Remember Me
6 Capítulo 5 - Déda wins
Notas iniciais
Querido Baby Bear,
essa carta é um pouco constrangedora pra mim, mas sinto a necessidade de escrevê-la porque acho que sem os acontecimentos que narrarei a seguir, eu não teria motivos nenhum para escrever nem essa e nem nenhuma outra carta porque você provavelmente não existiria. Eu posso estar em um momento completamente insano por lhe contar essas coisas, afinal são exatamente 3:28 a.m., sua mãe acabou de dormir com você em cima dela na nossa cama e eu, sentado na escrivaninha do nosso quarto com a iluminação só do abajur, estou me segurando muito pra não rir de você subindo e descendo com a respiração dela. Só uma xícara bem forte de café pra me manter de olhos abertos, eu não era muito fã desse líquido preto, mas depois que as aulas na faculdade vieram arrancando meu couro, as horas de estudos se prolongaram e o café foi meu único amigo da madrugada.
Enquanto escrevo essa carta, você ainda é um pedaço de gente de dois meses de vida que não constrange a gente com perguntas inoportunas. Mas eu sei que num futuro próximo elas chegarão, e não estou nada ansioso por isso. Mas eu vou lhe contar isso porque, como eu disse, é o começo de tudo, e acabou de vir na cabeça uma ideia de título:
"Como eu conquistei a sua mãe"
Tá, eu sei que peguei a ideia emprestada dos criadores de uma série de TV e só modifiquei algumas coisas, mas eles não precisam saber disso. Bom, eu e seus avós sempre moramos em Boston. Sua mãe chegou na cidade quando estava entrando no Colegial, ela veio de Nova Jersey. Daí nos conhecemos, mas não ficamos amigos de cara porque sua mãe sempre foi muito tímida e eu andava com o tio Puck, o cara intimida qualquer um. Ela era meio esquisita naquela época, não era do tipo esquisita nerd que usa óculos fundo de garrafa e aparelho, não, ela era cdf sim, mas não era chata, a esquisitice dela era que ela meio que falava demais (tá, isso ainda acontece), usava umas roupas meio infantis, às vezes era fofo, mas às vezes era broxante porque sua mãe nunca foi feia, ela era é gostosa pra caramba. Ela sentia vergonha de qualquer coisa, era engraçado elogiá-la e vê-la corando, e o seu tio Puck se aproveitou disso durante praticamente toda a nossa vida escolar (acho que até hoje ele ainda zoa ela por isso). A cada dia eu ficava mais encantado por ela, ela era diferente... Ah cara isso ficou muito clichê, to me sentindo aqueles moleques cheios de espinhas de filmes adolescentes que se apaixonam pela garota mais gata da escola (essa parte era verdade). Acorda, Finn, você é pai, pelo amor de Deus! Olha o mico... Pera eu to falando comigo mesmo? Acho que é o café ou é sono.
Enfim, o que aconteceu foi que eu me apaixonei pela sua mãe e por toda a esquisitice dela. Seu tio Puck me zoou acho que pela vida toda por causa disso, ele dizia que eu apaixonado era insuportável, ele não aguentava mais me ouvir falar da baixinha nariguda gostosa da escola. Mas tinha um único problema... Sua mãe não dava bola pra mim. É, agora você pode estar imaginando um boneco palito desenhado no ar (com gigantismo), seu coração é despedaço e pedacinho por pedacinho cai no chão junto com cada lágrima caindo de seus olhos. Foi assim que eu fiquei, meu filho. Entenda bem, um homem pode ser forte, ter toda essa pose de machão e nunca demonstrar sentimentos, mas nós choramos. Choramos, sim, meu filho. E chorar é tão normal quanto ir ao banheiro, todo mundo no planeta Terra faz. Então se um dia você sentir a necessidade de chorar, apenas chore, seja por alegria, por tristeza, por um coração partido, por decepção, por nada, só chore. Se alguém te julgar, é porque queria estar podendo fazer aquilo e não consegue.
Então, estava lá eu, cabisbaixo pela paixão não correspondida e desolado pela falta de atenção (porque além da sua mãe não estar apaixonada por mim, ela parou de falar comigo. Motivo? Desconheço.). Até seu tio Puck ficou condoído por mim, ele parou de zoar com a minha cara e entendeu o meu luto. Entenda outra coisa, filho: homem é conhecido por falar que mulher é um bicho dramático e tudo mais, mas homem pode ser muito mais dramático, homem com orgulho ferido então, piora. Só que eu tinha que dar a volta por cima, não podia ficar lá sofrendo, eu tinha que mostrar que eu não desistiria facilmente e que ela era a garota da minha vida. Podia parecer precipitado dizer isso, mas filho, quando um homem diz isso, acredite, ele tá mesmo apaixonado. Então eu resolvi que iria agir, aí comecei a pensar em maneiras de conquistar a sua mãe, porque eu precisava fazer ela me enxergar como eu enxergava ela. Seu tio Puck me ajudou bastante nessa parte, o que me surpreendeu porque ele que implicava tanto. Acabou que a grande ideia veio em uma tarde depois da aula, eu estava no meu quarto na casa da sua avó Carole e REO Speedwagon tocava no notebook enquanto eu pensava o que iria fazer. Música. Por que não? Garotas gostam de música e músicas são ótimas para transmitir sentimentos. Era isso que eu precisava, de música. Preparei tudo e escolhi a música perfeita. A primeira reação do seu tio Puck quando contei a ideia foi me chamar de mulherzinha, mas depois eu expliquei tudo e ele teve orgulho por eu pensar em tudo sozinho. Eu mal podia esperar para ver a cara da sua mãe.
I can't fight this feeling any longer...And yet I'm still afraid to let it flow... What started out as friendship has grown stronger... I only wish I had the strength to let it show... I tell myself that I can't hold out forever... I say there is no reason for my fear... 'Cause I feel so secure when we're together... You give my life direction, you make everything so clear... And even as I wander I'm keeping you in sight... You're a candle in the window on a cold dark winter's night... And I'm getting closer than I ever thought I might... And I can't fight this feeling anymore... I've forgotten what I've started fighting for... It's time to bring this ship into the shore... And throw away the oars... Baby, I can't fight this feeling anymore
"Eu não posso mais lutar contra esse sentimento" foi o que eu disse para conquistar a sua mãe. Eu nunca havia cantado para ninguém antes, mas por ela eu estava no refeitório na hora do almoço, quase toda a escola ali, tio Puck havia concordado em tocar violão enquanto eu cantava, mesmo isso implicando com a sua reputação. Faltou sua mãe desmaiar ali mesmo, ela ficou mais vermelha que o suéter que estava usando aquele dia, usou a franja para se esconder e não falou comigo até o final do dia.
Baby Bear, sua mãe era difícil. Ela brigou comigo aquele dia. Disse que eu havia feito ela passar vergonha e que, se eu quisesse me declarar, que fizesse só entre nós dois. TOUCHÉ! Ela disse essas exatas palavras, depois se embolou toda, mas eu ouvi aquelas palavras que me fizeram ganhar o dia. A música havia funcionado, eu sabia que funcionaria. A dança da vitória aquele dia foi inevitável.
O que veio depois foi esperado por mim, mas mesmo assim muito bem comemorado e bem vindo. Ela pediu para irmos com calma e confessou que vinha sentindo algo por mim há um tempo já também, mas tinha medo porque eu parecia desses que brinca com os sentimentos. Eu prometi à ela que a faria feliz, eu jurei pelas minhas baquetas. Eu devo tanto à REO Speedwagon.

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