Rei Thranduil (Em reconstrução)

14 Serva no Noivado Real(capitulo da primeira versão)


Notas iniciais
Oi gente! Não publiquei os capítulos por causa da conexão da minha internet que resolveu seguir a lei da gravidade com afinco, a gente tenta jogar ela para cima mas ela sempre cai. Este capítulo tem continuação, eu me empolguei na escrita e quando fui olhar tinha mais de 4.000 palavras. kkkk... e ainda falta eu terminar, mas amanhã à tarde publico a continuação. Não vou colocar o recapitulando para a nota não ficar muito grande. Boa leitura! ♥

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Os meus dias eram incompletos. Em dois meses sentia mais que falta das elfas e de Legolas, mal tinha ânimo para fazer algo.

E o rei? Bom, digamos que eu sentia saudades das nossas brigas, mas estava feliz por estar longe de sua arrogância, do seu mau humor, dos seus olhos intimidadores, do seu sorriso sínico, da sua voz encantadora e... Eu queria chorar. Sentia tanta falta dele que chegava a me doer.

Eu até queria às vezes sair e cavalgar pelos campos aos redores de Barahir e do Lago, mas eu tinha que estar servindo na casa dos valle ou então fazer sala para eles que, dia sim dia não, tratavam negócios e preparativos para o casamento com o meu pai na sala da minha casa; um chá para o senhor e senhora de Valle, e bolos também, que tal biscoitos? E ainda tinha que ser falsa, fingir que estava feliz com o casamento que eu nem queria. Casar com o filho belo, atraente e rico da cidade sendo uma mera serva de seus pais era mais que um privilégio.

Eu amava Thaile, mas não como ele queria que o amasse. Na verdade, eu não amei nenhum homem pra chegar a desejar ter por marido, e Thaile sabia disso, mesmo assim desejava casar-se comigo, mesmo sabendo que estava incondicionalmente apaixonada pelo rei.

Eu estava farta daquilo tudo. Eu só desejava naquele momento ver a face de Thranduil nem que fosse só por um momento.

— Annael minha querida, o que você vai querer usar no casamento? Precisamos comprar o seu vestido.

A senhora Olivia de Valle falou percebendo o meu total desinteresse na conversa enquanto contemplava a montanha solitária pela janela da sala.

— O que a senhora escolher servirá. Confio do seu gosto refinado. – Falei forçando os limites da cortesia.

— Muito bem. Então vou pedir que comecem a coser o seu vestido. – Ela completou empolgada. – Gostaria que você voltasse comigo a minha casa, precisaremos de todos os servos hoje, receberemos uma visita importante.

Só existia eu e mais uma serva naquele casarão. Muitas vezes pedi para eles chamarem mais servas e servos para nos ajudar, porém eles se recusavam sob a explicação que o monte de dinheiro em seus cofres eram para a cidade, apenas para a cidade e não para o conforto deles. Uma bela de uma mentira, qualquer um enxergava isso sem esforço algum.

— Sim minha senhora. – Respondi na posição de serva.

Deixei de lado a paisagem através da janela para pegar o meu lenço que costumava prender os meus cabelos longos para evitar que caíssem em meus olhos enquanto servia. Despedi-me do meu pai que me abraçou e beijou em minha testa. Só então sai pela porta da minha casa acompanhada da senhora Valle.

No caminho ela me dava instruções de qual utensílios usar quando a tal visita chegasse; a melhor prataria da casa seria usada, não deixar faltar vinho nas jarras, estar sempre a postos para servir assim que a visita desejasse, me manter atenta o tempo todo. Mas antes teria que limpar, novamente, toda sala de estar e também a sala das refeições, trocar os lençóis dos dois maiores quartos de hóspedes e depois ir cozinhar alguma coisa leve para o jantar.

— Sim minha senhora.

— Por Valle menina! Você está me deixando nervosa com essa frase? Vamos, anime-se! Não quero que você esteja mal humorada quando as visitas chegarem. – Ela ordenou após reclamar.

Só espero que as visitas saibam que a noiva de seu filho é sua própria serva, escrava.— Pensei com sentimento de humilhação.

Comecei assim que cheguei, tinha pouco tempo para arrumar tudo. Pedi a Marjory para ir a feira comprar o que faltava para o jantar e fui arrumar a sala de estar; tirei o pó dos móveis, limpei as janelas e troquei as cortinas de vermelha para branca, poli a prataria, esfreguei o chão. Fiz o mesmo na sala das refeições tendo mais trabalho para limpar a grande mesa de madeira até deixar o verniz brilhando. Marjory me ajudou a arrumar os quartos de hóspedes, colocamos alfazemas e folhas de eucalipto em jarros para dar vida ao ambiente e um aroma agradável.

Quando o Sol estava se pondo já estávamos na cozinha preparando o jantar. Até aquele momento só falamos de coisas referente ao que estávamos fazendo, mas na tranquilidade da cozinha a moça de olhos verdes e cabelos marrom expressou a sua curiosidade.

— Anne, você sabe de quem se trata esta visita tão importante?

— Minha querida Marjory, a única coisa que sei é que esta visita está me dando muito trabalho e cansaço. Sinto que vou desmaiar a qualquer momento. Mal vejo a hora de cair como uma pedra sobre a cama, maravilhosa cama. – Brinquei enquanto mexia a mistura de legumes e verduras na panela sobre o fogão a lenha.

Marjory sorriu, concordou, e tirou os primeiros pães e bolo do forno de barro.

— Annael e Marjory – A senhora Olivia adentrou a cozinha. – Vamos! Precisamos correr para recepcionar as visitas, eles chegaram. Marjory lave essas mãos, Annael tire o avental. Vamos! Vamos meninas!

Corremos feito loucas melhorando nossa aparência desajeitada. No entanto, o cansaço era impossível de arrancar da nossa face.

Quando a senhora Olivia concluiu que estávamos apresentáveis, seguimos até a porta de entrada. Tinha uma multidão de curiosos do lado de fora parecia que haveria uma festa na casa dos Valle.

Não demorou muito para uma comitiva surgir após virar a esquina e seguir em nossa direção ultrapassando por aquela multidão que abriam caminho. Fiquei pasma, abismada, em transi, completamente uma boba paralisada quando reconheci a armadura dos cavalheiros.

— Eu não acredito nisso! – Sussurrei sentindo meu coração se acelerar.

— O que foi? – Marjory perguntou-me aos sussurros enquanto encarava, perplexa, os belos cavaleiros que pararam ao pé da escada da casa.

— São os elfos, Marjory. São os elfos da floresta. Aquele montado sobre o extraordinário alce é o rei deles. – Parei e analisei por alguns instantes. — O que o rei veio fazer em Barahir? – Conclui.

O senhor Dan desceu as escadas todo feliz por receber ilustre e importante visita.

— Saudações rei Thranduil! Seja bem-vindo a nossa humilde cidade. É com enorme satisfação que Barahir recebe o honrado rei da floresta.

Nossa! Que babão. — Pensei repudiando a recepção exagerada do senhor Dan.

O rei desceu do seu alce e caminhou com majestade até o mestre de Barahir e o saudou, em seguida subiu as escadas e parou na frente da senhora Olivia que o recepcionava com um sorriso largo e resplandecente.

— Bem-vindo a minha humilde casa rei élfico! – Ela fez uma reverência a qual Thranduil aceitou com um leve inclinar de sua cabeça. – Estas são as minhas servas as quais serão suas enquanto estiver hospedado aqui.

Nós estávamos ao lado da porta um pouco atrás da senhora Olivia. Thranduil aproximou-se de nós então fizemos uma reverência e baixamos o olhar.

— Esta é Marjory de Barahir. – Disse ela apontando para a moça tímida. – E esta é Annael de Esgaroth, creio que já a conheceu em seu reino, ela foi dama da minha filha Dália.

Thranduil não falou nada. Vi seus pés seguirem em direção a porta de entrada. Ele simplesmente ignorou a recepção. Na verdade, ele me ignorou.

Todos acomodaram-se na sala de estar perfeitamente arrumada. Me deu um trabalho horrendo arrumar aquilo tudo, calos se formaram em minhas mãos e dedos de tanto polir e esfregar.

Marjory seguiu para cozinha para terminar o jantar. Eu queria ir no lugar dela, mas a senhora Olivia me fulminou com os olhos quando eu sugeri que ela servisse o rei. Entendendo o recado da minha senhora, eu mandei a outra serva no meu lugar.

Peguei a bandeja e coloquei as xícaras de porcelana nela, despejei o chá do bule, mel, leite e segui para servir meus senhores e o rei. No entanto o rei, que estava sentado na poltrona do senhor Dan como se estivesse sentado em seu próprio trono, recusou o chá quando eu lhe ofereci.

— Traga-me vinho. – Disse ele.

Ai que ódio eu tive!

Bêbado! — Pensei cheia de raiva e desprezo por aquele ser.

Fui até a jarra do vinho que o senhor Dan fez questão em retirar de sua adega particular, peguei o cálice de prata que espelhava a face de quem o manuseasse, depositei vinho nela e coloquei-a sobre a bandeja, depois levei ao rei que a tomou nas mãos sem menos agradecer.

Tomara que se engasgue.— Desejei com mais ódio ainda.

Fiquei de guarda ao lado da mesinha perto da entrada para a sala das refeições me proporcionando ouvir a conversa que eu realmente não queria.

— Muito bem! Vamos direito ao assunto. – Thranduil começou.

— Sim meu senhor. – Continuou o senhor Dan. – Recebemos as suas cartas no ultimo mês e declaro que nos sentimos honrados por sua escolha. A nossa filha é prendada, educada e com uma beleza que faz inveja a qualquer Lady.

— E onde está a jovem para que eu possa conhecê-la e tirar a prova estas suas afirmações?

Eu estava curiosa sobre o rumo daquela conversa, ao mesmo tempo especulava coisas, mas só uma vinha em minha mente.

Casamento?! Entre Dália e o rei? Mas o que está acontecendo aqui?!

— Eu faço questão em ir busca-la, majestade.

A senhora Olivia saiu rebolando com graça porta adentro até os quartos dos senhores.

Enquanto isso...

— Soube que o seu herdeiro irá casar-se.

Thranduil olhou diretamente para mim, e eu baixei a cabeça no mesmo instante.

— Sim. Finalmente ele irá. Se casará com a plebeia mais linda da cidade, além de inteligente. Terei netos de olhos azuis e cabelos cinzentos. – Explicou o senhor Dan com uma ingenuidade que fazia pena.

— E quem é esta jovem cuja beleza não é comparada? – O rei perguntou após um gole de vinho e mantendo os olhos em mim.

— A jovem está em sua presença, meu senhor. Melhor dizendo, à sua frente. A senhorita Annael de Esgaroth será esposa do meu filho em poucos dias.

Eu gostava do senhor Dan, ele não tinha vergonha de nada e também não saia se gabando sobre sua posição. Ele era um homem pacífico e gentil e sempre me tratou bem, nunca me desprezou quando eu estava servindo em sua casa, mas todas as vezes me prestava as honras de plebeia e não de uma serva.

No entanto, Thranduil estragou o momento de honras:

— Sua serva será sua nora. Interessante! Não será bom para sua posição, imagino.

— A Senhorita Annael é tão prendada quanto minha filha, meu senhor. Na verdade, ela quem a ensinou, visto que é sete anos mais velha que Dália. Elas sempre foram muito amigas. A senhorita será uma ótima e linda esposa, e excelente mãe, sem contar que o meu filho a ama. — O senhor Dan explicou pacificamente.

— É mesmo? E a senhorita ama o seu filho?

Thranduil me encarava com um leve sorriso sínico nos lábios, e o senhor Dan voltou os olhos para mim esperando minha resposta.

Eu procurei chão e não encontrei, como eu diria ao senhor Dan que só estava casando com Thaile para honrar a minha palavra que dei em uma aposta?

— Estamos de volta. – A senhora Olivia salvou a minha pele.

Dália estava tão apertada no espartilho que mal conseguia movimentar a sua silhueta, mesmo assim ela cumprimentou da melhor forma possível o rei que se levantou da poltrona para recebê-la.

— O que acha da minha filha, majestade? – A mãe perguntou com empolgação.

— Me parece que as suas afirmações são verdadeiras mestre Dan de Valle. — Thranduil pegou a mão delicada de Dália e a beijou.

Eu senti ciúmes. Sim, ciúmes, apesar de Dália não mostrar nenhuma felicidade com aquilo tudo.

Eu queria sair correndo daquela sala das torturas, mas fui obrigada a ficar até Thranduil ornar o dedo anelar da futura rainha do reino da floresta com um anel delicado. Eu quis morrer, morrer e morrer!

— Pode servir o jantar Annael. – Pediu-me a senhora Olivia sem conter a empolgação na voz.

Assenti e entrei de cabisbaixo na sala de jantar até a porta da cozinha. Ao chegar lá me encostei à porta, já fechada, e comecei a chorar.

— O que houve Anne, porque está chorando? – Marjory me perguntou com preocupação.

— Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida. – Respondi com a voz embargada.

— O que fizeram com você Anne?

— É melhor irmos servir o jantar. – Disse enxugando as lágrimas.

Marjory concordou mais manteve a preocupação sobre mim. Durante o jantar ela me olhava com expressão de pena enquanto cortava o bolo ou pão, enquanto eu mantinha os copos cheios.

[continua...]

Notas finais
Amanhã a continuação. ;) Até mais! ♥