Dois anos havia se passado desde o nascimento do pequeno Órion,o garoto andava,e falava algumas coisas,Eu andava muito contente,tinha concluído o colegial e apesar de ter sido difícil no começo,pela minha falta de experiência,logo consegui me adequar e cuidar de Órion e estudar ao mesmo tempo,quando estava estudando meus pais se revezavam para cuidar dele,porem quando estava em casa fazia questão de ficar perto do meu pequeno leãozinho,como gostava de chamá-lo,pois apesar de pequeno conseguia identificar muitas características do pai nele.

Estava tentando terminar de arrumar o menino que não ficava quieto um segundo,com isso toda vez que colocava uma perna da bermuda nele,quando estava prestes a colocar o outro lado ele tirava o lado que já havia colocado.Estava sendo uma verdadeira batalha.

- Ah!Pai,não..... — Ele resmungava.

- Órion se você não deixar eu por essa bermuda em você,vou te deixar sozinho em casa. — Falei sério e quando vi a cara de medo do menino,me senti péssimo por usar essa tática,mas funcionou e ele permitiu que eu o arrumasse para darmos uma volta na praça.

- Bem agora fique quietinho e sem se sujar,pois vou terminar de me arrumar. — Avisei,mas mal sai da sala e escutei ele chutando uma bola e acertando uma lâmpada,voltei correndo para a sala e o encontrei sentado olhando a televisão desligada.Quando olhei para o outro lado vi a bola e a lâmpada destruída. — Órion,eu mandei você ficar quieto.

- Não fui eu. — Ele respondeu.

- Ah não então quem foi? — Perguntei olhando para o menino de cara séria.

- O bitho,eu falei pa não fazer. — Disse com sua vozinha infantil,me deu vontade de rir dele,mas não podia tinha que ficar sério.

- E você ficou fazendo o que?

- Desenho. — Apontou para o aparelho desligado.Ok,meu filho era muito cínico,resolvi esquecer isso,liguei a televisão e coloquei em um desenho qualquer para entretê-lo e voltei ao quarto esperando não ter nenhuma surpresa.

- Comporte-se e nada de bola.

Depois de um tempo me arrumando,estranhei não ver nenhum som na sala isso normalmente não é normal quando se tem criança em casa,terminei de me arrumar e fui para sala,mas fiquei muito assustado quando não o encontrei no local.

- ÓRION,ÓRION. — Comecei a gritar correndo pela casa atrás do meu bebe,como o garoto não respondia,fiquei mas desesperado,e se ele tivesse ido para rua e o carro tivesse batido ele,e se alguém tivesse entrado em casa e tivesse levado meu menino,comecei a viajar nas hipóteses do que poderia ter acontecido com Órion,quando cheguei no banheiro que ficava ao lado da cozinha.

- Órion. — Olhei para dentro e ele estava nu acocado no banheiro,muito concentrado com certeza estava fazendo.Respirei aliviado por tê-lo encontrado. — Órion quando eu te chamar responde por favor.

Assim que ele levantou a cabeça do chão se assustou quando me viu,levantando rápido do lugar e indo até a porta me empurrou para fora. — Xai,xai,xai. — Dizia enquanto me colocava para fora.

- Assim que terminar me chama. — Avisei e voltei para sala catando a roupa que estava espalhada pelo local.

- PAI.

- Já acabou. — Ele concordou com a cabeça,limpei o piniquinho e depois dei outro banho no menino que reclamou um pouco,mas no final não quis sair do banheiro. — Vamos se não iremos chegar tarde no almoço e seus avos irão me matar.

Arrumei-o novamente e agora sim saímos de casa,acho que esqueci de contar que como eu já tinha terminado o colégio meus pais resolveram me deixar morando só em uma casa perto da deles caso precisasse de alguma coisa.

Chegamos ao parque onde seria o almoço de aniversário de um dos amigos do trabalho do meus pais,estacionei o carro e fui para a festa,estava realmente lotado,havia uma grande quantidade de criança no local.Órion estava doido para correr junto daqueles garotos,porem consegui contê-lo afinal,teria bastante tempo para brincar.

- Shaka,até que fim. — Minha mãe se aproximou de mim e começou a me puxar pelo braço.

- Bem o Órion que demorou. — Reclamei,como se fosse uma criança e vi meu filho me dar língua e fiz o mesmo para ele.Não entendia mais perto dos meus pais eu me comportava ainda como criança apesar de ser muito responsável com meu filho.

- Bobó. — Órion pediu levantando os braços para que a mulher o pegasse no colo,e assim foi feito,fomos andando até chegar perto de meu pai que conversava com um amigo do trabalho.

- Eles chegaram. — Mamãe falou ao meu pai,ele me abraçou em seguida beijou Órion.

- Com licença. -Pediu ao colega que se retirou. — Quero te apresentar alguém. — Papai falou virando-se pra mim.

- Ah não pai de novo. — Agora ele tava com essa mania de ficar me apresentando aos filhos dos seus colegas,será que ele não entendia que para mim estava muito bom do jeito que tava. — Já disse que não quero ninguém.

- Mas ele é tão bom.E aposto que seu filho quer um outro pai. — Ele agora olhou para o menino que ainda estava no colo da avó. — Né Órion,você não quer um pai?

- Já tenho. — Ele foi categórico,e eu sorrir com isso.

- Sim meu anjo,mas você,não tem vontade de ter doi pais.

- Mas eu tenho dois pais. — Ele falou e fiquei muito envergonhado,pois nunca contei para os meus pais quem era o pai do Órion,mas não deixaria meu filho sem saber quem era,por isso eu sempre contei para ele sobre o pai.Apesar de ainda ter raiva do mesmo,não queria que meu filho tivesse raiva de alguém que nem sabia da sua existência e que nunca tinha feito mal a ele.

- Do que ele está falando? — Mamãe foi quem perguntou vendo que papai apenas me olhava de um jeito estranho.

- Eu bem....contei sobre o pai dele. — Informei sem graça.

- Mas você nunca quis falar dele,achei que fosse porque ele tinha te abandonado grávido.

- Não o pai dele nem sabe que é pai. — Falei.

- Isso é um problema.

Ficamos um tempo em silêncio quando vimos um senhor de idade cabelos muito brancos se aproximando da gente e ao lado dele,um homem muito lindo de cabelos ruivos e olhos verdes,mas apesar de toda a beleza dele,não conseguia achá-lo mais bonito que Aiolia e talvez fosse esse fato que me impedia de ter qualquer tipo de relacionamento,pois inconscientemente eu sempre comportava todos com ele.

- Bom dia. – O Sr cumprimentou meus pais e logo em seguida a mim. – Este é meu filho Pablo. – O homem apresentou o rapaz ruivo que o acompanhava.

- Ola Pablo,este é o nosso filho Shaka e o filho dele Órion. – Meu pai me apresentou ao Sr e ao seu filho também,ambos apertaram minha mão,fiquei meio sem graça com o olhar do rapaz em mim. – Porque não os deixamos um pouco sozinhos. – Meu pai sugeriu e foi saindo com o Sr minha mãe e meu bebê que pela cara não gostou nada disso.

Ele ficou me olhando por um bom tempo e aquilo estava me deixando muito incomodado,queria poder sair dali logo,mas pelo visto não daria.Ai meus pais iam ver só toda vez que saio com eles me jogam pra cima de alguém como se eu precisasse disso.Talvez eu tenha feita uma cara muito engraçada já que ele começou a rir.

- O que foi? – Perguntei de mal humor.

- Nada,mas é que dá para notar o quanto você queria me ver longe. – Ele continuou sorrindo mesmo depois de dizer aquilo,e eu fiquei muito envergonhado,afinal ele não tinha porque me aturar,mas mesmo assim estava ali.

- Não bem assim.....

- Relaxa. – Ele falou e sentou-se em um banco próximo me convidando para sentar ao seu lado,coisa que relutei mas acabei aceitando. – Seu filho é muito bonito,mas não parece com você.

- Bem...ele...parece com o pai. – Aquele assunto me deixava desconfortável,mas não poderia mostrar isso para ele.

- Hum.E cadê o pai? – Perguntou.

- Não mora aqui,ele nem sabe do filho. – Comentei algo nele me dava tranqüilidade.

- Bem,assim fica mais fácil. – Ele me olhou de um jeito diferente.

- Mas fácil o que? – Perguntei sem realmente entender o que ele queria dizer com aquilo.

- Te conquistar,já que não tenho que me preocupar com ninguém. – Sorriu,aquilo me pegou desprevenido,tanto que fiquei meia hora de boca aberta.

- Desculpe,mas não estou pensando nisso agora. – Avisei.

- Só uma chance,não faria mal.

- Não quero. – Respondi firme e sai de perto dele,será que agora teria que ficar em casa para não ter que mais passar por isso.

Ray saiu com tanta pressa que não notou o sorriso maligno nos lábios do ruivo,ele pegou o telefone e apertou o numero de emergência que ficava salvo em discagem rápida no celular.

- Encontrei ele. – Informou a pessoa do outro lado da linha.

- Ótimo.Onde vocês estão? – Perguntou a voz do outro lado.

- Não acho uma boa idéia informa-lhe isso.

- Posso saber por que? – A voz perguntou irritada.

- Ele tem um filho e está muito bem protegido. – Pablo estava incomodado com a voz do outro,odiava ser tratado como capacho.

- Um filho. – Depois disso o homem ficou um minuto em silêncio antes de perguntar. — E como é o garoto?

- Moreno. – Falou sem precisar dar maiores detalhes,sabia que o homem do outro lado estaria muito bravo com essa informação,afinal se fosse filho dele o garoto teria que ser loiro.

- Traga-os para mim. – Mandou.

- E como faço isso.

- Dê seu jeito,não lhe pago caro para que me pergunte como deve fazer seu trabalho. – O homem estava realmente irritado o que fez o ruivo sorrir. – Você tem uma semana para trazê-los para mim.

O ruivo desligou o telefone e procurou o garoto mais uma vez pelo olhar,tinha pouco tempo para fazer ele confiar plenamente nele,tinha que dar um jeito nisso e rápido,na verdade estava era irritado,sabia muito bem o que o outro pretendia fazer com o menor e com o filho dele,mas tinha que ter provas suficientes antes de agir,e se o único jeito de ter provas era entregando os dois infelizmente teria que fazer aquilo.Discou outro numero no seu celular e esperou que o outro atendesse.

- Aiolia? – Perguntou quando notou uma voz de mulher ao telefone.Escutou a mesma gritar pelo rapaz e em seguida ele atender o telefone.

- Alô.

- Quem é essa vagabunda que atendeu o telefone?É assim que você espera reconquistar o garoto seu idiota? – Estava irritado com o amigo.

- Pablo.

- Não o seu avô.

- HAHA.Muito engraçado Pablo. – Falou com ironia para o ruivo. – Novidades?

- Tenho. – Respirou fundo antes de começar a falar. – Você é pai.

- O que? – O outro perguntou pasmo do outro lado,pela noticia.

- É isso ai,você teve um filho,e por sinal muito bonito.

- Claro puxou ao pai.

- Escuta,ele e a criança estão muito bem e pelo que parece,ele não teve nenhum relacionamento desde você. – Ouviu o moreno suspirar de alívio e sorriu. – Agora vem a parte ruim,como você sabe o Ray me contratou também para buscar noticias dele.

- Sei e?

- Bem tive que fazer relatórios sobre meus avanços,pois acho que estou sendo vigiado ou seguido,a minha sorte é que meus celulares eu mudo constantemente.Mas está sendo bem complicado ser agente duplo. – Riu do comentário.

- Você contou à ele,onde estão?

- Não,mas contei sobre a criança....e ele já sabe que não é dele...

- É não é ao todo tão ruim. – Falou achando que já tinha terminado.

- Na verdade é pior do que imagina,ele quer que eu os leve até ele,e tenho duas semanas para fazer isso. – Ouviu o moreno prender a respiração com a tensão da noticia,agora sim estava tudo realmente acabado. – Você precisa fazer algo logo.

- Ok,eu vou para ir,onde estão? – Perguntou

- Grécia,venha o mais depressa que puder,vou tentar ganhar a confiança dele.

- Tudo bem,mas não dê em cima dele ouviu bem. – Pablo riu do amigo. – Não ria não se eu souber de algo te capo.

Pablo desligou o telefone,ótimo agora já tinha informado ao amigo tudo,só tinha que dar um jeito de fazer com que o garoto deixasse que ele se tornasse um pouco mais intimo dele,mas tinha o jeito certo de conseguir isso,esperava só que o amigo não demorasse muito e tomasse cuidado para não ser seguido.

Aiolia estava muito contente com a noticia de saber que era pai,mas muito preocupado também,pois se Ray queria que Pablo levasse os dois até ele,tinha idéia do que ele estava planejando,só esperava conseguir impedir que isso acontecesse,teria que apressar o mais depressa possível sua viagem até a Grécia,mas mesmo com urgência sabia que teria dificuldade de conseguir agendar um vôo.

Ligou para todos os aeroportos conhecidos e todos sem exceção só teria vôos daqui a dois dias,ou em uma semana,teria que aceitar isso enquanto isso torcia para que o amigo tivesse progressos rápidos com o outro que com toda certeza era muito cabeça dura e depois de tudo que lhe aconteceu não confiaria nas pessoas com tanta facilidade,mas sabia que o amigo conseguia ser bem convincente e persuasivo quando queria.

Aiolia pensava em tudo e sua vontade de matar Ray aumentou tanto,que quase resolveu ir atras do outro,porem como seu amigo lhe falou antes de começar aquela missão,era melhor fazer tudo dentro da lei,pois assim ele não iria pagar por nada no final.E se não desse certo sempre podemos ter um plano B.Mas era nesse plano B que pensava em transformar em plano A.Contudo ao lembrar que era pai resolveu se acalmar e desistir da idéia,pois isso só o faria ficar longe do filho,e não queria isso de jeito nenhum.Tomou um bom banho e jogou-se na cama pronto para uma noite de sono,quase tranqüila.

Ray estava indignado com o que tinha descoberto,mas daria um jeito bem simples em tudo,primeiro queria estar com os dois na sua mão,ai faria Shaka pagar por ter fugido dele,e com o sofrimento dele conseguiria atingir Aiolia com certeza,seriam três conquistas em apenas uma jogada,estava realmente radiante com isso.

Iria matar o menino na frente de Aiolia e de Shaka,depois faria questão de fazer Aiolia o ver possuindo o outro,para em seguida matar Aiolia na frente de Shaka e iria chatagear o rapaz para que ficasse com ele senão mataria os pais do mesmo,e ele com certeza iria ceder com medo de perder os pais que seriam as únicas coisas que lhe restariam,riu de seu plano,não teria como falhar estava tudo perfeito,era agora só saborear e esperar o momento da vingança.

Jogou-se na cama com uma garrafa de vinho em mãos,estava tão obcecado no garoto que sempre transava com muitos homens que lembrassem nem que fosse um pouco aquele que tomou seu coração,mas nenhum desses era tão bom quanto o pequeno,mas só de pensar na possibilidade de poder ter de novo aquele corpo pequeno junto ao seu lhe dava tanto desejo,queria fazê-lo gritar,não de prazer,mas de dor,iria tomá-lo com tanta fúria que ele só iria sentir dor e mais nada.Saiu para a cidade atras de uma “vitima”,que pudesse lhe saciar naquele momento,estava com tanta vontade de fuder alguém,não importava quem fosse.