Reminiscências

2 Caçada Serial


A história é uma coisa interessante, não? Anos atrás, eu jurava estar em meu lugar definitivo. Hoje vejo, entretanto, que preciso sempre seguir em frente. Passei bons momentos com aquele grupo de caçadores de artefatos, mas não era lá meu destino final.

Entretanto, sendo do jeito que for, acho que posso contar os casos que me envolvi com esse grupo. Quem vê um grupo de arqueólogos pensa que não passam por nada além de buscar ossos e artefatos antigos. A realidade daquele grupo era bem diferente...

Minha história com eles começou quando respondi a um anúncio, buscando voluntários para resgatar um artefato. Eles estavam pagando e não tinha guerra prevista nos dias da busca, então eu estava livre. A Kasebaker podia reclamar se quisesse, mas eu só trabalhava para eles em período de guerra. Quando não fosse, eu faria qualquer trabalho que eu quisesse.

Seja como for, nos reunimos em Juno, onde conheci o restante dos membros do tal grupo de busca. Era um grupo muito estranho, reunindo praticamente todos os tipos de pessoas, de Sumo-Sacerdotes a Alquimistas. E quando pensava que havia visto de tudo, o universo me prova errado mostrando um Templário orgulhosamente portando uma lança. Já estava pensando em que buraco havia me metido, quando partimos em busca das pistas em torno de um anel antigo.

Começamos a caçar indícios sobre o tal anel por horas, quando a tal busca mudou de maneira – por falta de palavra melhor — esquisita. Ao encontrarmos uma agente da lei que nos passou perturbadoras informações a respeito de um serial killer que estava caçando mulheres loiras, nossa equipe passou da “busca de artefatos” para uma “caçada humana”. Aquilo estava começando a ficar interessante.

Aquela noite – sim, isso foi à noite –, que havia começado apenas como uma busca por um artefato que estava sabe-se lá onde, havia se tornado em uma caçada de busca e encarceramento a um serial killer claramente perigoso e que representava perigo real de morte ou ferimentos graves. Nada mal para uma sexta feira que parecia destinada ao tédio.

Efetuamos buscas por todos os locais onde aquele maníaco havia passado (não me pergunte por que, eu só estava seguindo), mas nada de encontrar pistas do maldito. Tudo o que sabíamos era que ele era caucasiano, estatura média e gostava de mulheres loiras. Lembrando que a líder do grupo era loira. Eu achava que estava em um grupo de lunáticos, mas ou era continuar com aquela insanidade ou ir pra casa cortar as unhas.

Algumas horas depois, depois de muito rodar por esse maldito reino e percorrer quase todas as cidades, finalmente pegamos o traço do infeliz e conseguimos segui-lo até o farol de Pharos, onde o vimos roubar um galeão e zarpar em fuga desenfreada. Nossa líder tentou negociar com o dono de outra embarcação, mas o velho estava irredutível sobre não deixar nenhum estranho zarpar com seu bebê. Pedi cinco minutos com o homem para tentar “argumentar” com ele. Mal puxei as katares e ele liberou o barco. Sou muito bom diplomata, vejam vocês.

Enfim, fomos seguindo o barco do tal assassino e finalmente o encurralamos, apenas para ele atirar em nós com canhões. Tínhamos duas opções: ou recuávamos ou revidávamos. Até aquele dia, eu já havia usado praticamente todo tipo de armamento, mas seria a primeira vez que usaria um canhão! Depois que soube que era só jogar uma bola de ferro de dez quilos, mirar no barco e acender o pavio, ficou tudo mais fácil.

Muitas balas depois, finalmente conseguimos que o animal parasse em uma ilha, onde prontamente o seguimos para o confronto derradeiro. Encurralamos o bandido no que devia ser a sala do capitão e seguiu-se um combate desesperado, onde aparentemente ele estava lutando por sua sobrevivência. Muito mal, por sinal. E como ele veio primeiro, tudo o que fiz foi legítima defesa, se é que pode se chamar “vinte estocadas de katar” de legítima defesa.

Em seu leito de morte nos foi revelado que ele, na verdade, era ELA! O tal assassino, que caçamos a noite inteira, era uma mulher enciumada e com ódio de loiras que estava, segundo a própria, “cumprindo ordens divinas”.

Após muito debater sobre o que fazer com o corpo da maníaca, o tal Templário percebeu um anel no dedo dela, que revelou ser o artefato que buscávamos. Aparentemente ele permitia ao usuário ter visões do futuro. Como a louca entendeu que aquilo era um comando divino para matar loiras, aí já era um mistério.

Ao final dessa noite estranha, conseguimos achar o dito artefato. Fui pago pelos meus serviços e recebi uma proposta sobre entrar em definitivo para aquele grupo. Tão educadamente quanto podia (ou seja, o mínimo socialmente aceitável), falei que pensaria no caso, mas que não era uma possibilidade no momento atual.

Ou pelo menos eu pensava assim, até descobrir para onde eles planejavam ir da próxima vez. Mas essa já é uma outra história...

Notas finais
É, no final o que era pra ser um one-shot aparentemente se tornou um trabalho em andamento. Vamos torcer pra saírem mais capítulos...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.