Ressurgente
1 Prólogo - Cerimônia de Escolha
Estou sentado junto aos membros da minha facção. Somos uma massa cinza. Há muito espero por este dia, e agora me pergunto se eu devo permanecer na Abnegação.
Não.
Reprimo um riso de meu pensamento ridículo. Sempre fui altruísta, e meu lugar é na Abnegação. Mas na verdade é que mesmo os mais abnegados são egoístas. Somos humanos, e isso está em nossa essência.
Acordo de meu devaneio quando o responsável por conduzir a cerimônia — já esqueci seu nome, hoje é o dia que devo pensar em mim, não nos outros, como sempre — chama por meu nome.
Chegou a hora.
Não consigo reprimir a vontade, e olho para Marcus, que está sentado junto aos membros da nossa facção — não, de sua facção, agora —. Ele está me observando, me deixando pouco à vontade com seus olhos pregados em cada um de meus movimentos. Ele está confiante, tem certeza que permanecerei na Abnegação. Quase sinto pena dele. Quase.
Dirijo-me para o recipiente que contém o fogo e pego a faca que me é oferecida e sem hesitar, faço um corte na palma de minha mão, sem deixar tempo para o sangue escorrer, dou um passo a frente e coloco minha mão sobre as chamas.
Gostaria de dizer que sou corajoso como a Audácia, mas sou um covarde.
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