Remember me
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Emma estava no escritório com David, discutindo um projeto paisagístico de um condomínio. Já haviam analisado diversas plantas que os designers da empresa tinham formulado, mas nada agradava aos irmãos.
― Acho que deveríamos consultar a Regina. Ela elaboraria algo em um piscar de olhos. ― Emma concordou. Sua esposa era talentosa, incrivelmente criativa.
― Vou tentar convencê-la a vir amanhã. ― suspirou massageando o pescoço.
― Bem, então por hoje chega. Não sei quanto a você, mas estou moído.
― Também estou acabada. Esse projeto do Plaza Athénée e o planejamento da renovação dos votos estão me esgotando.
― Por falar nisso, a quantas anda a organização? Mary me disse que você resolveu fazer uma surpresa. ― coçou o queixo ― É um bom plano, afinal pega de supetão, a probabilidade dela se negar a casar com você de novo é menor.
― Idiota ―jogou um lápis no irmão que desviou, soltando uma gargalhada ― Também não vou te contar.
― Vou saber de qualquer forma. ― deu de ombros ― Mary me contará.
Emma abriu a boca para responder, mas foi interrompida ao receber uma notificação no celular. Verificou a mensagem rapidamente e não pôde evitar o enorme sorriso que se formou em seus lábios. Era uma selfie de Regina e Henry. O menino segurava entre os dedinhos o dente recém caído e com a outra mão apontava para a lacuna em seu sorriso enquanto que Regina fazia uma engraçada expressão de surpresa. Havia uma legenda: “Mãe, vem logo para casa comemorar com a gente!”
Em seguida chegou outra notificação, trazendo mais uma foto. Nessa estavam Regina, Henry e Lucille fazendo beicinhos e olhares pidões. A legenda dizia “E traz sorvete de chocolate, por favor?”
Swan suspirou sentindo seu peito transbordar de amor por aquelas três pessoas que eram seu mundo. Ela jamais havia imaginado que pudesse sentir tanta felicidade, mas a cada novo dia a vida lhe presenteava com pequenos momentos maravilhosos como aquele. Sentia-se completa, realizada, viva outra vez.
...
― Amor, preciso mesmo fazer isso?
Emma pronunciava aquela pergunta pela milésima vez. A morena revirou os olhos, começando a se irritar.
Tinker havia sugerido uma pequena encenação onde a fada visitaria o quarto de Henry e faria a troca do dente por um saquinho de moeda. Regina havia adorado a ideia, passara a tarde planejando, só não contava que Emma seria tão relutante em fazer o papel da fada.
― Reginaaaa... estou ridícula com essa coisa estranha. ― a loira observava pelo reflexo do espelho o par de asas de fada que a esposa lhe obrigara a colocar.
― Agradeça por eu não ter encontrado a fantasia completa do seu tamanho. ― ocultou um sorriso.
― Por que não podemos fazer como meu pai? ― mexeu os ombros para ajeitar as asas ― Entregamos ao garoto uma nota de cinco pratas, um conselho sobre a responsabilidade de escovar bem os dentes e pronto.
― Porque seu pai é um insensível e eu quero que propiciemos uma experiência legal ao nosso filho. ― sentada na beirada da cama, a morena organizava um saquinho contendo várias moedas e mini estrelinhas de purpurina.
― Ele não foi tão insensível. ― pareceu pensar durante uns segundos ― Uma vez ele nos fez atirar o dente no telhado de casa, disse que o morcego o levaria e assim nasceria mais rápido o dente novo.
― É sério? ― Regina a olhava incrédula. ― Um morcego? Não vamos dizer ao Henry que um bicho qualquer levou o dente dele.
― Podemos dizer que foi o mascote do Batman, ele vai gostar. ― brincou, fazendo a esposa sorrir.
― Anda, amor. ― entregou o pacotinho a ela ― Não esqueça de espalhar as estrelinhas de purpurina pelo caminho e traga o dente, ele o colocou debaixo do travesseiro. Cuidado para não acorda-lo.
― Sua amiga inventa as coisas e eu que tenho que me virar. ― resmungou ― Por que ela não vai lá bancar a fada?
― Simplesmente porque ela não é minha mulher e nem mãe do Henry. ― a encarou aborrecida ― Mas se for para ficar reclamando, pode deixar que vou chamar a Tinker, tenho certeza que ela vai adorar participar.
Emma sentiu um nó na garganta, havia se arrependido no mesmo instante que as palavras saíram de sua boca. Observou Regina se levantar, deixando o saquinho de lado e seguir em direção a porta. Antes que a morena saísse do quarto, Emma a puxou pela mão com delicadeza, trazendo-a para seus braços.
― Desculpe, amor. ― a loira enlaçava a cintura da esposa ― É claro que quero fazer parte desse momento. Acho que só fiquei ansiosa, com receio de fazer alguma bobagem. Você sabe que sou meio atrapalhada. ― sorriu ao ver a esposa soltar uma risadinha.
― Tudo bem, meu anjo. ― passou as mãos pelos braços de Emma ― Não precisa fazer uma performance da Broadway, basta ter cuidado para não acordá-lo.
― Pode deixar. ― a beijou ― Serei a melhor fada de todos os mundos. ― segredou com as bocas ainda próximas.
― Faça isso e terá uma recompensa, digamos...deliciosa. ― deu uma mordidinha no lábio inferior da loira.
Emma deu uma piscadinha e saiu do quarto, no corredor caminhou com cuidado até chegar ao quarto de Henry, abriu a porta lentamente, a luz muito suave do abajur infantil iluminava o cômodo, o bastante para constatar que o menino dormia em um sono profundo. Ótimo, aquilo seria fácil.
Swan só não contava que o quarto do filho seria como um campo minado, cheio de brinquedos espalhados por todos os cantos. Chegou a tropeçar várias vezes em alguns carrinhos e quase desabou por cima da criança adormecida ao pisar em um brinquedo de encaixe. Reprimiu alguns palavrões ao ver que havia derramado o “pó de fada” pelo quarto inteiro, parecia que uma fada havia explodido ali.
A loira sentia como se fosse um hipopótamo em uma loja de cristais. Fez uma anotação mental de que falaria seriamente com seu garoto sobre deixar os brinquedos desorganizados. Assim, rapidamente tratou de fazer a troca do dente pela sacolinha de moedas e sair logo dali.
Satisfeita por ter cumprido a missão que lhe fora designada, Emma entrou em seu quarto, porém antes que pudesse trocar qualquer palavra, sentiu-se ser empurrada contra a cama. Regina a mantinha presa, encaixando a perna esquerda entre as suas, pressionando seu sexo por cima da calça de pijama, fazendo um gemido sair pelos lábios da arquiteta. A morena mordeu o ombro alvo, depois o pescoço, lambendo-o.
― Que tal receber sua recompensa, minha fada? ― mordiscou o lóbulo da orelha.
― Acho uma excelente ideia. ― respondeu puxando-a para um beijo intenso enquanto Regina começava a esfregar seu corpo ao da loira, criando uma fricção entre sua perna e o sexo da esposa. Swan gemeu baixinho, encarando os olhos amendoados.
Regina já erguia a barra camisola quando ouviram rápidas batidas na porta e um garotinho muito animado chamando por elas. Emma bufou não acreditando na situação. Viu a esposa deitar ao seu lado, igualmente frustrada.
― Emm, me diz que você não o acordou. ― tampou os olhos com o travesseiro.
― Talvez eu tenha feito um pouquinho de barulho. ― disse sem graça. A loira tirou as asas, jogando no closet e correu para abrir a porta antes que Henry acordasse toda a casa.
― O que houve, garoto?
― Mães, a fada do dente veio me visitar! ― adentrou o quarto rapidamente, indo em direção a cama onde sua mãe morena o aguardava com um sorriso.
Regina percebeu que no cabelo do menino tinha várias estrelinhas presas, sem contar a purpurina que se espalhava pelo rostinho e pijama. A morena se perguntou o que raios havia acontecido.
― Mamãe, olha o que a fada me trouxe. ― o garoto mostrou satisfeito as moedinhas que havia ganhado.
― Ela lhe deu um pequeno tesouro, querido. ― acariciou lhe os cabelos.
― Ahamm. ― sorriu fofo mostrando a janelinha ― Sabe, ela era meio tonta, até pisou nos meus brinquedos.
A morena ergueu um olhar ansioso para a esposa que se acomodava na cama. Emma entendendo a preocupação de sua mulher apenas negou com a cabeça, respondendo à pergunta muda, se ela havia se machucado.
― Muito bem, agora já está na hora de voltar para o seu quarto, filho. ― disse Emma suavemente.
― Posso dormir com vocês? ― pediu manhoso ― Só hoje.
― Pode, garoto. ― a loira respondeu, já conformada.
Henry se acomodou entre as mães, acolhido no abraço de Emma enquanto Regina lhe fazia cafuné.
― Mamãe, será que a fadinha vai ficar de castigo por ter quebrado meus carrinhos? ― perguntou um tempo depois, já sonolento.
― Não, querido. ― beijou lhe a testa ― Não se preocupe, a Rainha das fadas vai saber lidar com essa fadinha atrapalhada.
― E eu tenho certeza que a pobre fada já está pagando por sua confusão. ― murmurou sofrida, fazendo a esposa revirar os olhos.
Emma ainda estava inquieta. Quando o menino pegou no sono, a loira se levantou, seguindo em direção ao banheiro. Talvez um banho frio resolvesse seu problema.
No quarto, Regina riu baixinho da atitude da esposa. Ela também estava com um tesão imenso. Pegou o filho no colo e o levou para o quarto dele, em seguida voltou para o seu, trancando a porta.
Parou na porta do banheiro observando sua mulher debaixo do chuveiro, as mãos deslizando o sabonete pelo corpo curvilíneo, a água caindo sobre seu rosto e descendo em direção aos seus seios. Regina mordeu o lábio inferior, sentindo seu corpo esquentar.
― Será que tem lugar para mim nesse banho? ― disse com uma voz rouca, despindo-se da camisola e lingerie.
― Amor, o que você está fazendo? ― a loira arregalou os olhos ― Mas o Henry, ele...
― Ele está dormindo no quarto dele, querida. ― entrou no box e tomou lhe o sabonete, colocando-o ao lado os produtos que haviam ali.
― Mas eu... ― foi interrompida por um beijo ao mesmo tempo em que era empurrada até a parede.
― Quieta, amor! ― ordenou, antes de lhe beijar os lábios.
Era um beijo ardente, intenso e urgente, as línguas se moviam em uma sincronia incrível. Logo Regina desceu a boca até o pescoço da loira, intercalando leve lambidas com a ponta da língua e alguns chupões. Emma arrepiou-se por inteira, quando sentiu os lábios da esposa em seus seios, sugando-os com força. Não conteve os gemidos cada vez mais altos que saiam de sua garganta.
Regina desceu mais os beijos pelo corpo da mulher, ergueu lhe a perna direita e ajoelhou-se, de modo que a perna de Emma estivesse apoiada em seu ombro. Antes que a loira tivesse qualquer reação, sua língua já tocava o sexo, lambendo, chupando e estimulando aquele pequeno ponto de prazer.
Uma das mãos de Emma apertava os cabelos escuros com força, enquanto que a outra usava para se apoiar na parede, já que sua perna esquerda estremecia. Ela arfava e sua respiração entrecortava cada vez mais.
― Re-gina! ― mordeu o lábio inferior ― Hmmm.
― Isso, amor, geme. ― chupou o clitóris da loira, sentindo-a enlanguescer.
Emma ansiava pelo doce êxtase percorrer o corpo, cada nervo parecia incendiar-se. A morena então levantou-se, encarando os olhos esmeraldas escuros de desejo, deslizou seus dedos pelo sexo de Emma, variando o ritmo dos seus estímulos.
― Ohhh. ― apertou os olhos ― Regina!
― Me diz, Emm. Fala o que você quer ― exigiu, chupando o seio esquerdo, instigando o bico sensível.
― Me come, Regina ― implorou, jogando a cabeça pra trás ― Mais...mais forte.
Swan passou as unhas curtas nas costas da esposa, enquanto sentia Regina movimentar os dedos dentro dela, agora aumentando o ritmo, indo mais fundo.
― Goza, amor. ― sussurrou, mordendo o lóbulo de sua orelha ― Goza bem gostoso.
Emma perdeu-se completamente, explodindo por dentro em intensas ondas de prazer. Fechou os olhos, ofegante, deixando seu rosto descansar contra a clavícula da morena.
― Tudo bem, meu anjo? ― murmurou com a esposa em seus braços, sentindo a água deslizar pelo corpo de ambas.
― Acho que ainda estou flutuando. ― sorriu ainda de olhos fechados. A força com que atingira ao clímax lhe deixou totalmente em êxtase.
Nada se igualaria à sensação de estar inteiramente com sua mulher. Era muito mais que sexo, era como se suas almas se entrelaçassem. O que tinha com Regina, ela sabia que não teria com mais ninguém.
― Eu te amo muito. ― acariciou a face da loira, antes de alcançar lhe os lábios.
Tomaram banho juntas, dando continuidade à noite intensa, cheia de caricias e muito amor. Já era madrugada quando se renderam ao sono, completamente esgotadas de tanto fazer amor.
O sábado chegou preguiçoso para a família Swan Mills, já passava das nove quando Emma desceu para o café. Encontrou Regina e Tinker conversando na sala, aguardando Mary vir busca-las para um dia no spa, enquanto que Killian já havia saído para encontrar os amigos do tempo da faculdade.
― Tem certeza que não quer ir conosco, amor? ― a morena perguntou novamente à esposa.
― Tenho, vida. ― a beijou rapidamente ― Além disso, preciso resolver algumas coisas da empresa.
Na verdade, aproveitaria a ausência de Regina para fazer alguns acertos em relação a cerimônia da renovação de votos. Agradecia aos céus pela ajuda de sua mãe, Cora, Tinker e Mary, caso contrário não daria conta de pôr em prática tudo o que planejara.
Como estaria em casa, ficou com a responsabilidade de cuidar das crianças. Assim que as mulheres saíram, a loira deu atenção aos filhos, brincando com eles no jardim até a hora do almoço. A soneca da tarde foi bem vinda, com os pequenos dormindo feito anjos, Emma pôde finalmente se concentrar nos preparativos da união.
Swan entretida com os telefonemas, esqueceu que tinha dois minis furacões dentro de casa.
Assim que acordou, Lucille foi atrás do irmão, seu parceiro de traquinagens.
― Maninho, o que você tá fazendo?
― Montando o trem que o vovô me deu. ― disse concentrado, observando as peças.
― Posso montar também?
― Não, você não sabe, vai quebrar tudo. ― a garota fez um bico e cruzou os braços.
― Vou contar pa mãe que você não me deixa binca.
Henry revirou os olhos. Amava sua irmã com todo o seu coraçãozinho, porém as vezes Lucille era chata demais. Resolveu fazer a vontade da menina, não que se preocupasse em levar uma bronca da mãe loira, mas porque sabia que a irmã ficaria lhe enchendo a paciência.
― Tá bom. ― suspirou ― Mas inventa outra coisa para brincar.
A loirinha o olhou, coçou a cabecinha pensativa até que lhe veio uma ideia que pareceu brilhante.
― Vamo binca de baile, igual Flozen. ― disse animada ― Eu sou a Elsa.
― Eu vou ser o Shrek. ― comentou fazendo a irmã franzir o cenho. O ogro não estava na história, mas se o irmão queria, então tudo bem.
Procuraram algumas roupas para servir de fantasia, mas nada os agradava até que lembraram do closet das mães que estava recheado de roupas legais.
Fizeram a maior bagunça no quarto até encontrar algo que servisse. Lucille usava um vestido azul que arrastava até o chão, um par de scarpins e algumas joias pertencentes a Regina enquanto que Henry tinha colocado uma calça legging, camisa social, colete e uma gravata de Emma.
― Acho que ficou comprida. ― falou o menino puxando a gravata que chegava até os joelhos.
― É só cortar, maninho. ― mostrou a tesoura que encontrou em uma das gavetas.
O menino assentiu satisfeito e a partir daí fizeram o estrago em várias roupas. Lucille cogitou até mesmo cortar todo o cabelo do irmão, alegando que Shrek era careca, mas depois de ter a primeira mecha cortada, Henry desistiu da ideia.
O próximo passo foi atacar a maquiagem das mães. Henry ajudou a irmã a passar o batom, o pó no rosto e o blush nas pálpebras e testa, munido das sombras, fez questão de espalhar as cores em cada bochecha.
Lucy lembrou das tintas guache que tinha na mochila e pegou o verde, espalhando no rosto do irmão. Estava igualzinho o ogro do filme, pensou orgulhosa do seu extraordinário feito.
No escritório, Emma estava alheia a travessura que os filhos realizavam. Falava com a sogra ao telefone, se certificando de que o buffet escolhido estaria disponível na data em questão. Porém se sobressaltou ao ouvir a esposa gritando seu nome, pelo tom de voz, a loira sabia...estava ferrada, muito ferrada.
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