Respire fundo
3 O banheiro
Não era a primeira vez que eu dormia na casa dela, mas desta vez foi diferente, eu me sentia diferente. De um tempo para o outro eu comecei a vê-la de um jeito tão estranho, ela conseguia atrair todos os meus sentimentos com muita facilidade, era quase impossível conte-los dentro de mim.
Estava perto de escurecer e ela me disse que ia tomar banho primeiro e eu iria logo em seguida, dito e feito. A porta do banheiro se fechou e em poucos segundos consigo escutar o barulho do chuveiro e algumas melodias vindas dela. Enquanto isso tornei a pensar como tudo aconteceu tão rápido, eu não fazia ideia do que estava sentindo e pensar nisso me deixava louca. Enquanto pensava abri minha mochila a procura da minha toalha. Não a encontrei.
Decidi pedir uma emprestada, fui até a porta do banheiro e bati uma vez chamando por seu nome. Nenhuma resposta. Bati novamente, Nada. Terceira. Silêncio. Abri a porta e o vapor veio de encontro com o meu rosto, o ambiente estava quente, e la estava ela, por trás do box transparente completamente embaçado. Conseguia enxergar suas curvas borradas e o tom da sua pele, enquanto se manteve de costas para mim, cantando pequenos trechos de músicas. O eco do banheiro fazia com que sua voz se espalhasse por todo lugar, inclusive no fundo da minha mente, o barulho das gotas caindo tornou-se mais alto. Eu estava corada o suficiente, não bastasse o calor do banheiro, o calor interno também me invadiu. Esqueci todas as palavras, não conseguia dizer nada, muito menos pedir uma toalha emprestada.
Ela mudou a música, aumentando sua voz, enquanto se virava de lado para pegar mais shampoo, pude ver o contorno de seus seios ainda embaçados. Voltei a realidade. Observei melhor o local e notei a toalha dela estendida próxima a pia, não pensei duas vezes.
Quando ela saiu, usava uma blusa branca e um short, ambos molhados. Perguntei o por quê, e ela disse que não conseguiu encontrar sua toalha, dei de ombros e segui para o banheiro que já estava mais visível. Meu banho foi rápido. Para completar o dia, me sequei com a mesma toalha que ela se secava quando eu não estava ali, ela era gelada e tinha seu cheiro doce. Aquele tecido tocando meu corpo era como se fosse ela, como se fosse a mesma pele que eu vira antes, mesmo embaçada. Fiquei um tempo parada refletindo no que estava fazendo, estendi a toalha e me vesti, Respirando fundo.
Fale com o autor