Remember me
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Seus olhos ainda estavam fixos naquele rosto sereno mesmo após se passarem horas desde que havia entrado por aquela porta, sua mão ainda estava enlaçada a dela lhe acarinhando ternamente, e a cada minuto pedia com mais intensidade em seus pensamentos para que Regina acordasse logo e lhe desse a alegria de ouvir que ela se lembrava...Oh Deus, por favor.
Endireitou-se na poltrona se pondo bem atenta quando ouviu a esposa murmurar algo para logo pestanejar várias vezes, encontrando dificuldade em manter os olhos abertos pela luz de saía de uma arandela. Quando por fim, a morena pôde se acostumar com a claridade, os manteve os olhos amendoados abertos e respirou longamente passando a língua em volta dos lábios.
― Querida? ― Emma perguntou receosa e seu tom foi doce e baixo enquanto se aproximava ainda mais ficando a vista dela.
― Emm. ― o murmúrio dessa vez foi ouvido e a loira sorriu. Bem, ela se lembrava dela...isso já era um bom começo, o choque das lembranças não havia causado uma nova amnésia. Pôde respirar tranquila e lhe apertou delicadamente a mão entre a sua.
― Estou aqui, minha rainha. ― com cuidado Emma se sentou na beirada de sua cama e lhe abriu um terno sorriso fazendo-a também sorrir mesmo que fracamente, principalmente quando a loira lhe fez uma doce caricia no rosto ― Se sente bem?
― Sinto-me muito sonolenta e um pouco fraca. ― engoliu com força sentindo como sua garganta estava seca e sua saliva parecia tão grossa que podia arriscar que a faria sufocar.
― É pelo calmante que lhe aplicaram. ― acariciou lhe os cabelos escuros ― Logo passa.
Eva sorriu e fechou os olhos por alguns segundos sentindo os mesmos muito pesados, porém assim que o fez nítidas imagens voltaram a povoar sua mente agora com mais intensidade. Sentiu como sua cabeça doía fortemente e parecia que uma forte luz machucava sua visão, a deixando zonza. Sua respiração acelerou quando em meio a todas as imagens e vozes surgiu Emma. Emma a abraçando... Emma a amando... Emma a beijando... Emma lhe sorrindo...Emma. Emma. Emma. Oh Deus, estava de cabelos curtos... era ela...estava nos braços da loira, sorria tão abertamente e seus olhos tinham um brilho tão intenso que nunca...
― Eva! ― seu tom foi alto e apavorado fazendo-a arregalar os olhos assustada e ofegante ― O que houve? Fala comigo, querida! Sente algo? Dói-lhe algo?
― Regina... ― sussurrou a olhando assustada ― Me chamou de Regina.
Emma sentiu seu corpo gelar por completo e seu coração parecia ter parado de bater assim como seu sangue já corria rapidamente por suas veias. Por favor, por favor, que eu não a perca novamente. Respirou profundamente tentando puxar ar para seus pulmões e pôde sentir como a esposa lhe olhava e apertava sua mão na espera de uma resposta.
― Eva, eu...
― Eu ouvi, Emma. Chamou-me de Regina e eu... ― sua voz sumiu se sentindo como seu estomago se embrulhava e sua cabeça latejava de dor ― Eu me vi de cabelos curtos, em seus braços...Oh, Emma, você já me conhecia? ― a encarou tão profundamente que ambas puderam sentir a dor e o desespero da outra. Decidida, Eva apoiou ambas as mãos na cama tentando ao menos ficar sentada. Emma vendo o que fazia, ajudou-a e assim certificou de que estava bem acomodada e não sentia nenhuma dor pela posição pôde voltar a se sentar na beirada da cama tentando desviar do olhar tão expectante da amada.
― Por favor! ― o murmúrio angustiado fez a loira soltar um baixo gemido desesperado.
Agora era tudo ou nada. Tinha que lhe contar a verdade e então rezaria para que nada de mal acontecesse. Sentindo como não conseguia pronunciar uma palavra sequer para lhe dizer qualquer coisa, Emma apenas se levantou indo até o canto do quarto onde havia uma pequena cômoda. A morena ouviu como a outra mulher suspirava abaixando a cabeça e logo voltava carregando uma espécie de livro em uma das mãos e a outra estava fechada indicando que algo também havia ali.
Quando se sentou novamente onde estava, Swan pôs o livro sobre os pés da morena que apesar da curiosidade continuou a mirá-la nos olhos.
― Emm?
Não houve resposta. Emma apenas lhe pegou a mão e com delicadeza deslizou algo pelo seu dedo a encarando. Tremula, Eva elevou sua própria mão até sua linha de visão e gemeu ao ver aquela aliança grossa reluzir em seu dedo.
― Meu Deus!
Como se não acreditasse tocou aquele ouro que lhe envolvia e retirou do dedo a encarando debilmente. Sua respiração acelerada aumentou quando viu que estava escrito “Emma” na parte interior da mesma. Como se algo a comandasse voltou a pô-la em seu dedo e algo em seu interior se encheu de alegria. Emma soltou um murmúrio, audível o suficiente para a morena voltar seu olhar para ela e ver como tinha a cabeça baixa e deslizava a outra aliança em seu próprio dedo.
Seu coração bateu rápido ao ver como Emma levava sua mão a dela entrelaçando seus dedos fazendo assim as duas alianças ficarem lado a lado. Sentiu como lagrimas se formavam em seus olhos de emoção principalmente quando ouviu a respiração da loira ficar ofegante, os olhos brilhando marejados e um sorriso tremulo.
― O que aconteceu? ― sussurrou fazendo com que Emma a encarasse ― Como eu vim parar aqui?
― Você ia para Cornwall. ― dizia no mesmo tom que ela ― O helicóptero enfrentou uma tempestade e...
Na garganta da morena se formou um nó e ela sentiu como Swan contraia os músculos. Oh, era visível para qualquer um que lhe doía até a alma simplesmente mencionar o acontecido. Sua mão repousou sobre a da outra mulher ainda entrelaçada a sua e então lhe acariciou a mesma em um pedido mudo que continuasse.
― Eu te procurei em cada centímetro desse oceano. ― negou com a cabeça sentindo como seu corpo tremia por controlar seu choro ― Fiz o impossível para te encontrar... ― um soluço escapou dos lábios da morena, vendo como Emma rapidamente se acercava ainda mais deixando ambos os rostos próximos.
― Oh, meu Deus! ― gemeu encolhendo suas pernas para logo ter o corpo delicadamente puxado por Emma, deixando-as ainda mais próximas ― Eu quero saber. Emma eu preciso saber.
Eva olhou angustiada, suas mãos procuraram rapidamente o rosto da mulher a sua frente, o prendendo entre as mãos e seu coração deu um salto ao ver como aquela aliança se destaca em seu dedo. Mordeu os lábios vendo como Swan fechava os olhos pondo uma de suas mãos sobre as suas.
― Eu juro, querida, eu fiz tudo...tudo ao meu alcance...até mesmo o impossível para lhe achar. Eu fui até perder todas as minhas esperanças. ― seu tom era tão baixo e tão carregado de dor que Eva sentia como seu corpo se contraia cada músculo fazendo-a se encolher ainda mais nos braços acolhedores daquela mulher.
― Emm, por favor, eu necessito saber ― lhe suplicou a observando ― Preciso saber como foi tudo...Oh, perdi dois anos de minha vida e...
― E vai recuperá-los, querida, vai ver que vai recuperá-los. ― Swan suspirou alto e deslizou sua mão pela face agora já corada pelo choro assim como também estava seu nariz. Emma quase sorriu. Parecia uma criancinha toda encolhida com a ponta do nariz vermelhinho e fungando, os olhos um tanto arregalados diante de tantas revelações ― Mas por enquanto vamos com calma, não quero correr o risco de lhe ver mal.
― Não. ― trêmula ― Eu preciso saber, por favor, Emma, por favor. ― seu tom era desesperado e seu olhar perdera todo o brilho ― É minha vida!
― É minha vida também, Regina. ― ela sentiu o ar falhar ao ouvir a loira lhe chamar assim. Oh, dois anos...dois anos ansiando por saber algo sobre si mesma e agora estava ali bem a sua frente. Sua vida, sua verdade, sua história, seu passado, sua mulher ― Não foi apenas você que ficou dois anos nas sombras, eu também fiquei. Todo esse tempo achando que estava morta, me culpando por isso, me martirizando e... ― sua voz se perdeu e sentiu como seu estomago se contraria com tamanha violência que lhe chegava a causar náuseas.
Eva não conseguiu pronunciar nenhuma palavra, apenas encolheu ainda mais seu corpo, recostando sua cabeça sobre o colo de sua amada que suspirou e pôs sua mão sobre os escuros e brilhantes cabelos lhe acarinhando.
As pernas encolhidas faziam a morena parecer ainda menor, seu corpo colado ao seu agora tão aconchegado entre seus braços. Emma suspirou novamente. Sua mulher, sua vida ali em seus braços.
― Por favor. ― seu sussurro fez a loira fechar os olhos por alguns segundos e então puxou o ar para seus pulmões. Emma sabia que ela precisava ouvir tudo sobre si mesma, mas o medo... o medo a estava deixando totalmente congelada. Apertou delicadamente o corpo em seu abraço e então depositou um terno beijo em sua cabeça. Se era o que ela queria...
― Está bem. ― a loira a encarou ― Pergunte o que quiser.
Eva sorriu afastando o suficiente apenas para poder olhá-la nos olhos, porém ainda se manteve em seu abraço. Deslizou sua mão até lhe acariciar o ventre e viu aquele par de olhos verdes encantadores lhe olhando com um amor e uma doçura irreal.
― Somos casadas há quanto tempo?
Oh, nada poderia ser mais...ridículo do que aquilo, era como ela se sentia, uma ridícula por ter que perguntar para aquela mulher tudo a seu respeito, mesmo assim tentou manter a calma. Colocou o melhor sorriso que pôde no rosto, fazendo-a parecer uma criança prestes a ouvir um conto de fadas.
― Dez anos. ― falou abaixando o rosto rapidamente ― Contando com esses dois em que você esteve aqui.
Dez anos! Ergueu as sobrancelhas se esforçando para não perder nem a calma e muito menos o sorriso expectante. Puxou o ar lentamente para seus pulmões, segurou com força na camiseta dela enquanto fechava os olhos por alguns segundos.
― Dez anos ― murmurou.
― Foram os anos mais felizes da minha vida. ― sorriu levemente se lembrando de vários momentos com ela ― Bom, tirando os dois últimos. ― tentou brincar vendo como Regina abriu um sorriso ao mesmo tempo em que tinha os olhos embargados por lágrimas ― Eu era tão feliz...você era tão feliz, minha linda. ― passou delicadamente sua mão pelo suave rosto da esposa ― Tinha um brilho nos olhos que encantavam a qualquer pessoa, um sorriso tão sincero e tão contagiante. ― sua voz falhou sentindo como sua saliva se fazia grossa, seus olhos ardiam tão fortemente quanto as batidas de seu agitado coração ― Eu senti sua falta. Querida, eu senti tanto sua falta.
A morena soluçou alto se jogando em seus braços deixando que Emma a abraçasse aconchegadamente, lhe acarinhando as costas enquanto a segurava pela cintura, agarrando com força a camiseta da loira prendendo-a em suas mãos. Seu rosto banhado pelas lagrimas escondido no vão do pescoço da esposa era afagado ternamente, fazendo seu corpo se aquecer.
― Nesses oito anos. ― Eva fungou afastando seu rosto o suficiente apenas para olhá-la nos olhos ― Nós tivemos...
― Filhos? ― viu-a assentir tremula, sorriu reconfortante e deslizou sua mão delicadamente por seus cabelos acarinhando ― Dois anjinhos lindos, meu amor.
― Minha nossa... ― levou as mãos aos lábios.
Emma esticou seu braço pegando aos pés da cama o livro que tinha posto ali e então a morena pôde ver. Não era um livro, e sim um álbum de fotos. O observou quando Swan colocou sobre suas mãos. Respirou fundo quando Emma o abriu e a primeira foto a fez soltar um leve gemido. Seus filhos. Um lindo garotinho de cabelos escuros usando um jeans e uma camiseta polo verde clarinha fazendo par com tênis brancos em detalhes do mesmo tom de verde. Oh, céus, parecia um grande homem e ao mesmo tempo um eterno bebê aos seus olhos. Deslizou seus dedos pela foto tocando cada traço de seu filho e então se focou na bebê gorduchinha usando um vestidinho floral azul e rosa com um lacinho na cabeça. Soltou um alto riso vendo o bico que a bebê tinha.
― Como chamam? ― sussurrou sentindo como sua garganta parecia apertada.
― Henry e Lucille. ― sorriu dizendo no mesmo tom enquanto passava os dedos pela foto da mesma forma que ela ― Ele tem seis anos agora, mas já é todo um homem. ― soltou um leve riso ― E adora cuidar de mim e da irmã. E pelo o que vê, ele é sua cara enquanto o gênio é igual ao meu. Já nossa menina tem quase três anos e é toda seu gênio, querida. ― a olhou observando como sorria emocionada ― É uma princesinha muito manhosa que, às vezes, consegue ser tão mandona quanto você, e vive me fazendo comer a salada.
Ambas deram uma gargalhada se olhando e então Regina virou a página encontrando uma foto dos três na piscina. Emma estava encostada na borda com a pequena no colo que tinha as mãozinhas agitadas no ar, os olhos fechados com força e um sorriso lindo exibindo apenas os dois dentinhos, logo atrás estava seu menino com duas boias nos braços e sorria maravilhosamente encantador. Seu coração se apertou tanto. Eram seus filhos ali e não se lembrava de nada, era sua esposa aqui na sua frente, lhe segurando a mão e mesmo assim não se lembrava de nada, era sua vida sendo contada por outra pessoa e não se lembrava de nada.
Ela era feliz.
Teve plena certeza disso quando virou mais uma página e encontrou uma foto em que agora estava junto a Emma. Ambas estavam na cama, ela sentada entre as pernas da esposa trajando apenas um conjunto de lingerie negra exibindo a enorme barriga de grávida, onde havia desenhado um coração com batom vermelho. Emma também em roupas intimas circundava o ventre avantajado com seus braços e sorria lindamente assim como a esposa.
― Você estava esperando nosso garoto. ― esclareceu a loira ― Quase nove meses de gravidez e continuava sendo a mulher mais sexy e linda do mundo.
Regina sorriu comovida para esposa e mudou mais uma página. Agora na imagem estavam os quatro. Pelo visto era um dia de frio porque estavam sentados perto de uma lareira e logo a frente deles havia uma televisão. Sorriu ao ver que passava um desenho animado. Sua menina estava em seus braços sendo amamentada enquanto ela mesma estava aninhada em Emma, encostava-se a seu peito e em suas pernas estava seu grande hominho. Sorriam, os olhos brilhavam.
E não se lembrava de nada.
Um lamento escapou de seus lábios e então encarou sua mulher que tinha os olhos marejados e mordia os lábios com força. Por que não se lembrava? Estava ali na sua cara e em sua cabeça nem sequer uma lembrança por menor que seja.
― Eu quero voltar, Emma. ― a olhou decidida ― Quero voltar para casa, quero abraçar meus filhos...eu quero minha vida de volta. ― seu tom choroso foi aplacado com um leve beijo nos lábios e Emma logo a abraçou fortemente.
― Você a terá, meu amor, vai ver. Logo vai se lembrar de tudo.
A porta foi aberta lentamente e por ela adentrou Killian juntamente com Tinker, David e Mary Margareth que os observavam expectantes.
― Eva? ― o médico perguntou com um tom incerto já que não sabiam se ela havia se lembrado.
Ela olhou a todos, respirou fundo. Olhou sua mulher que lhe segurava a mão, negou com a cabeça e sorriu.
― Meu nome é Regina.
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