Remember me
14 Capitulo 14
Notas iniciais
A casa ficava em um elegante bairro, um pouco distante do centro de Paris, situado a oeste de Batignolles-Monceau. Entraram em uma rua calma, e Regina observou as casas vizinhas bem cuidadas, repletas de flores e árvores, assim não evitou adivinhar qual seria a casa que havia vivido por tantos anos. De repente, o automóvel parou em frente a uma residência de muros altos cobertos por ervas. Um botão foi acionando do carro e o portão de ferro começou a se mover dando passagem ao veículo. Os portões se fecharam automaticamente da mesma maneira como abriram e Emma continuou guiando pelo caminho arborizado. A bela casa surgiu, encantadora.
Deixaram o carro na garagem e passaram pela varanda coberta de flores, adentraram a casa encontrando a antessala espaçosa onde havia uma escada e algumas portas na lateral levando para os outros cômodos. Regina prestava atenção em cada detalhe da casa, sentindo uma pequena familiaridade ligada à sensação de aconchego, proteção...sem dúvida aquele era seu lar.
Sem perceber passava as pontas dos dedos pelos objetos, se perdendo em pensamentos, nem mesmo notando a esposa observá-la. Emma não podia explicar o sentimento que lhe invadia o peito. Oh, sua mulher estava ali, de volta a sua casa de onde nunca deveria ter saído.
De repente, Regina tocou um porta-retratos com a foto dos filhos e ergueu a cabeça para encarar a esposa, ambas se entreolharam emocionadas por alguns segundos. A morena trocou um sorriso tremulo e olhou ansiosa a escada. Com um sorriso, Emma a pegou pela mão levando-a até a sala. Regina não podia fazer nada a não ser se deixar guiar, estava muito nervosa com a reação das crianças.
Sentou no confortável sofá, levando a mão trêmula ao rosto para tirar uma mecha do cabelo enquanto sentiu o beijo terno da esposa em sua testa e um sussurrar em seu ouvido dizendo que tudo ficaria bem. Vendo a figura loira subir as escadas, apenas se deixou relaxar um pouco mais no assento macio, fechando os olhos por um instante na intenção de afastar o nervosismo.
Emma caminhava em direção aos quartos dos pequenos, parando primeiramente em frente ao quarto de Henry. Abriu a porta vendo que o menino ainda dormia e se deixou se aproximar da cama afagando de leve os cabelos escuros do filho que eram no mesmo tom dos de Regina. Lentamente o pequeno abriu os olhos.
― Mãe! ― esfregou os olhinhos com um sorriso.
― Bom dia, garoto. ― sorriu ao receber um abraço do menino.
— Mãeee!
Ambos os rostos viraram para ver a garotinha entrar no quarto com um sorriso sonolento, trazendo a boneca de pano nos braços. A menina foi até a mãe e se aninhou em seu colo recebendo um beijo da loira e um sorriso do irmão.
― Senti saudades. ― a menina disse manhosa encarando a mãe.
― Eu também senti, meus pequenos. Como foi na casa dos seus avós?
― Foi muito legal, mãe, você tinha que ver! Havia um cavalinho bem pequeno e o vovô levou a gente para nadar no lago. ― Henry narrou enquanto a garotinha apenas assentia ainda sonolenta.
― Deve ter sido uma verdadeira farra, não? ― vendo o menino baixar a cabeça― O que foi, filho?
― Eu sonhei com a mamãe. ― revelou com o olhar triste ― Ela estava tão linda, mãe. Eu queria tanto que ela estivesse aqui. ― disse apertando as mãozinhas no lençol.
― Eu também quelia. ― falou a garotinha com uma voz tristonha.
Emma sorriu ternamente olhando para seus pequenos anjinhos.
― Temos que conversar sobre a sua mamãe. ― proferiu observando os rostinhos que a encaravam ― Lembram quando falei que o Papai do céu tinha chamado a mamãe para morar com ele?
― Aham. E ela virou um anjinho que cuida de nós, lá do céu. ― respondeu o menino.
― Sim, mas agora o Papai do céu deixou que ela voltasse para nos.
― Ele deixou, mãe? ― indagou a loirinha.
― Deixou. ― sorriu vendo os olhinhos brilhantes dos filhos ― E sabe o que mais? Ela está lá embaixo, na sala, esperando vocês.
Regina se aprumou no assento ao ouvir sons de passos apressados na escada, para logo enxergar a pequena figura em um pijama estampado de dinossauros, estancar ao pé da mesma. Não evitou abrir um sorriso em meio às lágrimas de felicidade, aquele era seu filho. No entanto, engoliu em seco vendo como o pequeno tinha os olhos arregalados e a respiração ofegante. Não sabia o que fazer, seu coração disparava ameaçando sair a qualquer momento e então sem pensar apenas se ajoelhou e abriu os braços.
― Meu bebê. ― disse com um sorriso tremulo.
O garotinho mordeu o lábio inferior e no instante seguinte corria de encontro à mãe morena, se abrigando naquele abraço caloroso, repleto de saudade e de amor. As pequenas mãozinhas envolveram o pescoço da mãe como se sua vida dependesse disso, deixando a cabeça descansar encostada no ombro dela enquanto inalava aquele perfume maravilhoso que durante noites havia sonhado. Tinha sentido tanta falta dela! Apertou-se novamente em seus braços. Queria permanecer ali para sempre, sentindo aquela doce caricia materna. E sem mais, o choro estalou intenso, como se agora expulsasse todo o sofrimento e a saudade vividos durante os dois anos.
― Está tudo bem, querido, está tudo bem. Mamãe voltou.
Ela sorriu em meio ao choro ao dizer aquelas palavras e olhou além para contemplar a esposa e a linda garotinha usando macacão pijama na cor lilás com ilustração de ovelhinhas. Sorriu ao ver que a pequena envolvia um bracinho na perna da mãe loira enquanto segurava a boneca de pano com o outro e levava o dedinho à boca.
― É sua mamãe, bebê. ― encorajou, Emma.
Henry virou o rostinho para ver a irmã soltar a mãe e caminhar insegura até a outra mãe. Regina mudou de posição sem largar o filho. Sentada no chão, ajeitou-o em seu colo, chamando sua bebezinha com um sorriso. Mais segura, a menina tirou o dedinho da boca e andou até a mãe morena enquanto se livrava da boneca pelo caminho.
― Olá, minha princesinha.
Sua pequenina a abraçou fortemente caindo no choro assim como o irmão. Regina afagava seus cabelos loirinhos do mesmo jeito que fazia com Henry, sentindo os corpinhos trêmulos e soluçantes dos filhos. Suspirou inalando o cheirinho de seus bebês, agora tão familiar para ela e então lentamente as pequenas cenas com os filhos começaram a surgir em sua cabeça, fazendo-a fechar os olhos e sorrir...estava lembrando. Deus, estava lembrando aos poucos de seus pequenos. Abriu os olhos ao ter o rosto acariciado pela mãozinha de Henry.
― Senti tanto sua falta! ― disse Henry com os olhinhos brilhantes pelas lágrimas ― Por que o Papai do céu demorou para deixar você voltar?
Ela olhou para a esposa ainda em pé a frente dela e a viu secar uma lágrima.
― Porque a mamãe teve um dodói e perdeu o caminho de casa... Até que a sua mãe me achou.
― Posso cuidar do seu dodói, mamãe? Eu sabe cuidar, eu cuido da mãe quando ela tá dodói. ― comentou a garotinha.
― Você já está cuidando, bebê. ― sorriu para a menina.
― Mamãe... ― ela olhou o garotinho que a chamava ― Eu te amo.
― Oh, meu pequeno. ― enxugou uma lágrima para logo distribuir beijos em seus filhos- Também amo muito vocês.
― Você é tão linda...palece a plincesa da histolinha. ― Regina encarou os olhos verdes de sua pequena-
― Eu te disse, Lucy. Mamãe é linda, não é, mãe?
― A mais linda de todas. É a nossa rainha.
Só então Regina a notou ao lado deles. Emma envolveu a todos em um abraço delicioso, fazendo que sorrissem pela felicidade vivida. Ergueu a mirada para a esposa, selando seus lábios com um beijo suave e sorriram com os lábios colados quando ouviram as palmas e os risinhos das crianças.
Os quatro continuaram a conversar pelo resto da manhã, porém Emma se afastou por poucos minutos para resolver algumas pendências como, por exemplo, a bagagem de ambas. Quando retornou a sala, encontrou apenas a esposa sentada sobre o tapete, cercada por brinquedos coloridos.
― Onde estão as crianças, meu amor?
― Foram buscar mais alguns brinquedos para me mostrar. ― sorriu nervosa.
― Certo ― devolveu o sorriso não notando o nervosismo dela ― Já levei as malas para o nosso quarto e pedi a Granny, a senhora que contratei, para arrumar suas roupas no closet.
― Eu... ― suspirou ― Sobre isso que eu queria falar com você. ― sem encará-la ― Pensei, já que temos muitos quartos de hospedes, eu poderia ficar em um deles.
― Você pode ficar com o quarto principal. ― disse fechando o semblante.
― Não, Emma. O quarto é seu e eu...
― O quarto é nosso. ― falou em tom seco.
― Emm...
― Fique com o quarto. Assim ficará perto dos pequenos que com certeza vão querer ficar com você.
― Imagino que o outro quarto não fique tão longe e suas coisas já estão lá...Droga, Emm entenda que eu não quero que você fique por per...-se interrompeu ao encarar os olhos agora escuros pela magoa ― Me desculpe, eu não quis...
― Esqueça ― respondeu com o semblante entristecido ― Durma onde quiser, Regina.
― Emm espere. Emma!
Tentou chamá-la quando a viu ir em direção ao escritório, mas apenas obteve como resposta o barulho da porta se fechando. Deus, deveria estar se voltando louca para tratar a mulher que amava daquela maneira! Mas situação era difícil. Por mais que se recriminasse não conseguia assimilar a ideia de que há algumas semanas Emma era apenas sua amante e agora como um passe de mágica tinha se tornado sua esposa e mãe dos seus filhos.
Já não sabia mais o que pensar ou como agir. Sua vida estava de ponta cabeça, um verdadeiro caos!
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