Renascido como um Tonks

11 11 - Julgamento marcado, quase lá.


Notas iniciais
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Ponto de Vista de Alvo Dumbledore

Quando Minerva entrou em meu escritório e informou que o jovem Sirius Tonks solicitava uma audiência, o doce de limão que eu estava saboreando pareceu, de repente, muito mais ácido do que deveria.

— Ele pediu para vir? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Minerva permaneceu perto da porta, séria demais para que eu tratasse a situação como mera curiosidade estudantil.

— Sim, Alvo. De maneira muito formal. Disse que acredita que o diretor tem perguntas que merecem respostas diretas.

Por um instante, fiquei em silêncio.

Depois, contra meu melhor julgamento, sorri.

Que audácia extraordinária.

Passei a última semana observando o jovem Tonks de longe, tentando compreender o desenho que se formava ao redor dele. Harry Potter treinado em Oclumência. Memórias extraídas com precisão incomum. Sirius Black e Pedro Pettigrew sob custódia de alguém. Um pedido de julgamento público feito não como súplica, mas como movimento político.

E agora, em vez de esperar que eu o chamasse, Sirius Tonks decidia bater à porta.

Não como um aluno culpado.

Como alguém que sabia que eu já o havia encontrado.

— Traga-o amanhã às oito, Minerva — respondi. — E peça aos elfos que preparem chá de camomila. Suspeito que precisaremos de algo para acalmar os nervos.

Minerva estreitou os olhos.

— Os dele ou os seus?

— Talvez ambos. Mas, se minhas suspeitas estiverem corretas, receio que principalmente os meus.

Ela não sorriu.

Quando Minerva saiu, recostei-me na cadeira e deixei o silêncio do escritório me envolver. Os retratos nas paredes fingiam dormir, mas eu conhecia bem demais aqueles antigos diretores para acreditar na encenação.

Fawkes observava de seu poleiro, imóvel, os olhos brilhando como brasas antigas.

Se Sirius Tonks era realmente um vidente, ele sabia o que eu perguntaria.

E, se sabia o que eu perguntaria, já havia decidido quais respostas me daria.

Aquilo não seria uma detenção.

Nem uma investigação.

Seria uma conferência de cúpula com um menino de treze anos.

E essa constatação me inquietava mais do que eu gostaria de admitir.

Na noite seguinte, exatamente às oito, a porta do escritório se abriu.

Sirius Tonks entrou com uma postura que desmentia sua idade. Não olhou para os instrumentos de prata com curiosidade juvenil. Não observou os retratos com reverência. Não buscou Fawkes com o assombro que tantos alunos demonstravam ao vê-lo pela primeira vez.

Ele olhou diretamente para mim.

Como se todo o resto já estivesse catalogado em sua mente.

— Boa noite, diretor — disse ele, com uma inclinação de cabeça perfeitamente polida.

— Boa noite, Sirius. Sente-se, por favor. Aceita um doce de limão?

Ofereci o pote com o gesto familiar de um diretor tentando estabelecer terreno conhecido com um aluno.

Sirius se sentou.

Recusou o doce com um gesto suave.

— Agradeço, professor, mas não.

Minerva estava presente, sentada um pouco ao lado, como testemunha e, talvez, como âncora para ambos. Notei que seus olhos não deixavam Sirius por muito tempo. Ela também queria respostas. Talvez até mais do que eu.

Antes que eu pudesse formular a primeira das perguntas cuidadosamente preparadas — sobre as memórias, sobre Oclumência, sobre Pedro Pettigrew — Sirius me desarmou.

— Diretor, antes de começarmos, gostaria de deixar algo claro.

A voz dele não carregava arrogância.

Isso talvez a tornasse mais inquietante.

Era uma voz calma. Certa. Uma voz que parecia pertencer a alguém que já havia vivido tempo demais para se impressionar com meu escritório.

— Eu não quero controlar nada — continuou ele. — Cargos, títulos, o Ministério, o Wizengamot ou a maneira como o senhor tenta equilibrar este mundo. Para mim, tudo isso é exatamente o que parece: o resto.

Minha mão ficou imóvel a meio caminho do pote de doces.

Em todos os meus anos, ouvi bruxos clamarem por poder. Ouvi outros dizerem que não o desejavam enquanto o agarravam com unhas, dentes e justificativas nobres. Mas raramente ouvi alguém descartar a estrutura do mundo mágico com tanto desdém indiferente.

Não era rebeldia adolescente.

Era hierarquia de prioridades.

E, naquela hierarquia, quase tudo que sustentava minha vida pública estava abaixo do que ele realmente considerava importante.

— O que eu quero, professor — Sirius continuou, os olhos fixos nos meus — é evitar tragédias. Tragédias que sei que estão por vir. Tragédias que o senhor, com toda a sua sabedoria, às vezes não consegue impedir porque está ocupado demais tentando manter o equilíbrio do resto.

O silêncio que se seguiu pareceu absoluto.

Até os retratos pareceram prender a respiração.

Naquele momento, uma parte de mim soube.

Minhas suspeitas sobre o Dom deixaram de parecer hipótese e passaram a parecer constatação.

Sirius Tonks não se via como um enxadrista tentando vencer o jogo.

Ele se via como alguém tentando salvar peças de um incêndio que apenas ele podia enxergar.

— Evitar tragédias é um objetivo nobre, Sirius — respondi, percebendo que minha voz soava mais rouca do que eu pretendia. — Mas o resto, como você diz, é o que mantém nossa sociedade unida.

— A sociedade não importa para quem está morto, diretor.

Minerva se moveu levemente na cadeira.

Sirius não olhou para ela.

— Minha prioridade são as vidas. A do meu primo foi a primeira. A de Harry será a próxima. E o senhor sabe, tanto quanto eu, que existem outras na lista.

Outras na lista.

As palavras ecoaram pelo escritório como uma sentença.

Senti o peso de segredos antigos se mover dentro de mim. Profecias guardadas. Nomes mortos. Erros que nunca deixavam de cobrar juros. A terrível sensação de que aquele menino talvez soubesse demais não apenas sobre o passado, mas sobre os caminhos escuros à frente.

— Outras vidas — repeti. — Você fala com uma certeza que muitos videntes passariam a vida tentando alcançar. Mas o futuro é um mar de possibilidades, Sirius. Nem sempre o que vemos é o que deve ser.

Sirius deu um sorriso tênue.

Havia uma melancolia profunda nele.

— Para alguns, o futuro é um mar. Para mim, professor, ele é um mapa de cicatrizes.

Minerva ficou imóvel.

Eu também.

— Eu não vim debater Adivinhação — Sirius continuou. — Vim entregar ao senhor o que precisa para que o julgamento de Sirius Black não seja apenas um circo político, mas uma vitória real.

Ele se inclinou levemente para frente.

A atmosfera do escritório pareceu se comprimir.

— O Ministério está ganhando tempo porque teme que o senhor não tenha o corpo do crime. Eles esperam que a ausência de Pedro Pettigrew transforme as memórias em provas tecnicamente contestáveis sob pressão. Pois bem: Pedro Pettigrew será entregue no Átrio do Ministério exatamente duas horas antes do início da sessão. Minha irmã, Ninfadora Tonks, garantirá que ele chegue vivo e devidamente contido.

Minerva aspirou baixo.

Eu observei o garoto diante de mim, processando a precisão logística do plano.

Ele não estava apenas me dando uma solução.

Estava orquestrando o Ministério por meu intermédio.

E o fazia com a tranquilidade de quem já havia decidido quais riscos eram aceitáveis.

— E em troca dessa colaboração, Sirius? — perguntei, buscando seus olhos por trás dos óculos de meia-lua. — O que espera de mim, além da justiça para seu primo?

Sirius não respondeu de imediato.

Quando falou, a voz estava mais baixa.

Mais dura.

— Que o senhor pare de olhar para Harry como um sacrifício necessário e comece a prepará-lo como um sobrevivente.

A frase atingiu mais fundo do que qualquer acusação direta.

Por um instante, vi Harry bebê no colo de Hagrid. Vi a cicatriz. Vi a profecia. Vi as decisões tomadas em noites longas, sempre justificadas por necessidade, sempre envoltas no veneno doce do Bem Maior.

Sirius se levantou.

— O senhor cuida do resto, diretor. Das tragédias, eu cuido.

Minerva abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.

Sirius caminhou até a porta.

Então parou.

Seu olhar subiu para o retrato de Phineas Nigellus Black, que o observava com uma mistura de choque, irritação e algo que poderia ser orgulho ancestral.

— Ah, e diretor — Sirius acrescentou, voltando-se parcialmente para mim —, eu atuarei como assistente legal e porta-voz da defesa de meu primo no dia do julgamento. Dada minha ligação familiar e meu conhecimento das provas, é a forma mais eficiente de impedir que o Ministério transforme a audiência em teatro.

— Isso é altamente incomum para alguém da sua idade — Minerva disse, enfim recuperando a voz.

Sirius olhou para ela.

— Concordo, professora. Mas legalmente inconveniente não significa legalmente impossível.

Phineas soltou uma risada seca em seu retrato.

Eu ignorei.

Sirius voltou a atenção para mim.

— Também solicito formalmente que Pedro Pettigrew seja interrogado sob Veritaserum, diante do Wizengamot, após confirmação de sua identidade e estado mental.

— Você pensou em tudo — murmurei.

— Não. Só no que importa.

A resposta não teve vaidade.

Isso a tornou pior.

Ele abriu a porta, mas antes de sair lançou um último olhar para mim.

— Não tente rastrear minha irmã ou Pedro Pettigrew antes da hora. Se o senhor forçar o véu cedo demais, o mapa muda. E garanto que não gostará da nova rota.

Então saiu.

A porta se fechou.

O chá de camomila permaneceu intocado.

O silêncio no escritório foi ensurdecedor.

Olhei para Fawkes.

A fênix soltou um pio baixo, triste.

Pela primeira vez em muitos anos, perguntei-me se o Bem Maior não acabara de encontrar alguém que não precisava de justificativas morais grandiosas.

Apenas de resultados.

Fim do Ponto de Vista de Alvo Dumbledore

Três dias depois da conversa entre Sirius Tonks e Alvo Dumbledore, o Grande Salão acordou com o som de centenas de asas.

As corujas chegaram em massa naquela manhã de segunda-feira, e o Profeta Diário não caiu sobre as mesas como jornal comum. Pareceu queimar as mãos de quem o recebia.

Harry, Rony e Hermione mal conseguiram pegar seu exemplar antes que os primeiros gritos de surpresa ecoassem da mesa da Corvinal. Logo depois vieram os murmúrios da Lufa-Lufa, os cochichos tensos da Sonserina e a explosão quase indignada da Grifinória.

Na primeira página, em letras garrafais, estava a manchete:

MINISTÉRIO CEDE À PRESSÃO: O JULGAMENTO DO SÉCULO TEM DATA MARCADA

Abaixo, em tom cuidadosamente dramático, o texto anunciava que, em comunicado conjunto com o Bruxo Chefe do Wizengamot, Alvo Dumbledore, o Ministro Cornélio Fudge confirmara o reexame público e pleno do caso de Sirius Black.

DATA: 1º DE NOVEMBRO DE 1993

LOCAL: TRIBUNAL DEZ, MINISTÉRIO DA MAGIA

Fontes internas sugeriam que a celeridade do processo se devia a “provas de natureza inquestionável” que impediam qualquer novo adiamento.

Rony quase engasgou com a torrada.

— Primeiro de novembro! Isso é daqui a três semanas! Eu achei que eles iam enrolar até o Natal. Ou até o ano que vem!

Hermione segurava o jornal com as duas mãos, os olhos correndo rapidamente pelas linhas.

— Dumbledore não deu escolha a eles — murmurou. — Ele usou o protocolo de emergência do Wizengamot. Se o Ministério tentasse adiar mais, pareceria uma confissão de culpa.

Harry não respondeu.

Sentia o coração bater pesado contra as costelas.

Primeiro de novembro.

O dia seguinte ao aniversário da morte de seus pais.

No dia primeiro de novembro, ele estaria no Ministério. Veria o rosto do homem que deveria ter sido seu padrinho. Talvez veria também o homem que destruíra sua família e usara doze anos de mentira para escapar das consequências.

Harry olhou para a mesa dos professores.

Dumbledore passava geleia em uma torrada com calma quase irritante, como se não tivesse acabado de declarar guerra à burocracia do Ministério da Magia. Mas Harry, agora, conseguia notar mais. Havia uma rigidez em seus ombros. Um cuidado na postura. Uma atenção contida por trás do ar sereno.

Seu olhar, porém, logo se desviou.

Sirius Tonks não estava lendo o jornal.

Ele estava olhando para o vazio, a xícara intocada diante de si, com uma expressão de concentração absoluta. Como se escutasse uma frequência que ninguém mais conseguia ouvir.

Harry soube, sem precisar perguntar, que a data não era acidente.

Sirius sabia o que o primeiro de novembro significava.

Sabia que aquele julgamento aconteceria sobre uma ferida ainda aberta.

Sabia que, naquele dia, a história começaria a cicatrizar... ou sangraria de vez.

Como se sentisse o olhar de Harry, Sirius saiu daquele estado de concentração e virou levemente o rosto.

Deu um aceno quase imperceptível.

A mensagem era clara.

O palco estava montado.

As semanas seguintes passaram com a estranha normalidade que apenas Hogwarts conseguia manter no meio de uma crise histórica.

Snape continuou distribuindo azia aos grifinórios nas aulas de Poções. Harry foi levado ao limite por Oliver Wood em treinos de quadribol que pareciam planejados para testar se um apanhador podia sobreviver à chuva, vento e gritos simultaneamente. Hermione continuou sobrecarregada com matérias demais, embora Sirius a vigiasse com uma insistência discreta que a impedia de se destruir completamente. Rony reclamava de tudo, especialmente de Poções, deveres longos e do fato de Perebas parecer “estranhamente mais disposto”.

Nada fora do normal para Hogwarts.

E, justamente por isso, tudo parecia mais tenso.

Porque por trás das aulas, dos deveres e dos treinos, havia uma data marcada.

Primeiro de novembro.

O julgamento.

A verdade.

31 de Outubro de 1993A Véspera do Acerto de Contas

Enquanto o resto de Hogwarts se preparava para o banquete de Halloween, o clima no escritório do diretor era de sobriedade absoluta.

Para Harry, o dia 31 de outubro nunca seria apenas Halloween. Nunca seria apenas abóboras iluminadas, morcegos encantados e mesas cheias de comida. Era o dia em que uma luz verde havia atravessado sua vida antes que ele tivesse idade para compreendê-la.

Mas, naquele ano, o luto estava misturado a outra coisa.

Expectativa.

Não alegre.

Não simples.

Uma expectativa elétrica, pesada, como o ar antes de uma tempestade.

Dumbledore estava junto à janela quando Harry e Sirius Tonks entraram. Os terrenos do castelo mergulhavam no crepúsculo, e o céu escuro parecia combinar com as vestes formais do diretor: roxo profundo, corte solene, o tipo de roupa que pertencia mais ao Wizengamot do que a uma noite em Hogwarts.

— Sr. Potter. Sr. Tonks — disse Dumbledore, virando-se para eles. — Sentem-se.

Harry obedeceu.

Sirius também.

O amigo parecia tranquilo demais. Não como um aluno que faltaria às aulas no dia seguinte. Não como alguém prestes a enfrentar o Ministério da Magia. Ele parecia uma estátua de gelo cuidadosamente esculpida, esperando o momento exato de se mover.

Dumbledore permaneceu de pé por alguns segundos.

— Amanhã, às nove horas da manhã, o curso da história bruxa britânica será questionado.

Harry sentiu a boca secar.

Dumbledore olhou especificamente para Sirius.

Havia cautela naquele olhar.

E respeito.

Relutante, talvez.

Mas real.

— Como o Sr. Tonks solicitou, o senhor atuará como assistente legal e porta-voz da defesa, dada sua ligação familiar com Sirius Black e seu conhecimento técnico das provas. É uma manobra altamente incomum para um bruxo da sua idade, Sirius.

— Mas aceita pelo Ministério — Sirius disse.

— Aceita pelo Ministério — Dumbledore confirmou. — Em parte porque negar sua participação poderia ser interpretado como impedimento familiar indevido. E, suspeito, porque ninguém no Ministério deseja oferecer à defesa mais um argumento antes mesmo do julgamento começar.

— Prudente da parte deles.

Harry olhou para Sirius.

O amigo não sorria.

Aquilo deixou a frase mais afiada.

Dumbledore voltou-se para Harry.

— Harry, você será chamado como testemunha de caráter e para confirmar a entrega das memórias. Será um dia exaustivo. A imprensa será impiedosa. Haverá pessoas tentando transformar sua dor em manchete, sua raiva em espetáculo e sua presença em símbolo.

Harry apertou as mãos sobre os joelhos.

— Eu sei.

— Sabe?

A pergunta de Dumbledore não veio em tom de dúvida. Veio em tom de cuidado.

Harry olhou para ele.

— Sei o suficiente para não deixar que eles falem por mim.

Sirius, ao lado dele, não se moveu.

Mas Harry sentiu sua aprovação no silêncio.

Dumbledore assentiu lentamente.

— Vocês dois estão oficialmente dispensados de suas obrigações acadêmicas amanhã.

— Estaremos prontos, diretor — Harry respondeu, surpreendendo-se com a firmeza da própria voz.

— Eu sei que estarão.

Dumbledore suspirou baixo.

Por um instante, pareceu não o grande bruxo, não o Bruxo Chefe, não o homem que enfrentaria o Ministério.

Pareceu apenas velho.

Cansado.

— Estejam aqui amanhã às sete horas. Usaremos uma Chave de Portal direta para o Átrio do Ministério.

Ele então olhou para Sirius.

— E, Sirius...

O nome pairou no ar.

— Espero que a carga que você prometeu entregar chegue no horário. Se Pettigrew não aparecer, o Ministério usará isso para invalidar tudo.

Sirius finalmente se inclinou um pouco para frente.

— Pettigrew chegará ao Ministério exatamente duas horas antes do início da sessão. Vivo. Contido. Identificável. E incapaz de se transformar.

Harry sentiu um arrepio.

Não pelo conteúdo.

Pelo tom.

Sirius falava de Pedro Pettigrew como se falasse de uma peça perigosa de evidência, não de um homem. E talvez, depois de tudo que Pettigrew fizera, fosse exatamente isso que ele havia se tornado.

Dumbledore observou o garoto por um longo momento.

— Ninfadora Tonks cuidará do transporte?

— Sim.

— Ela entende os riscos?

— Melhor do que a maioria.

— E Sirius Black?

Pela primeira vez, algo se moveu no rosto de Sirius Tonks.

Não muito.

Mas Harry viu.

— Meu primo estará presente no momento necessário. Ele sabe o papel dele.

Dumbledore pareceu notar a escolha das palavras.

— O papel dele?

— Sobreviver ao julgamento sem permitir que doze anos de Azkaban falem mais alto do que a verdade.

O silêncio pesou.

Harry abaixou os olhos por um instante.

Tentou imaginar Sirius Black. O homem inocente. O padrinho que nunca teve. O amigo de seus pais. Um homem que passara doze anos cercado por Dementadores por um crime que tentara impedir.

Sentiu raiva.

A raiva veio quente.

Mas não o dominou.

Ele respirou, como Sirius havia ensinado.

Observou.

Afastou.

Vazio.

Quando ergueu os olhos, Dumbledore o observava com atenção.

Harry sustentou o olhar.

Dumbledore desviou primeiro.

— Muito bem — disse o diretor. — Amanhã, então.

Sirius se levantou.

Harry o acompanhou.

Antes de saírem, Dumbledore falou novamente:

— Sr. Tonks.

Sirius parou.

— Amanhã, dentro daquele tribunal, haverá momentos em que a verdade não será suficiente. Políticos raramente se rendem apenas por estarem errados.

— Eu sei.

— Então tome cuidado para não se tornar aquilo que está tentando derrotar.

Sirius ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Diretor, eu não quero derrotar o Ministério amanhã. Quero obrigá-lo a funcionar.

Dumbledore não teve resposta imediata.

Sirius inclinou a cabeça com educação.

— Até amanhã, professor.

Harry e Sirius deixaram o escritório.

Do lado de fora, o corredor parecia mais frio.

Por alguns passos, nenhum dos dois falou.

Então Harry disse:

— Você acha que vai dar certo?

Sirius olhou para ele.

— Acho que vai ser difícil.

— Isso não é uma resposta.

— É a resposta honesta.

Harry soltou uma respiração curta.

— Estou com medo.

Sirius não zombou.

Não suavizou demais.

— Ótimo.

Harry virou-se para ele.

— Ótimo?

— Medo mantém você atento. Só não deixe ele segurar sua língua quando chegar sua hora de falar.

Harry assentiu devagar.

Do outro lado das paredes, Hogwarts se preparava para o banquete de Halloween.

Abóboras flutuariam.

Alunos ririam.

Comida apareceria em pratos dourados.

Mas, para Harry, a noite já não pertencia a fantasmas, doces ou decorações.

Pertencia aos mortos.

Aos inocentes.

E à promessa de que, no dia seguinte, uma mentira de doze anos finalmente seria arrastada para a luz.



"Harry Potter e Stargate são propriedades de seus respectivos donos. Esta é uma obra de ficção feita por fã, sem fins lucrativos."


Notas finais
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