Notas iniciais
Surpresa!Por conta da maravilhosa repercussão que teve "Remember Me" e com a ideia fantástica do meu amigo André Sampaio, resolvi escrever alguns extras para aqueles que sentem saudades da história e para quem quiser entrar no mundo da família Hudson nesse universo alternativo. Matem as saudades desse Déda e dos Little Bears dele, e se divirtam.Boa leitura.

As aulas naquele dia haviam sido esgotantes. O terceiro período estava cabeludo, eram trabalhos, debates, palestras, seminários e grupos de estudo que não acabavam mais. Eu estava morto. Ou quase, porque faltava muito pouco para que isso se concretizasse.

Cheguei na república e encontrei Puck jogado no sofá com um pacote de Doritos sobre a barriga e uma garrafa de cerveja na mão, assistindo TV. Aquele tipo de vida mole eu não conhecia nos últimos meses, mas ao que parecia o garoto dono de um moicano havia perdido mais um dia de aula.

— Hey, Huddie Man!

— Perdeu a hora de novo, dude?

— Na verdade, eu meio que atrasei o despertador de propósito. — o encarei depois de jogar o corpo exausto em uma das poltronas — Ah qual é, não faça essa cara. Me lembra a minha avó quando eu tinha 10 anos.

Balancei a cabeça, rindo.

— Assim não se formará no tempo previsto, cara. Quinn sabe disso?

— Estou me preparando para o sermão mais tarde. — ele tomou um gole da cerveja e voltou a prestar atenção na tela — Cadê a baixinha?

— Saiu com Santana, Brittany e Kurt depois da aula. Não ouvi mais nada depois de “liquidação na Victoria’s Secret”. — suspirei cansado, aproveitando para fechar os olhos e recostar a cabeça.

— O que foi? — ouvi sua pergunta depois de alguns segundos.

— Rach tá estranha. — abri os olhos e encarei o teto — Ela tá distante, parece fugir de mim e sempre que conseguimos ficar a sós, ela inventa uma desculpa para fazer outra coisa. Não sei o que tá acontecendo, mas eu to ficando preocupado.

— Deve ser TPM, dude. Mulheres são temperamentais e meio loucas. — ele riu e levou a garrafa à boca — Mas eu as amo mesmo assim.

— Rachel consegue ser temperamental em um nível inimaginável, mas tem alguma coisa errada.

Senti meu celular vibrar nos bolso da calça e o peguei enquanto Puck voltava para o filme de luta que assistia. Havia uma mensagem pendente. Abri e li o conteúdo da mesma. Era Rachel.

Se importa se ficarmos em casa hoje? To cansada e quero conversar com vc. Daqui a pouco to chegando. Te amo.

Naquele momento se passaram por minha cabeça todas as coisas erradas que eu pudesse ter dito ou feito para ela querer conversar, mas o fim da mensagem contrastava com o possível mau humor que eu estava supondo. E então o aparelho em minhas mãos vibrou outra vez.

Não se preocupe, vc não fez nada de errado :)

Sorri e bloqueei o celular novamente, me levantando e indo para o quarto que eu dividia com Rachel na república. Larguei a mochila na cadeira da escrivaninha e procurei uma roupa limpa para tomar banho, já que nosso plano de irmos ao cinema naquela noite havia sido cancelado. Melhor assim. Não que eu não estivesse animado para ir, porque pelo menos uma vez na semana combinávamos de sair só os dois para passarmos um tempinho juntos longe de todos os olhares de nossos amigos da república, mas ficar em casa e descansar, talvez assistir um filme e comer uma pizza, era uma opção de repente maravilhosa.

Entrei debaixo do chuveiro no espaçoso banheiro compartilhado por todos os seis estudantes e me livrei de todo aquele dia longo de matérias intermináveis e professores entediantes. Inclinei a cabeça para trás fechando os olhos e deixei a água morna molhar todo meu rosto, sentindo meus músculos relaxarem instantaneamente. Como aquilo era bom. Comecei a pensar em o que poderia ter acontecido para Rachel estar tão diferente, e eu não me referia à última mensagem. Ela vinha realmente agindo estranho, sem contar que eu estava com saudades dos nossos momentos íntimos, porque até nisso ela estava recuando, e isso se juntando com a faculdade sugando todas as nossas energias, estava começando a me frustrar e estressar. Eu cheguei a perguntar, certa noite depois de todos se recolherem, se estava tudo bem, e ela como sempre afirmou sem dizer muita coisa, apenas me beijou e se aconchegou para dormir.

Terminei meu banho e vesti as roupas, saindo do cômodo secando os cabelos e vi Puck passar por mim no corredor até seu quarto com o celular na orelha, e pela sua feição, era Quinn. Ri do meu amigo e fui deixar a toalha molhada na área de serviço, em seguida indo preparar algo para eu comer.

Puck apareceu minutos depois enquanto eu mordia meu sanduíche. O encarei e ele parecia nervoso indo abrir a geladeira e puxando outra garrafa de cerveja.

— Tudo bem, dude?

Ele bufou e sentou na bancada ao meu lado.

— Quinn está puta comigo, discutimos e ela desligou na minha cara.

— E você esperava algo menos que isso? — indaguei com uma sobrancelha erguida.

— Às vezes acho que Quinn pensa que manda em mim. Eu não estava afim de aturar aula nenhuma hoje e ela brigou por causa disso, disse um monte no meu ouvido e ainda por cima não quer mais falar comigo. Simplesmente cansei!

— Cara, não pensa em fazer merda agora. Esfria a cabeça e depois vocês conversam, ela deve estar furiosa agora, mas depois te procura. — dei outra mordida no sanduíche — É sempre assim com vocês.

Ele soltou uma risada pelo nariz e eu o acompanhei. Ficamos ali conversando até que escutamos o barulho da porta abrindo e então várias vozes ao mesmo tempo.

— Se não fosse você, Britt, eu quebraria a cara daquela estúpida. — escutei a voz de Santana.

— Sabemos disso, Santie. Por isso mandei Brittany te acalmar. — escutei Rachel e então sua risada.

— Tudo por causa de um gloss! — Brittany também se divertia.

— Querida, não era um gloss. Era O gloss! — Kurt se pronunciou — Era o último daquele sabor, e a mulher o levou! Sabem como isso pode ser o fim do mundo? Combinava perfeitamente com seu tom de pele, Satã.

— Eu sei disso, Lady Hummel. Estou fervendo de raiva. Não falem comigo, preciso de um banho morno pra relaxar.

E então os quatro surgiram na cozinha enquanto Puck e eu tínhamos feições estranhas pelo conteúdo da conversa.

— Satã arrumou confusão de novo? — Puck perguntou com implicância.

— Cale a boca, Puckerman! Não fale comigo você também. Vou tomar banho, Britt, você vem?

— Claro, depois preciso ligar pra casa e saber do Lord Tubbington.

As duas deixaram o cômodo e eu abri os braços para minha namorada que vinha me dar um beijo.

— Como foram as compras? — perguntei com os braços em volta de sua cintura, ficávamos quase da mesma altura agora comigo sentado no banco.

— Tirando a parte da confusão com a Santana e outra cliente, milhões de mulheres brigando por produtos e eu ter levado pisadas no pé umas cem vezes, foi legal.

Sorri e beijei sua bochecha.

— Vocês são doidos por enfrentarem algo assim. — Puck murmurou.

— Querido, liquidação não pode ser desperdiçada. — Kurt disse com um ar superior, segurando trocentas sacolas com a logomarca da loja — Rach, acho que tem coisas suas nas minhas sacolas. Depois passa lá no quarto e a gente confere.

— Ok, Kurt.

— Bom, eu vou guardar tudo isso e tomar um banho, depois que a latina e Britt resolverem liberar o banheiro. Estou morto e minha pele vai ressecar a qualquer momento.

Sua voz foi sumindo conforme ele andava no corredor. Rachel deixou meus braços e foi até a geladeira pegar uma garrafa de água. Ela voltou ao nosso lado e ocupou outro banco.

— O que fizeram depois da aula?

— Eu cheguei morto, amor. Não sabe como fiquei aliviado quando você desistiu do cinema.

Ela parou de beber a água e tossiu um pouco, se engasgando. Sua feição se tornou nervosa e ela se levantou rapidamente do banco. Franzi a testa.

— Tá tudo bem, A-Rach? — Puck falou por mim.

— T-Tá sim. Só estou cansada e preciso de um banho. — ela tentou sorrir — Finn, pode vir ao quarto daqui a pouco?

— Claro, amor. Só vou terminar de comer e já estou indo.

Ela assentiu e deixou a cozinha apressadamente. Encarei Puck e ele tinha uma sobrancelha erguida, logo dando de ombros e bebendo sua cerveja.

— Agora você entende do que eu estava falando?

— Vai conversar com ela, cara. De repente é algum problema familiar.

Comi o resto do lanche e lavei a louça antes de me dirigir ao quarto. Não a encontrei, devia estar no banheiro. Liguei a pequena TV no giro visão e me joguei na cama zapeando os canais até parar em uma série de comédia qualquer. Logo Rachel apareceu já pronta para dormir, ela sorriu minimamente e foi até a cômoda guardar seu nécessaire. A observei enquanto ela se movimentava pelo quarto e então enfim se sentou ao meu lado.

— Algum problema? — a encarei preocupado.

Ela suspirou antes de responder.

— Finn, a gente precisa conversar seriamente.

Me sentei também, sentindo minhas costas rígidas pela tensão que pairava no quarto de repente.

— O que aconteceu?

— Aconteceu uma coisa imprevista e não planejada, mas que a partir de agora vai mudar tudo.

— Não to entendendo, Rach. O que houve? O que vai mudar tudo?

Ela fechou os olhos por alguns segundos e quando voltou a abri-los, estavam cheios d’água.

— Eu to grávida, Finn.

Senti como se algo muito pesado caísse sobre minhas costas. Meus músculos enrijeceram e me senti arfar, levantando da cama e andando de um lado para outro incansavelmente.

Grávida?

Meu Deus!

Rach estava grávida! Eu seria pai! Eu, Finn Hudson, seria pai! Eu não conseguia acreditar, era como entrar em um estado de choque e não conseguir ver a ficha cair. Rachel carregava um filho meu. Um filho!

Voltei a encará-la sentada na cama, e a essa altura ela já havia deixado as lágrimas rolarem por suas bochechas. Eu não conseguia acreditar.

— C-como aconteceu? — minha voz estava baixa e assustada.

— E-eu não sei. A gente se protege tanto e... Eu não sei. Aconteceu, Finn. Eu estou grávida.

Deus, aquilo não estava acontecendo. Levei as mãos aos cabelos, nervoso, assustado, em choque, tudo ao mesmo tempo. Eu podia sentir toda a responsabilidade e a culpa caírem sobre meus ombros. Meu Deus, e a faculdade? E nossa família? O que pensariam disso? Dessa burrada que havíamos cometido?

— A g-gente não pode, Rachel. Não é o momento. N-nós nem terminamos a faculdade ainda.

— Eu sei, Finn. Eu também estou com medo, não sei o que fazer ou pensar. A única coisa que tenho certeza é que tem um bebê aqui dentro.

Ela chorava em meio às palavras. A encarei por segundos em completo silêncio e então minhas pernas me levaram até a porta, saindo do cômodo sem saber direito para onde eu ia. Encontrei Puck na sala novamente vendo TV e andei de um lado a outro antes de parar completamente, desnorteado.

— Ei, ei, ei. O que tá pegando, Huddie Man? Você tá parecendo um maluco. — ele se levantou e segurou em meus ombros, talvez por perceber minha feição assustada.

— Cara, eu to ferrado!

— O que aconteceu?

— E-eu vou ser pai, cara.

O vi arregalar os olhos e soltar meus ombros, se afastando devagar e largando seu corpo, caindo sentado sobre o sofá, encarando o nada com os olhos completamente esbugalhados.

— Finn... — ele falou arrastadamente, também em choque — Como isso foi acontecer, cara?

— Eu também não sei, Puck. Quer dizer, claro que sei. Mas eu não sei!

— Vem, senta aqui. Você precisa se acalmar.

Ele me puxou até o sofá e me fez sentar, se acomodando ao meu lado.

— Eu to me sentindo completamente perdido, Puck. Não sei o que pensar, tem milhões de coisas se passando por minha cabeça agora e eu estou confuso.

— Cadê a Rachel?

— E-ela tá lá no quarto. — sussurrei abaixando a cabeça entre as mãos, com os cotovelos apoiados nos joelhos.

— Cara, tem certeza disso?

— Ela me disse que é a única certeza que tem. Eu... Eu não sei o que fazer.

Puck se levantou de repente e foi até a cozinha, voltando com duas garrafas de cerveja e me estendendo uma.

— Toma, você precisa relaxar.

Peguei a garrafa da mão dele e abri a tampa com força, tomando um longo gole e sentindo o gosto amargo da bebida descendo por minha garganta. Ele tinha razão, eu precisava relaxar, mas como com tamanha notícia que eu acabara de receber?

— Puck, o que eu vou fazer agora?

— Cara... — ele parou por um tempo, talvez pensando na coisa certa a se dizer. Pra mim, naquele momento, nada parecia certo. — Eu não sei como isso funciona, nunca engravidei uma garota.

— Bela resposta, Puckerman.

— Espera eu acabar. — ele pediu impaciente — Mas acho que o certo a se fazer é você ficar do lado dela, apoiar e ver o que vai ser melhor para os dois.

— E o que todos vão pensar disso?

— Que se dane o resto, Finn! O que importa aqui é você e a sua namorada, e essa criança agora também. Bata no peito e assuma, como um homem, assuma a responsabilidade. Fugir como um garotinho medroso não vai adiantar nada.

— Mas cara, eu não planejei nada disso.

— Nunca te disseram que as melhores coisas acontecem ao acaso? — ele sorriu de lado e bateu em meu ombro — Vai lá, cara. Talvez isso seja algum aviso, sei lá. A Quinn entende dessas coisas. Mas o que eu quero dizer é que talvez isso seja um aviso, tinha que acontecer.

O que Puck disse não fazia sentido nenhum pra mim, mas eu acho que estava entendendo o que ele quis dizer. Realmente fugir como um garotinho não resolveria, na verdade eu nem queria deixá-la, e nem podia também. O problema era que, naquele momento, eu estava com medo.

— Preciso ir pra casa. — disse de repente.

— O quê?

— Eu preciso ir pra casa, Puck. Eu preciso falar com meu pai, não sei. Preciso conversar com alguém. Eu to me sentindo perdido.

— Cara, vai deixar ela sozinha?

— Você não está entendendo. Se eu for falar com ela agora, posso dizer alguma besteira e piorar tudo. Eu preciso de um conselho, preciso ver meu pai.

Puck não disse mais nada, apenas assentiu sem escolha e deixou que eu fosse. Voltei ao meu quarto, hesitante, porém o encontrei vazio. Rachel não estava mais lá chorando como eu a havia deixado. Eu não podia procurá-la agora, eu estava com medo. Vesti um casaco e calcei meus tênis com pressa, peguei a carteira com os documentos e as chaves e saí, sem me despedir de ninguém. O vento gelado do mês de novembro me atingiu fazendo meus pelos arrepiarem debaixo do casaco, ignorei aquilo e fiz sinal para um táxi que passava naquele momento. Dei o endereço da casa dos meus pais e o motorista deu partida, enquanto eu observava a fachada do prédio se distanciar lentamente.

Minha mãe abriu a porta e me observou com a feição primeiramente confusa e depois preocupada, talvez ao perceber a cara que eu fazia.

— Finn? O que está fazendo aqui a essa hora, meu filho?

— Mãe, eu fiz uma burrada.

...

Eu me encontrava sentado na espaçosa sala de estar da casa que um dia eu vivi. Minha mãe me encarava séria e meu pai tinha o rosto impassivo, mas eu conseguia ver através de seus olhos acastanhados a decepção.

— Finn, como pode? — a voz da minha mãe soou enfim.

— Mãe, eu estou tão surpreso quanto vocês dois. Não foi planejado, eu sequer cogitava pensar nisso em pelo menos uns cinco ou dez anos.

— Você não é mais um garoto, Finn. — meu pai falou — Não tem mais 16 anos, já é um homem e precisa agir como um. Você fez uma besteira e precisa assumi-la, não importa o que aconteça depois disso.

— Pai, eu...

— Não tem desculpas, Finn. Você engravidou essa menina e agora vai pagar pelos seus atos. Vai assumir a criança e cuidar dela, dar tudo o que ela precisar.

— E vai ficar ao lado da Rachel, meu filho. — minha mãe completou — Ela deve estar tão assustada quanto você, se não mais. Mas vocês dois são os culpados e precisam passar por isso juntos, como seu pai falou, assumir as consequências.

— Eu não queria.

— Você não queria, Finn, mas aconteceu. Não adianta mais chorar, precisa agora crescer.

Eu já sentia meus olhos e nariz arder por conta das lágrimas. Eles estavam certos, eu sabia disso, mas eu não sabia nem por onde começar.

— E o que eu faço agora?

— Agora você precisa voltar e conversar com a Rachel, ficar ao lado dela é o mais importante a se fazer agora. — meu pai disse.

— E depois?

— Depois a vida vai acontecer. Vocês terão esse bebê e vão cuidar dele. Você vai precisar crescer e ser um pai para essa criança. Simplesmente estar lá.

— Eu tenho medo de me arriscar. — murmurei.

— Medo você pode ter, filho. Mas vai precisar enfrentá-lo para chegar aonde quer. — ele se aproximou e sentou ao meu lado, tocando meu ombro — Você pode fazer isso, eu não criei um filho para desistir tão fácil das coisas.

Pela primeira vez naquela noite, eu consegui esboçar um sorriso.

— Obrigado por confiar em mim, pai.

— Eu sempre confiei e espero nunca mudar isso.

O abracei fortemente naquele momento, e ele retribuiu me apertando em seus braços. Eu ainda sentia medo, é claro, mas eu sabia que tinha pessoas ao meu lado.

— Se eu conseguir ser metade do pai pra esse bebê como o senhor foi e ainda é pra mim, ele estará feito.

Meu pai sorriu e me abraçou novamente. Depois minha mãe veio até nós e a abracei também. Fortemente. Eles eram tudo pra mim.

— Passe a noite, está tarde para voltar agora. E amanhã, bem cedo, você volta pra república e vai ficar com sua família. — mamãe falou.

A noite foi péssima. Fazia tempo que eu não dormia sem o corpo da minha namorada entre os meus braços. A minha antiga cama no meu antigo quarto agora pareceu enorme, mesmo que não fosse de fato, e pregar os olhos foi impossível depois de tantos acontecimentos. Vi o céu clarear e o sol nascer, pensando em tudo ao mesmo tempo. Agora eu precisava voltar para Rachel e viver minha nova vida a partir dali, sem fugir, apenas ao lado dela de onde eu nunca deveria ter saído.

Tomei café da manhã com meus pais e me despedi de minha mãe na porta de casa, ela segurou meu rosto entre suas mãos e beijou longamente minha bochecha. Meu pai havia se oferecido para me levar, e eu aceitei prontamente. Acenei para ela já dentro do carro e o mesmo logo saiu pelas ruas que eu costumava brincar na infância.

Quando o carro parou em frente ao prédio, eu respirei fundo algumas vezes para controlar o nervosismo. Meu pai teve a paciência de esperar eu me organizar internamente e então sorriu, afagando meu ombro e acenando para que eu fosse em frente. Abri a porta saindo do carro e olhei a fachada, era agora.

Assim que a chave girou na fechadura, eu senti meu corpo começar a tremer. A sala estava vazia, mas eu podia ouvir vozes na cozinha, deviam estar tomando café da manhã. Era sábado e mesmo assim aquele pessoal gostava de acordar cedo.

Entrei no cômodo devagar e com as mãos nos bolsos da calça, no mesmo instante a conversa cessou e todos me encararam. Santana, Brittany e Kurt tinham a expressão brava e Puck me olhava questionador e condoído ao mesmo tempo.

— Bom dia.

Apenas o garoto de moicano respondeu meu cumprimento, os outros voltaram a tomar seus cafés em silêncio e me ignorar completamente. Vi Puck apontar com a cabeça para o corredor, respondendo minha pergunta silenciosa de onde Rachel estava.

Segui para o quarto e parei na porta fechada. Lá dentro eu podia escutar a voz dela conversando com alguém, achei que fosse por telefone, no entanto ouvi a resposta que a pessoa no outro lado da linha deu. Toquei a maçaneta e respirei fundo antes de girá-la completamente e empurrar a porta de madeira. Rachel se interrompeu na conversa e virou a cabeça para mim, fechando a cara no mesmo instante. Vi o notebook na mesa da escrivaninha e a imagem de seus pais na tela, eles conversavam por Skype. Shelby e Will estavam em uma viagem pelo sul do país e quase todos os dias eles conversavam com a filha pelo dispositivo.

Enfim chegou o responsável por isso. — a voz do meu sogro soou perigosa e eu engoli em seco me aproximando cautelosamente da mesa.

— Bom dia, Sr. e Sra. Berry. — cumprimentei baixo, puxando um banquinho e me sentando ao lado de minha namorada.

Olá, Finn. Bom dia. — Shelby sorriu, simpática. Um sorriso idêntico ao de Rachel.

Bom dia, Finn. — Will foi mais sério.

— Como está Miami?

Oh, está maravilhosa.

Então, já sabem o que vão fazer a partir de agora? — Will interrompeu a esposa e foi direto, me assustando um pouco.

— E-eu... Err... A gente ainda vai conversar sobre isso, mas o que tenho certeza é que não sairei do lado da Rachel. — sorri e me virei olhando minha namorada, que tentou disfarçar um sorriso abaixando a cabeça.

Eu sei que o fará, Finn. — Shelby murmurou.

Bem, prometa, rapaz, que fará minha filha e meu neto felizes.

— É o que eu mais quero na vida a partir desse momento. — sorri para a tela — São minha prioridade agora, nunca os abandonaria.

Vi a expressão de Will mudar para alegre e suspirei aliviado. Qual é, eu ainda tinha um pouco de medo do meu sogro. Eles sorriram satisfeitos e se despediram, alegando que precisavam aproveitar aquele último final de semana na cidade antes de vir paparicarem a filha mais do que o normal. Assim que a chamada desligou, Rachel se levantou e andou até a cama, se sentando e suspirando audivelmente.

— A gente precisa conversar. — anunciei.

— Sim, precisamos. E eu espero que você não fuja de mim mais uma vez. — ela revidou, brava.

— Olha, me desculpe por ontem, Rachel. Eu estava muito assustado e em choque, eu precisava respirar e pensar com calma.

Ela ficou de pé e me encarou.

— E você acha que eu também não estou? Eu não faço ideia de como será minha vida daqui pra frente, Finn. Como vai ser a faculdade e, até alguns minutos atrás, a reação dos meus pais, que ainda bem aceitaram e não me julgaram. Mas eu ainda estou com medo.

Me aproximei lentamente para ver sua reação e ela não se afastou, deixou que eu segurasse suas mãos.

— Eu to aqui agora, tudo bem? O que eu disse aos seus pais é verdade, não vou deixar vocês nunca. Nós vamos enfrentar isso juntos, eu vou ficar do seu lado e juntos nós vamos conseguir passar por isso.

Ela abaixou a cabeça e eu ouvi uma fungada seguido de um suspiro.

— A gente nem planejou nada... — sua voz agora era um sussurro.

— A gente não planejou, mas fomos presenteados. Pense assim. As melhores coisas acontecem ao acaso.

— Mas, Finn, a gente nem terminou a faculdade, nosso salário é suado e mal sobrevivemos com ele, não temos nossa casa e...

— Ei, calma. Se acalme que pode fazer mal ao bebê. — eu disse impensadamente e vi um resquício de um sorriso em seu rosto — Eu já disse, estou do seu lado e vamos fazer isso juntos. Somos uma boa dupla, esqueceu? — finalmente ela riu e eu sorri com aquilo.

— Obrigada, amor. Você estar aqui me alivia tanto, eu fiquei com tanto medo de você não voltar. — ela olhou em meus olhos.

— Nunca, Rach. Eu precisei desse tempo e ele me fez bem, eu voltei e agora para sempre.

— Promete?

Sorri e me abaixei sobre um joelho, levantei um pouco sua camiseta e grudei os lábios em um beijo suave em seu ventre liso.

— Por vocês dois.

Notas finais
Daddy Finn ainda me mata, sem orrrr! Eu escrevo e fico assim com minhas histórias, sentido pra quê, né?Enfim, espero que tenham gostado e aguardem o próximo extra. Lembrando que não tem ordem cronológica, são apenas extras soltos.Beijo, galerinha bonita :)