Renascido como um Tonks

5 5 - Salvando Hagrid e emprestando o Vira-tempo


As aulas da manhã passaram sem grandes surpresas.


Ou, pelo menos, sem surpresas que realmente importassem.


Sirius Tonks almoçou com Harry, Rony e Hermione, ouvindo metade da conversa e calculando a outra metade do dia em silêncio. O próximo ponto sensível da linha do tempo não estava em uma sala de aula comum, nem envolvia um professor perigoso, um livro amaldiçoado ou uma armadilha de Voldemort.


Envolvia Hagrid.


E Draco Malfoy.


Sirius gostava de Hagrid. Não apenas por saber quem ele era na história, mas porque o meio-gigante tinha uma bondade rara em um mundo que gostava demais de medir valor por sangue, sobrenome e aparência. Hagrid merecia começar bem como professor.


E, mais importante, merecia não ter sua primeira aula destruída por um garoto mimado tentando provar superioridade diante de uma criatura capaz de arrancar seu braço antes que ele terminasse a provocação.


Quando chegaram à clareira para a aula de Trato das Criaturas Mágicas, Hagrid parecia radiante e apavorado ao mesmo tempo. Usava seu enorme casaco, sorria largo demais e tentava fingir que não estava nervoso com dezenas de alunos olhando para ele.


— Certo, pessoal! — disse Hagrid, batendo as mãos enormes uma na outra. — Abram os livros na página quarenta e nove!


Vários alunos olharam para os exemplares de O Livro Monstruoso dos Monstros como se Hagrid tivesse acabado de pedir que enfiassem a mão na boca de um dragão.


Draco Malfoy foi o primeiro a reclamar.


— E como vamos fazer isso? — perguntou, mal-humorado, segurando o livro fechado com as duas mãos para impedir que ele mordesse seus dedos.


Antes que Hagrid respondesse, Sirius falou:


— Fazendo carinho na lombada.


Alguns alunos olharam para ele.


Sirius pegou o próprio exemplar, passou os dedos com calma pela lombada do livro, e a capa parou de se debater quase imediatamente. O livro abriu-se obediente, como se nunca tivesse tentado arrancar pedaços de ninguém.


Hagrid abriu um sorriso imenso.


— Isso mesmo! Cinco pontos para a Grifinória! Muito bem, Sirius. Você tem jeito para isso, garoto!


Hermione imitou o gesto logo depois, com uma expressão entre irritação por não ter pensado antes e fascínio por uma solução tão simples. Harry conseguiu acalmar o próprio livro com certa dificuldade. Rony só conseguiu depois de Sirius apontar que ele deveria parar de segurar o livro como se fosse enforcá-lo.


Neville, infelizmente, quase perdeu uma manga.


A aula começou melhor do que Sirius esperava. Hagrid se animou, explicando com cuidado, mesmo tropeçando nas próprias palavras às vezes. Os alunos ainda estavam desconfiados, mas não completamente hostis.


Malfoy, claro, não ajudava.


— Aposto que ele vai mandar a gente cuidar de vermes gigantes ou alguma coisa igualmente nojenta — murmurou alto o suficiente para os sonserinos rirem.


Harry tensionou ao lado de Sirius.


No cânone, a situação ficaria pior porque Harry ainda estaria abalado pelos Dementadores. Mas, dessa vez, ele não tinha desmaiado no trem. Não estava fraco, confuso ou humilhado diante de Malfoy.


Ainda assim, Harry era Harry.


E Hagrid era Hagrid.


Sirius viu o momento exato em que o amigo começou a abrir a boca.


Então se levantou primeiro.


— Cala a boca, Malfoy.


O murmúrio da turma morreu.


Draco virou o rosto lentamente, como se não acreditasse que alguém tivesse acabado de falar assim com ele em público.


— O que você disse, traidor de sangue?


Sirius inclinou a cabeça.


— Sério? Isso é o melhor que você consegue fazer? “Traidor de sangue”? — Ele imitou a voz de Malfoy, fina e tremida, o bastante para arrancar risadas de alguns grifinórios. — Você realmente prova que, se existe algo dentro dessa sua cabeça loira, não é criatividade.


O rosto de Draco ficou vermelho.


— Você é só o filho de um sangue-ruim com uma traidora de sangue!


O sorriso de Sirius diminuiu.


Não desapareceu.


Só ficou mais frio.


— Sim, sim. O discurso ensaiado da família Malfoy. Muito impressionante. — Ele deu um passo tranquilo na direção de Draco. — Mas me diga uma coisa: em qual matéria exatamente você é melhor do que esse “filho” aqui? Transfiguração? Feitiços? Defesa? Poções? Voo? Escolha qualquer uma. Eu espero.


Draco abriu a boca.


Não encontrou resposta.


A turma encontrou risadas.


Antes que Malfoy pudesse piorar a situação, Hagrid voltou carregando a atenção da aula com ele.


— Certo, certo, chega disso! Hoje vocês vão conhecer criaturas magníficas. Hipogrifos!


O efeito foi imediato.


Até os alunos que riam de Malfoy ficaram tensos ao ver as criaturas conduzidas para a clareira. Bicuço estava entre elas, belo e perigoso, com penas cinzentas, corpo poderoso e olhos inteligentes demais para tolerar insultos.


Sirius ficou perto de Hermione.


Quando Hagrid explicou a importância de se curvar, manter contato visual e respeitar o orgulho de um hipogrifo, Hermione absorveu cada palavra. Ainda assim, quando Harry foi escolhido para se aproximar primeiro, ela prendeu a respiração.


Sirius pousou uma mão leve no ombro dela.


— Vai dar certo.


Hermione olhou para ele.


— Você tem certeza?


— Tenho.


Ela não perguntou se era premonição.


Ele agradeceu por isso.


Harry fez a reverência. Bicuço avaliou o garoto por alguns segundos longos demais. Então dobrou as pernas dianteiras em resposta.


Hagrid quase explodiu de alegria.


— Muito bem, Harry! Muito bem mesmo!


O voo aconteceu como deveria. Harry subiu nas costas de Bicuço, Hagrid deu as instruções, e a criatura disparou pelo ar. Por alguns minutos, Harry pareceu esquecer todo o resto: os Dursley, o segredo sobre Sirius Black, Pettigrew, Dementadores, Oclumência, tudo.


Ele apenas voou.


Quando Bicuço pousou, Harry desceu com um sorriso que Sirius raramente via no rosto dele.


E então Draco Malfoy se moveu.


Sirius viu a expressão antes mesmo do gesto. Viu a inveja. Viu a necessidade infantil de transformar a alegria de Harry em espetáculo próprio. Viu a arrogância de alguém que achava que todas as criaturas do mundo deveriam se curvar ao dinheiro do pai.


Draco deu um passo em direção a Bicuço.


Sirius deu outro.


No momento em que Malfoy passou por ele, Sirius estendeu discretamente a perna.


Draco tropeçou e caiu de cara no chão.


A clareira inteira ficou em silêncio por meio segundo.


— Você deveria olhar por onde anda, Malfoy — Sirius disse, em tom quase preguiçoso. — Pode acabar caindo de cara no chão.


Malfoy se levantou furioso, esquecendo completamente Bicuço.


Perfeito.


— Você fez isso de propósito!


— Fiz?


Draco avançou para empurrá-lo. Sirius desviou com facilidade, como se tivesse apenas saído do caminho de uma criança correndo. Humilhado, Malfoy puxou a varinha.


— Estupefaça!


O feitiço passou a centímetros do ombro de Sirius.


Ele já estava se movendo.


— Petrificus Totalus.


Draco endureceu instantaneamente e caiu de costas no chão, reto como uma tábua.


Sirius guardou a varinha sem pressa.


— Como eu disse, Malfoy, você precisa treinar muito antes de tentar a sorte comigo em qualquer coisa.


— CHEGA!


A voz de Hagrid sacudiu a clareira.


O meio-gigante vinha em direção a eles, dividido entre raiva, preocupação e pânico. Os sonserinos murmuravam indignados. Harry parecia satisfeito demais. Hermione estava com uma das mãos na testa. Rony parecia prestes a aplaudir.


— Cinco pontos a menos para a Grifinória! — Hagrid disse, a contragosto. — E cinco pontos a menos para a Sonserina! Sirius, desfaça o feitiço agora!


— Claro, professor. Desculpe pela bagunça. — Sirius apontou discretamente para Bicuço com o queixo. — Só peço que o senhor afaste Bicuço antes. Se Draco voltar a se mexer e tentar fazer o que ia fazer antes de eu derrubá-lo, ele pode se machucar de verdade.


Hagrid parou.


— O quê?


— Ele estava indo provocar o hipogrifo — Sirius respondeu. — Eu achei melhor ele dar de cara com o chão do que com as garras de Bicuço.


Hagrid olhou para Draco petrificado.


Depois para Bicuço.


A compreensão veio acompanhada de uma palidez visível sob a barba.


Sem dizer nada, Hagrid jogou um furão morto para longe e guiou Bicuço alguns metros para trás. Só então fez sinal para Sirius.


— Agora.


— Finite Incantatem.


Draco voltou a se mover, arfando de raiva. Sua mão foi imediatamente para a varinha.


Hagrid se adiantou e a tomou antes que ele a alcançasse.


— Nem pense nisso, Draco Malfoy. O que Sirius falou é verdade? Você ia provocar Bicuço?


Draco, ainda vermelho de humilhação, ergueu o queixo.


— Aquela galinha crescida não é perigosa. É só um brutamontes feioso. Eu só ia mostrar que qualquer um pode lidar com ela.


Hagrid pareceu atingido.


— Você...


— Professor — Sirius interrompeu, antes que Hagrid tentasse argumentar com alguém que não queria aprender. — Não vale a pena.


Draco virou-se para ele, furioso.


Sirius encarou o sonserino com calma.


— Para sua informação, Malfoy, um hipogrifo poderia te abrir antes que você tivesse tempo de terminar a primeira palavra. O único motivo de você ainda estar inteiro é que Hagrid sabe controlar Bicuço. Mas, se você tivesse feito aquilo que pretendia, provavelmente se feriria antes que o professor conseguisse intervir.


Draco apertou os dentes.


Sirius continuou:


— E como todos sabemos que você é o tipo de filhinho de papai que corre para casa quando sofre as consequências da própria estupidez, eu resolvi poupar o professor Hagrid de um drama com a família Malfoy.


Alguns alunos prenderam o riso.


Draco apontou um dedo para Sirius.


— Você não perde por esperar, seu mestiço traidor de sangue.


— Sim, sim. Tenho certeza de que seu pai vai tentar alguma coisa contra meus pais porque o filhinho dele não consegue resolver os próprios problemas na escola.


Draco tropeçou no próprio passo ao ouvir isso.


Só por um instante.


Mas Sirius viu.


E soube que tinha acertado onde queria.


Malfoy se afastou com Crabbe e Goyle, tentando fingir que não havia sido exposto diante de duas casas inteiras.


Quando a tensão diminuiu, Hagrid se aproximou de Sirius com os olhos brilhando de emoção.


— Acho que entendi por que você fez aquilo. Obrigado, Sirius. Você me poupou de um problema enorme. E desculpa por tirar pontos de você...


Sirius balançou a cabeça.


— Relaxa, Hagrid. Você fez o que deveria fazer como professor. Eu fiz o que deveria fazer como seu amigo. Eu sabia que perderia pontos quando derrubei ele, então não precisa se preocupar.


Hagrid fungou alto.


— É bom saber que tenho amigos como vocês.


Ele olhou para Harry, Rony, Hermione e Sirius.


— Se quiserem, posso arranjar um passeio para cada um com Bicuço qualquer dia desses!


Rony empalideceu.


— Talvez eu comece com algo menor. Tipo um verme.


Hermione deu uma cotovelada nele, mas até ela sorriu.


A aula terminou com menos desastre do que poderia ter terminado.


Para Sirius, aquilo já era uma vitória.


Mas o dia ainda não tinha terminado.


Depois que se afastaram da clareira, com os outros alunos seguindo em direção ao castelo, Sirius diminuiu o passo e olhou para Hermione.


— Hermione, preciso falar com você. Na biblioteca.


Ela pareceu surpresa, mas não hesitou.


— Claro.


Rony olhou para os dois.


— Biblioteca logo depois da aula? Vocês têm algum tipo de doença?


— Sim — Hermione respondeu. — Chama-se responsabilidade.


— Parece horrível.


Harry riu, e Sirius aproveitou o momento para guiar Hermione para longe dos dois.


Quando chegaram à biblioteca, Sirius escolheu uma mesa afastada, entre estantes altas o bastante para bloquear olhares curiosos. Hermione se sentou diante dele, ainda com o rosto levemente corado pelo vento da aula ao ar livre.


— Pode falar — disse ela. — Se estiver ao meu alcance, eu ajudo.


Sirius observou a amiga por um instante.


Hermione Granger era uma das pessoas mais inteligentes que ele conhecia naquele mundo. Mas inteligência não era a única razão pela qual ele confiava nela. Hermione era disciplinada, leal e, apesar de sua tendência a obedecer regras, tinha uma bússola moral mais forte do que o medo de quebrá-las.


Ela também estava cansada.


Mais do que tentava demonstrar.


Os olhos estavam um pouco pesados. A postura, rígida demais. O tipo de rigidez de alguém que só continuava de pé porque se recusava a admitir desgaste.


— Eu sei que você está usando um Vira-Tempo — Sirius disse.


Hermione ficou imóvel.


Por um segundo inteiro, nem respirou.


— Como você sabe disso?


— Não foi muito difícil juntar as peças. Você esteve em todas as aulas eletivas desta manhã. Depois, no almoço, comentou comigo que Adivinhação era “vaga”, “imprecisa” e baseada em palpites.


Hermione abriu a boca, mas Sirius ergueu uma sobrancelha.


— O problema é que eu estava em Runas Antigas. E você também.


Ela fechou os olhos.


— Ah, não.


— Sim.


— Como eu pude fazer esse comentário perto de você?


— Cansaço.


Hermione pareceu pronta para discutir, mas parou antes de começar.


— Se fossem Harry e Rony, eles nunca teriam percebido.


— Provavelmente não.


— Mas você percebe tudo.


— Quase tudo.


Ela suspirou, derrotada.


— Certo. Você sabe. Vai me dizer que eu deveria devolver?


— Não.


Aquilo a surpreendeu mais do que a descoberta.


— Não?


— Eu sei o quanto aprender é importante para você. Não vou fingir que não entendo. — Sirius apoiou os braços sobre a mesa. — Mas você precisa saber que o Vira-Tempo não cria horas de graça. Ele cobra. Talvez não de forma visível no começo, mas cobra no corpo, na mente, no sono, na paciência. Você não pode viver como se tivesse mais dias do que todo mundo e esperar que isso não deixe marcas.


Hermione desviou o olhar.


— Eu dou conta.


— Hoje, talvez. Amanhã, talvez. O ano inteiro? Não sei. E você também não.


Ela mordeu o lábio inferior.


Sirius suavizou a voz.


— Eu não estou pedindo para você desistir. Estou pedindo para cuidar de si mesma antes de quebrar.


Por um momento, Hermione não respondeu.


A defensividade dela cedeu um pouco, dando lugar a algo mais vulnerável.


— Obrigada — disse, baixo.


Sirius assentiu.


— E eu preciso te pedir um favor.


Hermione ergueu os olhos.


— Tem a ver com o Vira-Tempo.


— Sim.


Ela ficou séria.


— Sirius...


— Eu preciso usá-lo por uma hora. Há algo que preciso fazer para salvar uma vida e prender um vilão.


A expressão dela mudou rapidamente: surpresa, medo, curiosidade e, por fim, aquela determinação perigosa que Sirius conhecia bem.


— Que vilão?


— Ainda não posso te dizer aqui.


— Então você quer que eu te entregue um Vira-Tempo sem saber exatamente para quê?


— Não. Quero que você venha comigo, se decidir que precisa ver com os próprios olhos.


Hermione ficou em silêncio.


Sirius continuou:


— Mas quero deixar claro que não acho adequado você usar mais tempo só para satisfazer curiosidade. Você já está sobrecarregada. Hoje foi um dia cheio, e amanhã será pior se você não descansar.


Ela o encarou, tentando descobrir se ele estava manipulando ou cuidando dela.


A conclusão pareceu deixá-la sem jeito.


— Você está mesmo preocupado comigo.


— Claro que estou. Você é minha amiga.


Hermione corou.


— Obrigada por isso.


Sirius fingiu não notar o rubor para poupá-la.


— Então proponho o seguinte: amanhã você não corre comigo cedo. Use esse horário para descansar. Depois da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, nós vamos para um lugar seguro e usamos o Vira-Tempo para voltar uma hora.


— Você já pensou em tudo.


— Em quase tudo.


— E quer que eu vá com você?


— Quero que você tenha essa escolha. Mas, se for, precisa prometer que vai fazer exatamente o que eu disser durante a execução. Sem perguntas no meio. Sem hesitação. Depois eu explico tudo.


Hermione endireitou a postura.


— Isso é perigoso?


— Sim.


A honestidade a fez respirar fundo.


— Mas é para salvar uma vida?


— Sim.


— E prender um vilão?


— Sim.


Ela olhou para as próprias mãos por alguns segundos.


— Então eu vou.


Sirius não sorriu.


Apenas assentiu, respeitando a decisão.


— Obrigado.


— Não me agradeça ainda. Eu ainda quero saber como você pretende usar uma única hora para salvar uma vida e prender alguém.


— Você vai saber.


— Sirius.


— Amanhã.


Ela fez uma careta.


— Você sabe que eu odeio quando você faz isso.


— Sei.


— E faz mesmo assim.


— Também sei.


Apesar da irritação, Hermione não se levantou.


— Certo. Eu te empresto. E vou com você.


— Então preciso de mais uma promessa.


Ela ficou imediatamente séria.


— Qual?


— Tudo que eu te contar agora, e tudo que você vir amanhã, ficará em segredo até eu dizer o contrário. Mesmo Harry e Rony não podem saber ainda.


Hermione hesitou.


Não por falta de confiança, mas porque esconder algo de Harry e Rony ia contra seus instintos mais profundos.


— É para protegê-los?


— Sim.


— E não é algo que vai machucá-los?


Sirius demorou um pouco mais para responder.


— A verdade pode machucar. Mas a mentira atual machuca mais.


Hermione prendeu a respiração.


Ela entendeu, talvez não o conteúdo, mas o peso.


— Eu prometo — disse por fim. — Não contarei a ninguém até você permitir.


Sirius olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava perto o bastante para ouvir.


Depois se inclinou um pouco sobre a mesa.


— Perfeito. Então escute com atenção.


Hermione também se inclinou.


Sirius baixou a voz.


"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."

Notas finais
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