Renascido como um Tonks
17 17 - Entre Magia e Moléculas
Notas iniciais
Lupin retesou os ombros.
— Sair? Mas eu...
— A maldição da carga, Professor. Ela é real e implacável — Sirius Tonks o interrompeu, virando-se para encará-lo. — Se o senhor insistir em ficar até o fim, a maldição vai cobrar um preço alto demais. O senhor precisa sair por vontade própria, alegando motivos pessoais ou de saúde, antes que uma maldição force sua saída de forma trágica. E, quando fizer isso, deve sugerir Sirius Black como seu sucessor temporário.
Lupin arregalou os olhos, quase perdendo o fôlego.
— Você quer colocar Sirius para dar aulas? No mesmo castelo que Severo?
— Exatamente. Dumbledore aceitará, porque não haverá outros candidatos tão tarde no ano, e ele confia no meu primo. Black lecionará até o fim do semestre. — Sirius Tonks voltou os olhos para o primo. — Isso colocará os dois frente a frente como colegas de trabalho. Será o teste final. Black terá de provar que é o adulto de que Harry precisa, e Snape terá de lidar com o fato de que o homem que odeia agora é um par oficial.
— É um plano arriscado, Sirius — sussurrou Lupin, preocupado. — É uma maldição?
— Por isso ele ficou apenas alguns meses. A maldição consome aqueles que tentam se estabelecer no cargo. Se ele entrar sabendo que é apenas um substituto temporário até o fim das aulas, sairá ileso. Mas não deve, sob hipótese alguma, tentar renovar para o próximo ano.
Lupin assentiu lentamente, sentindo o peso da lógica do garoto.
— Você parece estar movendo as pessoas como peças de xadrez, Sirius.
— Não são peças, Professor. São pessoas que eu amo e que o destino está tentando destruir — respondeu Sirius Tonks, com uma lição triste. — Eu só estou mudando a direção do vento para que sobrevivam. Agora vá se juntar a eles. É o início do nosso recesso, e temos de aproveitar o máximo. Por uma noite, esqueça Snape, esqueça a maldição e seja apenas o amigo de que Harry e meu primo tanto sentiram falta.
Lupin deu uma tapinha encorajador no ombro do jovem e caminhou em direção ao grupo, deixando Sirius Tonks sozinho com seus pensamentos e o brilho constante da árvore.
O tabuleiro foi montado para o maior desafio social que Hogwarts viu em décadas.
Lupin se afastou, processando a magnitude do plano de Sirius Tonks, e caminhou em direção a Harry e Black. O jovem vidente apareceu parado, observando o calor daquela cena, quando sentiu duas mãos encontradas escondidas em seus ombros.
À sua esquerda, Andrômeda o observava com um olhar que misturava o orgulho de uma mãe com a reverência de quem sabia que o filho carregava o mundo nas costas. À direita, Ted Tonks sorriu com aquela calma reconfortante que sempre fora o equilíbrio perfeito para a intensidade da linhagem Black.
— Você fez de novo, não foi, campeão? — disse Ted em voz baixa, apertando o ombro do filho. — Aquela conversa na biblioteca... pela cara do Sirius e do Remus, você acabou de entregar a eles um mapa para um lugar onde eles não queriam ir.
Sirius Tonks deu um pequeno sorriso, o primeiro que realmente chegava aos olhos daquela noite.
— Eles primeirom de um empurrão, pai. O passado é um labirinto onde eles estão presos há doze anos. Eu só abri a porta de saída.
— Nós sabemos — disse Andrômeda, acariciando o rosto do filho. — Desde que você era pequeno e conversou sobre “livros de dragões e heróis” que ainda não tinham sido escritos... ou quando dava ao seu pai conselhos de investimento que surgiram do nada. Nós sempre soubemos que você via além, Sirius.
Ted assentiu, lembrando-se de como o sucesso de seus negócios no mundo trouxa e bruxo desviou muito às “sugestões” certas do filho ao longo dos anos.
— É um fardo solitário, eu imagino — continuou Ted, olhando para Harry e os outros. — Ver uma tempestade antes do primeiro trovão soe. Mas lembre-se: você não precisa enfrentar o que viu sozinho. Nós estamos aqui para ser o seu presente, enquanto você cuida do futuro.
Sirius Tonks sentiu o nó de tensão em seus ombros relaxados.
Por um momento, ele não era o arquiteto da justiça nem o “vidente” que temia o retorno de Voldemort. Era apenas um jovem cercado pelo amor daqueles que o aceitavam por inteiro.
— Obrigado — você sussurrou Sirius. — Eu só quero que, no final, todos nós possamos estar exatamente assim. Juntos.
— E estaremos — afirmou Andrômeda com a determinação de uma Tonks. — Agora chega de mudança e planos para hoje. É o início do seu recesso de Natal. Vá até lá e mostre ao Harry que você também sabe brincar de Snap Explosivo, mesmo que já saiba quem vai ganhar.
Sirius Tonks riu, uma risada leve e juvenil, e deixou-se ser guiado pelos pais em direção ao círculo de amigos e família.
Naquela noite, sob o brilho da árvore e o calor da lareira, o futuro poderia esperar.
O presente era perfeito.
21 de dezembro: Entre Magia e Moléculas
A manhã na Residência Tonks começou com cheiro de café e a luz pálida do sol de inverno refletida na neve. Enquanto Harry e Rony devoravam rabanadas, Sirius Tonks estendeu um envelope lacrado para o pai.
— Pai, preciso que você consiga esses itens no lado trouxa — disse Sirius, com uma voz que não aceitou a discussão. — Microscópios de alta resolução, centrífugas manuais, reagentes químicos específicos e alguns equipamentos de análise hematológica.
Ted Tonks franziu o cenho, analisando a lista técnica.
— Sirius... isso parece o inventário de um laboratório de biotecnologia de ponta. O que você pretende fazer? E por que precisa de ingredientes de poções tão raras quanto os que pediram para sua mãe comprar no Beco?
Sirius olhou para Remus Lupin, que conversava distraidamente com Sirius Black no canto da sala.
— Eu vou melhorar o Wolfsbane, pai. A poção atual é um paliativo medieval. Ela mantém a mente, mas derrota o corpo. O Remus está envelhecendo prematuramente porque a transformação é um trauma celular sistêmico. Eu pretendo estabilizar a homeostase dele.
Andrômeda, que se aproxima, pegou o final da explicação. Seus olhos se arregalaram. Como uma Black, ela conhecia a teoria das poções, mas o que o filho descrevia era uma fusão de mundos que ninguém ousara tentar.
— Você está falando de mudar a estrutura da maldição, Sirius?
— A maldição em si, ainda não — respondeu Sirius com calma. — Mas o impacto biológico dela. Quero que a lua cheia seja um sono lúcido, não uma tortura. Explico tudo quando voltamos.
O grupo pegou a Pó de Gripe e saiu pelas lareiras do Caldeirão Furado. A visão de Sirius Black caminhantes em plena luz do dia, vestindo túnicas de seda azul-noite e com o queixo erguido, sentiu um efeito imediato. As pessoas paravam, sussurravam e abriam caminho.
Ele não era mais o prisioneiro esguio.
Era os herdeiros da Casa Black voltando ao seu lugar.
— Primeira parada: Olivaras — anunciou Black, anunciando o peso da liberdade. — Eu me sinto nu sem uma varinha própria.
Enquanto Sirius Black, Harry e os outros seguiam para a loja de varinhas, Sirius Tonks desviou para a Apotecária. Precisava de ingredientes que não fossem apenas mágicos, mas também foram feitas propriedades para a síntese bioquímica que pretendíamos fazer.
Assim que terminou suas compras técnicas, guardou os frascos preciosos com cuidado e reencontrou o grupo perto dos Floreios e Borrões.
Por um momento, permitiu que o peso do futuro e os cálculos moleculares saíssem da mente. Juntou-se a Harry, Rony e Hermione na sorveteria Florean Fortescue, rindo das reclamações de Rony sobre os deveres de Snape e observando, com um calor no peito, a alegria genuína de seu primo Sirius Black ao reencontrar velhos conhecidos.
Comprou sapos de chocolate para todos e participou das discussões sobre quadribol como se fosse apenas mais um garoto de treze anos. Sirius sabia que, assim que cruzasse a lareira de volta, ele se tornaria um fantasma no porão por semanas. Por isso, cada risada e cada piada naquele dia no Beco Diagonal foi saboreada como um tesouro raro.
Ao voltarem para a Residência Tonks, enquanto em casa se enche de risos e cheiro de jantar, Sirius Tonks isolou-se no porão com seu pai, Ted Tonks.
— Conseguiu tudo, pai? — Disse ele, fechando a porta.
Ted escolheu para várias caixas trazidas do mundo trouxa.
— Microscópios ópticos, reagentes de laboratório, centrífugas e até um conjunto de destilação fracionada. Sirius, eu ainda não entendo como você sabe operar essas coisas. São equipamentos que fecham anos de estudo universitário.
Sirius respondeu com um meio sorriso, omitindo a verdade sobre sua vida passada como engenheiro genético e se apoiando na alcunha que o pai e Dora sempre usavam para provocá-lo.
— Eu não sou apenas um vidente, pai. Lembra como você e a Dora me chamam? Ó gênio dos Tonks. — O sorriso dele cresceu um pouco. — Eu vi como essas coisas funcionam. E vi que a magia sozinha é incompleta, assim como a ciência trouxa também é. Eu vou unir as duas.
22 de dezembro: O Laboratório de Vidro e Sombras
Enquanto o andar de cima da casa dos Tonks despertava com o som de risadas e o planejamento de um jogo de quadribol na neve, o porão permanecia em um silêncio metódico.
Ted Tonks montou as bancadas conforme as instruções do filho, e os equipamentos trazidos do mundo trouxa deslocados entre os caldeirões de cobre e os frascos de ingredientes mágicos.
Remus Lupin desceu os degraus e encontrou Sirius Tonks observando um frasco de vidro contra a luz de uma lamparina. O garoto não usava jaleco, apenas roupas casuais com mangas dobradas, mas havia uma precisão em seus movimentos que impunha respeito.
— Você realmente vai tentar, Sirius? — perguntou Lupin, aproximando-se da bancada. — A Mata-cão é uma poção de mestre. Muitos procuraram alterá-la e acabaram criando algo inútil... ou perigoso.
Sirius Tonks colocou o frasco no suporte e olhou para o professor. Seu olhar era calmo, sem a frieza de antes, mas carregado de determinação prática.
— Eu não vou alterar a poção inteira, professor. Vou apenas adicionar o que os mestres de poções ignoram por não olharem para o mundo trouxa — explicou Sirius, delimitando o recorte. — Eles tratam a licantropia como um espírito que invade o corpo. Eu a trato como uma mudança física extrema. Se pudermos proteger suas células e seus nervos antes da transformação, a “fera” não terá que ser destruída.
Ele estendeu a mão, pedindo o braço de Lupin com simplicidade.
— Preciso de um pouco do seu sangue. É a única maneira de garantir que a poção não cause destruição. Quero que o senhor passe o próximo ano inteiro com a saúde de um homem da sua idade, e não como alguém que sobreviveu a um atropelamento todo mês. O senhor é um aliado importante demais para ficar de cama.
Lupin concordou e estendeu o braço.
Sirius foi rápido e eficiente na coleta. Enquanto o sangue preenchia o recipiente, o silêncio entre os dois era confortável, distante da tensão da noite anterior na biblioteca.
— O que são esses aparelhos? — perguntou Lupin, curioso, apontando para um manual de centrífuga.
— Ferramentas para separar o que é útil do que é destruição — respondeu Sirius de forma vaga, começando a organizar as amostras. — Professor, eu prefiro trabalhar sozinho por enquanto. Não quero que Harry ou outros fiquem curiosos. Se isso funcionar, o senhor será o primeiro a saber. Se não... bem, ninguém precisa nutrir falsas esperanças.
— Você é muito prudente para a sua idade — comentou Lupin com um meio sorriso, direção-se à escada.
— Eu apenas não gosto de perder tempo, meu ou dos outros — respondeu Sirius, já ajustando o foco de uma das lentes.
Nas horas seguintes, Sirius Tonks mergulhou no trabalho. Não agia como um cientista ditando fórmulas, mas como um artesão atento. Usava o conhecimento da vida passada para guiar as mãos, mas deixava que a magia dos bruxos fizesse o trabalho pesado.
Andrômeda apareceu à porta por volta do meio-dia com uma bandeja de sanduíches. Não entrei. Apenas descobri o filho de longa data.
Ele estava concentrado, alternando entre anotar algo em um pergaminho e observar uma ocorrência química em um pequeno cadinho.
— O almoço está aqui, Sirius — disse ela suavemente. — Não se perca tanto no futuro a ponto de esquecer de comer no presente.
— Obrigado, mãe — respondeu Sirius, sem tirar os olhos do que fazia. — Só mais um pouco. Estou tentando estabilizar a ocorrência da arnica com o soro. Se eu conseguir o equilíbrio certo, a fadiga muscular vai desaparecer.
Andrômeda sorriu ao ver o filho usar seus dons de forma tão generosa, mesmo fingindo para si mesmo que fazia aquilo apenas por estratégia.
Então fechei a porta, garantindo que Harry e os outros mantivessem a distância necessária para que o laboratório de Sirius Tonks continuasse sendo seu santuário de criação.
"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."
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