Notas iniciais
Oiii! ^_^ Boa leitura!

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Caminhei sem acreditar que ele havia me chamado. Eu era uma dama e apenas as senhoras teria o direito de conhecer o rei.

Ele levantou-se com os olhos fixos no colar em volta do meu pescoço. Depois, transferiu seus olhos para a minha face. Não deixei de notar que aquele colar o chamava a atenção de uma forma intrigante.

— Então estamos aqui de novo. — Ele afirmou com frieza.

— Sim. – Falei tentando ser a mais agradável possível. — Acho que devo-lhe desculpas.

Pensei que não seria má ideia começar com um pedido de desculpas para quebrar o clima do primeiro dia ruim que me deparei com o rei. Mas Thranduil permaneceu sério e me pediu que sentasse com um gesto de suas mãos, o cavalheirismo me surpreendeu.

— Meu senhor, sabemos que começamos mal e gostaria de me retratar. – Disparei enquanto ele me encarava com olhar vago.

— Soube que tocas piano.

A maneira com que ele me silenciou formando um discreto sorriso sínico nos lábios me deixou envergonhada.

— Gostaria que tocasse para mim qualquer dia desses. – ele continuou após eu não lhe responder nada.

Não sei a expressão que fiz, mas os olhos dele nutriam um ar encantador.

— Bom...a-acho que sim. – Gaguejei um pouco desnorteada.

— Fico feliz por aceitar.

— A honra será minha, majestade. — respondi ainda confusa.

O olhar de Thranduil parecia terno. Eu tinha uma noção de como todas as moças antes de mim derreteram-se com seu olhar errebatador. Já eu tendia a ficar incomodada ser analisada como se fosse um objeto a ser comprado.

— Como você consegue? – Ele me perguntou aprofundando o olhar em meus olhos.

Desviei o olhar e pisquei algumas vezes procurando as palavras.

— Não entendi.

— Perdoe-me, vou reformular a pergunta para que entenda melhor. — Ele disse com sutileza. – Como você consegue agir perante a minha presença de uma forma tão natural?

Eu procurei mais palavras, juro que procurei, demorei até, e quando encontrei foi um tremendo fracasso.

— Bom... eu sou humana e não uma marionete. Além disso, o senhor não é um Valar capaz de me destruir apenas com seus olhos intimidadores. Então, hajo como eu realmente sou.

Eu não esperava pela reação do rei, ele sorriu, um sorriso tímido, porém divertido. Eu fiquei com cara de boba no início, mas decidi fingir rir também.

Talvez o rei estivesse tentando demonstrar que estava se divertindo com tudo àquilo quando na verdade ele queria sair correndo dali assim como eu.

— Então meus olhos a intimidam. – Ele afirmou com um largo sorriso sínico.

— Vossa majestade é suportável. Cheguei imaginando coisas horríveis sobre você, mas a verdade é que és tão só quanto eu sou. Gostei de você pelo que vejo por trás dessa sua máscara.

Apenas quando proferi tais palavras me dei conta de que havia falado demais.

— Afirma que gosta de mim. Curioso.

Fiquei sem palavras e completamente envergonhada. Então, tentei consertar o meu erro idiota e conter meus impulsos nervosos.

— O senhor é o que é, e o simples fato de cuidar tão bem de seus súditos, de seu reino, já conquista simpatias dos que reconhecem seus esforços.

Decidi jogar um pouco de água no fogo que já começava a queimar em seus olhos.

Thranduil que não era nada bobo, fingiu engolir as minhas falsas palavras. Conclui que talvez fossemos farinha do mesmo saco, mas com distinção da classes.

— Por favor, não me atire nas suas masmorras pelo que vou revelar.

Respirei fundo e me certifiquei de que estávamos distantes suficiente para que ninguém nos ouvisse:

— Eu, sem querer, ouvi sua conversa com Legolas na biblioteca. – Sussurrei

A expressão terna nos olhos de Thranduil logo se foi deixando-me em dúvidas sobre suas intenções naquele momento.

Confesso que o rei ainda era um completo desconhecido para mim, mas apenas as primeiras impressões que ele me causou o definiram como um enigma indecifrável.

Mas, eu nutri uma esperança inexplicável de que por trás daquela couraça de pedra que o rei vestiu seu coração houvesse um elfo verdadeiramente bondoso, gentil e completamente apaixonado.

— É notório que a senhorita possui desprezo ao se tratar do rei dos elfos. Não acreditei nas suas palavras sobre mim.

O observei sem entender o motivo daquela afirmação. Ele ignorou comentamente a minha revelação para tentar me a tingir. Estava com ira e agora estava-me fazendo pagar? Eu não consegui a resposta no olhar sereno dele como se ferir alguém fosse natural para ele.

— Muito bem! — ele continuou — Está dispensada.

Não acreditei inicialmente que estava sendo dispensada, mas logo me conformei, afinal eu realmente era apenas uma serviçal.

Um nó se formou em minha garganta e visíveis lágrimas quentes se formaram nos cantos dos meus olhos. Senti algo apertar meu coração até ele contorcer-se de dor.

Baixei a cabeça por alguns instantes e pisquei algumas vezes para conter as lágrimas. Talvez eu estivesse enganada, não havia qualquer resquício de amor no rei.

Quando levantei a cabeça Thranduil já estava de pé e me estendeu a mão mantendo as aparências da realeza, uma aparência que eu nunca conseguiria ter, pois não sabia ser fingida, qualquer expressão transparecia em minha face, mesmo assim tentei erguer a cabeça ainda com lágrimas presas nos cantos dos olhos.

Segurei a mão macia e leve do rei e levantei-me. Thranduil fez-me umareverência qual eu devolvi e voltei ao meu lugar.

Por fim a última moça estava de volta ao seu lugar. E eu já tinha perdido até a fome. Thranduil então caminhou até o centro do salão.

— Por favor, acompanhem-me até o jardim, teremos a companhia das árvores e flores no desjejum de hoje.

Ele estava sorrindo? Era um sorriso que vi na face daquele idiota arrogante, metido, falso?! Tahile estava totalmente certo sobre ele.

Todas acompanharam Narir até ao jardim, lá havia uma mesa grande enfeitada de guloseimas e de elfas servindo chá, a música nunca faltava.

O bolinho de morangos com creme que parecia nuvens por cima da massa amarela tinha uma aparência agradável, mas eu estava tão triste que o peguei sobre a toalhinha finíssima de mesa dos elfos da floresta e o pus de volta na bandeja.

Não demorou muito para o rei voltar sem a companhia das três moças que ficaram com ele no salão. Logo os cochichos e olhos desconfiados e surpresos se fez presente no jardim. Até Tilda aproximou-se e comentou algo como: “Pelas graças dos valars! Preciso ficar a sós com o rei.” e alguma outra coisa que eu não dei muito valor. Tudo que eu não queria naquele momento era saber do rei.

A dança das elfas até que me distraiu até eu perceber Haldir conversando com Dália que parecia tentar se livrar dele a todo custo enquanto me fulminava com os olhos. As damas convidadas para se reunir com o rei era demais para ela tinha certeza que ela iria me atormentar depois como se eu fosse a culpada.

Decidi sair dali antes que a catástrofe decidisse mostrar as faces a fim de me levar com ela. Mal repousei a xícara de chá sobre a borda da mesinha ao lado da roseira quando todos fomos surpreendidos com uma voz alta, firme e feminina gritando ao sopé do portão de entrada para o jardim:

— Caminhem depressa para os abrigos do reino, orcs estão invadindo!

Sem querer, ou talvez pela surpresa, deixei cair a xícara ao chão e um som estridente cortou o silêncio.

A agitação de moças chorando e correndo desesperadas seguindo alguns guardas duraram poucos minutos e eu não conseguia me mover mesmo que quisesse, algo prendeu os meus pés ao chão como se estivessem pesando toneladas. Detesto admitir, mas eu estava em choque.

Como orcs entrariam em um reino tão protegido? Pensar nisso chegava a ser ridículo, ou talvez as falhas na guarda fossem verdadeiras diferentemente do que eu havia pensado.

— Ande, deseja morrer?!

Nem cheguei a processar a pergunta e eu já estava sendo arrastada pelas mãos do rei.

Sem qualquer sanidade ou da gravidade da situação arranquei meu braço das mãos dele.

— Solte-me, você não é o meu rei e nem meu dono. Sei me cuidar.

— Não é hora e nem o momento para que você mostre sua ridícula educação, humana insolente e ingrata!

Thranduil aproximou-se e tentou, tentou mesmo, fazer-me andar, mas eu estava com tanta raiva que não me importava com os Orcs vindo ou com a morte.

— Quer falar de gratidão? – continuei falando. – Por acaso se importa com os seus soldados que estão morrendo tentando proteger seu reino, proteger a sua cabeça real? Eu sei me defender! Dei-me uma espada, vou ajudar.

— Eles estão cumprindo o dever ao qual foram designados ao nascerem. E você não vai ajudar.

A forma desprezível com que Thranduil respondeu fez meu coração doer mais do que devia. Pelos céus! Eu nem sabia porque eu me importava com ele, era ridículo!

— Se importa com seu filho? – Segurei as lágrimas que mais uma vez se formaram em meus olhos. – Você não se importa com ninguém , nem mesmo consigo. Você é desprezivel.

No fim, percebei que as palavras que saíram da minha garganta me doeram mais que devia.

— Você morrerá, mas não será hoje.

Ele disse ignorando os meus insultos e tirou uma adaga do cinto sob seu manto esverdeado e estendeu a mim.

— Estou certo de que és boa com adagas — continuou — Pegue esta e atire em qualquer criatura vil que surgir na porta. Caso eu seja atingido, fuja.

Acenti. Eu realmente não sabia como lhe dar com ele. Eu o insultei das piores formas com que devia insultar, mas parecia que ele preferia ignorar as minhas palavras ao invés de arrancar a minha cabeça como qualquer rei faria.

Confusa, peguei a adaga da mão do rei, ele puxou sua espada e disse:

— Ficará protegida aqui. Estarei de guarda na porta.

Observei o rei caminhar até a única porta de acesso ao jardim. Mas o que o rei não sabia era o fato de que os orcs eram bem planejados mesmo não sendo tão inteligentes e provavelmente o líder conhecia algumas artimanhas dos elfos da floresta e passou os prováveis túneis e passagens secretas do reino.

Meus sentidos estavam confusos e irracionais naquele momento.

Débil sobre o que realmente estava acontecendo a nossa volta, cega para o perigo em que nos encontrávamos, não me dei conta do orc pelas costas. Então, um barulho abafado soou atrás de mim. Quando virei-me assustada vi o corpo ensanguentado no chão, era o corpo de Legolas.

— Legolas!

Gritei aterrorizada e olhei para a direção que a flecha provavelmente havia sido disparada. O maldito Orc parecia sorrir por sua grande vitória, mas dei-lhe uma surpresa maior, desagradável e dolorosa. Disparei a adaga mirando na cabeça da maldita criatura.

O orc caiu inerte ao chão, mas Legolas estava desfalecido e por minha causa.

Desvairando-me em lágrimas virei o corpo do príncipe sobre os meus braços e senti uma agonia inexplicável.

— Por favor, ajudem-me! – Sussurrei engasgada pelo meu próprio desespero.

Cai aos prantos enquanto acariciava o rosto desfalecido de Legolas e afogada em uma agonia esmagadora.

Notas finais
Até o próximo!