Reminiscências
1 Memórias de um soldado
Diz a lenda que os Assassinos são soldados diferentes de qualquer outro tipo existente no mundo. Isso é verdade.
Diz também que eles constantemente carregam o cheiro do sangue de seus inimigos. No meu caso, naquela época passada, foi uma verdade literal.
No passado, antes de atingir o que possuo ao escrever neste diário fui, como muitos, um soldado mercenário. Precisava sobreviver, e pra isso ingressei nas fileiras da tal Guerra do Emperium. Era um soldado contratado do clã KT, ou “Kasebaker Team”, como os membros chamavam. Um exército que, segundo eles próprios, prezava a “amizade” e “guerra limpa”, mesmo recrutando mercenários para alcançar suas metas e objetivos.
Na época eu não me importava com isso, apenas com meu pagamento. Sou um Assassino, sou treinado pra matar e para isso que nos contratam. Na época eu não queria saber se lutaria por clãs idealistas ou exércitos totalitários e opressores, tudo o que me importava era receber meu pagamento por serviços prestados. E prestava meus serviços da única forma que sabia: deixando um rastro de corpos pelo caminho.
Eu não possuía muito na época — uma armadura acolchoada simples, botas comuns encantadas com a essência do cão zumbi Verit e um conjunto de gladius e sabre -, mas o que eu possuía me dava a alcunha de Soldado Vermelho entre alguns indivíduos.
Enfim, depois de demasiada espera, finalmente fui para a tal Guerra. Quem nunca esteve em tal evento antes, certamente ficaria marcado para sempre após presenciar tamanha barbárie acontecendo simultaneamente em tantos pontos diferentes dos castelos. Corpos crivados de flechas e projéteis ou então congelados, eletrocutados, carbonizados, empilhando-se aos montes de maneira disforme pelos corredores daquela que agora se tornara uma arena brutal de guerra, um campo de batalha onde a única coisa que importava era chegar ao tal objetivo daquele evento insano: destruir o cristal de Emperium na sala principal daqueles palácios e clama-lo para si.
E nesses eventos, atuando como soldado de aluguel para um clã hipócrita, passou um período de 18 meses, sempre recebendo minha comissão pelos “serviços prestados em prol da justiça e honra”. Simplesmente recolhia o dinheiro sujo que me davam e investia em alguma coisa que me ajudasse, fosse em armas ou propriedade, até chegar o dia fatídico.
Em determinado momento perdemos um castelo, e aquele cão sarnento que chamavam de “mestre” ousou jogar a culpa da derrota em mim. Mesmo sendo apenas um soldado de aluguel, sempre fiz questão de executar minha parte nas obrigações com maestria, e a razão de termos perdido naquele dia foi por mau planejamento da parte dele, o que resultou na morte de 1/3 do contingente da guilda, incluindo soldados temporários e recrutas. O bastardo continuava a querer me culpar pelo incidente, e por causa disso, perdi o controle. Arranquei a cabeça daquele bastardo fora usando o lado cego do sabre e me afastei daquele grupo. Praticamente no mesmo dia, os demais membros restantes abandonaram a guilda, não sem antes pilhar os tesouros conquistados.
Hoje, três meses após estes eventos, estou sentado na ponte sul de Al de Baran, observando o brasão daquele clã afundar nas águas do canal, enquanto me dirijo à Juno. Cresci bastante nesses últimos tempos, e acho que encontrei em um grupo de, como dizer, “arqueólogos”, liderados por uma Suma-Sacerdotisa loira, o meu lugar definitivo. Os conheci durante uma caçada a um criminoso e serial killer, mas essa já é uma outra história...
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