Notas iniciais
Um corvo... Não leia se não tiver lido o What If? sobre o final de Convergente. Pode ficar confuso! REALMENTE confuso.

Começo a suar, um suor que não vem de exercícios físicos, ação repleta e seguida, desarmando uma bomba, nada disso.

O meu suor vem de pânico. Pânico de uma simples frase:

Ela está viva.

Mas não basta. Eu quis ver o corpo real dela, mas acabei vendo uma vida real. Eu vi o meu passado. Não contei a ninguém. Nem a Evelyn. Eu acho que se contasse, se alguém acreditasse, não pararia de procurar por ela. Mas ela deixou bem claro.

Ninguém.

Nós estamos voltando pelo elevador. Ninguém achou nada. O Governo deve estar sim em um dos andares. Não vou procurar. Já achei o que eu queria. Mas Christina não.

—Não vim até aqui para desistir tão fácil!- ela argumenta quando digo para voltarmos. -Mal achamos o corpo de Tris.

—Aqui é perigoso.- eu digo.

—Não faria pela Tris?- ela me atira. -Você perdeu a memória, mas você morreria por ela.

—Ela não está aqui.- me viro para olhar para ela. A porta de metal se abre. A sala está cheia de guardas. Eles estão apontando a arma para nós.

—Cuidado!- eu grito. As balas começam a erguer e correr, nós desviamos pelas bordas da porta. As balas cravam buracos na parede.

Carrego minha arma, e parto para o ataque. Cada tiro é movido lentamente. Cada movimento preciso. São quinze guardas. Atiro em dois enquanto me protejo em uma mesa. Eles caem sem jeito.

Os meus parceiros começam a atirar também. Os guardas começam a cair. Eu tento o máximo não atirar em lugares letais, mas é bem difícil quando se tem milhares de pessoas tentando te acertar. Começo a mirar nas armas. Quebro três, antes que eles possam pegar uma pistola, ataco corpo a corpo, em chutes, socos e cabo de minha arma. Eles são nocauteados, e faço a mesma coisa em outros. Três por vez. Nocauteando um por um.

São muitos, eu penso. Então, uma máquina com formato humano entra.

As balas que eu atiro ricocheteiam quando eu atiro no metal do suposto robô. Ele carrega no braço esquerdo três aros de metal com furos. Ele levanta o braço. Milhares de balas atacam. Tento me mover, mas são tantas. Elas furam minha pele superficialmente.

São tranquilizantes...

Acordo numa cela. Fomos presos? Tentando entrar na sede do governo? Que estressante. As barras de metal estão enferrujadas. Eu mal posso ver quem é o meu parceiro de cela.

Ele está sentado com a face para cima, as mãos nas pernas. Ele ri.

—Tentaram uma, não é?- ele me olha sem eu conseguir ver o seu rosto. Ele se levanta e aproxima bem perto. Eu me afasto. -Vocês tentaram atacar o Empire State? Não sabiam que ele era protegido por Guardas Elite?

Guardas Elite?

—É. Você viu. Só não são devastadores porque usam balas tranquilizantes. Bem que eu queria por a mão numa dessas.

—Quem é você?

—Você não me conhece? Eu vim da cidade também.- ele explica. -Talvez seja porque acha que eu estava morto.

É uma voz de homem, mas não deixo de lembrar de Tris.

—Tobias, não é?- ele pergunta. Eu concordo com a cabeça.

—Como sabe meu nome?- eu demando uma resposta.

—Eu te conhecia antes. Da cidade. Prazer,...

Ele se levanta. As luzes mostram seu rosto com um tapa-olho, e o outro olho azul me olha intensamente. Seu olhar psicopata me faz desconfiar de qualquer movimento.

...Edward.

Não sei se deveria significar algo para mim. Ele percebe isso, me olhando com o olho cerrado.

—Você não lembra.

Faço que não com a cabeça. Ele senta novamente.

—Soro da memória.- ele aposta.

—Não...sei.

Os guardas correm pelas celas, indo a algum lugar. Pequenos gritos quase inaudíveis começam. Tiros também. Eles vem um por um.

E cessam.

Uma figura entra pelo corredor. Usa uma máscara preta, com linhas em formato de corvo no peito. É uma mulher, mas só sei pelo formato da pessoa. Sua máscara é talhada com um seis em branco no preto. Sua mão carrega uma arma de longo alcance e cano longo, formando algo devastador. Há dois facões em cada perna, e uma espada completa guardada nas costas.

Ela chuta a porta da cela três vezes. A porta cede, virando ao encontro da parede. A figura pega o braço de Edward, e joga-o para a parede contrária. Faz o mesmo comigo. Então fala com uma voz deformada:

—Esperem aqui.- ela vai em direção às outras celas, e depois de um tempo, todos estamos livres. Ela manda: -Todos vocês devem ir em uma direção apenas. Até as escadas. Lá estarão livres. Podem ir! AGORA!- ela grita.

Todos nós corremos, indo para as escadas. Somos uma multidão. Evelyn me encontra, e juntos nós tentamos encontrar os outros.

E continuamos a correr, mesmo nas escadas. Um número só me ocorre.

SEIS.