Renascido como um Tonks

16 16 - Reunião de destinos e recomeços


Notas iniciais
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O Retorno à Torre

Sirius Tonks subiu as escadas sentindo o cansaço físico da limpeza, mas com uma estranha leveza mental. Sabia que Snape não mudaria da noite para o dia, mas também sabia que havia plantado uma semente de dúvida que o mestre de Poções não conseguiria ignorar.

Ao entrar na Sala Comunal, encontrou Harry sentado perto da lareira, esperando.

— Como foi? — perguntou Harry, preocupado. — Ele te deu mais detenções?

— Não. — Sirius sentou-se na poltrona e soltou um suspiro. — Acho que, por hoje, o Professor Snape teve o suficiente de mim. Amanhã teremos um dia mais calmo, Harry. O pior já passou.

Harry sorriu e se recostou. Não sabia o que havia sido dito nas masmorras, mas confiava em uma coisa: se Sirius Tonks estava calmo, então o mundo ainda estava nos eixos.

No café da manhã do dia seguinte, Snape entrou no Salão Principal. Ao passar pela mesa da Grifinória, parou por um milésimo de segundo atrás de Sirius Tonks.

O salão inteiro silenciou, esperando o insulto.

Snape não disse nada.

Apenas olhou para o topo da cabeça de Sirius, seus olhos negros brilhando com uma mistura de ódio e uma curiosidade científica quase doentia. Depois, voltou o olhar para Harry, abriu um sorriso de lado puramente predatório e seguiu para a mesa dos professores sem tirar um único ponto.

— O que foi aquilo? — sussurrou Rony. — Ele nem gritou com você por estar respirando perto dele.

Sirius Tonks não respondeu. Apenas balançou a cabeça para Rony e voltou os olhos para Harry.

Ele havia notado a forma como Snape olhara para o amigo. Pela natureza mesquinha do professor, sabia exatamente o que aquilo significava: Snape decidira atingir Harry pelos dois, já que agora temia Sirius Tonks pelo conhecimento que ele demonstrara do passado.

Mas Sirius já tinha um plano para resolver aquele problema.

E esse plano só poderia ser concluído depois do Natal.

Até lá, Harry teria de suportar o fardo que o pai lhe deixara.

As semanas que antecederam o Natal foram, ainda assim, as mais leves da vida de Harry, apesar do veneno silencioso de Snape. A neve cobria os terrenos de Hogwarts como um manto de paz, e o castelo fervilhava com a expectativa das férias.

No dia da partida, o Expresso de Hogwarts serpenteava pela paisagem gelada. Em uma cabine reservada, Sirius Tonks, Harry, Rony e Hermione dividiam o espaço com o Professor Lupin, que parecia mais saudável do que nunca, embora um pouco apreensivo com o convite para passar o Natal na residência dos Tonks.

A Residência Tonks: Uma Reunião de Destinos

Ao chegarem à propriedade, uma casa charmosa e agora vastamente ampliada graças à gestão financeira dos ativos Black, foram recebidos por uma Andrômeda radiante e por um Sirius Black que parecia ter rejuvenescido dez anos.

Black usava vestes de seda fina, mas seu sorriso era o de um homem que acabara de descobrir o significado da palavra paz.

Naquela primeira noite, depois do jantar, enquanto os amigos de Harry se divertiam na sala de jogos, Sirius Tonks pediu para conversar em particular com os dois Marotos restantes na biblioteca da casa.

O ar estava impregnado pelo cheiro de madeira antiga e pelo estalar da lareira. Sirius Black e Remus Lupin sentaram-se em poltronas de couro, observando o jovem Tonks com uma mistura de respeito e curiosidade.

— Eu chamei vocês aqui porque, embora o presente esteja seguro, o passado ainda sangra — começou Sirius Tonks, sua voz cortando o silêncio com a autoridade de quem enxerga através do véu. — Eu sei o que aconteceu na escola. Sei sobre o grupo de vocês, os Marotos, e sei como vocês trataram Severo Snape.

Sirius Black abriu a boca para soltar alguma piada sarcástica, mas o olhar gélido do primo o fez se calar.

— Foi abusivo — continuou o jovem. — Foi imprudente e, em muitos momentos, cruel. Vocês o isolaram e o atacaram sistematicamente, em grande parte porque ele tinha a amizade de Lílian, e Tiago... bem, Tiago não sabia lidar com isso de outra forma. E não pensem que estou falando por histórias que ouvi. Eu vi tudo o que aconteceu, desde antes da escolha das Casas. — Sirius Tonks voltou os olhos para o primo. — Desde quando vocês zombavam dele por querer ir para a Sonserina. Desde quando Tiago começou a chamá-lo de Ranhoso.

Sirius Tonks fez uma pausa e observou os dois adultos, que agora demonstravam um temor silencioso diante do que acabavam de ouvir.

— Eu sei de tudo. E não estou dizendo isso para manchar a honra de um amigo de vocês. Entendam: eu sei que Tiago foi um grande homem. Mas ele também foi um homem, e, como tal, permitiu que o pior de si saísse para brincar. Isso impactou a vida de uma pessoa para sempre. É isso que eu quero que vocês entendam e levem com vocês.

Lupin baixou a cabeça, com as mãos entrelaçadas.

— Sirius... eram tempos de guerra. Nós éramos crianças...

— Eram crianças, sim. E eu não estou questionando as decisões daquela época. Estou questionando como vocês vão agir a respeito disso agora. Porque, independentemente da idade, sempre seremos responsáveis pelo que fazemos — corrigiu Sirius Tonks, com suavidade. — Eu não estou dizendo que Snape é um santo. Ele é um homem amargo, e as escolhas da juventude foram dele. Mas a amargura dele foi alimentada por cada feitiço lançado pelas costas. Estou dizendo isso porque vejo vocês dois como homens bons. E homens bons não apenas evitam repetir falhas; eles têm a coragem de olhar para o erro e, se possível, se responsabilizar por ele.

Houve um silêncio longo e desconfortável.

Sirius Black olhou para as chamas da lareira, com a mandíbula tensa. O peso daquelas palavras era maior do que qualquer julgamento no Ministério, porque vinha de alguém que acabara de lhe devolver a liberdade.

— Você quer que nós peçamos desculpas a ele? — perguntou Black, com a voz rouca.

— Eu quero que vocês entendam a dívida que Harry está pagando por vocês agora — respondeu Sirius Tonks. — Snape está descontando nele cada ferida que vocês abriram. Se querem proteger Harry, precisam desarmar o ódio que Snape sente por vocês. Não peço que sejam amigos. Peço que sejam adultos responsáveis pelo próprio legado.

Lupin olhou para Sirius Black e depois para o jovem vidente.

— Você está certo, Sirius. Eu sempre me arrependi de não ter parado Tiago e você. Eu era monitor. Eu deveria ter feito alguma coisa. Carreguei essa culpa por doze anos, mas nunca tive coragem de admiti-la para Severo.

— Pois agora é a hora — concluiu Sirius Tonks, levantando-se. — O Natal é sobre recomeços. Meu primo está livre, Harry tem um lar, e Lupin tem uma missão. Não deixem que o fantasma de um Severo Snape adolescente arruíne o futuro que estamos tentando construir.

Ao sair da biblioteca, Sirius Tonks deixou os dois homens mergulhados em silêncio.

Ele sabia que a semente fora plantada.

O plano pós-Natal para neutralizar Snape agora tinha os componentes que faltavam: a verdade e a admissão de culpa.

POV de Remus Lupin

O silêncio que se instalou na biblioteca depois que Sirius Tonks saiu não era apenas pesado. Era claustrofóbico.

Eu sentia como se as paredes estivessem se fechando, esmagando a imagem idealizada que tentei manter dos nossos anos de escola só para conseguir dormir à noite.

— Ele viu tudo, Remus... — a voz de Almofadinhas saiu em um fio, desprovida de qualquer traço da indignação habitual. — Ele falou do trem. Falou do apelido... no primeiro dia.

Eu não respondi.

Não havia o que dizer.

Almofadinhas estava parado ao lado da lareira, e a luz das chamas acentuava as linhas de cansaço em seu rosto. Por um instante, pareceu voltar a ser aquele prisioneiro frágil de Azkaban.

— Ele não está errado, Sirius — eu disse, e minha voz soou estranha aos meus próprios ouvidos.

Desta vez, eu não usei essas palavras para nos defender. Usei para admitir que a parte em que ele acertava era justamente a mais vergonhosa.

— Seu primo... ele arrancou o véu. Nós sempre dissemos a nós mesmos que estávamos combatendo o mal, que Severo era perigoso... mas seu primo nos lembrou de que começamos a perseguição antes mesmo de sabermos o que era o mal.

— Nós éramos crianças, Remus... — Almofadinhas tentou argumentar, mas o protesto saiu fraco, sem convicção.

Ele se sentou pesadamente e cobriu o rosto com as mãos.

— Tiago era... ele era meu irmão. Ouvir meu primo falar dele como um homem que deixou o pior de si sair para brincar... dói.

— E dói mais saber que Harry está sendo punido por isso — completei. — Seu primo nos deu um xeque-mate. Ele não apelou para a nossa moralidade em relação a Severo. Apelou para o nosso amor por Harry. Ele sabe que, por nós mesmos, talvez nunca fôssemos ao encontro de Snape. Mas pelo filho de Tiago...

— Pelo Harry, eu enfrentaria o Lorde das Trevas outra vez — sussurrou Almofadinhas, afastando as mãos do rosto. Seus olhos cinzentos estavam úmidos, mas brilhavam com uma resolução dolorosa. — Mas pedir desculpas ao Ranhoso? Admitir que o grande Tiago Potter e o rebelde Sirius Black foram apenas valentões de escola?

— É o preço da paz, Sirius — respondi, levantando-me e pousando a mão em seu ombro. — Seu primo disse que o Natal é sobre recomeços. Talvez o recomeço de que precisamos não seja apenas a sua liberdade física, mas a nossa libertação desse passado que continuamos arrastando.

Sirius soltou um suspiro longo, como se estivesse expulsando do peito doze anos de amargura acumulada.

— Ele é assustador, Remus. Meu primo. Tem quatorze anos e fez com que nos sentíssemos como se fôssemos nós os alunos em detenção.

— Ele não é apenas um vidente, Sirius — respondi, caminhando em direção à porta. — Ele é a consciência que nunca tivemos coragem de ser. Vamos. Harry está esperando lá fora. Ele merece ver que, apesar dos nossos erros, ainda podemos ser os adultos de que ele precisa.

Fim do POV de Remus LupinO Natal dos Recomeços

A biblioteca ficou para trás, envolta em sombras e reflexões, enquanto Lupin e Sirius Black se recompunham antes de atravessar o portal da sala de estar.

Ao entrarem, o cenário não poderia ser mais diferente.

A árvore de Natal dos Tonks não era apenas grande. Parecia viva, com fadinhas reais piscando entre os ramos e enfeites que mudavam de cor conforme a música mágica tocava ao fundo.

Harry estava sentado no tapete com Rony e Hermione, rindo enquanto tentavam ensinar um Bichento confuso a evitar os Snap Explosivos. Andrômeda e Ninfadora estavam perto da mesa de doces.

Ao ver os dois homens entrarem, Andie percebeu imediatamente a mudança na postura deles. Sirius Black já não tinha aquela energia defensiva. Parecia mais silencioso, mais... presente.

— Finalmente — disse Ninfadora, com o cabelo mudando para um amarelo festivo. — Achei que vocês iam passar a noite inteira discutindo poeira e livros velhos. Harry, o Sirius chegou!

Harry se levantou em um salto, com o rosto iluminado.

— Sirius! Você precisa ver o que Andrômeda me deu. São fotos... fotos do casamento dos meus pais que eu nunca tinha visto!

Sirius Black caminhou até o afilhado. Pousou a mão em seu ombro e olhou para as fotografias. Por um momento, a dor da conversa na biblioteca ameaçou voltar, mas então ele olhou de lado e viu Sirius Tonks observando a cena de um canto da sala, com uma caneca de chocolate quente nas mãos e um aceno de cabeça quase imperceptível.

— São lindas, Harry — disse Sirius Black, com uma voz mais suave do que nunca. — Tiago... ele estaria muito orgulhoso do homem que você está se tornando. E eu... eu vou garantir que você tenha muitas outras lembranças felizes para guardar daqui para frente.

Enquanto o riso de Harry e Rony preenchia a sala, Remus aproximou-se de Sirius Tonks e parou ao seu lado, na penumbra do canto. Observava Sirius Black gesticular com entusiasmo enquanto contava a Harry uma das travessuras de Tiago, mas sua mente ainda estava presa à conversa na biblioteca.

— Sirius... — chamou Lupin em voz baixa, sem tirar os olhos dos amigos. — Como você espera que isso aconteça? Eu estarei em Hogwarts no retorno às aulas, mas Sirius não. Como você planeja que façamos essa... retratação com Severo, se ele não estará lá?

Sirius Tonks deu um gole lento em seu chocolate, com os olhos refletindo o brilho das fadinhas da árvore.

— Eu pretendia conversar com vocês dois amanhã, Professor, mas posso adiantar uma coisa — respondeu, com uma calma que contrastava com a ansiedade de Lupin. — O senhor precisa sair de Hogwarts antes que o semestre termine.



"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."


Notas finais
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