Relatos de uma fracassada
8 Capítulo 8 -Inseparáveis (parte 3)
Notas iniciais
Segunda-feira.
Aline tinha ido embora no domingo à tarde quando meus pais chegaram, perguntei como meu avó estava e ele tinha tido algumas paranoias mas estava tudo bem. Daniel não me ligou nem mandou mensagens. Tudo bem que eu mandei ele ir embora, mas ele não deveria ter ido.
Eu acordei mais cedo que o normal, todos ainda estavam dormindo, me arrumei, comi uma maça e quando minha mãe se acordou me despedi e fui para escola. Era muito cedo, faltava ainda meia hora para o início das aulas, mandei mensagem para Aline.
“Já estou aqui, já está vindo?” –Amanda 8:31 A.M
Ela respondeu rapidamente.
“Não, estou saindo de casa agora” –Aline 8:31 A.M
Ia ficar aqui esperando, Aline sempre se atrasa. Vinte minutos depois ela chegou, e eu já estava apavorada, não queria que quando Daniel chegasse eu estivesse sozinha, nessas horas eu me sinto indefesa.
–Pronto. Madrugou ou o que?! –Ela veio até mim me dando um abraço.
–Dormi pouco...
–Vamos entrar. –Aline me puxou pelo braço me guiando até a sala de aula.
Ficamos lá conversando nos dez minutos que nos restava, Daniel não tinha chegadp, e então o professor entrou, era aula de Inglês. Ele estava substituindo o professor antigo, que havia se afastado porque ia fazer algum mestrado ou coisa assim. O professor novo era o cara mais lindo que eu já vi na vida, loiro, alto, dos olhos verdes, e musculoso, ao contrário do antigo que tinha uma barba pequena, e um pouco mais de idade. Eu fiquei rindo da cara de Aline quando o professor novo entrou, ela ficou se abanando e segurando forte na minha mão.
–Bom dia, me chamo Nick. –Ele falou sentado no birô, depois se levantou escrevendo seu nome no quadro branco.
–Bom dia. –Todos repetiram.
–Como todos já sabem, vou substituir o antigo professor de inglês esse ano e... –Ele foi interrompido por alguém que abria a porta da sala.
–Com licença...
–Pode entrar, senhor?
–Daniel. –Ele entrou e sentou-se do lado de um de seus amigos.
O professor continuou a aula, e Daniel não parava de me encarar, eu sentia meu coração bater forte. O sinal tocou, eu saí para o pátio, e Daniel veio até mim.
–Eu ainda não desisti... –Ele falou com um sorriso de lado.
–Eu espero que não... –Eu disse deixando escapar um sorriso, mas sem mostrar os dentes.
–Amanda...olha... –O interrompi.
–Você não tem que explicar nada, eu só não acho certo você beijar uma menina e depois sair beijando outras por ai.
–Me desculpa, eu não quis beijar a Marisa, ela me beijou e... –Eu me levantei do banco onde estava sentada. –Espera...-Ele segurou meu braço, mas não com força, e olhou nos meus olhos.
–Você me disse que não sentia nada por ela, e fez o que fez, ok, eu nunca vu entender o garotos. –Desviei o olhar.
–E é verdade, mas entenda, ela que me beijou.
–Eu já te disse que você não me deve explicações, a gente não tem nada, NADA. –Falei num tom mais alto e grosso.
–Mas eu preciso, porque eu gosto de você, e não vou aguentar perder alguém por um pequeno erro.
–Pequeno erro? –Disse indignada. — Você beija uma menina, depois vem me beijar e isso foi um “pequeno erro”?
–Eu não queria dizer isso. Só quero que possamos ser ao menos amigos, me perdoa.
–Eu sei que você está arrependido... –Bufei. -...mas só isso não basta, a gente tem que aprender com nossos erros, é assim que amadurecemos.
–É assim que nos tornamos forte. –ele continuou num tom baixo e eu o abracei, acho que deixei algumas lágrimas caírem, ele me abraçou de volta e deu um beijo em minha testa. –Você é especial. –Ele disse no meu ouvido baixinho. –Tenho sorte de ter alguém como você. –Me abraçou mais forte, até que eu o soltei. –Estamos bem novamente?
–Eu acho que sim... –suspirei. O sinal tocou e voltamos para sala.
–E aí, fizeram as pazes? –Disse Aline vindo em minha direção, eu já estava sentada e ela sentou em uma cadeira ao meu lado.
–É...
–É o que?
–Sim.
–Maravilha!! Eu sabia...
–Daniel disse que foi Marisa que beijou ele.
–Só podia, tá na cara que ele gosta de você. –Corei. –aquela víbora é capaz de tudo pra destruir as pessoas.
–Que clichê! –Nós rimos.
O dia continuou assim, nesse clima de paz, até eu chegar em casa.
–Ah Meu Deus, ainda bem que você chegou. –minha mãe veio até mim, me abraçando, ela estava chorando. Olhei para meu pai ele estava aflito, e com um telefone na mão.
– o que aconteceu? –Perguntei desesperada.
–Seu avô fugiu do asilo. –Disse meu pai que agora estava com o telefone na orelha.
–Como assim? Mas...
–Esses tempos ele tem piorado, e eu não sei mais o que fazer. –Minha mãe falou chorando, acho que comecei a chorar mais ainda.
–Vamos pro carro... –Disse meu pai, minha mãe me soltou do abraço e ele me puxou pelo braço.
Entramos no carro, meu coração estava tão apertado, eu e minha mãe chorando e meu pai se mantinha calado mas com o rosto muito aflito. Passamos horas procurando ele, já estava escurecendo e cada minuo que se passava meu coração apertava mais, era capaz de eu poder desmaiar. Só tinha uma estrela no céu, coloquei minhas duas mãos no meu peito olhei para ela e rezei, rezei, a esperança é o que prevalece.
Passamos por ruas estreitas, avenidas movimentadas, becos escuros e nada, nem um sinal, a polícia ainda não tinha encontrado nada também.
Meu avô tem 83 anos, é um velho doente e com problemas mentais, ele sempre fugiu do asilo nesses 10 anos que vive lá, faz 3 que não o vejo, e isso me parte o coração, pois ele tem piorado muito, e minha mãe nem os médicos me permitem ir vê-lo.
–Pare o carro! –Berrei, e meu pai deu uma freada violenta, abri a porta e desci, era uma rua escura com poucos postes de luz.
Minhas mãos estavam tremendo, e meus olhos inchados de tanto que havia chorado, era o pior dia da minha vida. Eu vi aquele corpo caído, no final da rua estreita, com sangue em volta, era ele, era o meu avó, tinha um corte na cabeça, meus pais logo correram atrás de mim, eu coloquei minhas mãos em seu coração e ainda havia batimentos, comecei a chorar mais, minha mãe gritava e berrava, meu pai a segurava e tentava acalmá-la. Peguei meu celular em meu bolso e liguei para emergência, em 15 minutos eles chegaram.
–Por favor, por favor moço! –Minha mãe berrava para o paramédico que estava indo em direção ao corpo caído inconsciente. Eles pegaram uma maca e com muita força colocaram meu avó nela. Entramos na ambulância junto com os paramédicos, eu, meu pai e minha mãe.
Eram dois paramédicos, um colocava tubos e respiração e o outro cuidava do ferimento na cabeça o enfaixando. Meu avô continuava inconsciente, e minha mãe desmaiou. Eu tentava não olhar para aquilo tudo, era horrível, abracei meu pai, ele retribuiu e me deu um beijo na testa, e chorei mais, além do meu coração meus olhos e minha cabeça também doíam, era como se minha alma tivesse sido torturada, eu era tão ligada ao meu avó, ele me fez acreditar em estrelas, as estrelas eram o seu Deus.
Notas finais
Olhando lá de baixo
O luar quebrado no mar
Reflexos ainda parecem os mesmos para mim
Como antes de eu afundar
E é pacífico lá no fundo
Uma catedral onde não se pode respirar
Não é preciso rezar, não é preciso falar
Agora que estou no fundo
E está arrebentando sobre mim
Mil milhas no fundo do mar
Achei um lugar para descansar minha cabeça
Nunca me deixe partir, nunca me deixe partir
Nunca me deixe partir, nunca me deixe partir
E os braços do oceano estão me carregando
E toda esta devoção estava saindo de mim
E os choques são o paraíso, para uma pecadora como eu
Os braços do oceano me libertam
Embora a pressão seja difícil de aguentar
É o único jeito que eu consigo escapar
Parece uma escolha dificil de se fazer
Mas agora estou embaixo
E está arrebentando sobre mim
Mil milhas no fundo do mar
Achei um lugar para descansar minha cabeça [...]
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