Renascido como um Tonks

13 13 - O Peso da Liberdade


Notas iniciais
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Enquanto Harry e Sirius Black permaneciam abraçados, o momento pareceu congelar no centro frio do tribunal.

Por alguns segundos, todo o resto perdeu importância.

As arquibancadas. Os membros do Wizengamot. Os jornalistas autorizados. Os flashes das câmeras. O burburinho crescente de bruxos e bruxas que acabavam de testemunhar a queda de uma mentira sustentada por doze anos.

Depois, pouco a pouco, o mundo voltou a se mover.

Os murmúrios cresceram. Penas começaram a correr sobre pergaminhos. Flashes dispararam outra vez, capturando a imagem que certamente estaria na primeira página de todos os jornais do mundo bruxo no dia seguinte.

Sirius Tonks aproximou-se dos dois, mantendo a postura vigilante.

Ele sabia que o alívio era real.

Mas também sabia que era temporário.

A política nunca dormia.

— Sirius. Harry — chamou suavemente. — Precisamos sair daqui. Fudge está tentando recuperar a compostura, e a imprensa vai nos cercar em segundos.

Sirius Black soltou Harry devagar, embora suas mãos ainda permanecessem nos ombros do afilhado. Seus olhos estavam úmidos, mas havia neles um brilho de vida que Harry nunca tinha visto antes.

Ele olhou para o primo mais novo e assentiu com respeito solene.

— Você tem razão. Vamos para casa.

Sirius Black hesitou.

A palavra “casa” pareceu estranha em sua boca, como se ainda pertencesse a outra pessoa.

Então olhou para Harry.

— Harry, você vem comigo?

— Onde quer que você vá — Harry respondeu, sem hesitar.

Antes que Sirius Tonks pudesse explicar que os dois ainda precisariam voltar a Hogwarts, a voz de Dumbledore desceu da tribuna.

— Receio que o Sr. Potter ainda precise retornar a Hogwarts para terminar o semestre.

O diretor caminhava em direção a eles, flanqueado por Amélia Bones, que parecia profundamente pensativa.

— No entanto — continuou Dumbledore —, como Sirius Black agora é um homem livre e o guardião legal designado pelos Potter, as formalidades para sua custódia permanente serão tratadas imediatamente.

Amélia Bones parou diante de Sirius Tonks.

Por um longo momento, estudou o garoto através do monóculo.

— Sr. Tonks — disse ela, com uma voz que misturava severidade e admiração. — O senhor demonstrou conhecimento jurídico e disciplina que raramente vejo em aurores veteranos. Espero que, no futuro, considere o Departamento de Execução das Leis Mágicas como destino para seus talentos. O Ministério precisa de mentes que não se deixem cegar pelo óbvio.

Sirius Tonks inclinou a cabeça com cortesia impecável.

— Ficarei lisonjeado em considerar, Diretora Bones. Mas, por enquanto, meu foco permanece na minha educação e na segurança dos meus amigos.

Ao fundo, Fudge tentava desesperadamente dar entrevistas. Repetia que “o Ministério sempre esteve aberto a novas evidências”, mas quase ninguém prestava atenção nele.

O poder havia mudado de mãos naquele dia.

Eles deixaram o Tribunal Dez sob escolta de Rufo Scrimgeour e Ninfadora Tonks.

No Átrio, a multidão era ainda maior. Pessoas que, até poucas horas antes, temiam o nome de Black agora aplaudiam sua passagem. A ironia não passou despercebida por Sirius Tonks.

Antes que Harry e Sirius Tonks pegassem a Chave de Portal de volta para Hogwarts, Sirius Black puxou o primo mais jovem de lado.

— Por que você fez tudo isso? — perguntou, a voz rouca. — Você mal me conhecia. Colocou sua vida e sua reputação em risco por um homem que todos diziam ser um monstro.

Sirius Tonks olhou para o horizonte do Átrio, onde a estátua da Fonte dos Irmãos Mágicos brilhava.

— Porque eu vi o que aconteceria se eu não fizesse nada, primo — respondeu. — E porque eu sei que você foi o único que ficou do lado da minha mãe quando ela foi expulsa da família.

Ele então olhou para Harry.

— E principalmente porque Harry merece uma família. O resto... bem, o resto é apenas o resto.

Com um estalo, Harry e Sirius Tonks desapareceram.

Deixaram para trás um Ministério em chamas e um Sirius Black que, pela primeira vez em doze anos, sentia o vento da liberdade no rosto.

POV de Sirius Black

Eu fiquei olhando para o lugar de onde Harry e meu primo tinham acabado de desaparecer.

Por alguns segundos, não me movi.

Eu havia esquecido.

Ou talvez tivesse enterrado.

A injustiça feita com Andrômeda.

Na época, eu não pude mudar nada. Era jovem demais, quebrado demais pela minha própria guerra contra a família. Mas agora, depois de tudo que aconteceu graças ao filho dela, eu podia corrigir ao menos parte desse erro.

Eu nunca fui o homem responsável o bastante para cuidar da Casa Black.

Talvez nunca tenha sido feito para isso.

Mas ainda era um Black.

E, pela primeira vez em muitos anos, não senti vergonha disso.

Respirei fundo, sentindo o ar frio do Átrio entrar nos meus pulmões.

Não tinha gosto de desespero.

Não tinha o frio dos Dementadores.

Era apenas ar.

Ar livre.

Se o filho de Andrômeda pôde ser meu advogado e me devolver a vida, o mínimo que eu podia fazer era devolver a ela o lugar que nunca deveria ter perdido.

Olhei para Ninfadora, que ainda estava por perto, observando-me com uma mistura de curiosidade e dever profissional.

— Sua mãe... ela está em casa? — perguntei.

Minha voz ainda saiu instável.

Dora sorriu, e o rosa de seu cabelo pareceu brilhar um pouco mais.

— Ela não saiu de perto do rádio ou das corujas o dia todo, Sirius. Acho que está esperando você para o jantar.

Assenti.

Um calor estranho, quase esquecido, cresceu no meu peito.

Eu tinha uma família.

Eu tinha um afilhado para criar.

E tinha uma dívida de honra com um garoto de treze anos que via o mundo com olhos de ancião.

Fim do POV de Sirius Black

O Retorno a Hogwarts

O estalo da Chave de Portal depositou Harry e Sirius Tonks exatamente no centro do gabinete de Dumbledore.

O silêncio do castelo pareceu surreal depois do caos ensurdecedor do Ministério. Harry ainda sentia o calor do abraço de Sirius Black em suas vestes, e sua mente parecia estar a quilômetros dali, imaginando como seria uma vida longe dos Dursley.

— Um dia memorável — disse Dumbledore, caminhando em direção à mesa com cansaço visível, mas também certa satisfação. — Sr. Potter, creio que a Srta. Granger e o Sr. Weasley estão prestes a abrir um buraco no tapete da Sala Comunal de tanto andar de um lado para o outro.

Harry sorriu.

Foi a primeira alegria genuína e leve que sentiu em anos.

— Obrigado, diretor. Por tudo.

Dumbledore olhou para ele com suavidade.

— Não, Harry. Eu é que agradeço a vocês. Agradeço a coragem de enfrentar a verdade de uma maneira que eu mesmo não pensei em fazer.

Então seus olhos foram para Sirius Tonks, que já estava perto da porta, com as mãos nos bolsos, parecendo ter acabado de voltar de um passeio comum, não de um julgamento histórico.

— Sr. Tonks... o mundo vai querer saber como um aluno do terceiro ano orquestrou o que o Wizengamot falhou em fazer por mais de uma década.

Sirius não se virou.

— Deixe que eles se perguntem, professor. Que o mistério mantenha o Ministério ocupado. Se passarem tempo tentando me entender, deixarão Harry e meu primo em paz por um tempo.

Na Sala Comunal da Grifinória

Quando o retrato da Mulher Gorda se abriu, o som foi como uma explosão.

Quase todos os alunos da Grifinória estavam ali. Rony e Hermione foram os primeiros a chegar, atropelando quem estivesse na frente.

— E ENTÃO?! — gritou Rony, a voz falhando de ansiedade.

Harry não precisou dizer nada.

Apenas levantou o polegar e abriu um sorriso largo.

O grito que veio em seguida foi tão alto que os retratos nos corredores reclamaram. Hermione se atirou nos braços de Harry, chorando de alívio, enquanto Rony dava tapas frenéticos nas costas do amigo.

— Ele é livre, Rony! — Harry exclamou. — Ele é inocente, e Pettigrew foi levado para Azkaban!

A festa explodiu ao redor dele.

Neville sorria timidamente. Fred e Jorge já pareciam planejar uma comemoração épica. Vários grifinórios gritavam perguntas ao mesmo tempo, mas Harry mal conseguia responder. Estava sorrindo demais para isso.

Sirius Tonks permaneceu na periferia da celebração.

Observava tudo em silêncio.

Então sentiu um olhar sobre si.

No canto da sala, Hermione se soltou de Harry e caminhou até ele.

— Você mudou tudo, não foi? — sussurrou, para que apenas ele ouvisse. — Não foi apenas sorte. Você sabia exatamente o que ia acontecer.

Sirius Tonks olhou para a lareira, onde as chamas dançavam.

— Eu apenas fiz o que qualquer um no meu lugar deveria fazer, certo, Hermione?

Ele então olhou de volta para ela.

— Agora... vamos continuar buscando um final onde todos nós possamos sorrir juntos.

Uma casa no campo, sul da Inglaterra17h40 do dia do julgamento

Sirius Black parou diante da porta da casa.

Olhou para ela com uma tristeza difícil de nomear.

Visitara Andrômeda apenas uma vez depois de sair da residência Black e ir morar com os Potter. Na época, era jovem, cheio de sonhos, desafios e raiva suficiente para fingir que o passado não importava. Depois veio a guerra contra Voldemort, e ele nunca mais pensou na prima como deveria.

Até aquele dia.

E sentia vergonha por isso.

Andrômeda havia sido a primeira a lutar de verdade contra o controle da família. Ela fora sua inspiração, a prova de que era possível romper com aquela escuridão. Mesmo assim, ele a visitara apenas uma vez. Nunca se preocupara em conhecer a família que ela construiu.

E, no fim, foi essa família que o salvou.

Ele devia muito à prima.

— Vamos, o que você está fazendo aí parado?

Ninfadora, já com a porta aberta, virou-se e viu Sirius Black parado diante da casa, uma lágrima escorrendo por seu rosto.

Ela estreitou os olhos.

— Você está chorando?

— Claro que não!

Sirius limpou rapidamente o rosto.

— Caiu um cisco no meu olho.

Dora assentiu com exagerada compreensão.

— Claaaro. Entendo. Bom, agora que limpou o “cisco” do olho, primo, vamos entrar?

Sirius respirou fundo e atravessou o batente da porta.

O interior da casa era o oposto da Mansão Black.

Quente.

Iluminado.

Com cheiro de chá e ervas.

No centro da sala, uma mulher de cabelos castanhos e olhos que ainda guardavam a altivez aristocrática dos Black — mas suavizada por bondade — deixou cair a xícara que segurava ao vê-lo.

— Sirius...

A voz de Andrômeda foi pouco mais que um sussurro.

— Andie.

Sirius parou no meio da sala.

De repente, sentiu-se pequeno sob o olhar dela.

— Eu... eu sinto muito. Por tudo. Pelo tempo que perdi. Pelo que o filho de vocês teve que fazer por minha causa.

Andrômeda não respondeu.

Atravessou a sala em passos rápidos e o envolveu em um abraço apertado, o tipo de abraço que Sirius não recebia de alguém da família havia mais de uma década.

— Não peça desculpas por estar vivo, Sirius — disse ela contra o peito dele. — Meu filho fez o que um Tonks deveria fazer. Protegeu o primo que eu amava, não o sangue dele. E hoje você não é mais um fugitivo. Você é o Sirius que eu conheci. O menino que se recusava a se curvar.

Ninfadora observava a cena encostada no batente da porta, o cabelo mudando para um tom suave de rosa-chiclete.

— Bom, agora que as lágrimas acabaram, estou morrendo de fome. E acho que o primo Sirius precisa de um banho e de roupas. Agora que ele é um homem livre, devemos ir ao Beco Diagonal. Ele só tem roupas trouxas até agora.

Sirius olhou para as próprias mãos.

Ainda estavam magras.

Mas já não tremiam sob o peso das algemas ou do frio dos Dementadores.

Ele olhou para Ninfadora.

Depois para Andrômeda.

— Um homem livre — repetiu.

A palavra finalmente pareceu se encaixar em sua mente.

— Eu sou um homem livre. Posso caminhar sob o sol. Posso... posso levar Harry para tomar um sorvete na Florean Fortescue.

Um sorriso largo, o primeiro sorriso verdadeiro em doze anos, iluminou seu rosto. Por um instante, ele pareceu anos mais jovem.

Andrômeda sorriu também.

— Dora tem razão, Sirius. Você não pode aparecer no Beco Diagonal ou em Hogwarts para buscar Harry vestindo esses trapos trouxas ou essas túnicas de prisioneiro do Ministério. Amanhã iremos ao Beco Diagonal. Precisamos de vestes novas, uma varinha nova e, principalmente, precisamos que o mundo veja que o herdeiro da Casa Black não está apenas livre, mas mais forte do que nunca.

Um brilho travesso surgiu nos olhos de Sirius.

— Então eu quero as vestes mais elegantes que o ouro dos Black puder comprar. Se vamos chocar a sociedade bruxa, que seja com estilo.

Mas, tão rápido quanto veio, o brilho vacilou.

Algo se assentou sobre ele.

Responsabilidade.

Uma coisa que ele havia deixado para trás havia muito tempo.

O peso do anel de sinete que ele tecnicamente herdara parecia queimar em um dedo invisível.

Sirius olhou ao redor daquela casa vibrante.

Depois olhou para a prima.

— Andie...

A voz dele ganhou uma gravidade nova.

— Eu sou o último. O último herdeiro homem. Tenho o poder de desfazer o que meu avô e meu tio fizeram. Quero reintegrar você oficialmente. Quero que assuma a liderança da Família Black. Você é a única de nós que tem juízo e força para limpar aquele nome.

Andrômeda parou.

Olhou para Sirius com carinho triste, mas balançou a cabeça com firmeza inabalável.

— Não, Sirius. Eu agradeço o gesto, de verdade. Mas eu não sou uma Black.

Ela segurou a mão dele.

— Fui expulsa, queimada da tapeçaria, e foi a melhor coisa que já me aconteceu. Eu sou uma Tonks. Foi esse nome, e o homem que me deu esse nome, que me permitiram criar a família dos meus sonhos. Eu não voltaria para aquela escuridão nem por todo o ouro de Gringotes.

Sirius olhou para Ninfadora.

Ela assentiu, orgulhosa do nome que carregava.

Um silêncio profundo se instalou na sala, quebrado apenas pelo estalar da lenha na lareira.

Então Sirius compreendeu.

A linhagem Black estava podre havia gerações. Tentar limpá-la seria como tentar limpar um pântano com as mãos.

— Você tem razão — sussurrou.

Uma resolução de aço brilhou em seus olhos.

— A Nobre e Milenar Casa Black termina comigo. Eu serei o último a carregar esse fardo.

Ele se levantou.

Parecia mais alto.

Mais livre do que estivera no tribunal.

— Por tudo que você e sua família fizeram por mim... por terem me dado um filho que me salvou quando todos me abandonaram... eu tomei uma decisão. Vou manter apenas o suficiente para garantir o futuro de Harry até que ele possa receber e administrar todos os negócios dos Potter, e uma vida confortável para mim.

Andrômeda ficou imóvel.

Sirius continuou:

— Todo o resto, as propriedades, os cofres ancestrais, as relíquias, eu vou doar para a família Tonks.

— Sirius, não...

Ele a interrompeu antes que ela pudesse protestar.

— É minha última vontade como herdeiro, Andie. Se o ouro dos Black serve para alguma coisa, que sirva para fortalecer a única linhagem que prestou. O nome Black vai morrer, mas o sustento que ele acumulou vai garantir que os Tonks nunca mais precisem se preocupar com nada. É a minha justiça.

Ninfadora soltou um assobio baixo, surpresa com a magnitude da decisão.

Andrômeda apenas abraçou o primo novamente, chorando em silêncio pela liberdade que ele finalmente estava dando a si mesmo.



"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."


Notas finais
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