dar um jeito, só preciso descansar um pouco, dormir umas horas, o sangramento parou, fica aqui.
─Vou ficar, dorme amor, eu estou aqui! – Acho que nunca mais vou poder parar de chorar, quanto de dor eu ainda aguento? Soluço, com sua cabeça em meu colo, Carl apaga, e não sei se perdeu muito sangue, se é apenas exaustão ou a mistura de tudo, mas ele dorme e me afasto dele.
─Não vou perder mais ninguém, não vai me deixar Carl Grimes.
Sigo para a janela, subo em uma cadeira e olho para a rua, pego a arma a faca e depois de deixar uma pistola ao lado dele pulo para o lado de fora, não tenho tempo, nenhum tempo, não posso me dar ao luxo de ser covarde, já estive sozinha antes e posso resolver isso, meu pai vai me achar, ele sempre me acha.
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