Remains
5 Cruzamento
Quase um mês se passara e ele não via a hora de voltar para casa. Não que ela fosse grande coisa, mas era melhor do que aquele hotel. E sua relação com Eleanor estava se tornando cada vez mais tempestuosa. “ -Veio me buscar? — Você ainda tem os dados e as fotos na sua câmera? — Entre. Ele entrou e ela passou a chave na porta. -Então? — Tenho uma cópia de segurança, mas... -Mas? — Está com a Mitiko. — Ótimo... Perdi meu limitado tempo com você. Onde ela mora? — Aqui, mas não está, no presente momento. — Hoje não é o meu dia. –uma súbita enxaqueca o dominou. — Posso fazer com que seja... Ela massageou os ombros dele, com calma. — Meu tempo é contado, tchau. –ele se levantou. — Você ficou de me ensinar a atirar daquele jeito. Ela tirou o casaco, para liberar os movimentos e sacou o revolver, fazendo mira. — Não, não é assim, tem que ter um ângulo de trinta graus mais a direita... -Pretende me ensinar sem tocar em mim? ” Foi uma longa noite... ooooooooooooooooooOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOooooooooooooooooooooooo -Que bom que aceitou sair comigo Mitiko! — É, a Eleanor disse que eu precisava... Distrair. Mas ela trombou com um rapaz que andava pela praça, distraído. — Me desculpe senhorita... -Olhe por onde anda cara! Alberich sibilou, se adiantando em oferecer ajuda a garota. — Eu conheço você... – eles falaram em uníssono. Alberich se esforçou um pouco e percebeu que também conhecia o cara. — Você é da limpeza. Da equipe, na seção de assassinatos. — É, eu limpei as cenas dos últimos crimes do Fênix... -Ah, eu sou repórter do caso! -E eu, um dos detetives. -Que coincidência! Quer jantar com a gente? Alberich gelou. Só lhe faltava essa! ooooooooooooooooooooooooOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOooooooooooooooooooo — Você não tem noção da minha falta de sorte, acredita que apareceu lá um cara da limpeza, aquele de cabelo verde, e ficou no maior papo com a minha garota? — Ela não é sua garota, nem sua namorada ela chegou a ser. — Mas tava quase, até aparecer o tal do Shun. Ah, eu me chamo Shun e você? Mitiko? Lindo nome! –falou, em falsete- Que raiva! — Ai, ai... — E você em? Aí com essa cara de “não sei do que você ta falando”, mas pegou a castelhana gostosa. -Pelo amor de Deus Alberich, CALA ESSA BOCA! — O Folken fez um bom trabalho, você aprendeu a gritar como ele, atirar como ele, matar como ele... Mime acertou um soco no estomago de Alberich, e ia acertar outro, mas ele o segurou. -Se controle! -CALE A BOCA! — Não é me batendo que vai mudar a realidade! Não é fumando que vai esquecer! NÃO É SE TORNANDO DETETIVE QUE VAI TRAZE-LO DE VOLTA! Alberich chutou o peito de Mime, que cambaleou com falta de ar, e saiu. Tinha razão, sabia que tinha. Podia ser filho de um empresário falido. Podia ser filho de um bêbado. Podia ser filho de um suicida. Mas podia se orgulhar de nunca ter levantado a mão contra ele. Não ia apanhar de um cara que atirara no próprio pai.
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