Ressurreição - O julgamento final 2
10 Capítulo 10 - Desabafo
Notas iniciais
Pov – Amy
─Mãe, eu e o Elliot podemos ir lá em cima, o Glenn está lá de guarda, queria mostrar a ele como é lá.
─Não, filho sabe que não gosto nada disso, odeio altura, só sobe com seu pai, mais tarde ele estará de guarda e sobe com ele.
Max suspira resignado, olha para Elliot se desculpando, depois sorri, dou um beijo em sua testa, ele limpa porque é um garoto e acabo de envergonha-lo na frente do amigo.
─Vem, vamos achar a Judy e chama-la para fazer algo com a gente! – Max convida o amigo, os dois saem correndo e os braços de Daryl me envolvem, ele beija meu pescoço, suspiro, me encostando nele.
─Está tão grande nosso bebê! – Ele diz no meu ouvido – Não fosse o mundo acabar teríamos mais, adoro isso! – Sorrio.
─Aposto que sim, eu teria tido um filho por ano se dependesse de você.
Me viro e ele me beija, amo meu marido, amo que nos casamos numa loja de bebês enquanto escolhíamos roupinhas, ele me envolve mais, suspiro feliz por saber que ele vai ficar.
─Eles já estão de saída, mas eu fico, assim cuido das coisas aqui, depois do que aconteceu e do modo como estou preocupado com essa garota entre a gente.
─Amor... Eu acho que ela não é fácil, mas deixe Angel resolver isso sozinha, vai ser bom para ela, ajuda que cresça, ela precisa disso.
O grupo se reúne para partir, minha filha corre em direção ao carro, ficamos assistindo quando se aproxima de Carl que está de cara amarrada.
─Vim me despedir! – Ela diz sorrindo para ele.
─O Redan vem vindo e se despede.
─De você Carl, não gosto que saia e eu fique, tenho medo que algo dê errado.
─E eu abrace alguém?
─Não faz isso, não vai embora brigado comigo!
─Tchau Angel! – Ele entra no carro batendo a porta, ela se afasta triste, passa por Redan, abraça o novo amigo, deseja boa viagem a ele e depois some para dentro da fábrica.
─Vou falar com o Carl, ele está sendo muito duro com ela! – Daryl diz e eu o seguro.
─Ela mereceu, precisa lutar por ele agora e você não vai lá.
─Amor... – Ele resmunga.
─A primeira vez que me chamou de amor foi porque estava morrendo de ciúme e quis mostrar para todos que eu pertencia a você, se lembra?
─Claro, além disso adora me jogar na cara que fui um ciumento!
─Foi lindo e prefeito, já eu fiz o contrário, a primeira vez que tive ciúme de você causei a maior confusão e quase te perdi, mas fui e consertei tudo, ela tem que fazer o mesmo, depois disso tive ciúme um monte de vezes, mas nunca mais fiz uma cena.
─Eu gosto quando fica toda com ciúme de mim, me puxando para você, me beijando quando acha que vou olhar outra mulher – Ele ri muito de mim, adora isso, me beija, depois acena para Rick e o carro parte – Não posso nem consolar minha esquilinha?
─Pode, mas nada de fazer drama, dar razão a ela.
─Mas a garota armou para nossa filha, admite isso.
─Sim, mas estamos falando de relações pessoais, quer dizer ela não colocou o grupo em risco, não roubou, ameaçou, não trouxe zumbis, é com isso que temos que nos importar, nem todo mundo é como nós, tem gente de todos os tipos, agora não estou dizendo que ela não pode vir a fazer algo assim, então vamos ficar de olho, mas só isso.
─Você é sensata demais! – Ele me beija ─ Vou subir para a guarda.
─Leva o Max, ele quer mostrar tudo para o Elliot e fica...
─Eu sei amor, não vou tirar os olhos dele.
Ele me beija e sigo ao encontro de Angel, ela está no quarto, não chora, apenas está triste, os olhos perdidos, claro que fico triste, mas sei que é importante para ela.
─Vai me dizer que errei feio e que ele está certo?
─Não, já disse – Me sento com ela.
─Amo mesmo o Carl, quando achei que ele podia amar outra, que alguém podia me tirar ele, mãe, fiquei...
─Eu sei gatinha, faço coisas assim as vezes, mas seu pai acaba sempre me perdoando, acho que o Carl fará o mesmo, não fique tão triste.
─Queria que o Redan tivesse ficado, ele e o Connor podiam ter se entendido.
─Angel, não pode ficar...
─Os dois são gays mães! Já sei de tudo.
─Que surpresa!
─Estou triste, mas isso não muda quem eu sou, gosto de ver as pessoas felizes no amor, o mundo já é uma droga.
─É! – eu a abraço, beijo minha esquilinha, depois a deixo, ela precisa mesmo pensar um pouco – Fica bem, logo ele está de volta, é bom sentir saudade!
Sigo para encontrar Beth, ela lia enquanto olhava Henry brincar no chão a barriga já crescida a deixava ainda mais bonita, fecha o livro quando me vê, sorri acariciando o filho, me lembro dos bons e tranquilos tempos em que Max estava aqui dentro, no cuidado carinhoso de Daryl e Angel, na atenção de todos.
─Como está?
─Bem, Tyler foi buscar um copo de agua para mim, Maggie saiu com Glenn para a ronda e fiquei com ele – Henry bate o brinquedinho no chão fazendo barulho, nem nos dá atenção.
─Com medo?
─Parece bobagem, mas sinto que algo está mudando, não sente isso? Não sei se é o bebê, ou essas novas pessoas, apenas me sinto um pouquinho assustada.
─Achei isso toda minha gravidez, e no fim...
─Estava! O Governador chegou e derrubou tudo.
─Foi coincidência, não um presságio ou coisa do tipo.
Abraço Beth, adoro como podemos ser amigas, em tudo que ela e Maggie já fizeram por mim e como posso retribuir, beijo sua testa, Tyler se aproxima.
Entrega o copo a Beth e se senta abraçando a mulher que se encosta nele.
─Vocês não vão se unir e acertar as coisas com o Carl e a Angel?
─Tyler não devia se intrometer! – Beth reclama.
─Vocês armaram para juntar os dois, não estavam prontos ainda, agora precisam ajudar, ela é só uma menina!
─Me pergunto como ela faz isso! – Beth brinca – É o Daryl, o Tyler aqui, Connor, Glenn, um time de tontos fazendo tudo para agrada-la!
─Eu sei, por isso ela é assim, agora deixe que cresça Tyler, ela se arranja é a Angel, ela sempre da jeito em tudo.
─Ok, eu tentei, mas se ela precisar de mim...
─Sabemos!
Pov- Carl
Ela pensa que é fácil assim, só pedir desculpas e tudo fica como antes, não somos mais crianças, isso não se resolve mais assim, não mesmo, de jeito nenhum.
Fixo os olhos na estrada, detesto estar com aquele cara sentado ao meu lado, simplesmente odeio aquilo, ele me olha vez por outra, sinto, mas ignoro, meu pai e Mich conversam na frente distraídos e tranquilos.
─Tem poucas coisa boas na vida, ter alguém é...
─Olha cara eu não quero conversar certo, fica na sua! – Digo logo, eu que não quero ouvi-lo falar da Angel.
─Ela... Acabou?
─Se está tentando descobrir se ela está disponível para suas investidas não, ela não está!
─Não podia estar mais longe da verdade, só queria dizer para não deixar a Vickie destruir uma coisa que é bonita e que pode acabar de qualquer modo, a qualquer momento.
─Estamos vivos! Vencemos tudo que esteve em nosso caminho, não vamos cair agora, eu sei como lidar com a minha namorada.
─Tudo bem!
Ficamos mudos, meu pai e Mich ou não ouviram ou não se importaram, então ficamos todos momentaneamente calados, agora estávamos finalmente perto e meu pai diminui a velocidade, um zumbi, que caminhava pela estrada toca a lataria, cai com o impacto, rola para longe.
Podemos avistar as ruas, as cercas que eles fizeram no caminho, uns carros quebrados fechando a estrada.
─Espera Rick! – Redan pede tocando o ombro do meu pai, parece assustado – Tem algo errado, não entra na cidade.
Meu pai para, encosta o carro no acostamento, olha para Redan no banco de trás, Redan descia, acabamos fazendo o mesmo.
─O que foi?
─Tem alguma coisa errada, aqueles caras no telhado, vê? Bom não dá para ver direito, mas não acho que é gente nossa.
─Merda! Será que nos viram? – Mich pergunta puxando a espada.
─Vamos a pé até mais perto – Meu pai determina e caminhamos pelo acostamento, tentando ser discretos, logo nas primeiras ruas a verdade surge, tinham homens de vigia, armados, e carregando um pequeno caminhão, nos olhamos – conhece eles?
─Fomos encontrados, pelo visto querem o mesmo, continuar saqueando.
─Certo, vamos para casa, melhor ficarmos prontos, se alguém abrir o bico é bom estarmos prontos.
─Vão, eu vou ficar, preciso ajudar meu grupo!
Redan diz decidido, passa a mão pelo cabelo, observa o lugar, parece calcular um modo de chegar lá sem ser visto.
─Não, você volta com a gente, não pode fazer nada e só vai atrair mais problema, vamos retornar.
─Rick...
─Nem tente, não está na suas mãos decidir isso, vamos voltar.
─Desculpe Rick, não sou um dos seus, não pode decidir isso por mim, é meu grupo, não vou deixá-los agora.
Meu pai segura seu braço com força, está bravo, os olhos faíscam com raiva, arrependimento, não sei dizer, mas tenho vontade de dizer que avisei que aquela gente era problema.
─Olha aqui rapaz, não vai bancar o herói e colocar tudo que tenho a perder, de jeito nenhum, está me entendendo? Além disso tem o garotinho lá, não era a prioridade de vocês mantê-lo vivo? Vai arriscar tudo e por a vida dele em risco, das crianças que temos lá, uma gravida? Vai voltar conosco, vamos decidir juntos o que fazer, não quero essa gente na minha porta!
Redan, baixa a cabeça, fica mudo e já entendi que concorda, até acho que o entendo, eu faria o mesmo, não deixaria minha família e amigos na mão no meio de algo assim, mas meu pai está mesmo certo.
Ele caminha para o carro em silencio, cheio de raiva, deixamos o lugar as pressas, rezo para não sermos notados, aquele prédio tem uma visão de quilômetros, é claro que aqueles idiotas nos enxergariam partindo.
─Rick muda a direção, vamos sair da nossa rota, pegue a secundaria ali onde ainda podemos ser vistos, assim desviamos a atenção deles.
Mich pede e meu pai obedece, dobra o tempo de viagem de volta e começo a me irritar quando a noite cai, o grupo vai ficar em alerta, penso se Daryl não armaria um grupo de busca e nos colocaria mais em risco.
Quando finalmente chegamos já é noite alta, o portão se abre e estão todos lá, se armando, sinto o alivio geral, Angel que chorava me olha paralisada, aquilo é estranho, eu não me movo também e ela some de volta para dentro da fábrica.
─O que aconteceu?
─Acharam eles, nem entramos!
─Merda! – Daryl chuta o chão – Vamos fazer o que? Sentar e esperar? Ir até lá?
─Não sei Daryl, não sei, melhor por essa noite ficarmos prontos, não fui seguido, mudei o caminho, por isso chegamos só agora, mas alguém pode falar.
─E vai! – Vickie surge – Se desconfiarem e apertarem eles, vão contar, não estão preparados para dor, nunca estiveram.
Todos nós nos olhamos, aquilo é assustador, não acredito que estamos passando por isso.
─O que faz aqui Redan, devia estar lá! ─ Ela o questiona.
─Era onde queria estar! – Ele encara meu pai.
─Bom, podemos ir os dois, não é muito, mas podemos tentar algo. ─ Ela se oferece.
─Acho bom, é o mínimo! – Redan concorda.
─Ninguém vai sair daqui! – Daryl diz – Tyler, quem está lá em cima?
─Eugene!
─Vai avisar a ele, lembre ele do sinal, mande apagar qualquer lanterna, lampião, nada de luz, isso chama muito atenção, Carl leva as crianças e as mulheres para dentro, arme e tranque elas na sala dos fundos, mande que se preparem, vamos reunir os homens e as mulheres que lutam e nos preparar – Meu pai avisa tenso.
Obedeço assim com Tyler, Maggie deixa Henry com Beth, as duas estão nervosas, Amy e Maggie se juntam ao grupo lá no saguão, passo por Tyler no corredor, ele me acena tenso.
─Viu a Angel?
─Não está com o grupo no saguão?
─Não, nem com as mulheres! – Aviso e ele suspira.
─Ela não está no quarto, acabo de vistoriar todos eles, só pode estar nos
─Estábulos! – Falamos juntos, dou meia volta e rumo para lá, ela acariciava Ringo Star.
─Angel.
─Se lembra do Flame?
─Sim.
─Quando o governador chegou... quando tudo caiu, ele ficou para trás, morreu devorado por zumbis, preso ali sem chance de se defender, ninguém teve tempo de deixa-lo tentar a sorte.
─Não vai acontecer de novo, não com o Ringo star.
─Você não pode saber, ninguém pode, isso é mesmo uma droga, a gente pensa que está tudo bem e então um tanque derruba sua casa e te põe em perigo, não importa se no fim vamos dividir uma lata de pudim e vou vomitar nas botas do meu pai, alguém sempre fica pelo caminho.
─Eu sei!
─Sou mesmo mimada, quero tudo, o tempo todo, não abro mão e não escuto não sem lutar e que se dane, as pessoas que pensam muito sobre isso nunca estiveram como eu já estive, sozinha, da primeira vez, lá naquele apartamento, eu sentia vontade que acabasse logo, porque quando escurecia e eu não enxergava nada e ouvia as ruas de Atlanta, aqueles mortos caminhando... Quando meu pai chutou a porta e me achou.
─Eu sei que não foi fácil.
─Na floresta com a Sophia e logo depois sozinha... Porque é tão difícil de entender? Eu tenho medo, mas também sou corajosa, eu tenho defeitos que são mais visíveis, mas tenho qualidades também, quando foi que ficou sem seu pai?
─Nunca!
─Está tudo bem Ringo Star! – Ela me olha quando volta a acariciar o cavalo, depois beija o animal – Não vai acabar como o Flame, prometo, se der errado liberto você para tentar, todo mundo tem direito a uma chance.
─Angel...
─Meu pai verdadeiro ateou fogo numa casa comigo dentro, minha mãe verdadeira me deu as costas para ir em busca da mãe dela, não pensou que estava me deixando, mas estava, quem acertou tudo isso, me colocou na frente de qualquer coisa foi meu pai Daryl, e por um tempo você, eu errei com você, mas também errou comigo.
─Eu...
─Eu sempre quis te ver sorrindo, nunca aceitei menos que sua felicidade, nunca sosseguei, nunca te abandonei, quando sua mãe se foi eu segurei sua mão o tempo todo até voltar a sorrir.
─Não esqueci isso.
─Esqueceu quando não me deu uma chance – Ela soluça se afastando do cavalo – Eu tento aprender, erro e acerto, sou humana, se esperava uma fada já devia saber que não seria eu, sabe que estou sempre me enrolando em encrencas, melhor irmos, tem uma guerra a caminho, não vou me esconder, e agora preciso ficar forte, para enfrentar a proteção do meu pai que vai me querer escondida.
─Você pode ficar com as mulheres, proteger seu irmão...
─E provar que sou mesmo uma garota tola e mimada?
Ela me da as costas, acompanho seu andar enquanto seca as lágrimas em direção ao grupo reunido, não sei muito o que pensar, não é tempo de resolver questões amorosas, é hora de buscar força para uma guerra, mas foi bom que desabafou, Angel nunca parece ter nada escondido, mas tem, todo mundo sempre tem, devia saber que ela não seria diferente.
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