Renascido como um Tonks

7 7 - Entregando o rato e mal entendidos


Hermione seguiu Sirius pelo túnel em silêncio.


Ou quase.


Havia perguntas demais presas em sua garganta para que o silêncio fosse realmente silêncio. Por que Perebas? Por que a Casa dos Gritos? Por que aquela urgência? Por que Sirius falava como se um rato sonolento dentro de uma gaiola fosse a chave para salvar uma vida e prender um vilão?


Mas Hermione já conhecia aqueles momentos enigmáticos dele.


Sirius Tonks tinha o hábito irritante de explicar tudo apenas quando achava que a explicação não atrapalharia o plano. Normalmente, isso a deixava furiosa.


Dessa vez, deixava-a nervosa.


O túnel era estreito, úmido e irregular. Em alguns pontos, Hermione precisou apoiar a mão na parede para não escorregar. Sirius caminhava à frente, segurando a gaiola com cuidado e mantendo a varinha erguida para iluminar o caminho.


Dezesseis minutos depois, chegaram a uma abertura sob a Casa dos Gritos.


Sirius subiu primeiro, verificou o ambiente e fez sinal para que ela o seguisse.


A casa parecia exatamente como as histórias diziam: velha, abandonada e cheia de ruídos que poderiam ser madeira cedendo... ou algo pior. Hermione sabia que era racional demais para acreditar em fantasmas fabricados por boatos de Hogsmeade, mas ainda assim sentiu um arrepio subir pela nuca.


Sirius não parou no térreo.


Guiou-a por escadas rangentes até o último andar e abriu a porta de um quarto afastado.


Hermione entrou logo atrás dele.


E congelou.


O cômodo havia sido preparado.


Não improvisado. Preparado.


Havia uma cela reforçada em um canto, protegida por runas discretas gravadas no chão e na madeira ao redor. Correntes presas à parede. Algemas alquímicas sobre uma mesa. Uma coleira pesada, encantada, pronta para ser fechada ao redor do pescoço de alguém.


Hermione sentiu o estômago se contrair.


— Sirius...


— Eu sei — ele respondeu, sem olhar para ela. — Parece horrível.


— Parece uma prisão.


— É uma prisão.


A resposta direta a calou.


Sirius colocou a gaiola no chão. Perebas ainda dormia profundamente, encolhido sobre si mesmo, a pequena coleira de ferro presa ao pescoço.


Hermione deu um passo à frente.


— Você vai finalmente me explicar por que trouxe o rato do Rony para uma prisão preparada na Casa dos Gritos?


— Vou.


Sirius abriu a gaiola, retirou Perebas com cuidado e o colocou no chão. Depois, ajoelhou-se e removeu a coleira de ferro.


— Mas primeiro você precisa ver.


Hermione franziu a testa.


— Ver o quê?


Sirius ergueu a varinha.


— O que ele realmente é.


O feitiço saiu baixo, preciso.


Por um instante, nada aconteceu.


Então o corpo do rato começou a se contorcer.


Hermione recuou no mesmo segundo.


Os ossos estalaram. O corpo pequeno se alongou de forma grotesca. Patas se transformaram em braços e pernas. O pelo desapareceu, dando lugar a pele pálida. O focinho recuou. A cauda sumiu. O animal cresceu, engordou, deformou-se, até que não havia mais um rato no chão.


Havia um homem.


Baixo. Rechonchudo. De cabelos finos e claros. Olhos pequenos, fechados pelo sono, em um rosto mole e covarde que ainda, de algum modo horrível, lembrava o rato que ele tinha sido.


Hermione levou as duas mãos à boca.


O ar sumiu de seus pulmões.


Ela recuou até bater as costas contra a parede.


Não.


Não era possível.


Sua mente tentou recusar a imagem. Tentou encontrar uma explicação. Uma transfiguração reversa. Um truque. Um feitiço complexo que imitava forma humana.


Mas Hermione sabia reconhecer magia quando a via.


Aquilo não era um rato transformado em homem.


Era um homem voltando à própria forma.


E o pensamento que veio a seguir a atingiu com tanta força que seus olhos arderam.


Rony dormiu com esse homem no colo por três anos.


Rony carregou aquele homem. Alimentou aquele homem. Dormiu com aquele homem no quarto. Reclamou, riu, protegeu, segurou no bolso.


Um adulto.


Um bruxo adulto.


Escondido entre crianças.


Hermione sentiu náusea.


Olhou para Sirius, exigindo uma explicação sem conseguir formular a pergunta.


Sirius encarava o homem no chão com desprezo frio.


— Esse é Pedro Pettigrew — disse. — O pretenso herói caído.


Hermione balançou a cabeça, incapaz de aceitar.


— Não... isso não é possível. Os registros... o Ministério... — As palavras saíram quebradas. — Ele foi condecorado com a Ordem de Merlin. Ele foi explodido. Só sobrou um dedo.


— Sim — Sirius respondeu. — Essa foi a história que ele deixou para trás.


— Mas...


— Ele enganou todos. Fingiu a própria morte, deixou Sirius Black ser incriminado e se escondeu como rato porque tinha medo da repercussão da própria traição.


Hermione olhou novamente para o homem no chão.


Pedro Pettigrew.


O nome existia em livros. Em registros. Em recortes antigos. Um amigo dos Potter, morto tragicamente tentando enfrentar Sirius Black.


Um mártir.


Um herói.


Uma mentira.


Ela se aproximou cautelosamente, como se o corpo inconsciente pudesse contaminá-la só por existir. A repulsa era evidente em seu rosto, mas havia algo mais forte do que repulsa.


Horror.


— Se ele está vivo — ela sussurrou —, e se ele é o traidor...


Sirius não a interrompeu.


Hermione virou-se para ele, os olhos marejados.


— Então Sirius Black nunca deveria ter ido para Azkaban.


A frase pareceu abrir uma rachadura dentro dela.


— Harry viveu a vida inteira sem os pais e sem o padrinho por causa de uma mentira?


O sarcasmo desapareceu do rosto de Sirius.


— Exatamente.


Hermione fechou os olhos por um segundo.


Quando os abriu, havia lágrimas presas ali, mas também uma raiva nova. Mais madura. Mais dolorosa.


— Temos que entregá-lo.


— Não.


Ela o encarou.


— Como assim, não?


— Não podemos simplesmente levá-lo ao Ministério agora.


— Sirius, ele é a prova viva!


— E é justamente por isso que ele estaria morto antes de testemunhar.


Hermione ficou imóvel.


Sirius respirou fundo, escolhendo as palavras com cuidado.


— Pense, Hermione. Se entregarmos Pettigrew diretamente ao Ministério, o Ministro Fudge terá que admitir que mantiveram um homem inocente em Azkaban por doze anos sem julgamento. Um Lorde de uma das famílias mais antigas da Grã-Bretanha. Padrinho de Harry Potter. Primo da minha mãe. O escândalo destruiria carreiras. Talvez mais do que carreiras.


Hermione engoliu seco.


— Você acha que eles abafariam.


— Tenho certeza de que tentariam.


— Mas isso seria criminoso.


— Sim.


A simplicidade da resposta dela doeu.


Hermione sabia que o Ministério era falho. Claro que sabia. Havia estudado leis, decretos, história política o bastante para conhecer erros, preconceitos e burocracias absurdas.


Mas saber algo em teoria era diferente de olhar para um homem inconsciente no chão e perceber que adultos poderosos talvez preferissem matá-lo a admitir que erraram.


Sirius se aproximou dela e colocou as mãos em seus ombros.


O gesto foi firme, mas não brusco.


— Hermione, olhe para mim.


Ela tentou olhar para Pettigrew de novo.


— Hermione.


Dessa vez, ela obedeceu.


Os olhos de Sirius estavam sérios.


— Nós temos menos de dez minutos antes de precisarmos estar de volta à sala abandonada. Eu preciso que você respire.


Ela respirou.


Mal.


Mas respirou.


— O plano já está em movimento — ele continuou. — Minha irmã sabe de tudo. Ninfadora vai garantir que Pettigrew seja mantido em um lugar onde o Ministério não possa alcançá-lo até que estejamos prontos para forçar um julgamento público.


— Harry — Hermione sussurrou.


A dor voltou de uma vez.


— Temos que contar ao Harry.


— Não ainda.


— Sirius—


— Não ainda — ele repetiu, mais firme. — Se Harry souber que o assassino dos pais dele está preso aqui, ele não vai conseguir esconder isso. A Oclumência dele melhorou, mas ainda não é forte o suficiente para manter esse segredo diante de Dumbledore ou Snape.


Hermione abriu a boca.


Fechou.


Ela queria discordar.


Não conseguiu.


Harry era corajoso. Leal. Bom. Mas sua raiva, quando envolvia os pais, ainda era uma ferida aberta.


— Você precisa manter o segredo — Sirius disse. — Pelo Harry. Até que possamos usar a verdade da forma certa. Você consegue?


Hermione olhou para Pedro Pettigrew.


O homem dormia de lado, covarde até inconsciente.


Depois olhou para Sirius.


A menina que queria correr até Harry e contar tudo ainda estava ali. Gritando dentro dela.


Mas Hermione Granger também era capaz de entender estratégia.


E, naquele momento, a estratégia importava mais do que o alívio de dividir o peso.


Ela respirou fundo.


A determinação começou a substituir o choque.


— Eu consigo.


Sirius assentiu.


— Obrigado.


— Mas como vamos sair daqui sem o Salgueiro nos esmagar na volta?


O canto da boca dele se ergueu.


— Do mesmo jeito que viemos. Rápido.


Eles prenderam Pettigrew nas algemas alquímicas. As pulseiras se fecharam nos pulsos e tornozelos dele com um clique pesado. A coleira encantada foi presa em seguida, impedindo qualquer tentativa de transformação. Sirius conferiu cada trava duas vezes.


Hermione observou em silêncio.


Parte dela ainda sentia desconforto ao ver um homem indefeso sendo acorrentado.


Outra parte lembrava que aquele homem havia dormido no quarto de garotos por anos, traíra os Potter e deixara um inocente apodrecer em Azkaban.


O desconforto não desapareceu.


Mas ficou menor.


Quando terminaram, Sirius lançou um feitiço de ocultamento sobre a cela, escondendo-a de olhos casuais, e apagou os sinais mais óbvios da presença deles.


— Vamos.


Desceram rapidamente. No túnel, Sirius entregou a capa de invisibilidade a Hermione.


— Coloque.


— E você?


— Feitiço de Desilusão.


— A capa cobre nós dois.


— Cobre, mas não vamos conseguir correr direito. Você segue com a capa. Eu vou logo atrás, desiludido. Ainda bem que treinamos todos os dias nesses anos.


Ele olhou para o relógio.


— Temos quatro minutos.


Hermione vestiu a capa sem discutir.


Correram.


O túnel, que já era ruim andando, tornou-se um pesadelo em velocidade. Hermione tropeçou duas vezes, quase caiu uma, e sentiu o coração martelar no peito como se estivesse tentando escapar. Sirius a acompanhava logo atrás, invisível, mas ela podia ouvir seus passos.


Quando finalmente alcançaram a sala abandonada, os dois estavam ofegantes.


Hermione arrancou a capa.


Sirius desfez o Feitiço de Desilusão.


Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.


Então ele abriu a porta, verificou o corredor e fez sinal.


— Vamos almoçar.


A normalidade daquela frase pareceu absurda.


Hermione quase riu.


Ou quase chorou.


Não tinha certeza.


No Salão Principal, Harry e Rony já estavam sentados à mesa da Grifinória.


— Rony, sério — Harry dizia quando eles se aproximaram —, você devia ficar feliz que Perebas está mais agitado. É melhor do que ver ele com aquela aparência doentia de antes. Para de dizer que tem algo errado. Talvez ele finalmente esteja com energia.


Hermione parou.


Por um instante, o salão desapareceu.


Perebas.


O falso Perebas.


O rato que agora ocupava o lugar do homem que ela vira se transformar.


O rosto dela perdeu cor.


Sirius percebeu antes de qualquer um.


Tocou de leve o ombro dela.


— Hermione, acho melhor não treinarmos Oclumência fora do combinado hoje. Você está com uma cara muito abatida.


Ela piscou.


— Hum? Ah... sim. Melhor evitar.


Sentou-se ao lado dele, mantendo a cabeça baixa.


Harry franziu a testa.


— O que aconteceu com ela?


— Excesso de estudo — Rony respondeu antes que qualquer outro pudesse falar. — Eu vivo dizendo que ela vai acabar doente se continuar desse jeito.


Hermione não respondeu.


Sirius se serviu com calma.


— Nós estávamos estudando na biblioteca, e eu a ajudei com um exercício de Oclumência. Vocês sabem como o treino é cansativo.


Não era mentira.


Não completamente.


Harry assentiu, ainda preocupado.


Rony fez uma careta.


— Nem me fale. Se você não tivesse dito que Snape é mestre em Legilimência e às vezes tenta ler pensamentos superficiais, eu já teria desistido desses treinos.


— Esse é exatamente o motivo para continuar — Sirius respondeu.


O almoço seguiu quase normal.


Quase.


Hermione comeu pouco. Falou menos ainda. Rony tentou puxar conversa sobre quadribol. Harry observou-a algumas vezes, preocupado. Sirius desviou as perguntas com habilidade, reforçando a ideia de que ela estava sobrecarregada por matérias demais e treinos mentais.


Durante as aulas da tarde, Hermione melhorou um pouco.


A rotina ajudava. Anotar, responder perguntas, seguir instruções. Tudo isso dava à mente dela trilhos familiares.


Mas, quando o dia terminou, o peso voltou.


Ela estava guardando um segredo de Harry e Rony.


Não um segredo pequeno.


Não uma surpresa.


A verdade sobre o homem que destruíra a vida de Harry.


E cada vez que olhava para o amigo, sentia a culpa apertar o peito.


Sirius sabia.


Não precisou perguntar.


Naquela noite, contou a ela que iria se encontrar com Ninfadora na Casa dos Gritos no sábado, depois do café da manhã.


Hermione imediatamente ergueu a cabeça.


— Eu vou junto.


— Hermione—


— Eu vou junto.


— Você deveria descansar. Ou ir com Rony assistir ao treino de quadribol do Harry.


— Não é seguro.


Sirius franziu a testa.


— A Casa dos Gritos já estará segura.


— Não estou falando da Casa dos Gritos. Estou falando de mim.


A resposta o calou.


Hermione apertou os livros contra o peito.


— Se eu ficar sozinha com Harry e Rony, posso acabar contando. Eu sei que prometi, Sirius. Eu vou cumprir. Mas isso está pesando demais. Então, se você vai até lá, eu vou junto.


Sirius a observou por alguns segundos.


Então assentiu.


— Certo. Você vem comigo.


Na manhã seguinte, depois do café, Harry e Rony os chamaram para assistir ao treino de quadribol.


— Como assim você já tem planos para sábado? — Rony perguntou, indignado, olhando para Sirius. — A gente tem que apoiar o Harry. Essa temporada não vai ser fácil.


Harry tentou parecer casual, mas era óbvio que queria a presença dos amigos.


Rony virou-se para Hermione.


— E você devia vir também. Talvez relaxar um pouco faça você se sentir melhor.


Hermione sentiu a culpa se mexer outra vez.


— Eu... preciso estudar.


Rony encarou-a.


— Claro que precisa.


— Eu também já tinha algo programado — Sirius disse. — Mas vou tentar aparecer em outro treino.


Harry olhou para os dois.


Por um momento, Hermione teve certeza de que ele perguntaria.


Mas Harry apenas assentiu.


— Tudo bem. A gente se vê depois.


Quando Harry e Rony saíram com os outros grifinórios em direção ao campo, Sirius e Hermione esperaram tempo suficiente para garantir que ninguém os observava.


Depois seguiram para o Salgueiro Lutador sob o Feitiço de Desilusão de Sirius.


Entraram pela passagem secreta.


Assim que estavam no túnel, Sirius desfez o encantamento.


Hermione caminhava ao lado dele, mais calma do que no dia anterior, mas ainda pálida.


— Agora você pode me explicar o plano inteiro — disse ela.


Sirius explicou.


Não tudo sobre sua vida anterior, claro. Não tudo sobre o futuro. Mas contou o suficiente: Pettigrew seria mantido escondido. Ninfadora ajudaria com a custódia. Sirius Black seria preservado até o momento certo. Harry levaria as provas a Dumbledore quando estivesse emocionalmente pronto e com a Oclumência firme o bastante para não entregar o jogo antes da hora. O objetivo não era apenas prender Pettigrew.


Era forçar um julgamento.


Hermione ouviu sem interromper por vários minutos.


Então perguntou:


— Não seria melhor incluir o professor Dumbledore agora?


Sirius não pareceu surpreso.


— Não.


— Sirius, isso é... é muito maior do que nós. Dumbledore é a maior autoridade em Hogwarts. Ele poderia ajudar. Poderia garantir que tudo fosse feito corretamente.


— Poderia — Sirius concordou. — Mas não faria da forma necessária.


Hermione franziu a testa.


— Você fala dele como se fosse um inimigo.


— Ele não é.


— Parece.


Sirius parou por um instante no túnel.


— Hermione, eu sei que Dumbledore é uma boa pessoa. Mas você olha para ele e vê um senhor idoso, bondoso, brilhante e confiável. Eu olho para ele e vejo tudo isso... e também vejo um homem que luta guerras políticas há décadas.


Hermione ficou quieta.


— Não estou falando apenas da Inglaterra — Sirius continuou. — O mundo é maior que nossa ilha. Dumbledore é Bruxo Chefe do Wizengamot, Cacique Supremo da Confederação Internacional de Bruxos, líder moral para metade da Europa mágica e símbolo para a outra metade. Ele não se move apenas por bondade. Ele se move considerando consequências, dívidas, promessas, equilíbrio de poder.


— Isso não significa que ele deixaria um inocente sofrer.


— Não. Mas significa que, se eu ou Dora chegarmos até ele com Pettigrew, seremos apenas peças menores oferecendo um problema enorme. Ele pode tentar controlar o caso, atrasar, negociar, medir danos.


Hermione não gostou da resposta.


Sirius percebeu, mas continuou:


— Com Harry é diferente. Harry não será uma peça menor. Será o filho de James e Lílian Potter, o Menino que Sobreviveu, cobrando justiça pelo padrinho que foi preso sem julgamento. Dumbledore sabe o que deve aos Potter. Sabe o que deve ao Harry. O peso moral muda completamente.


Hermione olhou para o chão irregular do túnel, digerindo a explicação.


Ela não queria pensar em Dumbledore daquele jeito.


Mas também não conseguia dizer que Sirius estava totalmente errado.


— Isso é manipulação — ela disse, baixo.


— É.


A honestidade a surpreendeu.


— Mas é para que a verdade não seja enterrada de novo — Sirius completou.


Hermione não respondeu.


Continuaram andando.


Quando chegaram à Casa dos Gritos, ouviram uma voz masculina antes mesmo de alcançar o quarto.


— Por favor, mocinha! Me tire essas algemas! Eu fui preso por um mago das trevas, um... um Comensal da Morte! Sim, um Comensal da Morte! Ele quer fazer experiências malignas comigo! Se ele voltar e vir você aqui, também vai prendê-la! Rápido, me ajude e nós podemos escapar!


Hermione sentiu o corpo enrijecer.


Pedro Pettigrew estava acordado.


E tentando manipular Ninfadora.


A resposta veio em forma de fúria.


— Me poupe, rato.


A voz de Dora estava carregada de ódio.


Quando Sirius e Hermione chegaram à porta, viram Ninfadora em pé diante da cela, varinha erguida, os cabelos em um vermelho tão intenso que pareciam sangue vivo.


— Eu sei quem você é — ela disse. — E sei o que você fez.


— Mas eu—


— Estupefaça!


O feitiço atingiu Pettigrew no peito.


O corpo rechonchudo foi lançado contra a parede e caiu inconsciente no chão da cela.


Hermione deu um passo involuntário para trás.


— Você precisava fazer isso?


A pergunta saiu antes que ela pudesse impedir.


Ninfadora virou-se imediatamente.


O vermelho de seus cabelos começou a suavizar, voltando a um rosa claro. A expressão feroz cedeu lugar a algo mais doce, quase culpado.


— Ah. Olá, Hermione. Desculpe. Não queria te chocar.


A mudança foi tão rápida que Hermione ficou ainda mais desconfortável.


A mulher que acabara de estuporar Pettigrew parecia, de repente, a irmã mais velha simpática de Sirius.


Ninfadora olhou para o irmão e arqueou uma sobrancelha.


— Não sabia que você viria acompanhado.


— Hermione me ajudou a tirar o rato de Hogwarts — Sirius explicou. — Sem ela, teria sido muito mais difícil e provavelmente deixaria falhas no meu álibi.


Os olhos de Dora brilharam.


Seu cabelo mudou para um roxo vibrante, curioso e malicioso.


— É mesmo? E como nossa pequena Hermione Granger ajudou você a criar um álibi?


Hermione ficou rígida.


— Ninfadora—


— Vocês se trancaram em um armário de vassouras e, se alguém perguntar, estavam lá “estudando”?


O rosto de Hermione incendiou.


— Não é nada disso!


Sirius olhou para ela.


Não respondeu por ela.


Apenas fez um leve aceno, quase imperceptível.


Esse segredo é seu. Conte se quiser. Se não quiser, invente outra coisa.


Hermione entendeu.


E, apesar do constrangimento, apreciou aquilo.


Ela deu um passo à frente, tentando recompor a própria dignidade.


— Sirius apenas me mostrou que, às vezes, o tempo é um recurso que pode ser expandido quando se tem autorização adequada e uma necessidade real.


Dora piscou.


Sirius quase sorriu.


Hermione continuou, agora mais firme:


— Eu o ajudei porque era o certo a fazer pelo Harry. E ele me ajudou a garantir que eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo sem que ninguém percebesse minha ausência.


"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."

Notas finais
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