Ressurreição - O julgamento final 2
11 Capítulo 11 - Fuga
Notas iniciais
Pov – Angel
Caminho para onde o grupo se reuni em debate, tento secar minhas lagrimas, sou Angel Dixon, não me entrego ao pranto, não me entreguei nenhuma vez, desde pequena eu sempre me ergo.
Minha mãe me abraça assim que me junto a eles, ela sente meu drama, sabe que estou sofrendo, me aperto a ela, acho que um carinho de mãe nesse momento faz toda diferença, respiro fundo, busco clareza e calma.
─Posso pegar um cavalo e ir até lá pela floresta, descubro o que está acontecendo, se partiram, se ficaram, se estão a caminho, não me aproximo, só observo um tempo.
Meu pai é o melhor rastreador, o mais silencioso e preparado soldado do grupo, mas me assusta pensar nele numa missão como essa sozinho, minha mãe segura sua mão nervosa, Rick nega com um movimento de cabeça.
─Não Daryl, ainda não, se estiverem a caminho preciso de você aqui. Vamos dar dois dias, se ninguém chegar aqui decidimos.
Não gosto disso, dois dias e os novos vizinhos podem estar mortos, e se fosse o contrário, se eles pudessem nos ajudar e não fizessem?
Sei que temos que pensar na nossa família, nos pequenos, em Beth que está prestes a ter um bebê, mas é sobre vidas que estamos falando, pessoas, e restaram tão poucas, e é sempre tudo tão frágil.
Penso em Redan procuro por ele e o vejo ao lado de Connor, se pudesse até sorriria, fazem um lindo par, nunca vi meu amigo interessado nessas reuniões, imaginei que nesse momento estaria preso com as crianças e mulheres escondido sob algum móvel, depois me diria algo engraçado quando tudo acabasse, mas não, ele está ali apoiando Redan, acho bonito e torso para terem uma boa chance.
─Vamos deixar todo mundo fechado lá dentro? – Minha mãe questiona.
─Só essa noite, quando amanhecer pensamos melhor em como agir, não vou deixar essa coisa chegar aqui, não de novo! – Rick está decidido, não esconde a irritação, sabe o que é perder, já perdemos tanto, a pedreira, a fazenda, a prisão, alguém sempre ficando pelo caminho, ninguém quer que aconteça de novo, mas ele sempre se sente responsável.
─Bom então vamos ficar em alerta, amanhã pensamos mais sobre como vamos agir.
Maggie garante, e depois as pessoas se dispersam, suspiro muito triste, Vickie está perto de Redan, acho que nesse momento as diferenças ficam de lado, é o povo deles em risco, entendo como isso é grave e perigoso.
─Vou com a mamãe ver o Max, não some esquilinha.
Meu pai me beija a testa, me faz um carinho, sabe que estou abatida por conta de Carl que agora parece ir com o pai ver Judy, decido ver Ringo Star, meu cavalo me dá paz, dou uns passos e Redan me segura o braço.
─Preciso de ajuda.
Seu tom é urgente, ele ainda segura meu braço, seus olhos estão assustados, Connor está a seu lado e Vickie um pouco mais distante, andando de um lado para outro, nega com a cabeça, olho em volta.
─Querem conversar no meu quarto? – ele afirma – Eu vou com o Connor na frente, depois me segue com a... com ela, se formos juntos estou encrencada, meu pai vai logo criar ideias.
Connor, passa o braço por meu ombro e damos as costas aos dois, subimos juntos.
─Ele é tão especial, Angel eu me apaixonei por ele.
─Rápido assim? – Brinco.
─Ai sei lá, não é só bonito, é inteligente, gentil, não tentou nada, vamos ajuda-lo não é?
─Primeiro vamos entender o que querem.
Uma batida leve na porta e logo estão os dois no meu quarto, Vickie olha tudo curiosa, eu tinha um bom lugar e não precisava me envergonhar disso, conquistamos com esforço, então ela que engolisse a inveja.
─Do jeitinho que imaginei que seria, um quarto de princesa.
─Que pena que gasta tempo pensando sobre isso, é só um quarto Vickie, que divido com um irmão, já dormi em barracas, em carros, ao relento, no colo do meu pai, ao lado de fogueiras, em casas abandonadas, para de agir como se eu tivesse pulado o apocalipse.
─Meninas temos algo maior podem dar uma trégua? – Redan pede e concordo na mesma hora me sentindo ridícula por me justificar tanto.
─Desculpe, está certo!
─Precisamos ir até lá Angel, eu e Vickie, não podemos ficar aqui, não é certo e nem é justo, queremos ajuda para sair.
─E armas, se conseguir é claro! – Vickie diz andando de um lado para outro.
Fico muda pensando a respeito, é uma grande encrenca, o que estão me pedindo vai me complicar por mil anos, isso se der certo o que é bem improvável, mas então vejo o olhar perdido de Redan, e Connor me implora, suspiro.
─Vai ser do meu jeito, estão dispostos?
Os dois se olham, dão de ombros, eles não têm muita escolha, fazem um gesto para que siga em frente, afirmo.
─Vamos a cavalo...
─Vamos? – Redan questiona.
─Meus cavalos não vão a lugar nenhum sem mim, é isso ou nada feito.
─Que seja! – Vickie diz impaciente – Sabe usar uma arma?
Connor ri com gosto, ele me conhece, sabe que não tem ninguém muito melhor que eu em assuntos de armas, ainda sou eu quem cuida da manutenção de todas.
─Está de ante de alguém que conhece armas antes mesmo de saber andar, ela é quem cuida delas por aqui.
─Tudo bem, esqueçam! – Vickie mostra as mãos em sinal de rendição.
─Vá em frente coração, qual seu plano? – Connor diz sério, nem o reconheço.
─Consigo umas armas para vocês, pegamos três cavalos e levo vocês até lá, depois retorno com os cavalos e me junto ao meu grupo caso precisem lutar.
─Vou com vocês. Quatro é melhor que três.
─Connor só vai se prometer voltar comigo.
─Tudo bem coração, não deixaria você voltar sozinha pela floresta mesmo.
─Certo, então fiquem prontos, temos que ir agora, amanhã o grupo vai estar fechado e nem uma agulha sai daqui sem ser notada, peguem suas coisas, me esperem nos estábulos, junto algumas armas e encontro vocês lá.
─Nem sei como agradecer Angel.
Redan me segura as mãos, eu sorrio para ele, queria dizer que bastava tentar fazer meu amigo feliz, mas Vickie estava lá e não queria constranger ninguém, eu o puxo para um abraço.
─Sabe que o que está me pedindo vai me deixar em maus lençóis não é? – Ele afirma – Então por favor, vamos ser cautelosos.
─Claro Angel será tudo do seu jeito.
─Será do jeito certo, não vou ficar obedecendo essa...
─Vamos ter um longo caminho para brigarmos Vickie, deixe para a estrada.
Eles deixam o quarto, me sento na cama, suspiro longamente, sei que não é certo fazer isso com meu pai e minha mãe, mas também sei que não posso deixar de ajudar, sinto vontade de mais uma vez deixar um bilhete, mas não acho boa ideia, melhor ganhar tempo, quem sabe eles pensam que estou no quarto chorando por conta do Carl, afinal é exatamente o que sinto vontade de fazer.
─Vai Angel, vamos de uma vez ─ Olho meu velho ursinho sobre minha cama ─ Cuida de tudo em Ringo star.
Prendo os cabelos num rabo de cavalo, depois aperto mais o cadarço das botas, deixo o quarto e rumo para a sala de armas, está vazia, não é grande coisa se me virem aqui, é onde deveria estar de qualquer modo, se tem uma guerra a caminho é meu trabalho conferir as armas.
Mas acontece que não posso me demorar, logo minha mãe vem para me ajudar com esse trabalho e não quero que me encontre aqui.
Abro uma mochila no chão, coloco algumas granadas, Eugene as produziu depois de uns estudos, são mais delicadas que as antigas, mas tão eficazes quanto, junto mais um machado e duas facas longas, coloco uma caixa com munição, duas Glock, e duas armas pesadas, dois rifles que espero mais alguém saiba usar.
Fecho a mochila, caminho até a porta, abro olhando em volta, nada de movimento, pego a mochila e corro para os estábulos, não levei muito, temos muitas armas que acumulamos ao longo dos anos, nenhuma vai fazer falta, mas assim que verificarem vão dar falta delas, sei que sim porque mantemos tudo muito bem controlado.
Os três me esperavam nos estábulos.
─Não encilharam os cavalos! – Reclamo, os três se olham, pego as celas, entrego uma para cada, Ringo Star está pronto, eu pretendia dar uma volta com meu pai, olho para Vickie e ela caminha direto para Ventania.
─Esse não, é o cavalo do Carl, só ele o monta.
Ela faz careta e segue para outro, confiro se estão todas as celas bem presas, é hora de sair, abro o pequeno portão de madeira e saio na frente puxando o cavalo, eles me seguem, só montamos depois do portão de saída, olho para todos, meu coração acelerado, já sei que vou ouvir todo tipo de críticas quando voltar, que Carl nunca vai me perdoar por isso, mas me sinto bem por fazer.
─Não ignorem os desejos dos cavalos, eles conhecem o perigo, se mudarem de direção não lutem, aceitem, estão com certeza fugindo de zumbis, ou pior, dos lobos.
─Lobos? ─ Vickie ri, a garota não sabe nada e se acha a lutadora.
─Sim, Vickie, tem uma matilha muito grande, a maior que já vi, aprenderam bem a se virarem, mas acontece que comida tem sido um luxo já que dividem com zumbis, então entramos para seu cardápio, dê de cara com eles e vai ver o que te espera.
─Tudo bem fazendeira, vou respeitar as ordens do cavalo.
─Marley, o nome dele é Marley e a Maggie vai me arrancar o couro por ter te deixado montar nele! – Olho feio para ela – Vai Ringo Star, vamos dar um passeio.
As armas estão na mochila que agora Redan carrega, ele cavalga ao lado de Connor, de vez em quando trocam um olhar e acho bonito, principalmente porque Connor está mais confiante, não parece assustado como achei que estaria.
Saímos muito fácil, sei que a tensão de todos foi de grande ajuda, mas não vai demorar mais que umas horas para sermos descobertos, talvez bem menos, então não sei o que vai ser.
Meu coração dá um salto quando penso a respeito, na hora não calculei muito, mas agora é diferente, claro que meus pais não vão sentar e me esperar, vão pegar armas e vir atrás de nós, coloquei mais em risco do que tinha planos.
─Arrependida princesa? – Vickie é no mínimo uma ingrata, olho para ela ao meu lado, Connor e Redan cavalgando logo atrás.
─Sabe Vickie, meus pais virão me caçar, estou arriscando tanto para ajuda-los, não consegue entender isso? Não tem um ser humano que te importe de verdade?
─Não, estou nessa pela aventura! – Ela usa um tom cínico, não tem como nos entendermos, a garota não para de me provocar e não abro mão de responder, então acelero um pouco o trote, logo vai amanhecer e quero voltar para casa logo.
Meu cavalo muda de direção, fica tenso, sei que tem perigo a caminho e me concentro, só queria Carl aqui comigo, ele estaria bravo, tomando a frente de tudo, reclamando que o coloco em apuros, mas eu estaria segura, feliz e cheia de coragem, mas agora só sinto mesmo que estou em encrenca e que não tem ninguém para me proteger ou assumir as responsabilidades.
Um zumbi surge na floresta, depois outro vem logo atrás, desviamos deles, e aceleramos.
─Connor não se atreva a ficar assustado e atirar! – Digo quando vejo a pistola em sua mão – Guarde a pistola e pegue o machado que te dei.
─Desculpe coração, me assustei quando os vi.
Os raios de sol começam a surgir por entre as copas das arvores, fico feliz, uma hora e meia depois é dia claro, não falta mais muito tempo, duas horas pela floresta no máximo, cortamos caminho, mas os cavalos estão cansados, sigo em direção ao leito do rio.
─Não tínhamos que seguir para o sul? – Redan questiona.
─Só estamos indo até o rio, os cavalos precisam de algum descanso.
Paramos, saltamos todos, eles parecem moídos, se contorcem todos, resmungando de dor, os cavalos bebem água, mastigam grama, parecem tranquilos e também fico, lavo o rosto, tomo uns goles de agua, Connor e Redan sempre perto um do outro, Vickie sempre longe de todos.
Ringo Star ergue a cabeça atento e já entendo que era hora de partir.
─Vamos! – Convido já montando, eles montam e então o Marley fica realmente tenso, tenta derrubar Vickie, ela grita se segurando, um zumbi surge, depois mais dois e agora todos os cavalos estão agitados, Ringo Star é o mais seguro, está acostumado comigo sobre ele, confia em mim.
Redan acerta sua faca na cabeça de um zumbi, Connor precisa chutar um quando o cavalo salta para o lado e então partimos em disparada, demoramos uns minutos para conseguir acalmar os animais e pegar de novo o rumo que queríamos, já me sinto cansada, parece que nunca mais vamos chegar na porcaria do lugar.
Começamos a ver a estrada a nossa direita, vamos seguindo pela mata agora apenas para não sermos percebidos.
─Estamos muito perto! – Vickie diz me alcançando.
─Certo, vamos ficar atentos, eles podem ter colocado vigias na floresta.
Paramos quando chegamos na direção da comunidade, desmontamos mais uma vez, é hora de nos despedirmos, mas antes quero ver o que está acontecendo lá, assim posso contar ao grupo depois que for fatiada viva é claro.
Nos aproximamos, a primeira coisa que vejo é fumaça, o prédio que um dia subimos para observar o lugar queimava o fogo já pegava todos os andares, Vickie tampa a boca.
Não é o único foco de incêndio me dou conta, onde deveria ser a comunidade outros focos estavam queimando.
─Chegamos tarde? E isso? – Redan diz abatido, me movo um pouco e então olhamos para o acampamento, homens saiam de lá de dentro, traziam alguns reféns com eles.
─Merda! – Vickie diz, conto seis reféns, nada mais do que isso.
─O resto... – Redan diz com a voz embargada, aquilo é dolorido de assistir, uma jovem sai com a blusa aberta, a saia rasgada, amarrada com as mãos nas costas, sei o que houve com ela e meu coração para de bater um instante, penso em minha mãe e tudo que já sofreu.
─Estão mortos! – Vickie diz cheia de angustia, meu coração batia fora do ritmo, minhas pernas tremiam um pouco.
─Quatro carros! – Connor diz baixinho ao meu lado – São muitos, não acha?
─Contei treze homens! – Digo ao seu lado, então me dou conta que Vickie e Redan estavam abrindo a mochila com as armas.
─O que estão fazendo? – pergunto tensa enquanto os homens iam entrando nos carros e atirando os reféns dentro.
─Eles vão pagar! – Vickie diz furiosa, as mãos tremendo e sei que não é de medo.
─Os caras têm reféns! – Redan me olha, acho que naquele momento nada importa muito para eles.
─Não vê o que está acontecendo? – Ele me pergunta, eu o olho sem entender – Olha a direção dos carros, vão para fabrica, está na cara que entregaram vocês.
Minha família, a confusão que devem estar agora por minha causa, vão estar com menos homens, desprevenidos, eu coloquei tudo em risco, eles estão certos, talvez a gente possa impedi-los.
─As granadas! – Digo tentando parecer firme. Atiramos as granadas, eles vão ficar confusos, derrubamos alguns pegamos os cavalos e fugimos pela floresta, vamos fazer com que nos cacem certo? Vamos apenas desviar a atenção deles.
─Está certo! – Vickie concorda e Redan apenas afirma, olho para Connor, seus olhos não escondem o pavor, não o amo menos do que Max, é como um irmão.
─Promete ficar perto de mim?
─Estou assustado coração, não sou bom nisso! – Connor me diz e Redan toca seu ombro preocupado.
─Devia ter ficado como pedi, não se preocupe, eu vou te dar cobertura.
─O casalzinho pode parar de frescura, os caras estão partindo.
Pegamos duas granadas, meu coração batia fora do ritmo, essa é sem dúvida a maior encrenca em que já me enfiei na vida.
Atiro a primeira granada, ela explode na frente de um dos carros, uns segundos depois outra explode mais adiante, atirada por Redan e mais uma, dessa vez sobre um carro com Ismael dentro, Vickie, sei que não foi sem querer, nada é sagrado para ela.
─Vickie! – Redan grita, ela o empurra puxa sua arma e começa a atirar, os homens estão no chão, mas sabem de onde vem os disparos e revidam, sem alternativa começo a atirar também, acerto um deles, Connor está apenas encolhido ao meu lado.
─Malditos! Eles vão para o inferno, é isso que vai acontecer! – Vickie grita fora de si, está colocando tudo a perder porque não consegue se conter.
Logo todos os zumbis estão a nossa volta, disparo mais vezes do que devia se queria ser precisa, mas eles começam a ganhar terreno e a cada vez que precisamos nos proteger se aproximam.
─Quantos? – Eu grito, agora me arrastando mais para longe com o grupo a minha volta.
─Oito, ficaram oito deles! – Connor Grita – Vamos Angel, eles vão acabar nos acertando.
─Vem Vickie, eu puxo a garota cega em sua vingança, ela não quer sair, Redan a arrasta em direção aos cavalos.
─Deixa de ser burra! – grito acertando um zumbi com a pistola logo atrás de Redan – Viva agora e lute depois! – Me lembro do tio Merle dizendo algo assim uma vez, ele sabia das coisas, montamos nos cavalos e partimos ao som de uma infinidade de disparos, mais do que devia haver e uma explosão ainda maior.
Seja lá o que for só quero me afastar dali, sinto falta da fábrica, de Carl e dos meus pais, penso em Max e nos perigos que tentei evitar para ele, na garota que tenho certeza que foi abusada e que estava no mesmo carro que Ismael, Vickie não teve qualquer piedade.
Redan veio para salvar seus amigos, ela veio para matar seus inimigos, sinto medo, dou um toque em Ringo Star e ele galopa ainda mais veloz, mas preciso diminuir porque o resto do grupo não cavalga bem para me acompanhar, ainda escuto tiros, confusão na estrada, não sei mais o que está acontecendo, só quero conseguir chegar em casa.
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