Remember me
22 Capitulo 22
Notas iniciais
Além da bela paisagem outonal e das manhãs mais geladinhas, Outubro chegou trazendo um dia muito especial para a família Swan Mills, Regina completaria mais um ano de vida. Diferente dos dois tenebrosos anos anteriores, a família estava em festa.
Aquele dia, Emma não visitaria o cemitério e não passaria horas trancada no quarto, reclusa em sua bolha de dor. Não, hoje, ela e Regina celebrariam a renovação de seus votos em uma linda cerimonia no fim de tarde.
O dia da morena começaria com um belo café na cama, preparado pelas crianças, mas sob a supervisão da mãe, é claro. Emma havia acordado bem cedo para preparar a surpresa, quando estava terminando de picar as frutas para a salada do jeito que a esposa gostava, as crianças desceram, surpreendendo-a. Logo, os três estavam engajados na tarefa, apesar de que Lucille e o irmão mais bagunçavam do que ajudavam.
Nas pontas dos pés, o trio entrou no quarto, encontrando uma Regina esfregando os olhos, ainda sonolenta.
― Feliz niversálio, mamãe! ― gritou a garotinha, se jogando na cama ao lado da morena.
― Parabéns, mamãe! ― Henry também correu para abraçar e beijar sua mãe.
― Obrigada, meus bebês. ― sorriu, enchendo seus pequenos de beijos.
Emma observava comovida a cena. Colocou a bandeja que trazia no criado-mudo e se juntou aos seus amores na cama.
― Parabéns pelo seu dia, minha vida. ― disse a loira com um belo sorriso ― Eu só queria que soubesse o quanto sou grata por me fazer a mulher mais feliz do mundo e... ― sua voz embargou, não conseguia se conter ao tentar dizer o que trazia no coração. ― Eu...eu te amo tanto.
― Oh, meu amor, você também me faz imensamente feliz.― Regina emocionada, entrelaçou suas mãos e acariciou o rosto amado.― Eu te amo muito, meu anjo.
Compartilharam um beijo cheio de carinho e amor. Foram interrompidas pelas crianças impacientes que queriam mostrar à mãe aniversariante o que haviam preparado. Uma Lucille com a bochecha suja de algo que parecia geleia e um Henry cheirando a pasta de amendoim tagarelavam sem parar.
Os quatro tomaram o desjejum em clima de descontração, cheio de brincadeiras e risadas gostosas. Depois foram tratar de arrumar a bagagem para a viagem que fariam naquele fim de semana. Emma havia convencido a esposa de que seria uma excelente ideia passar alguns dias na casa de campo de seus pais. Obvio que a morena desconfiava que Emma aprontaria alguma surpresa de aniversário para ela, uma vez que a mulher não saía do notebook e estava o tempo todo com o telefone ao lado.
Com tudo pronto, aguardaram David e Mary para buscar o casal Jones e seguirem juntos para a propriedade dos Swans.
A viagem seguia relativamente tranquila, exceto pelas birras dos filhos que vez ou outra implicavam entre si. No momento, Henry e Lucille estavam tirando-as do sério, insistindo para que as mães parassem em uma lanchonete que dava brinquedos de brinde. Depois de algumas broncas, Lucille sossegou assistindo a um desenho que passava no DVD do automóvel enquanto que Henry seguia com um bico enorme.
Chegaram na casa de campo próximo ao horário do almoço, os sogros e mais os familiares de ambas já os aguardavam em frente a casa, ansiosos para dar as felicitações pelo aniversário de Regina. A morena estava exultante diante de tantas pessoas queridas.
Foi servido praticamente um banquete em comemoração. Todos acomodados em volta da grande mesa, conversaram sobre tudo e riam muito com as piadas de Gold e as tiradas de Henry e Lucille. O clima estava tão agradável que a família ficou um bom tempo na mesa após o almoço.
Chegando o horário da soneca da tarde das crianças, Regina e Emma subiram com os filhos para acomodá-los. Entre cafunes e carinhos, a morena acabou pegando no sono junto com os pequenos.
Regina acordou sozinha na cama, com uma Tinker eufórica lhe sacudindo para que despertasse. A loirinha trajando um roupão e rolos no cabelo, não parava de falar um segundo sequer, não dando margem para que a amiga lhe questionasse.
A partir daí foi uma correria e um entra e saí de gente do quarto. Regina apenas seguia as coordenadas, começando a se divertir com aquela confusão. Estava ansiosa para saber o que sua Emma estava aprontando.
...
A hora da cerimonia se aproximava e Emma rezava para que não chovesse. Evidentemente tinha um plano caso a chuva resolvesse dar o ar da graça, mas esperava com todo o coração que fizesse um belo pôr do sol. E o universo pareceu conspirar com Swan, pois formou-se uma bela tarde outonal, as folhas em diversos tons que caiam dos plátanos enfeitavam o campo compondo uma decoração natural e romântica.
Próximo ao lago, tudo já estava pronto para a cerimônia e a festa. Perto do pequeno coreto onde se dará a troca de votos, havia um tablado como pista de dança, além das mesas para os convidados e algumas cadeiras contendo mantas caso os presentes sentissem frio. Um enorme tapete branco foi posto para as noivas poderem passar, além de arranjos de flores outonais, combinando com o lugar. Tinha também uma grande tenda montada para acomodar a todos caso o tempo esfriasse em demasia. Tudo estava enfeitado com flores e luminárias para serem acessas ao anoitecer.
Dada a hora para iniciar a celebração, Emma esfregava as mãos em sinal de nervosismo. Já tinha conferido o visual inúmeras vezes, queria estar impecável para sua mulher. E de fato, estava linda no vestido tomara que caia branco, enfeitado por rendas e com um corte todo fluído, que dançava com a brisa vinda do lago, para proteger do frio trazia um bolero delicado nos ombros. Suas madeixas estavam presas em uma trança lateral, com pequenas flores acomodadas ao longo do penteado.
A loira respirou fundo, ao ver que chegava Cora, com um vestido longo e decotado, na cor marsala. Tinker transitava com um longo de mangas compridas, em verde-escuro e Mary, com um vestido parecido, porém em amarelo. Sua mãe trajava um vestido alaranjado de corte fluido, adornado por um belo xale.
Ao olhar para o lado, Swan sorriu bobamente ao ver Lucille correr trajando um vestidinho armado em azul-claro, além do sapatinho de boneca e meia calça branca. Seus cachos loirinhos enfeitados por uma coroa de flores. Henry estava um perfeito rapazinho vestindo um terno branco, contrastando com a gravata azul clara e os cabelos escuros cuidadosamente penteados para trás.
Ao perceber a aproximação do veículo que traria sua Regina, a loira respirou fundo, caminhando até onde o carro estacionara. Por um momento, Emma ficou boquiaberta, fascinada diante da morena. Sua mulher estava maravilhosa! O vestido com um decote em coração e uma silhueta levemente sereia, trazia também uma estola que caía em seus ante braços. Seu cabelo na altura dos ombros estava meio preso por um broche composto por flores naturais. No pescoço exibia o colar com o pingente de cisne coroado que Emma havia dado há alguns anos em seu aniversário.
Quando seus olhares se cruzaram, Emma venceu a distância entre elas com um imenso sorriso.
― E depois de dez anos juntas, você ainda me faz contar cada minuto esperando você chegar.
― Emm... o que...― Regina colocou uma das mãos na boca.
― Quero renovar o que temos, continuar provando todos os dias que eu te amo, te fazendo feliz, assim como você me faz. Você é meu porto seguro, o amor da minha vida, me deu filhos maravilhosos e eu não quero viver de outra forma que não seja ao seu lado.
― Amor... ― sua voz estava embargada.
― Quer se casar comigo de novo? ― disse pegando a mão da esposa e depositando um beijo.
― Emm, meu anjo! ― ela limpou uma lágrima que escapara ― Não creio que esteja me pedindo em casamento.
― Então, você aceita ser minha mulher novamente? ― mordeu o lábio, ansiosa.
― Claro que sim, meu amor! ― abriu um belo sorriso ― Para você sempre direi sim.
De braços dados e enormes sorrisos na face, caminharam até os filhos que as aguardavam. A garotinha ria, se divertindo com o cestinho cheio de pétalas em sua mão. Quando a música começou, ambos jogavam as pétalas no ar, marcando o caminho por onde as mães passariam.
Quando chegaram no coreto, as crianças sentaram no colo dos avós, para observar as mães renovarem sua união. O juiz começou a discursar sobre o amor, com voz firme e um sorriso simpático. Emma e Regina de mãos dadas, não desviavam o olhar da outra, a morena apertava a mão da esposa, que lhe retribuía com um sorriso apaixonado.
A cerimônia começou cheia de amor e emoção. Houve votos, discursos, muitas risadas e lágrimas de felicidade. Foram saudadas por uma chuva de arroz e pétalas de flores ao final da celebração. As noivas extremamente felizes, receberam os cumprimentos dos amigos e familiares, enquanto o DJ que tinha sido contratado para a festa, começava a tocar.
Os convidados foram para as mesas que ficavam em volta do tablado, assistir a dança das noivas. Regina, que esperava uma valsa, se surpreendeu ao ouvir os primeiros acordes de You've got a way de Shania Twain, música delas desde o tempo da faculdade.
― Você não vai parar de me surpreender, verdade? ― perguntou se aferrando aos braços de Emma.
― Jamais, meu amor. ― disse apertando-a em seus braços, respirando fundo, sentindo seu perfume.
― Agora entendo o sumiço da minha aliança. ― negou com a cabeça ― E eu com receio de dizer algo, achando que você ficaria chateada por eu tê-la perdido.
― Peguei em uma das vezes em que você tirou para cozinhar. ― beijou a aliança ― Esperava que você não me questionasse, pois não saberia mentir.
― Senti que você estava aprontando algo, amor. ― encostou seus narizes em um beijo de esquimó ― Só não imaginava que seria tão grandioso...Aliás, não acredito que cogitou a ideia de que eu não aceitaria.
― Acho que foi o nervosismo, mas faz parte do processo. ― a encarou com um sorriso ― Ficou nervosa quando me pediu?
― Um pouco, mas logo percebi que não deveria ficar. Não quando você é o amor da vida da minha vida. ― colocou as mãos no rosto dela ― Te amo.
― Eu também te amo. ― lhe beijou os lábios.
Dançaram agarradinhas, entre trocas de carinhos, afagos e beijos apaixonados. Sorriam a todo momento, a cada simples palavra ou gesto entre ambas. Moviam-se levemente no centro da pista. Regina fazia-lhe carinho nos cabelos enquanto que Swan lhe beijava o pescoço.
A música chegou ao fim, e todos aplaudiram. Em seguida, os outros casais se juntaram a elas na pista de dança, aproveitando o momento romântico. Na música seguinte Henry e Lucille se aproximaram das mães, o garoto fez uma mesura como um perfeito cavalheiro, seguido pela irmã.
Emma sorriu do jeitinho fofo dos filhos e concedeu a Henry a próxima dança, ao passo que Regina pegou Lucy no colo, dançando com a menina.
A tarde e o início da noite estavam sendo prazerosas para todos. Regina e Emma paravam de dançar de vez em quando para conversar com os amigos, que estavam em uma mesa perto do lago. David e Mary trocavam beijos e risos entre si, enquanto Killian e Tinker conversavam com os pais de Regina, sempre abraçados e sorridentes. Os pais de Emma estavam dançando sem parar, enquanto Henry e Lucille brincavam com as outras crianças da família.
Algumas horas depois e a festa seguia animada, com muita música, comida e bebida. Sentada em uma mesa próxima ao tablado, Regina observava sua esposa dançar com a sogra, sorria pelo jeito brincalhão da loira ao girar Cora pela pista de dança. Suspirou de felicidade, acomodando a filha que já havia adormecido em seu colo, exausta de tanto brincar. Com o término da música, Emma se juntou a ela, trazendo um prato com uma generosa fatia de bolo e uma garrafa de champanhe.
― Vida, você tem que provar, é de Red Velvet. ― falou pegando um pedaço de bolo com o garfo e fazendo aviãozinho para a mulher, que ria com a atitude dela. ― Vamos, abra a boca!
― Amor, eu já comi! ― protestou com um sorriso, mas, ainda assim, abriu a boca para saborear o doce. ― Humm, que delicia. ― lambeu os lábios, porém restou um pouco de glacê no canto da boca.
― Ainda mais quando fica um pouquinho na sua boca. ― disse se aproximando e passando a língua para tirar o glacê que tinha ficado na boca dela, iniciando um beijo quente. Imediatamente ouviram assobios e gracejos dos convidados, fazendo ambas sorrirem em meio ao beijo.
― Sabe, estou louca para saber o que preparou para a nossa lua de mel. ― a morena sussurrou no ouvido da esposa.
― Então acho que não vai se importar em sairmos mais cedo da nossa festa. ― ergueu uma sobrancelha.
Com a festa ainda rolando, o casal saiu sorrateiramente para o local misterioso que Emma tinha preparado para que passassem a lua de mel.
Fale com o autor