Renascer - O Desconhecido
4 Capítulo 4 - Sangue

Chegando na enfermaria, o menino loiro que carregava Josh nos braços, que por sinal estava apavorado, o deixou sobe uma maca relativamente grande em comparação ao corpo do garoto desacordado. Ele, virou, e observou como aquele lugar parecia carregar muita dor em suas paredes. Várias estantes cheias de potes de vidro com líquidos esverdeados, alguns escarlates, contendo utensílios de medicina, ele pensava. As paredes do local eram frias, o que para o menino era algo estranho, afinal, cômodos no orfanato onde aglomerava uma concentração de pessoas por muito tempo, como cozinha, eram aquecidos por uma lareira grande o bastante para deixar a sala toda aquecida.
Depois de muito esperar pela Diretora Ivana, finalmente o garoto loiro, ouve passos no corretor, o que parecia ser muita gente vindo em direção a enfermaria. Ele, se colocou de pé ao lado da porta de entrada do local, e assim, como esperado, Ivana Malus-Corvus, adentrou a sala, ríspida e com um olhar frio, ao mesmo tempo, temeroso. Sua pele, de perto, aparentava ter mais de 50 anos, onde, rugas já eram bastante aparentes, porém, como todos sabiam, ela tinha apenas 36 anos.
Madame Ivana, colocou seu pé esquerdo no local, em seguida, o direito. Seu vestido longo, de coloração vinho, e com uma pequena cauda, que ela arrastava pelos corredores do orfanato, estavam ali, parados ao lado da maca onde Josh se encontrava enfermo. Ela fitou o menino por longos três minutos, sem dizer absolutamente nada. Fez um gesto com os dedos, em direção ao Homem, de túnica, que também a seguia pelos corredores até a enfermaria, para que ele se aproximasse mais da maca.
O silêncio era contínuo, ninguém dizia absolutamente nada, o barulho da respiração de todos era totalmente audível.
A diretora por fim, virou-se lentamente para as crianças e adolescentes ali presentes, bateu o seu cajado com um corvo empalhado em sua ponta superior no assoalho de madeira do local, onde fez um barulho auto o suficiente para que todos ouvissem, e disse:
— Saiam daqui! Todos, agora! Não olhem para trás, não tentem espiar. Todos estão proibidos de frequentar por hora, o corredor leste-B do orfanato. – Onde se encontrava os banheiros sociais e a enfermaria – Vão para seus quartos, e só saiam de lá, quando eu avisar!
Eles assentiram sem questionar. Bella foi a primeira a se retirar do local, de cabeça baixa. Logo, todos saíram dali, deixando apenas, Josh, o homem misterioso, e Madame Ivana.
— O que vamos fazer agora, Albert? Disse a diretora, em voz baixa.
— Nossa busca acabou, Ivana, encontramos o escolhido, e precisamos nos livrar dele. – A luz finalmente foi de encontro com o rosto do encapuzado, embora, ele não tivesse um. Sua cabeça era totalmente lisa, apenas, com alguns fios de cabelo e barba, no entanto, ele não possuía olhos, boca, nariz ou orelhas, era totalmente desprovido, tal qual, ele aparentava ter mais anos do que qualquer um no orfanato.
Madame Ivana, esticou o braço que foi de encontro com o rosto de Josh, ela acariciou a pele do menino, até que, com seu dedo indicador e suas unhas afiadas, fez um pequeno corte entre as orelhas e o pescoço do garoto.
O sangue do menino escorreu por toda a maca. Albert, se ajoelhou ao lado de Josh, tocou em seu sangue que pingava sobe a madeira, melou os dedos e esfregou em seu próprio não-rosto. Um clarão veio em sua mente, uma dor imensa percorreu o corpo do homem, que esticou seus braços para trás, e enrijeceu todos os músculos do seu corpo, ele parecia uma pedra, ali, ajoelhado.
Imagens passavam rapidamente na cabeça, e a visão do homem, por fim, tudo se estabilizou, e ele viu uma mesa de madeira escarlate, grande e redonda, com um pergaminho em cima, como se alguém estivesse trabalhando ali mesmo por horas.
Ele ia se aproximando, como se conseguisse andar, como se tudo aquilo fosse lúcido, afinal, conseguia sentir o calor das velas do local, conseguia sentir os pés, ele sentia também, tocar todo o piso de pedra. Ao chegar perto da página de pergaminhos, ele viu várias palavras, só que em dialetos antigos, em símbolos diferentes de tudo que ele já havia visto.

“ut animam suam angeli”
Ali, na enfermaria, ele começou a desenhar os símbolos no assoalho de madeira, com o sangue do menino. Ivana, apresentou em seu rosto, pela primeira vez em anos, sentiu medo.
Quando o homem parou de escrever com o sangue, ele caiu para trás, fez um barulho semelhante como se estivesse em coma por anos, porém, apenas Madame Ivana conseguia ouvir, a sala toda permanecia em silêncio total.
— É isso. – Ele disse. — Tudo o que precisávamos está aqui. O escolhido, e o Thaumus Receptum.
Ele levantou, encostou na cama, e ambos perceberam que, o corte no pescoço do garoto, já não existia.
Albert, tirou o capuz, virou seu torso para a Madame Malus-Corvus, e disse com veemência:
— Saia e me deixe a sós com o menino.
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