Renascido como um Tonks
12 12 - Acerto de contas!
Notas iniciais
Sirius Tonks levantou-se, ajeitando a túnica com uma calma quase irritante.
— Ele estará lá, diretor. Minha irmã não falha em entregas. O senhor só precisa garantir que o Veritaserum seja administrado diante dos membros do Conselho. Amanhã, o rato finalmente sairá do bueiro.
Dumbledore não respondeu de imediato.
Por um segundo, Harry teve a impressão de que o diretor queria dizer muitas coisas. Advertências. Perguntas. Talvez até conselhos.
Mas nada disso saiu.
Apenas um leve aceno.
Quando Harry e Sirius deixaram o escritório, o corredor estava deserto. As tochas lançavam sombras longas nas paredes de pedra, e o silêncio de Hogwarts parecia diferente naquela noite. Mais pesado. Mais antigo.
Harry caminhou alguns passos antes de olhar para o amigo.
— Você está mesmo pronto para ser advogado dele?
Sirius parou diante de um retrato que mostrava uma paisagem vazia. Por alguns segundos, ficou olhando para as colinas pintadas como se a resposta estivesse ali.
Então virou-se para Harry.
— Harry, eu não passei as últimas semanas estudando apenas com Hermione. Eu estudei cada precedente jurídico do Wizengamot que consegui encontrar desde 1700.
Harry piscou.
— Todos?
— Os relevantes.
— Isso ainda parece muito.
— É. — Sirius deu um pequeno sorriso. — Amanhã não é apenas um julgamento. É o dia em que o Ministério vai aprender que existem segredos que não podem ser enterrados só porque são convenientes para pessoas poderosas.
Harry sentiu um arrepio.
Não de medo.
Ou talvez fosse medo, mas não apenas isso.
Sirius colocou uma mão em seu ombro.
— Durma bem, Harry. Amanhã o mundo vai acordar diferente.
Harry duvidava que conseguiria dormir.
Mas assentiu mesmo assim.
Primeiro de novembro de 1993Átrio do Ministério da MagiaA Chave de Portal os levou ao Átrio do Ministério às sete da manhã.
Harry sentiu o puxão familiar no umbigo, tropeçou ao pousar e quase caiu, mas se manteve em pé. Ao seu lado, Dumbledore aterrissou com a tranquilidade de quem já fizera aquilo milhares de vezes. Sirius Tonks sequer pareceu perder o equilíbrio.
O Átrio estava mais cheio do que Harry esperava para aquele horário.
Bruxos e bruxas atravessavam o salão de mármore escuro em passos apressados, mas muitos paravam assim que reconheciam Dumbledore. Alguns olhavam para Harry. Outros olhavam para Sirius Tonks, tentando entender por que um garoto de treze anos trajava uma túnica preta formal, austera, completamente diferente do uniforme de Hogwarts.
Antes que alguém se aproximasse demais, um grupo de aurores avançou.
À frente deles vinha Rufo Scrimgeour.
Harry nunca o vira pessoalmente antes, mas soube de imediato que aquele homem não precisava erguer a voz para impor presença. Tinha olhos duros, cabelos grisalhos, uma postura leonina e uma expressão de quem já esperava problemas antes mesmo que eles surgissem.
— Dumbledore — disse Scrimgeour, sem rodeios. — O pacote ainda não chegou.
Dumbledore olhou para Sirius Tonks.
Sirius retirou um pequeno espelho do bolso. Tocou a superfície com dois dedos, observou o reflexo por menos de um segundo e o guardou novamente.
Então voltou-se para Scrimgeour.
— Eles estão a caminho. Devem chegar em instantes.
Rufo Scrimgeour estreitou os olhos.
— “Eles”?
Antes que Sirius respondesse, um estalo seco ecoou a alguns metros dali.
O Átrio pareceu prender a respiração.
Ninfadora Tonks apareceu no centro do salão, segurando dois homens algemados.
À sua direita estava Sirius Black.
Harry sentiu o coração parar por um instante.
Sirius Black estava mais saudável do que nas fotos de procurado. Ainda magro demais, ainda marcado por Azkaban, mas limpo, barbeado, com roupas decentes e uma postura que lembrava vagamente algo aristocrático. Havia uma carranca profunda em seu rosto, como se cada músculo do corpo dele protestasse contra as algemas que bloqueavam sua magia.
Mas ele estava ali.
Vivo.
Real.
À esquerda de Dora estava Pedro Pettigrew.
A diferença entre os dois era quase ofensiva.
Pettigrew parecia abatido, mole, pálido, os olhos aquosos saltando de um rosto rechonchudo. As mesmas algemas anuladoras prendiam seus pulsos, mas nele não havia dignidade ferida. Apenas medo.
Medo cru.
Medo de quem sabia que o esconderijo acabara.
O silêncio que se seguiu ao estalo da aparatação foi sepulcral. Funcionários pararam a caminho dos elevadores. Bruxos que seguravam pastas ficaram imóveis. Uma bruxa deixou cair uma pena. Em algum lugar, alguém soltou um arquejo.
A visão era impossível.
O assassino em massa Sirius Black.
O herói morto Pedro Pettigrew.
Ambos vivos.
Ambos algemados.
Escoltados por uma jovem auror de cabelo rosa-choque, como se tivesse feito sozinha o trabalho de metade do departamento de Scrimgeour.
— Black — rosnou Scrimgeour, a mão indo instintivamente para a varinha.
Depois seus olhos foram para o outro homem.
— E Pettigrew. Pelas barbas de Merlin.
— Eles estão sob custódia oficial agora, Scrimgeour — disse Sirius Tonks, dando um passo à frente. — Minha irmã os manteve seguros até aqui. Espero que o Ministério seja capaz de fazer o mesmo nos próximos trinta metros até o elevador.
Dora deu um sorriso de lado, embora a tensão em seus ombros denunciasse que ela estava pronta para reagir a qualquer movimento errado.
— Aqui estão eles, Rufo. Conforme combinado. Tente não deixar o rato fugir pelo bueiro desta vez.
Pettigrew soltou um som agudo, quase um choramingo.
Sirius Black, por outro lado, ergueu a cabeça.
Seus olhos encontraram os de Harry.
Não houve palavras.
Não eram necessárias.
Harry sentiu um nó se formar na garganta. Aquele homem parecia muito menos o fugitivo enlouquecido dos cartazes e muito mais alguém que poderia ter estado nas fotos de casamento de seus pais. Alguém que deveria ter aparecido em aniversários. Alguém que deveria ter lhe contado histórias sobre James e Lily.
Alguém que lhe fora roubado.
Dumbledore colocou uma mão leve no ombro de Harry.
— Mantenha sua mente firme, Harry. Oclumência. O que verá lá embaixo não será fácil.
Harry respirou.
Observou a raiva.
Afastou-a para um canto.
Não a apagou.
Não queria apagá-la.
Apenas não permitiria que ela o controlasse.
Scrimgeour recuperou a voz antes que o Átrio inteiro explodisse em perguntas.
— Levem-nos. Tribunal Dez. Agora. E chamem o Ministro.
Os aurores cercaram Sirius Black e Pettigrew.
Ninguém arriscou tocar em Dora sem pedir espaço primeiro.
Enquanto caminhavam em direção aos elevadores dourados, Sirius Tonks aproximou-se de Harry e falou baixo o bastante para que apenas ele ouvisse:
— Olhe para Pettigrew, Harry. Veja o medo dele. Esse é o medo de quem sabe que a mentira acabou.
Harry olhou.
Pettigrew tremia.
E, pela primeira vez, Harry não viu apenas um traidor. Viu um covarde diante das consequências.
— Hoje não é sobre vingança — Sirius continuou. — É sobre fazê-los dizer a verdade diante de todos.
O elevador desceu.
A voz fria e impessoal da mulher anunciou os níveis como se marcasse a contagem regressiva de uma execução.
— Nível Dez. Tribunal de Justiça.
As portas se abriram para o corredor de pedra escura.
O caminho até o Tribunal Dez foi quase sem impedimentos. Repórteres tentaram se aproximar assim que perceberam quem estava sendo escoltado, mas foram bloqueados pelo cordão de aurores liderado por Scrimgeour. Perguntas ecoavam pelas paredes.
— Black é inocente?
— Pettigrew está vivo?
— Harry Potter vai depor?
— Dumbledore sabia?
Sirius Tonks não olhou para nenhum deles.
Harry tentou fazer o mesmo.
Quando chegaram ao Tribunal Dez, as arquibancadas circulares já estavam lotadas.
Hermione e Rony não estavam ali.
Haviam ficado em Hogwarts, como todos os outros alunos. E, de alguma forma, isso deixava Harry mais consciente do peso do próprio lugar naquele tribunal. Ele não estava ali como parte de um grupo. Não tinha Hermione para sussurrar detalhes legais, nem Rony para soltar uma indignação honesta na hora errada.
Tinha Dumbledore.
Tinha Sirius Tonks.
Tinha o homem que deveria ter sido seu padrinho.
E tinha o traidor dos seus pais sentado a poucos passos dele.
O murmúrio cessou no instante em que a pesada porta de ferro se fechou.
No centro da sala, duas cadeiras de ferro aguardavam com correntes mágicas.
Sirius Black sentou-se na da direita com uma calma tensa, quase aristocrática. Pettigrew foi praticamente empurrado para a da esquerda, soluçando tão alto que o som ecoou nas vigas do teto.
Acima deles, os cinquenta membros do Wizengamot vestiam túnicas cor de ameixa com o “W” bordado em prata.
No centro da bancada elevada, três figuras presidiam a sessão.
Cornélio Fudge, Ministro da Magia, segurava o chapéu-coco com as duas mãos, pálido e suando como se preferisse enfrentar um dragão a estar ali.
Amélia Bones, Chefe do Departamento de Execução das Leis Mágicas, observava tudo através de seu monóculo com um olhar de aço.
Alvo Dumbledore ocupava a cadeira central como Bruxo Chefe do Wizengamot, o rosto neutro, os olhos azuis atentos à bancada da defesa.
Ao lado deles, o escrivão oficial parecia prestes a desmaiar ao ver Pedro Pettigrew vivo e algemado.
Fudge limpou a garganta.
O som ecoou pelo tribunal silencioso.
— Sessão extraordinária do Wizengamot em primeiro de novembro de 1993 — começou ele, a voz falhando levemente. — Para tratar do reexame do caso de Sirius Black e das novas acusações criminais contra Pedro Pettigrew.
Ele respirou fundo.
— Quem apresenta a defesa do réu Black?
Houve um movimento na bancada inferior.
Sirius Tonks deu um passo à frente.
Harry permaneceu ao lado dele, não como advogado, mas como testemunha e símbolo. O Menino que Sobreviveu. O afilhado. O órfão que o sistema havia deixado sem família por doze anos.
Sirius Tonks ergueu o rosto.
— Sirius Tonks, representando a Casa Black por solicitação do último da linhagem direta Black e como portador técnico das evidências apresentadas. Solicito que este tribunal reconheça minha posição como assistente legal e porta-voz da defesa.
Um burburinho percorreu as arquibancadas.
Antes que Fudge respondesse, uma voz doce e venenosa surgiu logo atrás dele.
— Isso é altamente irregular.
Dolores Umbridge inclinou-se para frente, o sorriso de sapo abrindo-se em seu rosto.
— Um aluno? Uma criança querendo brincar de tribunal enquanto adultos discutem a segurança nacional?
Harry sentiu a raiva subir.
Sirius Tonks nem sequer olhou para ela.
Seus olhos estavam em Amélia Bones.
— Pelo Decreto de Direitos de Família de 1722, em casos de ausência de julgamento prévio, prisão sem defesa formal e possível violação de ritos de sangue e herança, o parente sanguíneo apto mais próximo tem direito de fala imediata em defesa do acusado.
Sua voz era clara.
Fria.
Sem uma única hesitação adolescente.
— A menos que o Ministério deseje adicionar violação de direitos ancestrais à lista de erros cometidos nos últimos doze anos.
O silêncio que se seguiu foi delicioso de tão desconfortável.
Amélia Bones observou Sirius por alguns segundos.
Então assentiu.
— O direito é legítimo, Ministro. Prossiga, Sr. Tonks.
Sirius Black olhou para o primo mais novo.
Não sorriu.
Mas inclinou a cabeça em um gesto silencioso.
Gratidão.
Reconhecimento.
Sirius Tonks não perdeu tempo.
Apontou para Pettigrew.
— Não estamos aqui para debater opiniões. Estamos aqui para confrontar a verdade. O Ministério construiu sua versão sobre um dedo, corpos trouxas, testemunhos confusos e a risada quebrada de um homem que acabara de perder tudo.
O rosto de Sirius Black endureceu.
— Hoje — continuou Sirius Tonks —, temos a prova física que faltava. Mas, para que não reste dúvida de que esta corte busca justiça e não apenas uma forma elegante de salvar a própria face, a defesa exige que Pedro Pettigrew seja interrogado imediatamente sob Veritaserum.
O tribunal explodiu.
Vozes se ergueram em todos os lados.
Fudge ficou roxo.
— Veritaserum? Em julgamento aberto? Isso é... isso é extremo!
Harry falou pela primeira vez.
Sua voz não foi alta.
Mas cortou o barulho como uma lâmina.
— Extremo, Ministro, foi meu padrinho passar doze anos no inferno por um crime cometido pelo rato que o senhor chamou de herói.
O tribunal congelou.
Amélia Bones bateu o martelo.
— Ordem!
O eco se espalhou pelas paredes de pedra.
Ela olhou para Harry Potter.
Viu o menino de treze anos encarando o Ministro da Magia não como uma criança diante de autoridade, mas como uma vítima diante do sistema que falhara com sua família.
Depois olhou para Sirius Tonks.
Outro menino de treze anos.
Mas, naquele tribunal, muitos advogados adultos não teriam se mantido com tanta firmeza.
Amélia tomou a decisão.
Rápida.
Prática.
Necessária.
— Administrem a poção.
Fudge abriu a boca.
— Amélia—
— Ministro, se há uma forma de esclarecer os fatos diante deste Conselho, ela será usada.
Dumbledore ergueu uma mão, pedindo calma.
— Que o oficial traga o Veritaserum do estoque do Ministério. Vamos ouvir o que o Sr. Pettigrew tem a dizer.
Um silêncio fúnebre caiu sobre o Tribunal Dez.
O oficial se aproximou com um pequeno frasco de cristal.
Pedro Pettigrew começou a sacudir a cabeça freneticamente.
— Não, não, por favor, eu não posso, eu não—
As correntes da cadeira apertaram seus pulsos e tornozelos, prendendo-o no lugar.
Ele tentou fechar a boca.
Um auror segurou seu queixo.
Três gotas caíram em sua língua.
Quase instantaneamente, os olhos de Pettigrew ficaram vidrados. O terror em seu rosto deu lugar a um vazio opaco. Os soluços cessaram.
Amélia Bones inclinou-se para frente.
— Nome completo.
— Pedro Pettigrew.
Um suspiro coletivo percorreu as arquibancadas.
Ver o “morto” dizer o próprio nome sob Veritaserum era a confirmação que muitos ainda tentavam evitar.
Amélia olhou para Sirius Tonks.
— A defesa pode iniciar o interrogatório.
Sirius deu um passo à frente.
— Pedro Pettigrew — começou ele, a voz gélida ecoando no tribunal —, no dia 31 de outubro de 1981, você era o Fiel do Segredo de Tiago e Lílian Potter?
— Sim.
O som foi pequeno.
Mas devastador.
Sirius Black fechou os olhos.
Harry sentiu o chão parecer se afastar por um segundo.
Sirius Tonks continuou:
— Você entregou a localização deles a Lorde Voldemort?
— Sim.
O burburinho voltou mais alto.
Desta vez, nem o martelo de Amélia o silenciou de imediato.
Fudge parecia prestes a desmaiar. Dolores Umbridge estava de boca aberta, o sorriso de sapo desaparecido. Alguns membros do Wizengamot começaram a sussurrar entre si com expressões de horror. Outros olhavam para Sirius Black como se o vissem pela primeira vez.
Harry deu um passo.
— Por quê?
A pergunta saiu baixa.
Mas todos ouviram.
Pettigrew virou lentamente os olhos vidrados na direção dele.
— Ele estava ganhando — murmurou. — O Lorde das Trevas ia dominar tudo. O que eu ganharia morrendo com os Potter? Sirius teria morrido por eles. Eu não.
Harry sentiu algo dentro de si queimar.
Sirius Tonks não deixou o tribunal se afogar na emoção daquele momento.
— O que aconteceu na rua trouxa, dias depois, quando Sirius Black o confrontou?
Pettigrew respondeu no mesmo tom vazio:
— Eu gritei para os trouxas ouvirem que ele era o traidor. Cortei meu dedo. Lancei um feitiço explosivo para trás, atingindo o duto de gás. Depois me transformei.
— Em que você se transformou?
— Em um rato.
— Sirius Black matou os doze trouxas naquela rua?
— Não.
— Sirius Black matou você?
— Não.
— Sirius Black era Comensal da Morte?
— Não.
— Sirius Black traiu Tiago e Lílian Potter?
— Não.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
Sirius Tonks não perguntou onde Pettigrew havia se escondido.
Não perguntou sob qual nome vivera.
Não perguntou em que casa se abrigara.
Aquele detalhe ficaria fora do tribunal por enquanto.
Não por misericórdia ao traidor, mas porque havia verdades que precisavam ser entregues às pessoas certas, no momento certo. Ronald Weasley ainda teria seu próprio choque. Sua própria raiva. Sua própria sensação de ter sido violado por uma mentira que dormiu em sua cama por anos.
Mas não ali.
Não diante do Wizengamot.
Não como espetáculo para o Profeta Diário.
Amélia Bones bateu o martelo uma vez.
Seu rosto estava transfigurado por uma fúria contida.
— Creio que não há necessidade de mais perguntas.
Ela olhou para Fudge, pálido como um fantasma, depois para os membros do Wizengamot.
— A evidência é absoluta. Sirius Black nunca foi o Guardião do Segredo. Nunca matou aqueles trouxas. Nunca assassinou Pedro Pettigrew. E Pedro Pettigrew nunca foi um herói.
Dumbledore levantou-se.
Sua presença preencheu o tribunal como uma luz dourada e imponente.
— Membros do Wizengamot — anunciou —, diante da confissão sob Veritaserum, das memórias apresentadas e da presença física de Pedro Pettigrew, coloco em votação a absolvição imediata de Sirius Orion Black de todas as acusações, bem como a restauração de seus direitos civis, familiares e patrimoniais como cidadão bruxo e membro da Casa Black.
Mãos se ergueram quase imediatamente.
A maioria esmagadora.
Algumas, próximas a Fudge e Umbridge, hesitaram.
Então subiram também.
Dumbledore prosseguiu:
— Quem vota pela condenação de Pedro Pettigrew por alta traição, colaboração com Lorde Voldemort, assassinato de doze trouxas, falsificação da própria morte e obstrução deliberada da justiça?
Desta vez, todas as mãos subiram.
Até Fudge ergueu a sua, embora parecesse fazer isso contra a própria vontade.
O martelo de Amélia Bones caiu.
— Assim decidido.
Por alguns segundos, ninguém se moveu.
Então Sirius Tonks olhou para os aurores junto à cadeira de Sirius Black.
Os aurores olharam para Amélia.
Ela assentiu.
As correntes mágicas da cadeira de Sirius Black se abriram com um tilintar metálico.
O som pareceu atravessar o tribunal inteiro.
Sirius Black levantou-se devagar.
Ainda magro.
Ainda marcado.
Ainda com sombras profundas demais nos olhos.
Mas livre.
Sirius Tonks caminhou até ele e estendeu a mão.
— Bem-vindo de volta à família, primo — disse baixo, apenas para ele ouvir.
Sirius Black olhou para a mão.
Depois para o garoto que havia arrancado sua vida das mandíbulas do inferno jurídico.
Por um instante, pareceu prestes a responder.
Mas então seus olhos foram para Harry.
Harry já estava se movendo.
Cruzou o espaço do tribunal em segundos.
Sirius Black abriu os braços.
O abraço não foi bonito.
Não foi composto.
Não foi digno como as manchetes talvez tentassem descrever depois.
Foi desesperado.
Harry agarrou o homem como se, se soltasse, ele pudesse desaparecer novamente. Sirius Black segurou Harry com a força de alguém que passou doze anos sem poder cumprir a promessa mais importante da própria vida.
Harry sentiu o cheiro de tecido limpo, poção cicatrizante e algo que lembrava frio antigo.
Sentiu uma mão trêmula em seus cabelos.
Ouviu Sirius Black sussurrar:
— Harry... me desculpe. Me desculpe.
Harry fechou os olhos.
— Você voltou.
Sirius Black soltou um som quebrado, algo entre riso e choro.
— Eu voltei.
No canto do tribunal, aurores arrastavam Pedro Pettigrew, agora consciente e gritando, para fora da sala. Ele chorava, implorava, chamava nomes que ninguém mais queria ouvir.
Ninguém olhava para ele.
O mundo bruxo estava focado no menino que sobreviveu e no homem que, finalmente, era livre para ser seu padrinho.
Na bancada elevada, Dumbledore observava a cena com olhos cansados e úmidos.
Amélia Bones mantinha a postura firme, mas sua expressão havia suavizado.
Fudge parecia destruído.
E, por um breve momento, os olhos dos três se desviaram para Sirius Tonks.
O garoto de treze anos estava parado ao lado da cadeira vazia de Sirius Black, silencioso, com as mãos atrás das costas e o rosto sereno.
Não comemorava.
Não buscava aplausos.
Não sorria para os repórteres que rabiscavam freneticamente.
A justiça havia sido feita.
Mas todos os adultos importantes naquele tribunal compreendiam a mesma coisa:
aquela justiça não havia acontecido por acaso.
Ela fora construída.
Planejada.
Forçada.
E o arquiteto era um garoto que ainda deveria estar preocupado com deveres de Transfiguração, jogos de quadribol e detenções escolares.
Sirius Tonks olhou uma última vez para Harry e Sirius Black abraçados.
Só então permitiu que um pequeno sorriso surgisse.
Não de triunfo.
De alívio.
A mentira de doze anos estava morta.
E, pela primeira vez desde que chegara àquele mundo, Sirius Tonks sentiu que talvez fosse possível vencer não apenas salvando vidas, mas devolvendo-as a quem nunca deveria tê-las perdido.
"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."
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