Renascer - O Desconhecido
3 Capítulo 3 - Arcos

— Josh! Acorde! Já são cinco e dezessete da manhã, e você está atrasado... como sempre!
O menino, entreabriu os olhos, semicerrados, para saber quem o incomodava em uma terça-feira chuvosa. Era sua irmã, ela estava totalmente trajada de preto, e em seu rosto, uma expressão que parecia não estar gostando nada de ver Josh ainda na cama as cinco e dezessete da manhã.
O garoto sentia sua cabeça explodir, como se tivesse levado socos na mesma, seus olhos estavam pesados, e a cada movimento, a dor só aumentava. Ele levantou seu torso de forma lenta e suave, com a ajuda de suas mãos, pegou os seus óculos no criado-mudo ao lado da cama, e os colocou. Fitava sua irmã, tentando dizer a ela que não queria se levantar, que estava com muita dor. A imagem dela caída no chão, esvaída, sem uma gota sequer de vida em suas veias, não saía da cabeça do menino.
— Ah Bella, eu não estou me sentindo muito bem. Na verdade, eu queria ficar na cama até mais tarde, não estou com fome também... só... só quero ficar na cama mais um pouquinho, minha cabeça está me matando.
A garota, impiedosa que era, não hesitou em insistir para que o garoto se levantasse no horário, levou suas mãos até os cobertores, e os puxou.
— Você vai levantar SIM! — Ela sussurrou, com uma voz exigente.
— Não quero e não vou pagar outro castigo pelas suas desobediências! Estamos entendidos?
Josh, não conseguia se levantar, mesmo que quisesse, suas pernas estavam fracas, ele as sentia tremer disparadamente, ele não conseguia as conter. Mas, para não desapontar Bella, ele tentou se levantar. Se apoiou no criado mudo, junto a cama, colocou os pés no tapete de linho cruzado, escarlate e verde musgo, e se pôs de pé.
— Eu não sei quanto tempo irei conseguir perambular por este lugar como se estivesse tudo bem, mas, já que insiste tanto, e não dá a mínima para o que eu estou sentindo, vamos lá...
A garota riu. Um sorriso sarcástico, afinal, ela realmente não dava a mínima para o que o Josh sentia naquele momento. Ela ergueu seu braço, apontou o dedo indicador em direção a porta e disse:
— Para a sala de estar, agora! A Madame Ivana está reunindo todos para uma reunião importante.
O menino não a questionou. Colocou seus chinelos de couro desgastados, abaixou a cabeça, e seguiu em direção ao corredor gelado do orfanato, iluminado por tochas em todas as suas extremidades.
A Sala de estar era algo majestoso, em comparação com o resto do orfanato. Todas as suas entradas, após os corredores, eram feitas de arcos de madeira, talhados minunciosamente, com algumas figuras e símbolos que Josh nunca teria parado para reparar. Ele seguiu através dos arcos, até chegar na sala. Muitas crianças e adolescentes de pijama estavam lá, era muito cedo para qualquer atividade matinal, todos estavam com caras de sono, exceto três adultos em cima da escadaria que levava para a cozinha, e também Bella, que exibia uma postura impecável.
Entre os três adultos, se encontrava no meio, Madame Ivana, a diretora do orfanato de Clarabella, ao seu lado direito, o cozinheiro, jardineiro e tudo que lhes davam para executar dentro do orfanato; e ao seu lado esquerdo, se encontrava um homem, nunca visto por lá.
O homem que estava ao lado esquerdo da Madame Ivana usava uma longa túnica de couro preta, luvas que iam dos dedos até o antebraço, e botas equivalentes ao resto da vestimenta. Josh achou aquilo tudo muito estranho, ele tentou encarar o homem, mas um flash tomou conta da sua visão, várias imagens em sequência passaram na sua mente, era algo apenas aumentava a dor do garoto.
Ele viu uma estátua de anjo, vários símbolos em uma grande árvore que queimava, sua irmã caída desacordada e sangue negro escorrendo pelos seus olhos, e uma voz que lhe dizia: — Isso é tudo culpa sua! – Josh, não conseguiu se conter, gritou o suficiente para até quem estivesse nas masmorras do local ouvisse sua dor.
— PARAAAAA!!! ISSO ESTÁ DOENDO!!
Bella, olhou assustada para o seu irmão, ela sentia a dor dele, todos ali sentiram a dor imensurável do garoto, mas ninguém se moveu para ajudá-lo. Josh, sucumbiu ao assoalho de madeira, vasto de dor e sem conseguir abrir os olhos, ele continuava a gritar e apenas a voz dele era ouvida por todo o orfanato.
Seu martírio era algo que ele não conseguia suportar, e por fim, o garoto desmaiou. Sessou-se os gritos no local, e apenas um grande silencio por alguns minutos. Todos olhavam para o garoto. Alguns assustados, outros, apenas curiosos e confusos. A Madame Ivana olhou para sua esquerda, onde o homem de vestimenta esquisita se encontrava, os dois se entreolharam. Ela voltou a olhar para frente, desceu três degraus da escada de madeira, que rangia levemente, e disse para que todos que estavam ali ouvissem:
— Peguem o garoto, e levem-no para a enfermaria. Não quero que ninguém faça perguntas a ele, se ele acordar. Estarei lá em dez minutos.
Todos trocaram olhares, confusos, ninguém se mexeu, Madame Ivana, que portava um grande cajado de madeira, com detalhes em ouro, que terminava com um corvo empalhado na sua ponta, o bateu com toda força no chão, emitindo um grande barulho, e disse novamente com veemência:
— Eu disse PEGUEM-NO e o leve para enfermaria! AGORA!
Um menino que estava atrás de uma grande luminária de mesa, loiro, olhos castanhos, passou na frente de todos, e pegou Josh no colo. Ele seguiu através dos arcos de madeira, em direção aos corredores, o levando para a ala hospitalar do orfanato.
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