Respire fundo
2 O pirulito
Entramos em qualquer doceria que vimos pela frente, tinha tantas opções que eu não conseguia nem escolher. Ali era o beco, a casa, o tráfico de doces rolava solto, quem entrava, saia muito alterado, essa era a graça, se drogar de doces. Começamos com o mais leve, a bala comum, seguido para o pó da paçoca e adicionando algumas jujubas. Por fim, veio o pirulito. O redondo pirulito de morango.
Saímos da doceria com o saquinho lotado, nele se encontrava a melhor das felicidades, enquanto eu começava pelas leves jujubas, ela já atacava o pirulito de morango que me assustava. Paramos para sentar no banco da praça, e ela se deliciava naquele doce, quando me dei conta, não estava mais na vida real. O jeito que ela passava a língua por todo o contorno era magnifico, colocava e deixava o pirulito por tempo demais dentro da boca, a saliva ia se acumulando, e quando tirava, pequenos fios de água doce faziam um caminho de toda sua extremidade até sua boca. Seus lábios estavam encharcados e brilhosos, pareciam ser o próprio doce. Era suculento e tentador olhar aquilo, já não sabia qual daqueles açúcares eu deveria provar. Queria aquela boca para mim.
Ela olhou para mim e perguntou se eu queria um pouco, voltei para a realidade e aceitei, era como um beijo indireto. Quando o pirulito entrou em contato com minha boca me veio um calafrio, toda a saliva doce que ela tinha depositado agora estava comigo, cada gota agora se embrulhava com a minha, era um oceano açucarado. Devolvi o doce para ela, e fui de encontro com as minhas balinhas, espantei os pensamentos, Respirando fundo.
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