Relatos de uma fracassada
7 Capítulo 7 -Inseparáveis parte 2
Notas iniciais
Era um beijo tão doce, lento mas com tanta emoção, eu sentia que podia voar, e ficamos ali por alguns minutos, até que o afastei por falta de ar e o encarei por alguns segundos. Daniel me abraçou, eu podia sentir seu coração bater forte, acho que comecei a sorrir e ficar corada, ele me deu um beijo na bochecha e depois se afastou, e continuamos em silêncio.
–Eu não sei o que dizer...-falei, quebrando aquele silêncio incomodo.
–Nem eu...-Ele continuou, olhando profundamente nos meus olhos e deixando escapar um sorriso.
–Eu amo seu sorriso. –Falei sorrindo também e logo abaixei a cabeça “morta” de vergonha.
–O seu consegue ser mais bonito...-Ele parou e me encarou. -Ok, chega desses elogios, vamos voltar. –Daniel se aproximou colocando o braço em volta do meu ombro, e voltamos para onde nossos amigos estavam.
–Onde vocês estavam? -Perguntou Aline, correndo em nossa direção. Eu olhei para Daniel pedindo socorro, não queria falar nada, aquele era um momento tão mágico, não quero ter que explicar nada para Aline agora, e ele entendeu o recado.
–Ela só estava com raiva de Marisa, acho que inveja tem nome...-Eles riram, e eu o olhei com raiva.
–É, mas rolou algum clima, vocês estão ai abraçadinhos por que? –Ela continuou, e eu acho que fiquei paralisada.
–Nada haver...-Daniel disse tirando o braço que ainda estava em volta do meu ombro. –Ah! você tá imaginando coisa. — Ele me olhou, e saiu, voltando para o grupo que continuava conversando, isso incluía Marisa.
–Conta agora o que aconteceu! –Ela disse querendo uma resposta concreta, e sem enrolações.
–Mais tarde...- falei sorrindo e saí, e voltei para onde o grupo estava, Aline atrás de mim resmungando, e eu comecei a rir, era o dia perfeito, até que...
Um ser desprezível veio até mim já colocando o dedo na minha cara, era Marisa, me ameaçando irritantemente igual a uma criança mimada de 6 anos dando chiliques.
–Você sabe que alguém como o Daniel não merece uma mal cuidada, horrorosa como você, não se meta no meu caminho...-Eu olhei para Daniel enquanto ela falava, e ele nos encarava de forma frenética. -...está me ouvindo? ele tá me dando mole se você não percebeu, ah! E ontem nós nos beijamos. –Ela saiu com um sorriso sínico, me senti tão intimidada, que queria sumir, e chorar, era tudo o que eu queria fazer, sumir e chorar. Uma hora, Daniel dá mole pra Marisa e a beija e outra hora ME beija, eu nunca vou entender os garotos.
Eu me afastei, disse que ia no banheiro, e fui embora, peguei um taxi, e eu não tinha um tostão no bolso, mas era minha única opção, o ponto de ônibus era tão longe e eu não queria sair chorando pela rua feito uma louca. Aquela Foi a primeira vez que meu coração se partiu, ainda mais por um menino, eu só quero minha cama e meu urso de pelúcia pra me abraçar.
Recebi onze mensagens de Aline, e respondi algumas pedindo que ela viesse aqui, a mesma disse que já estava à caminho. Daniel me ligou duas vezes mas eu não atendi, eu precisava esclarecer tudo para Aline, eram 19h e ela chegou, fui direto abrir a porta, e puxa-la para o meu quarto, meus pais foram à um restaurante, e eu estava sozinha com ela.
–O que aconteceu?
–Eu e Daniel nos beijamos- Respondi, num tom triste.
–E porque essa cara triste?
–Ele beijou a Marisa ontem, ela própria me disse, quer dizer passou na minha cara e ainda me ameaçou.
–Ela vai inventar de tudo pra te colocar pra baixo, você sabe disso...
–É, mas...você precisava ver como ele olhava pra ela hoje, por isso eu saí enraivada naquela hora e ele foi atrás de mim.
–EU QUERO MATAR AQUELE CANALHA! –ela berrou, me fazendo rir sem humor.
–Não é matando ninguém que meu coração vai se recompor. –Falei triste e Aline me abraçou, eu comecei a chorar e me acolher nos braços dela, parecia uma criança chorando, cheguei a ficar com dor de cabeça.
–Sofrer por homem é o pior dos casos, eles não prestam. –Me afastei do abraço.
–Meu pai presta...-Nós rimos.
–é, nossos pais prestam, bem...e o Nath também –Ela riu e fiou vermelha.
–Sim...e como andam as coisas com o Nathaniel? –Eu falei, tentando puxar assunto.
–Eu acho que ele vai me pedir em namoro. –Ela falou com um sorriso enorme no rosto que me contagiou. –Mas não é hora de falar sobre mim e o Nath, vamos falar de você! –Aline disse segurando minhas mãos.
–Ah não!
–Ah sim...
E ficamos ali, sentadas na minha cama infelizmente falando sobre mim, mas como Aline gosta de falar muito, acabamos falando sobre o Nath também. Ela ligou para casa pedindo para dormir aqui, logo, logo meus pais chegaram e ficamos assistindo “Revenge” das 21h até as 3 da manhã, e caímos no sono, com a TV ligada, acho que mamãe desligou. Eu não respondi nenhuma ligação ou mensagem do Daniel nesse tempo, não era certo, eu sei que ele estava preocupado, mas ter contato uma pessoa pelo qual você está de coração partido pra mim só ajuda a piorar a dor, vamos dar tempo ao tempo.
Acordei eram 9 da manhã, Aline ainda estava dormindo, olhei para meu celular e havia duas mensagens.
“Estou preocupado, me ligue, o que aconteceu?” –Daniel 7:05 A.M
“Vou passar na sua casa mais tarde, já que você não me ligou. Está me evitando?” –Daniel 8:34 A.M
E eu as ignorei novamente, mas ele disse que iria passar aqui, vou pedir para minha mãe dizer que não quero ver ninguém.
–Mãe! Mãe! Mãe! –Saí berrando pela casa e nenhuma resposta.
“Fui visitar seu avô no asilo com seu pai, tem ovos na geladeira, faça panquecas. –Beijos, Mamãe.” –Havia um bilhete na geladeira com isso escrito.
Corri direto para o banheiro, escovei os dentes e tomei banho, acordei Aline. E enquanto eu fazia as panquecas ela tomava banho.
–Não sou uma boa cozinheira, mas prove e me diga se está bom. –Disse apontando para as panquecas quando vi Aline se aproximar. Ela logo colocou duas panquecas em seu prato e recheou com mel, realmente estavam gostosas, tinha de me orgulhar. Quando terminamos de comer, lavei os pratos e senti meu celular vibrar em meu bolso, aposto que era mais uma mensagem de Daniel.
“Estou a caminho, você está em casa?” -Daniel 10:02 A.M
–Daniel está vindo pra cá, me esconde!!! –Berrei para Aline.
–Você não pode fugir dos seus problemas...
A campainha tocou, só podia ser ele.
–Merda! — Falei, e Aline foi até a porta, e a cada passo que ela dava meu coração saltava pela boca. –Merda! Merda! Merda! –Saí correndo para me esconder debaixo da mesa. Ela abriu a porta, eles falaram algo e Daniel entrou. Aline vinha em minha direção, me puxando, e resmungando, até que eu saí, uma hora eu iria ter que enfrenta-lo e o pior, na escola.
Ele estava parado na sala e quando me viu saindo da cozinha se virou e me olhou de cima para baixo, meus passos estavam indecisos, parecia que eu estava indo direto para uma zona de morte.
–Oi, você não retornou minhas ligações e nem minhas mensagens, o que aconteceu? Fiquei preocupado. –Ele me olhou fixamente com seus olhos profundos com o rosto aflito uma expressão nada, nada agradável, ele sempre me olhava assim quando estava realmente preocupado. Eu não sabia o que falar, Aline imediatamente saiu da sala e nos deixou a sós, eu quero sumir.
–Você beijou Marisa? -Falei, sendo direta. Daniel me olhava fixo, e deixou sua cabeça cabisbaixa, ele ia dizer sim, droga, droga, droga!
–Amanda...eu...eu...sinto muito... -Deixei uma lágrima cair.
–Daniel, nós não temos nada, mas...se você está ficando com ela por que me beijou? merda! -Já estava chorando e de cabeça baixa, as pessoas são tão estúpidas as vezes.
–Eu não estou ficando com ela, você não se lembra do que eu te falei ontem? -Ele segurou meus braços, olhando nos meus olhos. -Ela me beijou...eu...eu não...-Antes que ele continuasse, soltei meus braços e me afastei o interrompendo.
–Eu acho melhor você ir... -Disse deixando mais lágrimas cair e indo em direção à porta.
–Amanda... -Ele me olhou daquele jeito novamente, e eu continuei apontando. -Sinto muito... -Ele saiu, andando em seu skate.
Corri para meu quarto, e Aline estava lá, dei um abraço forte nela e deitei na cama, chorando um pouco escandalosa.
–Você fez certo...
–Ele admitiu...
–Mas...-E ela não continuou a frase, não havia nada o que dizer, eu só precisava de um abraço, então me abraçou mais forte ainda, e ficamos assim, abraçadas, ela ouvindo meus soluços e eu querendo acordar, amadurecer, a vida é tão dura.
Só queria me enfiar em buraco escuro e nunca mais voltar, quer dizer, se eu já não estivesse nele.
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