Notas iniciais
Oi menininhas! Finalmente consegui terminar! rs Me desculpem a demora flor, mas imprevistos são sempre tão...imprevistos! hahaha Mas está aqui, e eu espero que gostem! Boa leitura!!

Gina desceu as escadas, acompanhada pela amiga Juliana, ainda com dúvidas sobre como se comportaria ao ver Nando na mesa de café da manhã.


– Bom dia minha cara Gina! – Renato disse em tom de brincadeira para a amiga. – Fiquei sabendo que quase precisou de meus cuidados hoje mais cedo!


Todos riram. Ferdinando e Renato já sentados, Juliana e Gina ainda se acomodando.


– Pois é Renato, quase! – Ela disse com um sorriso sem graça. – Felizmente outro doutor passou a noite comigo, cuidando muito bem de mim, não é Nando?!
Os três amigos a olharam espantados interpretando as palavras da pobre de um modo nada casto. Ainda para piorar sua própria situação, ela o chamava pelo apelido, pouco utilizado por ela, ao final da frase. Gina era, realmente, inocente demais.


– Ora Gina, não fale assim! – Ferdinando tentava concertar o mal entendido. Sua voz esboçava um leve riso escondido – Eles podem pensar besteira...


– Ué, e besteira por quê?! Eu só disse que você passou a noite comig... — Ela finalmente percebera o que havia de errado na construção da frase. – Não... Gente, não foi isso que eu quis dizer! – Ela estava vermelha como uma pimenta. Sem conseguir concluir a desculpa, levou as mãos até a face, imensamente envergonhada.


Todos caíram na gargalhada com a trapalhada da ruiva. Ainda mais com sua cara de espanto ao perceber o mal entendido que havia cometido. Ela mesma riu. Era mesmo uma boba.


– Ara que eu quase lhe cobrei essa tal noite Gina – Ferdinando aproveitou para atiça-la – Não seria justo você beber e eu não me lembrar de nada!

A ruiva olhou séria para Ferdinando, mas havia um carinho em seu olhar que a impediu de ser rude com o rapaz.


– Ora Nando, pare de falar bobagem! – Ela deu um leve tapinha em seu ombro.
Ele riu encantado com a serenidade da moça ao aceitar a brincadeira.


[...]

– Nananinanão Gina, suas sandálias não estão aqui... – Ferdinando dizia olhando para o ultimo canto do jardim que faltava procurar.


– Nando... – Ela dizia enlaçando os dedos das próprias mãos por nervosismo. – Na verdade, a Juliana já me entregou minhas sandálias agora de manhã...

– Ora essa Gina! E eu estou procurando pelo quê posso saber? – O engenheiro a encarou contrariado, com cara de quem se sentia um bobo.


– Na verdade, eu só queria uma desculpa para te trazer aqui... Quero conversar com você... – A voz dela estava serena, mas incerta.


Ferdinando não resistiu à confissão que a ruiva havia feito. Sorriu.


Dirigindo-se até ela tomou-lhe as mãos e a levou no balanço para se sentarem juntos.
– Menininha sapeca! – Ele riu acariciando as delicadas mãos da moça apoiadas sob as dele em seus joelhos. – Você não precisa de desculpas para me chamar para conversar Gina. Sempre que precisar, eu vou lhe estar disponível, e você sabe o porque.


Ela sorriu. Corou um pouco. Para ela, ainda era diferente ouvi-lo falar de sentimentos, assim, tão assumidamente.
Talvez o motivo, era que ela mesma, não conseguiria nem em seus maiores devaneios expor os seus assim, com tanta facilidade.


A manhã estava linda. Na verdade esplêndida. O céu estava azul, com poucas e alvas nuvens. A temperatura alta não incomodava, graças a brisa fresca que lhes afagava a todo o momento. Ferdinando e Gina estavam à vontade um com o outro, com suas camisetas e bermudas jeans. Ferdinando forçou um pouco do pé esquerdo no gramado, e impôs um leve ritmo ao balanço, Gina deixou os seus pés suspensos, para não atrapalhar o embalo.


– Você pode dizer menininha, eu sou todo ouvido. – Ele olhava serenamente em seus olhos.


Gina suspirou e o encarou de volta. Aquela cena, aquele momento de carinho, os dois ali, tão enamorados, a deixavam ainda mais incerta sobre o que dizer.

– Bom Nando... — Ela começou com a voz firme, porém suave. — Eu não sei ao certo, mas é que... Sabe, não ando me sentindo muito bem com as coisas que estão acontecendo.


Ele arregalou os olhos a encarando. “Como assim não se sentia bem?!” ele se auto questionava.


– Como assim Gina... Foi alguma coisa que eu lhe fiz?!


– Não. Na verdade sim. Quer dizer, também. – Ela realmente estava com dificuldades em explicar. Sua voz já começava a expressar nervoso.


– Gina. Calma. – Ele lhe acariciou o rosto. – Não tente se explicar, me diga primeiro o que foi...


A paciência com que Nando a tratava, fazia Gina se sentir segura, é verdade. Mas muitas vezes trazia a tona um lado que ela não gostava de lidar. Ela se tornava sensível demais, delicada demais. Precisava mudar isso.


– Ara Nando, — Ela disse soltando as mãos do engenheiro – Foi que eu não acho certo agente ficar se beijando por aí como tá acontecendo! – O tom ríspido de muito tempo voltara.


– Ara Gina, calma! Não precisa ser grossa comigo, eu não beijei sozinho, beijei?! – Ele caía na provocação dela novamente.


– Não, não beijou. E nem eu sozinha. Agente fez isso junto, e é por isso que eu quero lhe falar!


– Pois então você pare de ralhar comigo, e me diga de uma vez! – Ele realmente havia caído. Seu tom já estava tão ríspido quanto dela.


Gina era orgulhosa. Muito.
Nando era orgulhoso. Demais.


– Você não se ache no direito de gritar comigo, Napoleão! – Ela ficou de pé na beira do balanço.


– E nem você se ache no direito de ser grosseira comigo, sem ao menos ter um motivo Falcão! Ara! – Ele ficou de pé em frente a ela. – Ara Gina! Que coisa! Será que agente nunca vai conseguir passar um momento junto em paz, sem discussão?! – Neste segundo momento, a voz de Ferdinando beirava um pedido.


– Ara Ferdinando! Você também não colabo... — O celular de Gina tocou em seu bolso, ela o pegou e verificou o nome na tela. – Eu vou ter que atender... — Ela se afastou um pouco de Nando, virando de costas. Apenas por costume.


Ferdinando aguardou. Ouvia Gina proferir poucas e baixas palavras.


– [...] Tudo bem, na semana que vem agente se vê na faculdade Cadu. Beijo! – Disse Gina se virando de volta para Nando.


Esta parte ele escutou. Este nome ele escutou.


– Ora essa Gina, era seu amigo de ontem? – Ferdinando perguntava cínico com um nó formado em sua garganta. — Eu por acaso posso saber o motivo do ‘Eu vou ter que atender’?! – Ele soava nervoso, como quem havia presenciado a mais terrível das traições. Falava gesticulando de maneira exagerada.


Gina levou as mãos à cintura, incrédula com a cena que presenciava. Ferdinando estava tendo uma crise de ciúmes.


– Olha Ferdinando, era ele sim... Mas o motivo, apesar de você poder saber, eu não vou lhe dizer... Você não tem o direito de me interrogar assim.


Ela o encarou incrédula.
Ele a encarou irritado.


– Gina, você pelo amor de Deus me diga o que aquele um queria com você... — Ele começava a suar frio. As cenas dela com aquele um na festa começavam a passar em sua cabeça como um filme.


Gina sabia que não devia explicações. E muito menos se curvar diante de um comportamento daqueles que Ferdinando estava tendo. Mas sentiu-se penalizada pelo desespero sem motivo que ele demonstrava.


– Ferdinando, ele é meu veterano. Temos assuntos da faculdade a tratar, ué...e ele também queria saber o motivo de eu ter sumido ontem na festa. – Ela era sincera, não via problemas na preocupação de Cadu.


Ferdinando via.


– Ora essa, ele sentiu sua falta, mas nem ao menos te ligou ontem de madrugada Gina! Nem se importou em saber se estava bem... – O tom de Ferdinando era de ciúme, e mais, indignação. – Belo amigo este que te vê perder o controle com a bebida e nem se preocupa em lhe aconselhar a parar... Ele só ficou se aproveitando de você Gina, isso sim! – Ele estava vermelho. Não gritava, mas sua voz estava claramente alterada.


Ao terminar o desabafo Ferdinando observou que Gina o olhava com descrença no olhar. Ele havia se exaltado. Sabia disso. Começava a perceber isso, na verdade. Serrou o punho da mão direita e o levou a boca fechando os olhos. Respirou fundo. Abriu os olhos e encarou Gina de forma mais serena.


– Ferdinando, eu não entendo e nem quero entender sua raiva por ele! – Ela estava sendo ríspida novamente. – Ele é meu colega, e nem você nem ninguém tem nada a ver com isso.


– Mas Gina, ele ontem tentou... — Ele começou a dizer em tom de súplica, mas foi interrompido pelo dedo indicador da moça em seus lábios, solicitando silêncio.
– Ferdinando, Chega! – Ela era pontual.


Potranca indomável. Era simplesmente impossível ir contra ela.


Ferdinando relaxou o corpo sobe o dedo impetuoso da moça nos lábios, como quem admitia a derrota, apesar de não concordar. Ele amava a postura valente dela ao enfrentá-lo, apesar de não querer admitir.


– Agora, — Ela dizia retirando o dedo dos lábios dele. – Eu lhe trouxe até aqui porque queria conversar Nando... Será que podemos?! – Ela levou as mãos à cintura. Seu tom voltava a ser um pouco mais calmo.


– Tudo bem Gina... – Ele se sentou no balanço novamente. Ela o seguiu.


– Nando, eu preciso que você seja sincero e me diga... – Ela começou a abaixar o tom de sua voz pela vergonha da pergunta que seguiria. Suspirou. – O que você quer de mim?!


Ferdinando foi pego de surpresa.


Mas... Ora, sabia bem o que queria... Queria ela toda. Todo seu amor, todo seu carinho, todo seu corpo. Toda. Mas não podia ser claro assim, ao falar para ela. Ele a olhou buscando decifrar qual a possível resposta que mais a agradaria. Nada. O semblante dela estava mais confuso que o dele próprio. Não sabia o que diria.
Enquanto se perdia em seus devaneios Ferdinando percebeu que havia incluído a palavra amor em meio a seus desejos. “Mas que diabo!” Ele pensou ao concluir o inevitável. Ele amava Gina Falcão.


Mas não teve coragem de admitir a ela tal sentimento. Nem ele ainda aceitava isso.
– Gina, eu já lhe disse o que sinto. – Ele começou tomando-lhe as mãos (gostava muito de tocá-las) – Mas eu não sei ao certo o que podemos fazer... Eu nem sei se você ao menos... Gosta de mim...


Gina encarou como uma pergunta. Sentiu o estômago pregar-lhe uma peça convidando algumas borboletas a lhe visitar. Ela queria ser sincera, ele estava sendo. Mas não sabia como dizer. A última pessoa para quem havia “declarado” seus sentimentos era Ferdinando, anos atrás. E ela agora tinha esta dificuldade em falar sobre o que sentia, justamente pelo que ele havia feito.


Ela travava uma batalha consigo mesma.


Até que deixou seu coração, guiado pelos conselhos de Juliana, pela primeira vez (conscientemente) vencer.


– Ara, eu até que gosto de você Nando... – Ela desviou o olhar para o chão. – Mas não sei se é igual o que você diz.


Ferdinando não se importava com a intensidade do sentimento da ruiva. Estava feliz. Na verdade, radiante. Ela havia lhe confessado a confiança e agora, o sentimento. Ainda que singelo, ele existia. Era o que importava.


– Ara menininha, — Ele ergueu-lhe o queixo novamente nas mãos. – Você não sabe como fico feliz em ouvir isso. – Ela se via refletida no brilho dos olhos dele. – Então está decidido. – Ele pontuou animado.


– Mas decido o que Nando?! – Ela questionou confusa, franzindo o olhar.


– Nós vamos ficar assim Gina. Apenas nos conhecendo. Sem pressões, nem nada. — Ele era esclarecedor. Gina gostava da proposta que ouvia. – Se você me permitir me der um tempo Gina, eu pretendo tentar a menos lhe fazer gostar de mim o tanto que gosto de você. E então, quando estivermos com os mesmos sentimentos, voltamos a conversar para engatar um namoro, ou sei lá!


Gina engasgou com o próprio ar. Para ela, namoro era sinônimo de casamento futuro, e... Casamento?!


– Ara que eu gostei da sua proposta Nando, mas namor..ara! Nem quero falar disso. – Ela sacudia a cabeça a fim de recuperar os pensamentos.


– Ora Gina,que eu também não quero saber disso, foi só um exemplo. – Ele tentava disfarçar e demonstrar o mesmo desinteresse que a ruiva. Mentia. Mas era melhor se fazer difícil.


Orgulhosos.


– Então tudo certo... Mas como isso chama Nando?! – Ela estava curiosa.
– Ficar Gina. Isto se chama ficar. – Ele ria da inocência da moça. “Tão pura, mas tão dura!” ele pensava encantado.


– Tá certo. — Ela disse fazendo um doce bico de contentamento.


Ele lhe sorriu.
Ela lhe sorriu.


Ferdinando estava feliz. Seu coração pulava com a possibilidade de conquistá-la. Olhava para ela encantado.


Gina observava a ponta dos pinheiros balançando com o vento. Ferdinando a observava, e via os belos cabelos dela também se movimentarem com a brisa.
– Vem aqui Gina! – Ferdinando escorregou o corpo pelo balanço, trazendo Gina junto a ele.


Deitaram-se na grama. Ela abaixou sua cabeça no abdômen dele e virou as pernas para o lado. Sentia-se a vontade com ele para fazer este tipo de coisa.


Eles respiraram o perfume das flores e da grama ao redor. Era um ambiente muito agradável. Ferdinando acariciava os cachos ruivos que lhe banhavam o corpo com uma mão, enquanto a outra servia de apoio para sua cabeça. Gina pegou uma flor, e começou a retirar as pétalas por distração. Estava agradável o silêncio do local. Estavam apenas um curtindo a companhia do outro, não mais.


Gina olhou para o lado, e pelas grades do portão viu um homem se aproximar da campainha. Reconheceu o rosto. Não lhe agradou.


– Zelão?! – Ela disse levantando-se, com uma expressão fechada, que já denunciava sua falta de afeição pelo rapaz.

– Zelão?! – Ferdinando levantou-se empolgado com a possibilidade de encontrar o colega.

– Oi doutor! – Zelão acenou sorrindo, o ver Ferdinando no jardim. – O senhorzinho pode abrir aqui pra eu?!


Ferdinando foi em direção ao portão, e verificou ao olhar para trás que Gina não o seguia. Nem continuava no gramado. Ela havia apenas entrado, sem lhe dar explicação nenhuma.


Mas depois ele questionaria. O que queria mesmo agora era entender o que Zelão fazia na porta da república com uma mala nas mãos.

Notas finais
Bom minhas lindas, espero que tenham gostado! No próximo capítulo vou esclarecer algumas coisinhas, mas já adianto que o casal Zeliana será apenas coadjuvante na estória. Apesar de meu carinho por Ju e Zelão, meu foco ainda é Ginando! rs Beeeijos! Comentários são a inspiração. s2