Renascido como um Tonks
18 18 - A Véspera e o "Tônico de Ouro"
Notas iniciais
23 de Dezembro: Sombras do Largo Grimmauld
Sirius Tonks não subiu para o jantar.
No meio da noite, chamou Sirius Black e Remus Lupin ao laboratório. O rosto do jovem estava pálido sob a luz fluorescente de uma lâmpada trouxa, e seus olhos permaneciam fixos em uma centrífuga que girava em silêncio.
— Primo, preciso que você e o Professor façam algo enquanto tento estabilizar a poção — disse Sirius, sem desviar o olhar. — Vocês precisam ir ao Largo Grimmauld, número 12.
Sirius Black estremeceu visivelmente ao ouvir o endereço da casa ancestral que tanto odiava.
— Eu jurei que nunca mais colocaria os pés naquele mausoléu, Sirius. O que poderia haver lá de que você precisa?
— O medalhão de Salazar Slytherin. Ele está com Monstro.
Sirius Tonks finalmente se virou, encarando o primo com uma seriedade mortal.
— Você deve ordenar que ele o entregue. Diga a ele que vai terminar o trabalho que Régulo começou.
O silêncio que se seguiu foi cortante. O nome de Régulo Black pairou no ar como um fantasma.
— O que você quer dizer com “o trabalho de Régulo”? — perguntou Black, com a voz rouca de uma fúria antiga. — Meu irmão morreu servindo àquele desgraçado! Ele foi um covarde que se afundou nas trevas e...
— Não — interrompeu Sirius Tonks, com a voz calma, mas implacável. — Régulo descobriu um dos maiores segredos de Voldemort. Descobriu que o Lorde das Trevas criou objetos para se tornar imortal, e o medalhão é um deles. Régulo roubou o medalhão original para destruí-lo e morreu tentando. Ele deu a vida para enfraquecer o homem que vocês tanto temem. Ele morreu como um herói, Sirius. E o elfo dele, Monstro, guarda o objeto desde então, sofrendo por não ter conseguido cumprir a última ordem de seu mestre favorito.
Sirius Black cambaleou para trás, apoiando-se na bancada de madeira. Remus Lupin pousou a mão em seu ombro, chocado.
— Régulo... contra o Lorde das Trevas? — sussurrou Lupin.
— Vão — ordenou o jovem Tonks, voltando-se para o microscópio. — Tragam o medalhão. Não o abram, não o usem. Apenas tragam-no para cá. Sirius... seu irmão não era quem você pensava. Dê a ele o respeito que merece.
24 de Dezembro, primeiras horas da manhã: O Largo GrimmauldPOV de Sirius Black
O Largo Grimmauld cheirava exatamente como eu me lembrava: morte, mofo e o fanatismo de uma linhagem que apodreceu de dentro para fora.
Cada passo que eu dava sobre o tapete gasto daquela casa era como se estivesse sendo puxado de volta para as correntes que levei a vida inteira tentando quebrar.
— Eu odeio este lugar, Remus — sibilei, apertando a varinha nova que acabara de comprar. — Eu odeio cada centímetro desta poeira.
Remus não disse nada. Apenas mantinha a mão em meu ombro, um lembrete constante de que eu não era mais o prisioneiro de Azkaban, nem o herdeiro rebelde.
Mas minha mente continuava martelando as palavras do meu primo.
Régulo morreu como um herói.
Aquilo era impossível.
Régulo era o “bom filho”. O garoto que colecionava recortes do Lorde das Trevas e beijava o anel da nossa mãe. O covarde que se escondera atrás de uma máscara de prata enquanto eu fugia para a liberdade.
Quando chegamos à cozinha, Monstro apareceu com um estalo seco. O elfo parecia uma carcaça de ressentimento, resmungando sobre “traidores do sangue” e a “desonra da senhora”.
Em outros tempos, eu teria chutado o balde mais próximo ou berrado até minhas cordas vocais sangrarem.
Mas a voz de Sirius Tonks ecoava na minha cabeça:
Dê a ele o respeito que merece.
Eu me ajoelhei.
Meus joelhos estalaram contra o chão frio de pedra, e fiquei à altura daqueles olhos enormes e leitosos.
— Monstro — minha voz saiu rouca, lutando contra o nojo. — Eu sei sobre o medalhão. Eu sei o que Régulo fez... o que ele tentou fazer na caverna.
O elfo parou.
O tempo pareceu congelar.
Então ele soltou um guincho que não era humano nem animal. Era o som de uma dor guardada em silêncio por mais de uma década.
— O mestre Sirius sabe? — soluçava Monstro, batendo a cabeça contra as pernas da mesa. — O mestre Régulo... o mestre bonzinho... ele bebeu a poção... mandou Monstro ir embora... mandou Monstro destruir a coisa ruim... mas Monstro não conseguiu! Monstro falhou com o mestre Régulo!
Senti o chão sumir sob meus pés.
Remus me segurou com força.
Régulo... bebeu a poção? Ele enfrentou o Lorde das Trevas sozinho enquanto eu passava anos julgando-o de longe?
Quando Monstro finalmente voltou com o objeto, o medalhão de ouro pesado pendurado em seu pescoço fino, eu o peguei com mãos trêmulas. Senti a pulsação fria e maligna que emanava do metal.
Era uma coisa vil.
Saímos daquela casa, e eu não consegui dar mais do que dez passos antes de cair de joelhos na neve do jardim.
— Eu o odiei, Remus — eu disse, e as lágrimas enfim vieram, queimando minha pele fria. — Passei doze anos em Azkaban achando que era o único Black que prestava. Chamei meu irmão de tolo, de seguidor de ideais podres... e ele estava lá, sozinho, fazendo o que nenhum de nós teve coragem de fazer.
Apertei o medalhão contra o peito.
A neve derretia sob meus soluços.
Meu irmão mais novo, o garotinho que eu costumava proteger antes de decidirmos nos odiar, tinha morrido nas sombras para salvar o mundo que eu dizia amar.
— O Tonks... — murmurei, olhando para a luz do laboratório onde meu primo trabalhava. — Ele não está apenas me devolvendo a liberdade, Remus. Está limpando o sangue da minha família. Ele me devolveu o meu irmão.
Levantei-me sentindo uma força que não vinha da varinha, mas de uma honra que eu julgava morta com o nome Black.
Agora eu tinha um novo motivo para lutar.
Régulo começara o trabalho.
E por ele, por Harry e por meu primo, jurei que o Lorde das Trevas nunca mais teria paz.
Fim do POV de Sirius Black
Quando Sirius Black e Remus Lupin entraram no porão, pouco antes do almoço, o clima de luto ainda pairava sobre os dois, mas havia uma determinação férrea em seus olhares.
Sirius Black caminhou até a bancada onde o primo trabalhava e colocou o medalhão sobre um pedaço de veludo preto.
Sirius Tonks parou o que fazia. Olhou para o objeto, sentindo a aura de magia negra que emanava da joia, e depois para o rosto inchado de choro do primo.
— Você o trouxe — disse o jovem Tonks, com a voz carregada de respeito silencioso.
— Monstro nos deu — respondeu Black, ainda um pouco instável. — Você estava certo sobre Régulo. Ele... ele morreu tentando destruir isso. Primo, o que é essa coisa? Eu sinto a malícia dela daqui.
— É uma Horcrux, Sirius — explicou o garoto, enquanto colocava o medalhão de Slytherin dentro de um recipiente de pedra resistente à corrosão. — Uma parte da alma de Voldemort escondida em um objeto para que ele não possa morrer. É por isso que ele sobreviveu àquela noite na casa do Harry. Existem outras, mas esta... esta foi o sacrifício do seu irmão.
Lupin soltou um suspiro pesado, apoiando-se na parede.
— Uma parte da alma... isso é a magia mais obscura que existe. Como vamos destruí-la?
Sirius Tonks não tocou no medalhão diretamente. Abriu uma gaveta trancada por runas e retirou um frasco de cristal reforçado, contendo um líquido verde-esmeralda que parecia vibrar com letalidade silenciosa.
— Veneno de Basilisco — murmurou Lupin, reconhecendo a substância. — Sirius... onde você conseguiu isso?
— Na Câmara dos Segredos, no ano passado — respondeu Sirius Tonks com calma. — Eu sabia que chegaria o momento em que precisaríamos de algo capaz de destruir o indestrutível. Coletei quatro frascos. Este é o primeiro que usaremos.
Sirius Black observava a cena, hipnotizado e horrorizado. Sabia que, dentro daquele medalhão, existia uma parte da coisa que destruíra sua vida, sua família e a paz do mundo bruxo.
— Tem certeza de que quer fazer isso agora? — perguntou Black. — Não deveríamos avisar Dumbledore?
— Dumbledore tem os próprios planos, primo. O meu envolve eliminar as âncoras de Voldemort assim que as encontramos. Se deixarmos essa coisa intacta, ela tentará nos corromper. Ela se alimenta de dúvidas e segredos. E nós já tivemos segredos demais por uma vida inteira.
Sirius Tonks pingou uma única gota do veneno sobre o medalhão.
O efeito foi instantâneo e violento.
Um grito agudo e inumano ecoou pelo porão, um som que parecia vir de mil gargantas morrendo ao mesmo tempo. Uma fumaça negra e densa saiu da joia e formou, por um breve segundo, o rosto retorcido de um homem jovem e cruel antes de se dissipar no ar frio.
O medalhão de ouro rachou ao meio, e a gema central escureceu até perder todo o brilho.
O fragmento de alma de Voldemort havia partido.
Sirius Black soltou um suspiro que parecia ter guardado por anos. Sentiu como se um peso invisível tivesse sido arrancado de seus ombros.
— Régulo... — sussurrou, tocando os restos do metal destruído. — Está feito, irmão.
Sirius Tonks guardou o frasco de veneno com cuidado.
— Restam três frascos. E restam outras Horcruxes. Mas hoje vencemos uma batalha que ninguém sequer sabia que estava sendo travada. Agora, subam. O jantar de véspera de Natal está pronto, e minha mãe não gosta de esperar.
24 de Dezembro: A Véspera e o “Tônico de Ouro”Enquanto o dia 24 findava, a casa dos Tonks transformava-se em um reduto de alegria. Ninfadora ajudava Harry e os Weasley a enfeitar o lado de fora, transformando a neve em esculturas de gelo que dançavam.
Lá embaixo, Sirius Tonks finalmente desligava a centrífuga.
Segurava um frasco com um líquido azul-celeste, quase brilhante.
Quando Lupin desceu, Sirius ergueu o olhar.
— Está pronta, Professor. Não é a versão final, mas é o estabilizador homeostático. Se o senhor tomar isso hoje, as células do seu corpo começarão a criar o “escudo” necessário para a transformação daqui a algumas semanas.
Lupin pegou o frasco.
Ao contrário da Wolfsbane comum, aquela poção não soltava fumaça, nem tinha cheiro desagradável.
— O que eu devo sentir?
— Nada — respondeu Sirius Tonks com um meio sorriso. — E esse é o objetivo. Pela primeira vez em anos, o senhor vai sentir o que é ser apenas um homem, sem o peso do lobo esmagando seus órgãos.
Lupin bebeu.
O efeito foi quase imediato. Um calor suave espalhou-se por seu peito, e a fadiga crônica que ele carregava nos ossos pareceu diminuir. Ele olhou para as próprias mãos. O leve tremor que sempre o acompanhava havia parado.
— Sirius... — Lupin respirou fundo, sentindo os pulmões se expandirem sem dor. — Eu me sinto... leve.
— É a ciência trabalhando com a magia, Professor. Aproveite a ceia de hoje. O senhor vai precisar de energia para o treinamento que dará ao Harry e aos outros amanhã.
25 de Dezembro: O Almoço e a Partida para o SilêncioO dia de Natal na Residência Tonks era uma explosão de cores e aromas. O ganso assado, as batatas douradas e o pudim de Natal pareciam flutuar sobre a mesa sob feitiços de aquecimento.
Harry, Rony e Hermione riam das histórias de Ninfadora, enquanto Sirius Black e Ted Tonks brindavam à liberdade e aos novos começos.
Sirius Tonks estava sentado entre Harry e a mãe. Participou da troca de presentes, sorriu quando Harry recebeu o anel de sinete dos Potter e aproveitou a refeição com uma calma que, para quem o observasse de fora, parecia absoluta.
Ao final do almoço, porém, quando Andrômeda começou a servir o café, Sirius Tonks pousou o guardanapo e se levantou em silêncio.
O burburinho à mesa diminuiu.
— Pessoal — disse ele, chamando a atenção de todos. — O almoço foi incrível, e fico feliz que o Harry esteja finalmente tendo o Natal que merece. Mas, a partir de agora, vou descer para o laboratório e não sairei de lá até que o protocolo do Professor Lupin esteja concluído.
— Mas Sirius, ainda é dia de Natal! — exclamou Rony, com a boca meio cheia de torta. — O Snape não vai te dar prêmio nenhum por trabalhar no feriado!
— Eu não trabalho para o Snape, Rony — respondeu Sirius com um meio sorriso.
Então olhou para Harry e Hermione.
— Aproveitem o recesso. Descansem, joguem e, por favor, não deixem o Bichento comer os Snap Explosivos. Eu vejo vocês em alguns dias.
Ele deu um beijo no topo da cabeça da mãe e um aceno para o pai e o primo.
Ao passar por Lupin, disse apenas:
— Esteja pronto, Remus.
"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."
Fale com o autor