Relatos de uma fracassada
4 Capítulo 4- Coisas do coração
Notas iniciais
Eu passei um tempo sem escrever, me desculpe, é que eu tenho muitos trabalhos pra fazer, e tenho que estudar, não me saí bem nas provas, e minhas notas estão caindo em geometria, eu gostaria que você pudesse me ajudar agora, mas as vezes eu esqueço que você é só um caderno, mas mesmo só sendo um caderno, você continua sendo meu melhor amigo pra vida toda, assim como a Aline.
Hoje é sábado e à tarde eu tenho concurso de poesia na escola, não sei se já te falei, mas eu amo poesia, é como se as palavras fizessem parte de mim, e eu sinto que posso expressar minha alma nos versos, talvez eu deva ser poeta. Nunca disse isso pra ninguém, nem mesmo a Aline sabe, deve ser porque eu não acredito muito em mim, mas gostaria que você acreditasse.
Mas agora quero lhes contar sobre minha semana, o Daniel ontem, sexta, me perguntou na escola se eu queria ajuda em geometria, eu aceitei, só que não tenho certeza se ele sabe do assunto, foi por causa dele que eu estou caindo em geometria. Nós estamos muito próximos esses últimos tempos, ele sempre puxa assunto comigo nas aulas, e ontem ele segurou minha mão, eu senti um arrepio tão grande capaz de explodir.
–Veja isso...-Daniel veio em minha direção e me mostrou um papel com versos de uma música nele. Estávamos na aula de geometria, e como sempre, ele me desviava a concentração, eu acho que é de propósito.
–Que lindo...você que escreveu? –Eu perguntei, mesmo conhecendo o trecho da música, que é uma das minhas favoritas, mas tentei disfarçar.
–Não, eu estava ouvindo essa música ontem, achei legal e resolvi te mostrar a letra.
–Ah! Obrigada... –Corei na mesma hora, e ele sorriu, e eu quase que caio da cadeira olhando aquele sorriso. –Mas sabe...eu sabia que não era sua, essa música é uma das minhas favoritas, assim como o cantor. –Ele apenas riu.
–Você é uma garota legal Amanda, nunca entendi por que não nos falávamos antes, é uma das poucas amigas que eu tenho, o resto são um bando de marmanjos com skate. –Eu dei um sorriso, e ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus, foi como num sonho, só que dessa vez era real, e nós passamos a aula inteira com as mãos assim.
Depois das aulas nos ficamos no pátio conversando, ele me contou muitas histórias, a maioria sobre skate, eu só consegui ficar ouvindo ele falar, e rir com as pancadas que disse que levou.
–Eu quase nunca converso tanto com uma garota quanto com você- ele falou enquanto eu pegava um biscoito na minha bolsa. Eu corei.
–Mas e com suas namoradas? –Disse sem jeito. –Com certeza já deve ter tido muitas...-eu resmunguei com a esperança dele não ouvir.
–É diferente...não sei. E, não eu não tive muitas namoradas, na verdade só foram duas...mas e você já teve muitos namorados?
–Eu?? –Eu quase me engasguei com o biscoito nesse momento. –NÃO!! Bem...é...não, eu nunca tive um namorado na verdade. –Disse com vergonha pelo fato de ser uma das únicas garotas no colégio que nunca teve namorado. E ele só riu com a cabeça cabisbaixa, mas não foi um riso debochado, e era tão bom vê-lo sorrir. Nós ficamos calados por alguns minutos, já estávamos a quase meia hora conversando, e eu ia chegar tarde para o almoço, mas não me importei e fiquei mais um pouco ali com a esperança dele dizer algo, que foi em vão.
–é melhor eu ir, já está ficando tarde, minha mãe vai me matar. –Eu disse, já me levantando.
–Matar é uma palavra forte. –Eu ri.
–Até amanhã, você vem no concurso de poesia não vem?
–Não sei, é obrigatório isso aí?
–Não...mas eu vou participar.
–Hum...então talvez eu venha. –Eu mordi o lábio inferior tentando disfarçar um sorriso que veio de repente. E saí tentando não olhar pra trás.
Cheguei em casa e minha mãe não se importou com o atraso, o que é raro, ela é sempre muito rígida com horários.
Passei o resto da tarde pensando na conversa com o Daniel. Me desculpe se eu falei muito dele, é que...eu só estou com vontade de falar dele com alguém, e você é a pessoa mais adequada por enquanto, e estou contando tanto sobre o Dani que até me esqueci de lhe dizer que a Aline não foi na escola, eu fiquei preocupada, mas liguei pra ela, que me disse que estava com gripe, eu quis ir lá, mas não achei que fosse uma boa ideia, ela estava doente, não ia querer me ouvir falar, então só desejei melhoras.
Andei treinando bastante para essa tarde, espero me sair bem, meus pais me desejaram sorte e sei que você também deseja o mesmo. Ah! Amanhã, Domingo, vamos visitar minha irmã de novo, eu espero que ela tenha tido melhoras, não vejo a hora de poder conversar com ela de novo, sinto tanto sua falta.
No jantar, eu, minha mãe e meu pai começamos a falar sobre o meu futuro e meu pai me disse uma coisa que me fez refletir bastante, “Siga os seus sonhos não importa o que, os nossos sonhos define quem somos, e você é o seu maior bem”, eu realmente me senti aliviada por ter o apoio do meu pai no que quer que seja que eu vá fazer na vida. E sabe, se eu resolver ser poeta ou não isso não cabe a mim resolver agora, eu entendo que de uma coisa é certa: nunca é tarde para realizar um sonho, e se você tem um nunca desista, e se não conseguiu realizar, não esqueça...nada é em vão.
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