Notas iniciais
Olá pra vocês, quanto tempo kkkkkkkkkkk Nesses ultimos dois meses eu estava MUITO corrida com a escola, sabe como é, brincar o ano inteiro e correr pra recuperar no ultimo bimestre, e foi isso que eu - anta - fiz. Eu tava tão lotada de trabalhos que eu não conseguia um minuto para escrever, e quando conseguia, a inspiração não vinha. Mas eu fiquei de férias agora essa semana - graças que passei direto - e vou tentar voltar a postar semanalmente. Eu não abandonarei a fic nunca, só vou ter tempos que a criatividade não vem e não vou postar qualquer merda pra vocês. Me perdoem ok? Espero que gostem desse capítulo :)

Entrei no quarto e dei uma olhada rápida nele. Quatro beliches estavam encostados nas paredes, alguns já ocupados. Escolhi uma cama num canto perto da porta, e me sentei nela. Na parede oposta havia uma porta entreaberta com um pequeno banheiro, onde se via uma pia com algumas gavetas abaixo. O quarto era pequeno e simples, bem como eu imaginei.

Olhei para minha mão ensanguentada e fiz uma careta.

– Eu posso ajudar com isso, se quiser – a garota que sentou ao meu lado na Cerimônia de Escolha disse, apontando para minha mão.

Eu não fazia idéia de como limpar um ferimento, me machuquei poucas vezes na Franqueza.

– Claro, mas eu não sei se vai conseguir salvar essa mão – eu disse fazendo uma careta pelo buraco.

Ela deu uma risada.

– Você fez um corte um pouco mais profundo que o necessário, mas dá pra salvar – ela se encaminhou para o banheiro e abriu cada gaveta, até achar uma caixa branca. Pegou um pedaço de algodão e molhou, depois, voltou para o meu lado e se sentou em minha frente.

Pegou minha mão e passou delicadamente o algodão na minha palma. A dor era angustiante, mas não gritei. Ela passou mais uma vez, e mais outra. O algodão ficou totalmente vermelho. Pegou outro pedaço e molhou com um liquido parecido com água.

– Esse vai arder, mas vai limpar o ferimento – ela me disse e passou rapidamente na minha palma.

Meus olhos lacrimejaram e eu quase gritei, mas me contive a só olhar minha palma doer muito. Depois que terminou, ela passou um esparadrapo em torno da minha mão e cortou.

– Daqui a alguns dias você pode tirar, vai cicatrizar completamente – ela me diz e se levanta. – Hum, posso ficar com a cama acima?

– Claro, e obrigada – eu digo. – Prazer, meu nome é Melissa. E o seu?

– Faith – ela aperta minha mão boa.

Me levanto e abro a primeira gaveta da cômoda ao lado do beliche. Tem algumas mudas de roupas.

– Acho que é para nos vestirmos.

Fui para trás do beliche para me trocar. Tirei a calça rapidamente e coloquei a larga e cinza calça da Abnegação. Depois, tirei o casaco e a blusa branca que estavam um pouco suadas. Pelo menos eu estava com uma camiseta por baixo. Coloquei a grande e simples blusa da Abnegação por cima. Dobrei as minhas antigas roupas da Franqueza e as coloquei na gaveta. Faith foi para trás do beliche e fez o mesmo. Logo depois, ela voltou vestida com as roupas da Abnegação.

– Temos o dia inteiro livre, o que podemos fazer?

– Vamos andar por aí, sabe, conhecer – digo, amarrando meu cabelo em um coque malfeito.

Logo depois de sairmos do edifício, andamos pelas ruas de terra, com casas idênticas uma ao lado da outra. Como eles não se perdiam aqui?

As casas eram todas pequenas, cinza e a grama aparada perfeitamente. Enquanto passávamos, algumas pessoas andavam tranquilamente na rua, sempre o olhando para baixo e conversas breves. As pessoas pareciam todas iguais naquelas roupas largas e acinzentadas. Os rostos estavam sempre limpos, e a cor dos olhos e dos cabelos que os diferenciavam. A simplicidade deles sempre me admirou, nunca pareciam olhar para si mesmos, – o que eu achava que não faziam – e o modo como tratavam as pessoas, sempre gentis, ajudando todos.

O Sol queimava em nossas cabeças, mas não me importava muito. Eu estava mergulhada em pensamentos e andava atenta a cada detalhe, cada brecha. Mas não tinha uma diferença, era tudo perfeitamente igual.

Nasci acreditando que a verdade é a coisa mais importante, que a franqueza é orgulho para todos que sempre falam a verdade. Mas a verdade não estava sempre comigo, eu não poderia continuar a mentir para todos, e para mim. Eu mentia para ser gentil, e quando percebi isso, sabia que estava no lugar errado. O altruísmo é o que sou. O jeito que as pessoas dessa facção ajudam os outros, para mim é incrível. Tão lindo, tão puro, tão simples. As pessoas aqui podem até se tornar tolas, mas a essência delas é a mais bonita, elas querem o bem em comunidade mais que querem seu bem. Tentei esconder isso quando descobri, mas as coisas sempre vão ser essas para mim. Aqui é como uma grande mãe, me acolhe, mostra que eu não sou a única que tive de fazer essa escolha difícil.

Voltamos pelo mesmo caminho, e conversamos um pouco sobre nós. Descobri que Faith tinha um irmão de 5 anos, e que ela decidiu vim pra cá com 14 anos. Ela também me falou um pouco sobre a Amizade, e eu um pouco sobre a Franqueza. Essas três facções, talvez não sejam tão diferentes.

Chegamos ao prédio logo na hora do almoço, onde todos estavam no refeitório. Ele era pequeno e simples, com uma grande mesa retangular ao centro. As paredes eram adornadas com grandes janelas, e os raios de Sol as atravessavam com facilidade. Eu e Faith pegamos uma bandeja com refeições exatamente iguais. Sentamo-nos em uma extremidade com alguns dos transferidos. Eles conversavam animadamente, e quando chegamos, logo nos colocaram na conversa. Eram receptivos, principalmente um garoto moreno que era da Audácia chamado Flinch. Ele ainda tinha alguns traços da sua facção anterior, mas estava bem acomodado com as roupas da Abnegação. Tinha uma menina da Erudição, de grandes olhos verdes e cabelos pretos ondulados, com uma postura sempre formal e um pouco incomodada no início, mas logo foi se soltando e entrou na conversa; seu nome é Alicia. O garoto que estava ao meu lado na Cerimônia de Escolha, Aaron Skullar, não estava tão à vontade. Ele falava pouco e sorria discretamente, não parecia se encaixar ali. Seus olhos cinzentos passavam com pouco interesse entre sua comida e as pessoas da mesa. Uma garoto da Amizade, Sam, mal comia, falava bastante e sorria quase sempre. Seus olhos escuros estavam sempre brilhando, como se tivesse feliz por estar ali. Aquilo me fez sorrir. Será que eu poderia ter um semblante assim até o final da Iniciação?

Outro grupo do Iniciandos Transferidos estavam mais para o meio da mesa, falavam baixo, e pareciam bem felizes também.

Logo depois de Faith se juntar à conversa, acompanhei ela. Falamos sobre o que vimos enquanto andamos pela facção, e todos pareciam interessados. Não foi nada muito interessante, mas em nosso ponto de vista aquilo tudo era tão lindo. Depois de falarmos sobre coisas aleatórias, todos tinham acabado de comer. Flinch se voluntariou para pegar as bandejas.

– Eu te ajudo, você não conseguiria levar tudo sozinho – eu digo, e pegamos cada um metade. Fomos caminhando até a cozinha em silêncio.

– Como é a Franqueza? – ele me pergunta inesperadamente – Desculpe, eu não sei como me comportar aqui, e sou um pouco curioso.

– Tudo bem – eu digo, rindo levemente – Lá é bem Preto e Branco, e só saem verdades de todos. Sabe, sempre ouvir a verdade das pessoas acaba magoando, e falar a verdade chega a ser insuportável. As pessoas, mesmo não mostrando, se magoavam um pouco com as coisas que os outros falam, e isso é tão triste de se ver.

– Eu imagino. Não agüentaria muito tempo lá sem mentir. – ele ri sem muita animação – A Audácia também não é tudo isso que as pessoas acham. Ficar pulando de trens e prédios chega a ser cansativo. Mas o que eu realmente não conseguia era enfrentar meus medos. Meus pais me chamavam de covarde e falavam que eu seria uma vergonha se continuasse sem conseguir enfrentá-los.

– Sinto muito pelos seus pais. – disse sentindo muito por ele. Se meus pais tivessem falado isso na minha cara, eu não sei se agüentaria – Os meus nem tiveram muito tempo para perceber o quanto eu estava diferente. E me transferir foi realmente uma coisa que eu precisava fazer.

Chegamos a cozinha e deixamos as bandejas. Quando voltamos, a maioria estava limpando as mesas e varrendo o chão, e outros estavam se retirando.

– Bom, agora estamos aqui, e estou realmente animado com esse mês cheio de atividades comunitárias – ele sorri animadoramente pra mim – e você, também está?

– Sim, isso vai ser realmente legal.

Ajudamos os outros a terminarem de limpar e voltamos para o dormitório.

Notas finais
Ele não é muito grande, até porque não tem necessidade de eu ficar enrolando vocês com um capítulo gigante e chato. Vou tentar postar de novo até esse final de semana pra vocês lakjslkjasasj Reviews ok? Eu sei que vocês devem estar com raiva de mim mas sem reviews eu não sei quem vai continuar acompanhando