Notas iniciais
N/A: Salve, salve, meus amores. Outra história nova. Essa assim está finalizada, por isso vai ser mais fácil e rápido de atualizar. Essa é uma história que espero que curtam do fundo do coração. Tá emocionante. Simbora curtir essa nova aventura. Boa leitura.

Um leve sobressalto o fez abrir os olhos. O teto cinzento e familiar do escritório havia sumido, substituído por um céu de um azul límpido e infinito que se estendia sobre um campo imenso, verdejante e salpicado de pequenas flores silvestres. Grissom sentou-se num ímpeto, o coração batendo desordenado no peito. Havia algo de muito errado ali.

A começar pelas próprias roupas: a calça de alfaiataria impecável, a camisa social e o terno tinham dado lugar a uma calça de moletom creme e uma camisa branca de tecido leve, quase etéreo. Seus pés, antes apertados em sapatos italianos impecáveis, agora estavam completamente descalços contra a grama macia e estranhamente morna.

- Que droga é essa?! — exclamou para o vazio, a voz ecoando limpa no espaço aberto.

Onde estava sua pasta de couro e os sapatos que usava há apenas alguns minutos, enquanto saía do prédio comercial na South Rainbow Boulevard ao lado de Wareick e Catherine? A mente analítica do advogado começou a traçar cenários em alta velocidade. Será que levei uma pancada na cabeça? Um sequestro? Um assalto seguido de abandono de incapaz?

Mas a lógica jurídica logo derrubava suas próprias teorias. Se tivessem sido atacados em plena luz do dia, como Warrick e Catherine — sua sócia e braço firme na banca de advocacia — teriam permitido que o levassem sem dar um soco sequer? Aquilo desafiava qualquer sentido.

Olhou ao redor. Ninguém. Apenas o farfalhar suave de algumas árvores frondosas e borboletas de asas translúcidas flutuando sem pressa. Pondo-se de pé, Grissom limpou as palmas das mãos no moletom e começou a caminhar. Não sabia para onde ir, mas ficar parado nunca foi uma opção em sua vida. Precisava encontrar uma estrada, um acostamento, qualquer sinal de civilização onde pudesse conseguir um táxi ou uma carona de volta para o caos de Strip.

Após alguns minutos de caminhada, o cenário se transformou. Ao longe, uma multidão considerável se concentrava em um vasto descampado. Havia de tudo: crianças correndo e rindo alto, adultos conversando animadamente e idosos caminhando com uma postura relaxada, sem o peso da idade. O detalhe mais intrigante, porém, era o figurino coletivo. Todos, sem exceção, vestiam roupas brancas ou em tons pastéis bem claros, exatamente como ele. Algumas crianças cruzavam uma pequena ponte de madeira sobre um lago de águas cristalinas, sob o som de gargalhadas puras.

Ainda atordoado, Grissom apertou o passo na direção daquele grupo, tentando decifrar o enigma. Que tipo de comunidade isolada ou retiro espiritual era aquele, aparentemente fincado no meio do nada?

Antes que pudesse se misturar à multidão, um rapaz franzino e cabelos loiros bagunçados se destacou do grupo, caminhando diretamente em sua direção. Ele ostentava um sorriso acolhedor e sereno, como se reencontrasse um velho amigo de infância.

- Grissom! Eu estava à sua espera.

O advogado estancou o passo imediatamente, franzindo o cenho, os braços cruzados em uma postura defensiva.

- Desculpe... Nós nos conhecemos?

Vasculhou a memória recente e antiga, os rostos de clientes, funcionários e conhecidos de eventos jurídicos, mas tinha certeza absoluta de que nunca vira aquele sujeito jovem na vida. Como um desconhecido sabia seu nome? E, mais estranho ainda: por que diabos o estava esperando?

- Você não me conhece, Grissom. Mas eu conheço você — o rapaz respondeu com uma suavidade reconfortante, estendendo a mão delicadamente. — Venha comigo.

- Por que? E para onde? — Os instintos protetores e a desconfiança do advogado dispararam, metralhando perguntas. — Que lugar é esse? Quem são aquelas pessoas? E, afinal de contas, quem é você?

O jovem soltou um riso baixo, transbordando uma paciência infinita. Parecia habituado àquele bombardeio de indagações; era sempre a mesma reação para quem acabava de chegar, com a mente ainda presa às engrenagens do mundo material, sem entender a gravidade do que havia acontecido.

- Me acompanhe. Prometo sanar todas as suas dúvidas. Vamos?

Ainda que a desconfiança gritasse em seus ouvidos, Grissom olhou ao redor e percebeu que não tinha outra opção real ali. Seguiu o jovem desconhecido. Em passos lentos e num silêncio que começava a incomodar a mente hiperativa do advogado, os dois cruzaram o gramado perfeito, atravessaram a ponte de madeira e pararam à margem do lago. As águas eram tão puras que permitiam ver grandes carpas coloridas deslizando sinuosamente no fundo.

A calmaria absoluta do lugar contrastava severamente com a agitação interna e o nó no estômago de Grissom. Três minutos daquele silêncio contemplativo foram o suficiente para fazê-lo perder a compostura e a paciência.

- Pensei que você fosse responder às minhas perguntas, mas até agora não deu uma palavra — resmungou, ajustando a postura inquisitiva que costumava usar nos tribunais.

O jovem girou o corpo lentamente, encarando-o com olhos profundos e calmos.

- Por onde quer que eu comece?

- Quem é você? — Grissom disparou de pronto.

- Greg.

- Certo, Greg. E que lugar é esse? Um spa? Uma fazenda de luxo? Um retiro espiritual?

- O Paraíso.

Grissom piscou, processando a resposta com uma ponta de ironia. O ar dali era incrivelmente puro, de fato, bem diferente da poluição pesada que costumava respirar na agitada Vegas, e o visual parecia saído de uma pintura... Mas "Paraíso" devia ser o nome de batismo do hotel-fazenda, uma jogada de marketing de alguma clínica de repouso, só podia.

- E esse mundo de gente aí atrás? — insistiu.

- Elas moram aqui — Greg antecipou-se, antes mesmo que Grissom concluísse o raciocínio.

- Todo esse povo mora aqui? — Grissom ergueu as sobrancelhas, chocado com a dimensão da comunidade. Sua mente prática, urbana e administrativa logo começou a calcular a logística da propriedade: Onde esse povo todo dorme? Quantos banheiros tem nesse lugar para dar conta de tanta gente?

- Sim, Grissom. Todos moram aqui.

- E como é possível abrigar tanta gente num lugar só de uma vez?

- O Paraíso é grande o suficiente para acolher, abrigar e confortar a todos, não se preocupe.

Grissom suspirou pesado, massageando as têmporas onde uma linha de tensão começava a se formar. Pensou nos prazos processuais, nas reuniões daquela tarde, na sua rotina milimetricamente calculada e no compromisso de logo mais no fórum.

- Tudo bem, que seja. Marketing bonito. Mas como eu faço para ir embora? Meus sócios já devem estar loucos abrindo boletim de ocorrência atrás de mim. E também, eu já deveria estar no fórum para uma audiência.

Greg deu um passo à frente, diminuindo a distância entre os dois. O sorriso acolhedor transformou-se em uma expressão de profunda, terna e melancólica empatia. Ele estendeu a mão e tocou levemente no ombro de Grissom. O toque era quente, mas trazia um peso inexplicável.

A voz de Greg caiu para um sussurro suave, mas que ecoou na alma do advogado com a força de uma sentença definitiva:

- Lamento, Grissom... mas você não pode ir embora daqui.

- Como assim não posso? Quem é que vai me impedir?

- Você está morto, querido amigo.


Notas finais
É isso. Espero contar com a companhia de vocês por aqui. A fic não é longa. A respeito das outras em aberto. After, eu retomarei as postagens a partir de segunda. Já Sex Games 3 vai continuar em hiatos por enquanto. Até.