Remember Me - Extras
2 II. O grande dia!
Notas iniciais
Acordei sentindo pequenos dedinhos cutucarem minhas costas e depois cócegas na sola do meu pé esquerdo. Dei um chute fraco por puro reflexo e ouvi risadinhas sendo abafadas por mãos. Sorri de olhos fechados.
— Déda, você precisa acordar. — uma vozinha baixa soou perto do meu ouvido.
— E por que eu preciso acordar, hein? — murmurei ainda de olhos fechados.
— O tio Kurt mandou eu vim te acordar, e falou que se você não levantar ele vai vir te expulsar com um balde de água fria.
Abri os olhos e franzi o cenho, encarando meu filho de cinco anos que tinha um sorriso sapeca no rosto ainda amassado de sono.
— Ele falou isso mesmo?
— Uhum.
Me sentei na cama sob o olhar do garoto de pijama e parei pra pensar. Por que Kurt estaria me ameaçando a sair da cama cedo? O que ele estava fazendo aqui? Não havia motivo para isso e hoje era sábado, eu não tinha que trabalhar nem levar as crianças na escola ou...
Droga!
— Nate, cadê sua mãe?
— Ela saiu com a tia Santana, a tia Brittany e a tia Quinn. Acho que elas foram fazer compras, Déda.
Sorri para meu pequeno e enfim levantei, caminhando até o banheiro. Ele me seguiu e parou escorado no batente.
— Não, filho. Lembra que dia é hoje? — perguntei pondo pasta de dente na escova.
— É sábado! — ele pulou no lugar, comemorando.
— E você lembra o que tem de especial nesse sábado?
Ele pensou um pouco e sorriu.
— Não tem escola!
Gargalhei com a boca cheia de espuma e cuspi antes de responder.
— Mas você não lembra o que hoje o Déda e a mamãe vão fazer?
Ele parou com o dedo no queixo e olhando para cima. Depois arregalou os olhinhos castanhos.
— Vocês vão se casar! — disse como se descobrisse algo importantíssimo.
— Sim, Monkey Face. Hoje é o casamento do Déda e da mamãe.
Saímos do banheiro e eu fui procurar uma camiseta para vestir antes de descer. Coloquei uma qualquer e pus o garoto nas costas para carregá-lo até o primeiro andar.
Kurt estava na cozinha junto com Blaine, Puck e um monte de crianças que de repente nossa enorme “família” havia acrescentado. O marido de Kurt tentava controlar Mason e Gavin que cismaram de ficar de pé na cadeira, mesmo com dois anos de idade eram terríveis. Puck tinha a pequena Bailey sentada em sua perna enquanto lhe dava de comer e Beth, com quatro anos, sentada na cadeira ao lado comendo panquecas. Bella estava sentadinha em seu banquinho de elevação sobre a cadeira enquanto comia com a mão suas panquecas cortadas. E Kurt tentava com que todas as crianças não fizessem tanta bagunça.
Coloquei Nate no chão e ele correu para comer as panquecas que Kurt lhe oferecia em um prato.
— Até que enfim a dondoca resolveu acordar. — Puck me zoou e eu fiz o máximo para não lhe estender o dedo médio. Seriam muitos potes do gesto feio para colocar 1 dólar.
— Bom dia para todos. — falei alto e obtive algumas respostas — Cadê as mulheres? Isso não acontece quando elas estão. — falei observando Beth desistir de seu garfo e começando a comer com a mão também.
— Elas já foram para o salão, a noiva tem o dia de SPA dela hoje e você não pode vê-la de forma alguma antes da cerimônia. — Kurt me informou — Eu ia também, mas alguém precisava arrumar as crianças e arrumar você também.
— Eu sei me vestir sozinho. — rebati me sentando em uma cadeira livre e pegando um pouco de café.
— Claro que sabe. Agora tome o seu café da manhã que daqui a pouco começamos.
Quase cuspi o líquido preto, arrancando algumas risadas das crianças.
— O quê? O casamento é só às 18h!
— Você já olhou a sua volta e viu tudo o que temos que fazer? Daqui a pouco Beth, Bailey e Bella vão para o banho porque eu ainda preciso decidir o que fazer com os cabelos.
— Eu não quero arrumar o cabelo. — Beth se pronunciou fazendo um bico enorme — Machuca, tio Kurt.
— Mas, princesinha, tem que ficar linda para o casamento da tia Rach.
— Eu já sou linda, né papai? — ela se virou para Puck.
— A mais linda de todas.
— Eu sei que você é linda, mas pode ficar ainda mais. O tio promete não fazer nada que machuque, ok?
— Tá bom. — ela falou ainda com bico.
Assim que todos terminaram de comer, ajudei Kurt a tirar a mesa e arrumar tudo enquanto os outros dois rapazes levavam as crianças para o quintal a fim de entretê-las, já que todos decidiram ficar agitados ao mesmo tempo.
Eu estava ansioso para o casamento. Vínhamos planejando tudo há pouco mais de um ano desde que eu a pedira oficialmente. É claro que depois que Nate nasceu, já nos considerávamos casados tendo nossa própria casa, mas resolvi tornar aquilo oficial, como eu sabia que ela sempre desejara, e em março do ano passado noivamos. Kurt ficara doido com a notícia e já vinha nos ajudando com a cerimônia e a recepção, e o que não seria nada muito extravagante, havia se tornado algo em uma igreja e depois iríamos para um salão de festas enorme e luxuoso. Isso porque Rachel queria algo mais íntimo.
Kurt estava pirando. Ele queria controlar tudo no salão de festas por telefone, enquanto planejava como vestir as crianças e sairmos todos impecáveis daqui. Ele parecia a noiva, e isso me fez lembrar que Rachel também deveria estar pirando no salão de beleza. Ela falava a semana toda sobre o dia de hoje, e em como estava ansiosa para se tornar, oficialmente, a Sra. Hudson.
O dia estava quente. As crianças corriam suadas para lá e para cá e Blaine tentava controlá-los. Puck já havia desistido, se jogado no sofá e acho que ele cochilara por ali mesmo. Eu estava ficando louco já, um por causa de toda aquela bagunça e dois por causa do casamento se aproximando.
— Pelo amor de Deus, meninos, vocês não cansam? — Blaine choramingou enquanto levantava Beth que havia tropeçado e caído de barriga no chão.
— Vamos brincar de cabra-cega? — Nate gritou.
— Vamos. Quem vai tapar os olhos? — Blaine questionou.
— Você! — meu filho e Beth gritaram apontando para o coitado do Blaine que quase chorou na mesma hora.
— Não, chega! Agora nós vamos brincar de estátua. — Puck se levantou de repente, assustando até a mim.
— Estátua é chato, papai. — Beth reclamou.
— Não é não, e quem ficar mais tempo sem se mexer, eu falo pro tio Kurt para tomar banho por último.
Eles se animaram e rapidamente fizeram poses engraçadas tentando não se mexer, e falhando consideravelmente, é claro. Pelo menos eles ficaram parados por alguns minutos, o que foi ótimo, e logo Kurt apareceu escalando a primeira criança.
— Façamos o seguinte: Finn vai com Nate e Bella para o banheiro do quarto dele. Puck fica com Beth e Bailey no banheiro das crianças no corredor do segundo andar e eu levo os meninos aqui no primeiro andar mesmo. Assim todos tomam banho ao mesmo tempo e agiliza nossa vida. Andem, vamos!
Como em um exército, Kurt era o comandante e cada um de nós, soldados, fizemos o que ele mandou. Fui com meus filhos para o meu quarto e coloquei os dois debaixo do chuveiro mesmo porque na banheira demoraria mais tempo e Kurt não parecia com muita paciência. Rapidamente eles estiveram banhados e coloquei os dois em roupões infantis em cima da cama para esperar o próximo comando. Puck apareceu com uma filha em cada braço vestindo apenas calcinhas e o rapaz completamente molhado.
— O que houve, dude? — questionei risonho.
— Digamos que elas não sejam as filhas mais fáceis de dar banho do mundo.
Kurt e Blaine apareceram com os filhos. Blaine encarou Puck com a testa franzida e depois riu.
— Agora eu e Blaine vamos levar as meninas para o quarto da Bella e vesti-las lá, enquanto Finn e Puck vestem os meninos no quarto do Nate. As roupas já estão separadas sobre a cama e POR FAVOR tomem cuidado.
Fomos ao quarto do meu filho e vestimos os três meninos, e tive que persuadir Nate quando ele reclamou da gravata.
— Assim que acabar a cerimônia, prometo arrancar isso de você.
Kurt voltou minutos depois e arrumou os cabelos dos filhos, e quando foi se aproximar de Nate para fazer o mesmo, meu filho se esquivou.
— Cabelo igual do tio Blaine não.
— Não pode sair com esses fios revoltos, Nate. — ele explicou e meu filho fez um bico enquanto Kurt o ajeitava.
As meninas apareceram e as três pareciam princesas, todas com vestidos beges com fitas douradas na cintura formando um laço nas costas e coroa de flores nos cabelos.
— Foi o que consegui para não chateá-las com os penteados.
— Ficaram lindas. — sorri.
— Eu to igual uma princesa, Déda? — Bella veio até a mim e deu uma volta sobre os calcanhares.
— Está a princesa mais linda de todo o meu reino.
Ela sorriu mostrando seus dentes pequeninos e branquinhos e me abraçou.
— Prontinho. — Kurt anunciou — Agora Finn vai tomar banho e se vestir. Blaine, querido, pode ir também enquanto Puck e eu olhamos os pequenos.
Tive meu tempo em meu quarto enquanto me vestia. Já em frente ao enorme espelho do closet, eu arrumava minha gravata e fechava o paletó, ajeitando a flor na lapela e sorrindo para o resultado. Até que eu estava bonito. Desci as escadas e todos, já arrumados, pararam para me ver.
— Uau. Está muito elegante, Finn. — Blaine foi o primeiro.
— Huddie Man, se não fosse seu casamento e fôssemos gays, eu te pegaria de jeito. — Puck zombou.
— Puckerman! As crianças! — Kurt esganiçou.
— Não posso dizer o mesmo, dude. — eu ri e ele rolou os olhos, rindo também.
— Então vamos, já são 17h, as crianças já estão devidamente alimentadas e nós estamos prontos. Ao contrário da noiva, Finn, você não pode se atrasar.
Nos dividimos em dois carros, no de Puck e no de Blaine, para que coubessem todos. Fui no carona do Puck com as três meninas atrás, enquanto Kurt e Blaine levaram os meninos. Rapidamente chegamos à igreja e eles estacionaram lado a lado. Quando desci do veículo, vi meus pais parados ao lado dos meus sogros na porta da igreja, enquanto os quatro conversavam animadamente. Eles sorriram abertamente quando me viram e me aproximei sorrindo também.
— Olha só quem chegou. — minha mãe brincou — Querido, você está lindo. Nem acredito que meu bebê vai casar.
— Está linda também, mamãe. — sorri a abraçando e dando um beijo em sua testa — Shelby, Will. Como vão? Estão maravilhosos.
— Obrigada, querido. — Shelby se aproximou me abraçando.
— Não adianta me bajular, Hudson. Ainda estou de olho em você. — Will tentou soar bravo, mas seu sorriso o denunciou e ele me puxou para um abraço — Faça minha filha feliz.
— Com certeza. — me desvencilhei do abraço e me aproximei de meu pai.
— E então? — ele perguntou — Preparado?
— Como nunca antes.
— Feliz?
O olhei sorrindo.
— Mais do que ontem e menos que amanhã.
— Então vai lá e faz a mãe dos seus filhos a mulher mais feliz do mundo. — então me abraçou.
Entramos na igreja e minha mãe me levou até o altar, ela beijou minha bochecha e limpou a marca de batom que ficara ali enquanto me olhava sorrindo, os olhos cheios d’água.
— Não comece a chorar, mamãe.
— Eu vou chorar a cerimônia toda, querido. — nós rimos. Eu tinha certeza daquilo, ela e Shelby. — Seja feliz, meu amor.
— Já sou, mamãe. — me inclinei beijando sua testa e ela foi para seu lugar no altar.
Vi Blaine entrar e se sentar na frente com os dois filhos e Bailey, e perguntei dos outros.
— Kurt e Puck estão lá fora com Shelby e Will organizando as crianças para a entrada.
Assenti e voltei a ficar ereto no altar, o padre já estava ali e hora ou outra me encarava sorrindo, eu estava começando a ficar com medo dele. Aos poucos os convidados foram chegando e eu reconheci vários rostos, alguns cumprimentaram de longe e outros apenas sorriram. Mas quem eu queria mesmo ver, não chegava.
— Mãe, é normal essa demora? — sussurrei para minha mãe, impaciente.
— Se acalme, filho. A noiva demora mesmo, é tradição. E acabou de dar 18h, então relaxe.
— Relaxar, até parece. — murmurei pra mim mesmo.
O tempo parecia estar de brincadeira, na minha cabeça eu contava os minutos, mas na verdade a cada cinco minutos meu, passavam apenas um no relógio. Bufei impaciente pela enésima vez até que vi um sinal para o tocador do órgão e então uma música suave começou a tocar. Reconheci a melodia de “I Won’t Give Up” soando pelo amplo ambiente.
Olhei para as portas da igreja ansioso e nervoso ao mesmo tempo. A primeira coisa que vi foi meu pai entrar acompanhado de Shelby, que estava visivelmente emocionada e eu já imaginava o porquê, afinal ela já tinha visto a filha. Meu pai foi para o lado de minha mãe e Shelby foi para o canto contrário ao deles. Puck e Quinn, que a propósito estava linda em um vestido azul claro, entraram em seguida como nossos padrinhos de casamento. Depois vi Santana entrar seguida de Brittany, como damas de honra, usando vestidos muito bonitos de um vermelho vivo, assim como o batom em seus lábios e o enfeite do cabelo. Depois eu quase desmaiei vendo Beth e Nate entrarem de mãozinhas dadas como daminha de honra e pajem, a loirinha segurava um mini buquê e estava linda, e meu filho parecia um mini-homem, sorrindo galante para todos que o admiravam. E então veio minha Bella Boo, sorrindo como uma princesa e andando devagar jogando pétalas vermelhas pelo tapete, assim como ela havia ensaiado e ficado empolgada para fazer. Ela me olhou sorrindo e assim que estava quase chegando ela correu para me abraçar e arrancou risadas de todos pela atitude fofa. A mandei ficar junto com a avó materna e me ajeitei, olhando ansioso para a entrada e ouvindo a melodia cessar, dando lugar à marcha nupcial. Finalmente.
As portas se abriram outra vez e eu petrifiquei onde estava. Rachel sorria em minha direção, completamente perfeita ao meu olhar. Seu braço direito estava entrelaçado ao de Will, que sorria emocionado enquanto trazia a filha para mim. Eu não conseguia desviar a atenção de seus olhos, que maquiados, transbordavam emoção e até algumas lágrimas. Seu sorriso era o mais lindo, acompanhado de seu belo vestido longo e branco com algumas pedrinhas brilhantes enfeitando o busto e ao longo da saia, sem alças. Seus cabelos estavam presos, porém alguns fios se soltavam de propósito da presilha que prendia o véu por trás de sua cabeça, o buquê tinha pétalas vermelhas e ela usava luvas até os cotovelos, como uma princesa. A minha princesa.
Eles chegaram até a mim e eu não podia ter um sorriso maior em meu rosto. Will me ofereceu a mão da filha e eu a segurei, para nunca mais soltar.
— Você está perfeita. — sussurrei. Ela entregou o buquê para Quinn que o pegou sorridente.
A música cessou no instante que nos viramos para o padre, que mandou que todos sentassem. Rachel e eu nos encaramos outra vez sorrindo, nossas mãos unidas, e o padre começou a falar. Não prestei muita atenção, afinal eu tinha uma mulher linda ao meu lado, e que confesso que não via a hora de tê-la só pra mim. O vestido era deslumbrante e tudo mais, mas ela fora dele era algo muito mais espetacular. Só percebi quando ele pronunciou meu nome.
— Finn Christopher Hudson, você aceita Rachel Barbra Berry como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de suas vidas?
— Claro que aceito. — sorri e ouvi algumas risadas ao redor.
— Ele está convicto. — o padre brincou e todos riram dessa vez — Rachel Barbra Berry, você aceita Finn Christopher Hudson como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de suas vidas?
— Aceito.
Sua voz era um sussurro entrecortado. Estava prestes a chorar.
— Nate, é a sua hora. Pode trazer as alianças.
Ri sabendo da empolgação do meu primogênito para trazer as alianças, ele falou nisso a semana toda. O vi surgir ao meu lado com uma almofadinha trazendo as duas alianças, o padre as abençoou e sinalizou para eu pegar a primeira.
— Rachel Berry, eu lhe entrego esta aliança em nome do meu amor, respeito, fidelidade e sinceridade. — falei segurando sua mão esquerda e pondo o anel no dedo correto, como eu tanto havia frisado para não esquecer.
Ela pegou o outro anel e sorriu carinhosamente para nosso menino, que estava radiante em sua posição.
— Finn Hudson, eu lhe entrego esta aliança em nome do meu amor, respeito, fidelidade e sinceridade. — ela posicionou o dedo em meu anelar esquerdo.
— Pelo poder de Nosso Senhor a mim concedido, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a Sra. Hudson.
E então eu agarrei a cintura da minha mulher e a beijei como vinha querendo fazer todo aquele dia. Rachel passou os braços por meu pescoço e eu grudei mais nossos corpos, a senti sorrir sobre meus lábios e a imitei, separando nossas bocas com pequenos selinhos.
— Eu te amo. — sussurrei perto de seus lábios.
— Eu te amo. — ela respondeu olhando em meus olhos.
E então a salva de palmas foi ouvida e nos viramos para observar toda a igreja de pé nos ovacionando. Ouvi alguns assobios dos meus amigos e acenei. Senti um par de bracinhos agarrarem minhas pernas e me abaixei pegando Bella no colo, que sorria abertamente e logo agarrou meu pescoço. Nate também veio até nós e Rachel envolveu os ombros de nosso menino em um forte abraço. Ela ignorou os possíveis protestos de Kurt que viriam sobre seu vestido e se abaixou pegando Nate nos braços, o acomodou no quadril e caminhamos pelo corredor com as mãos unidas, com nossos filhos e certos de um felizes para sempre.
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