Ressurgente
2 Os Corvos Vigilantes
Notas iniciais
Nós acompanhamos pelos corredores, tentando não tropeçar em meio da multidão de prisioneiros aqui. Eles são todos assassinos. De vez em quando nós passamos por guardas, mas não vejo eles vivos. São apenas corpos no chão quando passamos. Será que eu fui um assassino? Ou pior?
E Edward. Quem era aquele? Com tapa-olho. Sorriso psicopata. Não vejo ele agora. Ele me conhece. Então deve conhecer os outros.
Será que ele conhece minha mãe?
Tiros nos corredores me trazem de volta a vida. Não tenho arma. Talvez, se eu entrar na frente, consiga uma. Vou tentar.
Mais pessoas chegam a minha frente, e passo com alguns empurrões e chutes. Vejo nós virarmos o corredor. Está faltando alguma coisa aqui. Uma sirene. Um alarme. Se não ativou, então alguém cuidou dos vigilantes na sala de controle...
–Tobias!- chama Edward. Ele já carrega duas pistolas, além de uma faca no bolso. Passa uma das pistolas para mim. -Então você perdeu a memória, né? Ha. E vive com um sem-facção. Aliás, todos vivem? Não tive muitas noticias de Chicago desde que tive que ir embora.
–Por que?- eu pergunto.
–Bem... essa é a parte difícil.- ele chuta um segurança, e segura a sua cabeça com as mãos. Seus braços se envolvem e o pescoço do pobre homem quebra, em uma velocidade incrível até mesmo para um criminoso. Talvez ele já tenha experiência.
Eu penso no que dizer, algo como você conhece Evelyn Johnson? Mas não digo nada. Não parece o momento certo.
–Você conhece a Tris?- eu pergunto a ele.
–A Careta, da Abnegação? Lembro. Ela realmente não confiava em mim. Nem na sua mãe.- ele lembra. -Ela estava graduando os testes da Audácia comigo. Ela passou.
–E você não?- eu pergunto. Tento imaginar a cena em minha cabeça de modo que talvez conseguisse me lembrar de algo. Nada.
–É. Eu perdi um olho por causa disso.- ele aponta para seu tapa-olho, e imagino o vazio lá dentro. Ou até uma faísca de ódio. Por mim. Ou por Tris.
–Eu não vi ela em lugar nenhum.- diz Edward olhando pelos lados. -Ela não veio com vocês?
O que eu respondo? Ele acha que Tris está viva. Mas ele está certo. Mas ele não pode contar isso aos outros. Ou então vamos acabar como a sala em que estavam mantendo Tris: um banho de sangue. Porque ela mudou.
–Ela morreu. Foi o que me disseram.
–Então foi por isso.- ele pensa alto.
–Isso o que?- eu arrisco em perguntar.
–Você tomou o soro da memória. Ela tinha sido morta, e você não pôde aguentar.
Nós continuamos correndo. Será que ele está certo? Foi isso que me tirou as memórias. E ela nem estava realmente morta.
–Isso não foi muito altruísta de você.- Edward decide por fim.
O corredor está limpo. Nenhum policial, ou guarda. Sozinhos, e o barulho de passos. -Já me disseram isso.- eu digo, acabando o silêncio.
–As portas!- alguém grita. Elas estão ali: Um vidro grande, revelando o mundo de fora. Até atrás, as ruas detonadas e grama acinzentada. O céu está bem claro.
Juntos, nós quebramos o vidro em milhares de pedaços. Fora, todos corremos feitos loucos, indo para qualquer lugar, seja o vamos a fazer.
Edward para. Eu também, abaixando a minha arma. Ele sorri novamente. -Acho que devo uma explicação.- e olha para trás. Eu também, vendo os meus amigos correndo até mim. Volto o olhar para onde Edward estava, mas nada indica que esteve aqui.
–Tobias! Você viu?- Christina exclama e pergunta rapidamente, respirando para alcançar a respiração. -Quem era aquele lá? De armadura.
–Era uma mulher?- eu pergunto. -Eu pensei nisso.
–Acho que não, Tobias. Aquela voz não chega perto de ser feminina- diz Matthew. -E seus movimentos não lembravam nada de uma mulher, por mais ninja que seja.
–Ninja?- pergunta Christina.
–Samurais, ninjas?- Matthew se surpreende ao ouvir a pergunta, mas Christina nega. -Vocês não sabem de nada mesmo.
Mas eu não presto a exata atenção a eles olho ao redor. As ruas solitárias. Os carros capotados. O sangue nas calçadas. Os prédios queimados. As praças quebradas. E o prédio em que saímos, escrito de forma destacável: PENSÃO NORMAN. DEPARTAMENTO E PRISÃO.
Mas nada disso é o que me chama a atenção. É o vulto preto. Uma forma negra e ofuscada em cima do prédio. Quem nos libertou. Quem... quem?
Eu foco a minha visão. A máscara de Seis. O corvo no peito. A arma na mão. Suas vestes militares negras, e olhando para nós. Para mim.
–Ei, gente. O teto.
Todos olham para o teto. Eles parecem confusos, e quando eu volto a olhar para lá, entendo porque. O vulto desapareceu, como um fantasma que cansou de vigiar. Desapareceu sem uma atenção.
–Que foi, Tobias?- pergunta Evelyn.
–Nada.- eu digo, bem a tempo dos corvos piarem loucamente.
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