Ressurreição - O julgamento final 2
15 Capítulo 15 - Compreenção
Notas iniciais
Pov – Angel
Esse meu pai, como podia pensar tanta tolice? Eu nunca nem imaginei que ele carregava toda aquela culpa, se tivesse me dito antes, se eu não fosse tão idiota e desatenta com tudo a minha volta, mas agora as coisas serão bem diferentes, vou começar a notar os sinais.
Chego aos estábulos e lá está ele, meu lindo companheiro, Ringo Star parece cansado, pego a escova, antes de qualquer coisa eu o abraço, um abraço apertado e cheio de coisas que não digo, mas ele entende, não existe animal mais sensível que ele.
Me lembro que no começo todos reclamavam que eu o tratava como um cachorrinho, que Ringo Star não era meu bichinho de estimação, mas as pessoas não entendem nossa relação, somos irmãos, mesmo pertencendo a mundos distintos.
─Estou tão feliz que voltou, nem imagino como foi difícil para você, mas pelo menos Marley estava junto! – Acaricio seu dorso, depois começo a escovar – Obrigada Ringo Star, significou muito para mim saber que voltou, que me escolheu entre todas as opções!
Seco uma lagrima, sinto o quanto ele relaxa com a conversa e o carinho, deixo seus pelos brilhando.
─Perdemos muito não é? Nós dois, de todos os modos, Connor... Está certo, não vou te preocupar com essas coisas, desculpe, Obrigada! Beijo mais uma vez meu amigo, oferece um pouco de capim a ele – prometo que assim que o Carl estiver bom vai poder dar umas voltinhas com ventania, mas acho que por enquanto nós dois precisamos dar um tempo!
Deixo Ringo Star e vou tomar um banho, quero ficar com Carl, acho que ele já deve ter acordado e preciso dizer a ele como me sinto, me desculpar, mesmo que ele diga que não precisa.
Passo por Rosita que caminhava segurando a mão de Elliot, pobre criança, eu penso, sua história ainda é mais dolorida que a minha, sei tão bem o que é ser criança em meio ao fim do mundo, espero que ele encontre alguém.
Vickie disse que agora era como se ele fosse meu, mas tenho certeza que Rosita e Eugene podem fazer melhor, dois dias, vamos ver o que acontece, depois vou ter uma conversa com eles e saber como fica Elliot.
Minha mãe me esperava no meu quarto, deixo as roupas sujas num canto e me sento um momento com ela.
─Desculpe mãe, sei que matei você e meu pai um pouco quando me procuravam.
─Sempre que me vejo sem você, que tenho que te encontrar, nasce uma força dentro de mim, nada me detêm.
─Mas meu pai... – Me deito com a cabeça em seu colo, ela mexe nos meus cabelos, começa uma trança – Ele pensava um monte de bobagens, você sabia?
─Sim.
─Eu não, se soubesse, mas conversei com ele e acho que ele entendeu.
─Claro que sim, está mais leve agora, ele me contou.
─Cadê ele? – Pergunto me sentando de novo, quero ter uma conversa diferente agora com ela e preciso olhar em seus olhos.
─Brincando com seu irmão! – Ela me avisa com aquele sorriso apaixonado que sempre dá quando fala dele.
─Mãe eu vou dormir no quarto do Carl hoje, cuidar dele, ser realmente a garota dele.
─Tudo bem! – Ela diz de modo suave, despreocupada.
─E meu pai? O que acha que ele vai pensar?
─Que está fazendo o certo, cuidando do seu namorado, vivendo sua vida e crescendo e vai sentir falta de tirar suas botas, mas isso faz parte de criar filhos.
─Diz você a ele? Sabe que eu não ligo muito, que sempre conto tudo para ele, não tenho vergonha de dividir essas coisas com ele, mas acho que devia poupa-lo um pouco.
─Eu digo. Ele fica meio constrangido, mas gosta de ser seu confidente, então acho que não precisa mudar tanto assim.
─Acha que o Carl já acordou? – Pergunto e ela sorri, me puxa para um abraço.
─Como é bom ter você em casa!
─Como é bom voltar para casa, eu vou ver o Carl.
Beijo minha mãe e sigo para o quarto ao lado, me lembro de como era quando éramos crianças, de ficar entediada e bater na parede chamando por ele, de vê-lo entrar no meu quarto de cara amarrada reclamando que não dava sossego a ele, depois se sentava na cama e começa seus desenhos, eu ali, perturbando Carl e tentando tornar seu quadrinho de zumbis num romance colorido.
Abro a porta lentamente com medo de acorda-lo, Rick está lá, assistindo seu filho dormir, sorri quando me vê, pergunto com um gesto se quer que eu saia.
─Claro que não, até porque se formos perguntar ele iria preferir você! – Ele ri e quero muito acreditar nisso, mas fiz tantas bobagens que não tenho tanta certeza.
─Desculpe Rick!
─Se continuar se desculpando assim o tempo todo não vai mais parecer você! – Rick diz me encarando tranquilo.
─Acho que sim, mas tenho me sentido meio culpada, foi muita tolice junto. Errei muito!
─Sabe quantos erros eu cometi? – Rick me pergunta e nego com a cabeça – Nem eu Angel, nunca soube, fiz escolhas, que de algum modo nos trouxeram aqui, onde estaríamos se tivesse feito diferente eu não sei, talvez muito melhor, talvez muito pior, pode ser que outros de nós estivessem conosco, talvez jamais tivéssemos reencontrado todos que reencontramos.
─Você está certo, nunca vamos saber como teria sido se eu não tivesse feito o que fiz.
─Exato, por muito tempo eu me culpei, questionei e deixei questionarem minhas escolhas, mas agora isso se foi, somos o que somos, e isso é tudo.
─Obrigada! – Digo sorrindo, acho que suas palavras me ajudaram muito.
─Ainda estou em dívida com você, salvou minha filha Angel.
─Rick, eu sei que é grato, mas precisa saber que eu não tinha a menor ideia do que estava fazendo, outro dia me lembrei que achei a coisa mais esquisita do mundo você e o Carl chorando enquanto olhavam a cadeirinha da Judy, agora eu sei que acham que ela tinha... Não gosto de falar, mas não fiz consciente.
─Não, e ainda assim minha filha está aqui graças a você, então no fim não faz diferença, você a salvou.
─Tudo bem, vou concordar então – Olho para Carl deitado – Se importa de me deixar cuidar dele essa noite?
─De jeito nenhum, faça isso e ele vai ficar muito feliz, mas e seu pai?
─Não se importa, você sabe que ele me entende bem.
─Sei, mas eu vou deixar vocês descansando, sei que está cansada também.
Rick me beija a testa, depois deixa o quarto e retiro os sapatos, me deito ao lado do meu amor, ele me envolve em seus braços, me encosto nele e fecho meus olhos.
─Oi – Eu me espreguiçava meio sem entender onde estava quando escuto Carl falar comigo, ele sorria tranquilo e agora mais corado, me sento olhando em volta, era noite.
─Eu sou a pior namorada do mundo não é? Pode dizer, vim cuidar de você e dormi! – Reclamo e ele me puxa para seus braços.
─Estava precisando, acordei faz pouco, Mich e sua mãe nos trouxeram comida! – ele me aponta uma bandeja sobre sua mesinha de desenho, suspiro.
─Está com fome?
─Não muita – Diz depois de pensar um segundo – E você?
─Não. Como está a perna?
─Bem – Ele diz quando vou puxar o lençol para olhar e ele o segura – Estou de cueca! – Reviro os olhos, achando aquilo uma bobagem.
─Até ai já fomos Carl! – Ele solta o lençol.
─Tem razão, depois disso é que... Não importa.
Eu o encaro um tanto triste, é uma pena que tantos tiveram que morrer para que eu pudesse entender o mundo a minha volta.
─Me pergunto porque não me mandou para o inferno.
─Porque amo você!
─Um bom motivo! – Beijo seus lábios, ele me abraça e me recosto em seu ombro – Perdi tanto.
─Eu sei, e sei que está sofrendo, só posso mesmo dizer que estou aqui, o que talvez não seja muito, mas...
─É tudo! – Eu digo rápido, me afasto para olha-lo – Talvez mais do que merecia, não podia ter feito o que fiz com você, fiquei louca de ciúme, mas um ciúme infantil e desmedido, não devia me perdoar – Ele me olha e me apresso a continuar – Mas agora me perdoou e não pode voltar atrás.
─Nem quero, principalmente agora que andou me chamando de amor!
─Foi mesmo! – Faço cara de esquilo, ele me rouba um beijo, essa cara sempre me rende um carinho seja de quem for que esteja por perto – Acho que vou te chamar assim, no fundo é fofo.
─É eu deixo, mas e se te chamar assim, vai achar bobo?
─Vou, mas vou gostar! Quando a gente gosta fica meio bobo mesmo!
─Onde se enfiou minha namorada maluca e moderna?
─Ficou lá fora, ela... Ela deu um tiro na cabeça do melhor amigo para ele não se transformar num zumbi, depois acho que não pode mais voltar.
Eu choro e Carl me envolve, é o melhor lugar do mundo para ter minha última crise de choro antes de me erguer e recomeçar por que aprendi com meu pai a fazer isso e nunca me esqueci.
─Não chora meu amor, Connor fez o que queria fazer, ele não está triste com você, me disse como foi, está aqui agora, não pode ficar triste por estar viva, outros como ele se foram, não é questão de merecermos ou não, mas se estamos aqui e eles não então deve ter uma razão e vamos aproveitar isso.
─Carl, você anda tão adulto, a gente devia fazer uma loucura para eu botar a culpa em você depois e ficar bravo comigo e eu ter que te fazer sorrir.
─Maluca! – Ele me beija – Vamos comer, daqui a pouco vai para seu quarto e quero aproveitar um pouco mais você aqui.
─Não vou em lugar nenhum amor, vou dormir aqui com você, sou sua enfermeira agora, do tipo que dorme e deixa o doente, mas é o que te restou, não tem opções!
─Sempre tenho opções, mas gosto de ter você, já falamos sobre isso.
─Eu sei, mas adoro fazer um drama e dizer que sou tudo que te restou!
Carl me beija, um longo beijo, depois comemos e conversamos sobre a vida, os acontecimentos, o que ele fez quando ficou sozinho, Vickie, Connor, a conversa com meu pai, eu podia ficar ali com ele para sempre, só conversando e já seria feliz, deixo a bandeja no mesmo lugar e volto para seus braços.
─Seu pai não vai entrar aqui no meio da noite para tirar suas botas vai? – Ele brinca quando me ajeito em seus braços. Mostro meus pés descalços e o beijo.
─Não, isso acabou, ele ainda é meu pai, eu o amo muito, é meu melhor amigo e confio nele, mas agora vou eu mesma fazer isso, e... – Fico um tanto tímida, certas coisas são difíceis de dizer – Carl eu... Eu não tenho mais medo, quando se recuperar... Bom, não vou fugir.
Carl me olha, sinto que engole em seco, os olhos brilham de um jeito que faz meu coração disparar, depois ele se move, me beija longamente e se quisesse eu seria dele, mas então ele apenas me abraça, suspira e sorri.
─Eu me sinto bem, mas vamos esperar até que esteja perfeito, ai sim vamos falar mais sobre isso.
─Quanto acha que isso demora? – Pergunto e ele ri.
─Vinte e quatro horas, no máximo!
─Feito.
─Vai amanhecer o dia e correr para contar isso para o seu pai?
─Não devia, mas acho que é isso que vou fazer, ainda não sei, talvez deixe para depois, Carl acho que a gente devia morar junto.
─Já morarmos e não se atreva a me pedir em casamento, eu é que tenho que fazer isso! – Ele briga comigo e mordo o lábio, sempre atropelo tudo, sempre tenho pressa de ser feliz, mas ele está certo, vou esperar, afinal vencemos mais uma vez e ganhamos mais tempo, não sei quanto, nem mesmo me importo, apenas mais tempo, basta me concentrar nisso.
─Eu matei Carl! – Me lembro e me encolho um pouco.
─Matou, não tem como escapar disso, não começou nada.
─Eu sei amor, mas... tenho um pouco de medo de isso me mudar, de que na próxima vez, porque sempre pode haver uma outra vez eu não sinta nada.
─Sei como é, durante um tempo eu fiquei pensando se não era um monstro, talvez eu seja, mas isso não muda nada, não me faz melhor nem pior que os outros então parei de pensar nisso.
─E se isso for apenas se conformar com quem você é? Não gosto muito de me conformar com nada, gosto mais de lutar.
Carl se move, então agora eu estou deitada, ele apoia a mão na cabeça e me olha, os olhos azuis lindos e vivos, quanto medo tive de perder aquilo para sempre, seus dedos afastam um pouco meus cabelos.
─Eu sei quem eu sou e sei que você é, amo a garota que é, a coragem que tem e sim, não se conforme, não aceite, continue tentando, assim que deve ser e isso que te afasta do monstro, isso foi o que aquelas pessoas esqueceram e nós não, sempre continuamos tentando, não muda o que fizemos, mas muda o tipo de pessoas que nos tornamos.
Fico um instante olhando para ele, tão perfeito para mim que meu coração dói um pouco.
─Vamos Carl, vamos aprontar alguma, que tal irmos atrás da matilha de lobos em busca de um filhote?
─Nem me lembre daquilo, como pude me deixar convencer que podíamos pegar um filhote de lobo e criar aqui como um cachorro? Acho que fiquei de castigo um mês ou mais.
─Trinta e quatro dias, contamos! – Eu me lembro, eu tinha doze anos e meu pai nos pegou uns metros depois dos portões, ele sorri – E eu fiquei de castigo.... Vejamos.... Dez minutos?
─Como se ele pudesse aguentar tanto, seu pai te deixou de castigo da esquina até em casa, entramos e ele já estava te agradando e ainda disse que a culpa era minha que eu era mais velho que devia ter dito não!
─E devia! – Ele me beija, rimos ao mesmo tempo, depois se afasta um pouco e quando olho em seus olhos o sorriso se desfaz e meu coração acelera. – Acho que vinte e quatro horas é tanto tempo! – Eu digo e ele me encara decidindo, depois seus dedos tocam minha pele, primeiro o pescoço, depois vão descendo pelos ombros, colo, ele afasta a alça da minha camiseta, me beija de leve, me testa para saber até onde vou e estou decidida a ir até o fim.
─Amo você Angel.
─Então vamos aprender como é isso.
Carl toma meus lábios num beijo cheio de desejo, minhas mãos tocam sua pele, adoro me sentir assim, dele, entregue, com o coração saltando sem controle.
Ele me ajuda a me livrar da blusa, entre um beijo e outro, um toque e outro, depois se move cobrindo meu corpo com o dele e sinto o calor de sua pele, é nessa hora que sempre desisto, sinto medo, acho cedo e fujo, mas dessa vez é diferente, eu apenas me deixo levar.
Meu corpo fica tão consciente dele que apenas me deixo dominar pelo desejo, quando percebo as roupas se foram todas, Carl é tão carinhoso, suave, sem pressa, mas acho que ainda espera que eu fuja, me beija mais uma vez e cada beijo me deixa mais envolvida e cheia de desejo.
─Eu estou pronta Carl, amo você e sei disso agora!
Ele me olha de um modo tão intenso que desejo que aquele minuto nunca mais acabe, meu coração pulando, meu corpo vivo respondendo a ele, nunca me senti assim, nunca me senti tão dele e então enquanto me beijava sinto ele me invadir aos poucos, é estranho no primeiro segundo, mas então seus lábios descem por meu pescoço, suas mãos percorrem meu corpo e nada mais importa, a estranheza da lugar ao desejo e me entrego por completo.
Gosto de sua respiração, dos gemidos baixos que dividimos, das palavras que me escapam sem sentido.
─Te amo! – Ele sussurra e então sinto meu corpo responder por completo, todas as células reagindo juntas, uma grande explosão que não posso controlar, acho que o mesmo acontece com ele e por fim relaxamos.
─Te amo! – Digo meio confusa, a voz sai diferente, ele me beija, ficamos ali abraçados, esperando tudo voltar ao normal e não sei do que eu tinha tanto medo.
─Está bem? – Carl me pergunta quando nos aninhamos nos braços um do outro.
─Ótima, mas quem tomou um tiro foi você, está bem?
─Muito, nem me lembrava mais disso! – Ele me beija o pescoço, os lábios, a ponta do nariz, sorrimos, me sinto leve.
─Carl é uma boa hora para me pedir...
─Não, não é, acredite! – Ele diz me fazendo rir, vou dar um prazo para receber um pedido, depois se não vier quero que se dane, pego minhas coisas e caso com ele na marra.
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