Notas iniciais
Oi gente um novo capitulo espero que gostem, o próximo sai na quinta. Beijos

Pov – Angel

Mais uma vez na estrada, adoro isso, adoro o vento no rosto a sensação de liberdade, aspiro profundamente, esse cheiro vindo da floresta é delicioso, e raro, a coisa que mais me impressionou quando fomos a cidade encontrar aquelas pessoas foi o cheiro de morte e podre impregnando em tudo.

Não é uma viagem muito longa, nada que seja insuportável, mas fico pensando se vamos mesmo passar a noite lá.

─Pai, queria que a minha mãe estivesse aqui? – Pergunto quando eu o vejo distraído olhando pela janela.

─Sempre quero sua mãe por perto cara de esquilo, mas dessa vez ela precisava ficar.

─Sempre achei que a Rosita e o Eugene combinavam mais, acho que a gente deve ajudá-lo.

─Acho que a gente não tem nada com isso, só precisamos é garantir a segurança.

─Carl é do time dos que não cuidam da vida de ninguém.

─Esquilinha você é a única que pertence a esse time de cuidar da vida amorosa dos outros.

─Pai você é um ingrato, ajudei você, ajudei muitos casais, só não ajudei o Rick e a Mich porque o Rick fez tudo certo! – Eles se olham, meu pai ri com gosto, Rick procuro os olhos de Michonne, eu fico sem entender qual a piada.

─Sou um homem sério, não faço como uns e outros e saio por ai beijando sem fazer pedidos.

Rick diz se concentrando na direção, na verdade eu sei que isso é um pouco para mim, mas quando o Carl me beijou eu só pude mesmo corresponder.

Umas horas depois chegamos a comunidade, dessa vez paramos o carro bem perto, logo um homem abria uma porta e convidada para que trouxéssemos o carro, estacionamos dentro do lugar.

─Voltaram rápido – Um homem diz quando descemos, aperta a mão de Rick, depois a do meu pai, sorri e acena para nós.

─Essa é minha filha, esq... Angel! – Meu pai sorri piscando para mim, Carl segurava minha mão protetor, eu olhava para todos os lados.

─Essa é Michonne, minha mulher! – Rick diz e eu e Carl nos olhamos, é estranho ouvir o Rick dizendo isso, eles são reservados.

Mich é aquela simpatia, acena apenas com os olhos, quase puxa a espada, já eu me precipito, aperta a mão do homem olho tudo animada, tem umas pessoas nos olhando, aceno para elas, um menino pequeno sorri, os cabelos dourados, um par de olhos azuis e um sorriso muito triste, vou até ele, beijo sua bochecha, ele se encolhe um pouco.

─Sou Angel, e você como se chama?

─Elliot!

─A gente trouxe umas coisas, quer ver?

─Quero!

Eu pego sua mão, saímos em direção ao carro, abro o capô, logo Carl está me ajudando.

Retiramos tudo e alguns homens ajudam, levam em direção ao prédio e somem para dentro, eu bem queria entrar e ver como é lá dentro, mas meu pai morreria do coração, então apenas me junto a eles.

─Obrigado Rick, não imaginei encontrar pessoas boas depois que saímos.

─Não é nada demais Ismael, mas pensei que em troca podemos ter uma conversa franca.

─Sim, porque não nos sentamos lá dentro? – Ismael oferece.

─Vamos, quero ver como é lá dentro.

─Esquilinha! – Meu pai adverte, fico calada, entramos e somos levados ao primeiro apartamento que ficava no térreo, era só um apartamento mesmo, com uma sala simples de móveis puídos, umas mulheres cuidavam da comida que tínhamos trazido, Elliot mastigava um pão muito contente.

─Podem nos deixar conversar um instante? – Ismael pede o o grupo se retira, ficamos só nós e ele, um homem entra e nos vê, acena sem muito ânimo.

─Estava no telhado de vigia, aceitamos as recomendações que fizeram, foi uma boa ideia, obrigado!

─Tudo bem Dimitri, o importante é nos ajudarmos! – Meu pai diz despreocupado, aposto que foi tudo ideia dele, meu pai é muito esperto com tudo que é segurança.

─Vamos a conversa franca? – Ismael pede, ele me lembra um pouco o Hershel, gosto dele desde já.

─Por favor! – Rick diz, Mich está de pé, olha pela janela, anda de um lado para outro, toda tensa – Mich! – Meu a chama, ela se senta a seu lado de má vontade, sorrio mais uma vez, ela me faz uma careta discreta – Como chegaram aqui, quem eram seus inimigos e onde estão?

─Não é pouco o que quer.

─Podemos dizer quem somos, é nossa segunda visita, não fomos nada rudez, trouxemos ajuda, acho que já ganhamos sua confiança.

─Tem razão Daryl, serei honesto com vocês, sente Dimitri! – Ismael pede e Dimitri obedece.

─Não gosto muito de me abrir, não é uma boa história, é recente e tem um final triste – Dimitri conta, mas ninguém diz nada.

─Sentimos muito não é gente? – Acho que é o que a gente tem que dizer, eles concordam.

─Tínhamos um bom lugar, uma pequena cidade praticamente, casas, escola, um posto médico, uma plantação razoável, íamos bem, éramos quatorze famílias, mais dezessete pessoas sozinhas, dividindo alojamentos.

─E?

─O tal grupo chegou, nunca fechamos nossas fronteiras, não éramos de guerra, nossa ideia era receber quem chegasse, nos demos bem assim, mas então cinco homens fortemente armados chegaram, primeiro foi uma conversa de ficarem conosco, em dois dias sabiam tudo sobre nós, então sumiram, ninguém os viu partir.

─Voltaram depois de três dias, quinze homens armados, desrespeitosos, ameaçaram nossas famílias, as mulheres e crianças, queria nossa produção, preferimos entregar, foi um mês apertado, mas ninguém reclamou, trabalhamos em dobro e deu tudo certo ninguém passou fome.

─E os idiotas voltaram? – Mich diz sabendo o rumo da história.

─Todos os meses durante quase um ano, até que não éramos mais que escravos.

─Era de se esperar! – Rick diz enquanto eu fico me segurando para não chorar com a história triste que eles contavam.

─Sim, um dia, quando eles já se sentiam os donos do lugar Mirian uma jovem foi atacada por um deles, ela pediu socorro, claro que isso deixou o grupo fora de si, reagimos, e tudo acabou, não estávamos prontos, em um instante era sangue, fogo, morte, fugimos, não houve tempo para nada além de fugir, os que restaram, essas pessoas que viram aqui.

─Há quanto tempo? – Rick pergunta.

─Dois meses, um desespero, perdemos duas crianças, minha esposa Anna.

Ele se cala, sinto ainda mais pena, não resisto, caminho até ele e o abraço, o homem corresponde, depois me afasto, ele sorri um pouco triste.

─Acham que podem ter sido seguidos?

─Não sabemos dizer, se querem honestidade não podemos dizer nada além de não sabemos!

─Notaram algo estranho desde que chegaram?

─Não, apenas vocês, nem sinal de qualquer coisa, mas só o que nos resta é ficarmos em alerta.

─Tem armas para combate-los?

─Sim, não é nosso forte combater pessoas, mas estaremos prontos caso nos encontrem.

─Entendam, temos um grupo grande, com crianças, uma mulher grávida, se chegarem aqui, o que nos garante que não vão dar a eles nossa direção?

Meu pai diz e fico pensativa, se algo assim nos alcançasse seria devastador, me lembro de já termos enfrentado um inimigo assim, aquele caolho maldito nos tirou Hershel, meu tio Merle e muitos outros que amamos e nunca mais vimos.

─Não faríamos isso, só sabemos que vocês vêm do norte.

Dimitri diz sério.

─Isso seria o bastante, acreditem, dizer que tem uma comunidade ao norte para gente como vocês descrevem já seria o suficiente.

─Bom, só sei que não é nossa intensão prejudicar ninguém, queremos tentar ao menos reconstruir.

─Queremos ajudar, isso é sério, podemos ajuda-los, vir aqui com suprimentos, e o que mais precisarem, mas não podemos correr riscos.

─Quem sabe não aceitam um acordo? – Ismael diz e todos prestamos atenção.

─Que tipo de acordo? – Meu pai pergunta se encostando no sofá.

─Só temos uma coisa preciosa mesmo para todos aqui, nosso pequeno Elliot, ele é filho de Jorge, ele era nosso líder, não eu como parece, um homem parecido com vocês, ele nos deu cobertura para fugirmos, morreu para nos salvar, e Elliot se tornou nosso pequeno presente, a única criança que conseguimos salvar.

─E o que quer? – Rick pergunta, Carl se impacienta.

─Que o leve com vocês, deem a ele uma chance, jamais será dito uma só palavra sobre a localização de qualquer um que o proteja, ele é uma unanimidade entre nós.

─Quantos anos ele tem?

─Seis anos Angel, é um menino muito doce, gentil, ele não será um problema.

─Não seria problema leva-lo, claro que ele teria nossa proteção, qualquer criança teria, mas ele vai sofrer longe das pessoas que conhece.

Rick diz preocupado com o menino, nos olhamos todos, era um modo de garantir a segurança, e podíamos voltar a ficar bem.

─Quem sabe levam Vickie com vocês, ela é uma boa moça, pode cuidar do Elliot, ajudar no que for preciso.

─Nos dá um minuto? – Meu pai pede.

─Conversem, não é fácil para nós abrir mão deles, e não precisa ser para sempre, eles podem voltar se um dia nos estabelecermos mesmo.

─Está bem, vamos apenas debater um pouco.

Ficamos sozinhos, eles ficam conversando sobre como seria melhor fazer isso, eume distraio, caminho pela sala, começava a anoitecer, sinto falta da minha mãe, do Max, de casa, uma melancolia me abate, Carl me envolve a cintura quando percebe.

─Que foi?

─Queria voltar para casa, fico com pena do meu pai ficar sem o Max e a minha mãe, acho que eles nunca ficaram assim separados, ele fica triste e eu fico também, porque não gosto de vê-lo infeliz.

─Eu sei, mas não demora muito, assim que clarear vamos para casa.

─Já decidiram tudo? – Me distrai de um jeito que nem reparei.

─Sim, a moça e o menino vão com a gente e ficam lá até isso estar seguro, depois voltam.

─E se nunca for seguro, para eles, para nós?

─Já lutamos não é, muitas vezes, lutamos de novo, nosso grupo está sempre pronto.

─Eu não, sempre me preparo para ser feliz, mas sim, se for preciso lutamos.

Carl me dá um beijo leve e suspiro me encostando nele, depois nos reunimos com os outros, o menino não estava, nem tinha ali nenhuma moça, mas era noite e deviam estar recolhidos, eles nos oferecem o apartamento que ficamos para passar a noite, aceitamos e depois de comermos um prato raso de sopa vamos dormir.

Na verdade eu vou, o resto fica acordado, eu sabia que não dormiriam com medo de alguma emboscada, mas eu durmo, amanheço de botas e sorri, acordar assim era sinal de perigo, adoro meus códigos com meu pai.

Ele ganha um beijo apertado e barulhento, sorri com isso, já devia ter se acostumado, mas sempre fico sem graça quando faço isso na frente dos outros.

Lá fora o grupo estava reunido, depois das despedidas Elliot surge, com ele vem uma moça e não pode ser ela a ir conosco, ela é bonita demais, cabelos loiros até quase a cintura, olhos azuis, magra e alta, caminha com uma calça jeans e tênis, usa uma faca na cintura e é toda delicadinha.

─Essa é VicKie? – Eu pergunto.

─Eu mesma, você é a Angel, Ismael disse que é muito gentil.

─Nem sempre! – Respondo meio de mal humor, acho que acabo de descobrir que puxei minha mãe.

─Vou me despedir das pessoas.

Ela se afasta e encaro Carl, ele me olha sorrindo, cruzo os braços, o sorriso se desfaz na mesma hora.

─Que foi?

─O que achou dela?

─Dela quem?

─Se está se fazendo de desentendido é porque achou alguma coisa.

─Vamos embora Angel, não começa.

─Não vai sentar do lado dela.

─Não.

─Nem ficar amigo dela.

─Não, vamos.

Ele me puxa para o carro, vai ser uma longa viagem, espero que ela seja bem tímida e não abra a boca, não quero nem ver se o Carl der mole para ela.

─Você sabe que não tem opção não é?

─Não é essa a questão eu não quero ninguém!

─Porque está falando baixinho, é para ela não ouvir?

─Você é uma esquila maluca! – Ele me beija, me encosta no carro e me beija, eu o empurro com delicadeza – Isso foi para mostrar que não quero esconder nada.

─E deixar meu pai bravo! – Vai entra lá no cantinho, depois sou eu, depois o menino, depois a Mich e se couber a bruxa vai.

Ele obedece, eu entro logo depois, mas tudo dá errado e Vickie senta ao meu lado, belisco Carl quando ele ri da minha cara.

─Ai! Daryl olha a Angel!

─Eu? O que eu fiz?

─Me beliscou!

─Rick...

─Me deixar descer Rick vou andando, quem sabe dou de cara com uma horda, é mais divertido.

Michonne diz nos olhando torto e Carl passa o braço por meu ombro, Rick e meu pai como sempre nos ignoram, Elliot está silencioso e Vickie eu quero que se exploda.

─Demora para chegar? – Ela pergunta.

─Umas horas, mas vamos torcer para o Carl e a Angel se comportarem e a viagem ficar menos irritante.

─A gente vai morar lá agora Vickie, nesse lugar?

─Sim Elliot, mas não se preocupe, será um bom lugar, gosta de lá Angel? – Ela puxa assunto, se move para frente para me olhar, mas seu olhar segue primeiro para Carl, fico séria.

─Sim, amo, e lá somos muito felizes, menos o Eugene que vai acabar morto porque está dando em cima da mulher de outro e sabe lá isso é bem sério.

Todos me olham, dou de ombros me encostando em Carl meu pai e Rick trocam outro olhar, odeio quando eles fazem isso, esses códigos de amigos de uma vida toda, parece eu e o Connor, me lembro que não me informei se tem algum gay lá, que droga.

─Tem algum Gay no grupo? Mas não pode ser muito velho.

─Angel! – Carl me cutuca, revira os olhos, Rick e meu pai riem.

─Não tenho ideia Angel, nunca pensei nisso, porque?

─Nada, só curiosidade.

Não vou ficar falando dos meus planos com ela, a menina não é minha amiga e não vai ser e se der em cima do meu namorado eu vou mostrar o que uma cara de esquilo pode fazer.

Notas finais
Gostaram? Angel vai morrer de ciume! Beijos