Rei Thranduil (Em reconstrução)

10 Capítulo 9: No abrigo (Novo!)


Notas iniciais
Hello Leitores! ^_^ Gente! Quero agradecer de ♥ aos leitores que estão comentando a nova versão. Os comentários de vocês, por mais simples que sejam, levanta o ânimo e a varinha mágica da nossa inspiração. Gente, obrigada mesmo! Sei que alguns antigos não podem mais comentar visto que já comentaram o capítulo na versão anterior, a estes peço desculpas, mas espero que esteja do vosso agrado esta nova versão. Qualquer reclamação podem me mandar na caixa de mensagens. Boa leitura! ♥

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Por um momento observei o sangue élfico sobre minhas mãos trêmulas quando o corpo de Legolas se foi levado pelos seus soldados.

Refleti rapidamente sobre os acontecimentos que me levaram até ali, e questionei a mim mesma que importância teria uma mera serviçal para que um príncipe se importasse com ela.

Tudo que eu queria era falar com ele mais uma vez, mas nosso segundo encontro não foi nada como eu imaginava. Eu nem tive a oportunidade de conhecê-lo um pouco mais.

Cerrei os punhos e levantei-me da grama úmida concentrando-me na raiva que fazia o meu corpo estremecer, quando já estava de pé tudo ficou horrivelmente próximo dos meus sentidos.

O tinir das espadas tornaram-se som de sinos em minha audição, elevei as mãos aos ouvidos e cai ajoelhada de dor sobre a poça de líquido carmim sobre a grama. Semicerrei os olhos com um clarão e todo o meu corpo começou a formigar.

Senti cada poro do meu corpo se agitarem eriçando os pelos desde sua raiz. Inacreditavelmente eu sentia diferentes dores e conseguia me concentrar em cada uma delas, era estranhamente incrível. Até o toque da mão de Haldir em meu ombro parecia interagir com meus músculos, nervos e ossos.

Abri os olhos e descobri que a grama não se tratava apenas de pequeninas folhas na cor verde enterrada sobre a areia, havia mais em cada uma, coisas impossíveis de descrever.

Até o sangue não se tratava mais de apenas um líquido escarlate e viscoso, mas tinha transformado-se em pequeninas formas em círculos avermelhados.

Atônita, baixei as mãos dos ouvidos e fiquei feliz por não ouvir mais sons de sinos, no entanto, os diversos sons límpidos e cheios se sobrepuseram. Ouvia desde o som das águas do rio corrente do lado de fora do reino até o mínimo detalhe do caos dentro e fora dele; a prataria caindo, vidros quebrando, o som de lâminas afiadas cortando músculos espessos, tudo eu ouvia, nitidamente e sem limitações.

Permaneci pasma observando tudo a minha volta enquanto Haldir me carregava em seus braços.

Quando cai na realidade novamente já estava no minúsculo abrigo. Pisquei os olhos um pouco confusa e inspecionei o lugar avistando Legolas sobre uma cama apertada com Thranduil ao pé dela apressado cortando algo com as mãos e pondo sobre uma vasilha funda.

Levantei-me do banquinho e me ajoelhei ao pé da cama segurando uma das mãos do príncipe, o atrito da minha pele com a dele me fez sentir algo diferente, algo novo, uma sensação que eu nunca havia sentindo.

— Legolas! Legolas por que... – Engoli o nó que se formou na minha garganta. – Por que você fez isso? Deveria ter deixado a flecha me atingir!

Seus olhos semicerrados me observavam pareciam sorrir juntamente com o forçado sorriso em seus lábios.

— Por que sorri? — Eu perguntei aos sussurros segurando as lágrimas no canto dos olhos — Está ferido querido.

— Você está diferente. – Ele sussurrou entre seu sorriso. – Olhos cor de púrpura.

Pisquei algumas vezes e me perguntei se eu estava tendo mais uma daqueles sonhos que costumava.

De relance, vi Thranduil nos observar paralisado no canto próximo a cama.

— Olhe em meus olhos e diga o que vê. – Legolas gemeu com o esforço das palavras.

O encarei sem entender.

— Olhe em meus olhos e diga o que vê. – Ele repetiu com a voz fraca.

Sem querer meus olhos se encontraram profundamente com os dele e algo ainda mais incrível aconteceu.

Inclinei a cabeça para baixo e inspecionei aos meus braços um bebê de bochechas rosadas e olhinhos cuja íris espessa possuía a mistura das cores azul celeste e violeta. Ele sorria para mim e enrolava os dedinhos em algumas mechas de meus cabelos, e eu estava inexplicavelmente feliz ao ver um sorriso tão inocente, ao mesmo tempo a sensação de fortaleza e voracidade invadia o meu sistema.

Mas tudo mudou de repente, e o bebê desapareceu dos meus braços. Angustiei-me por instantes até que uma voz que gritava “Ammë!” ao longe me fez erguer a cabeça. vi um menino Élfico de cabelos dourados e olhos azuis no meio da grama alta sorrindo para mim. Observei aquele sorriso e me dei conta do gentil sorriso de Legolas.

Forcei a garganta em palavras, mas elas ficaram presas até que o menino desapareceu em um borrão como névoa branca em uma paisagem.

— Ammë.

Meus olhos voltaram aos olhos semicerrados do príncipe sobre a cama, seu frágil estado despertou-me do transe de uma visão que agora fazia parte de mim como uma lembrança.

— Legolas! – Thranduil se alvoroçou, e eu me arrastei encolhendo-me no canto da parede.

Baixei a testa sobre as pernas dobradas contra o peito. Ao primeiro grito de Legolas que se seguiu do segundo apertei as mãos aos meus ouvidos e fechei os olhos.

A dor que ele sentia doía da mesma forma em mim como se fossemos duas carnes unidas por uma mesma alma.

Quando não havia mais os gritos ou qualquer resquício de movimento ergui a cabeça.

No canto, sentando em cima do baú fechado, Thranduil se mantinha calado, pensativo e vez por outra apoiava seu rosto entre as mãos ensanguentadas sobre os cotovelos apoiados em suas pernas.

Queria chegar até ele e alimentar as esperanças de que ficaria tudo bem, mas como eu poderia dizer tais palavras se todos os meus sentimentos obrigava-me a crer no contrário?

— Sinto muito. – Pareceu idiotice quando terminei de falar, mas já era tarde.

Thranduil pareceu ter dificuldades para levantar quando decidiu verificar como Legolas estava.

— Posso garantir que Legolas ainda não morreu. – Ele disse relutante.

— Você quer ajuda?

— Não. — ele respondeu depressa.

— Thranduil. – O chamado sereno o fez olhar para mim — Sinto muito, sinto muito mesmo. Eu estava com raiva, e eu queria... gritar com você por ser tão frio comigo. Eu queria ajudar e, eu não devia estar aqui.

Ele fez uma careta em repreensão.

— Você está aqui porque desejo que fique.

Ele parou por alguns instantes

— Desejo... desejo que fique.

Foi preciso um momento de silêncio para eu processar as palavras cuidadosamente escolhidas do rei. Ele novamente caminhou até o baú fechado e jogou seu manto para trás antes de sentar-se.

Fez-se um silêncio longo, nenhum de nós sabia o que dizer, ou melhor, eu não sabia o que dizer, o rei apenas estava mergulhado em seus próprios problemas.

O observei atentamente até concluir que ser rei o fazia pensar em primeiro lugar nos outros que em si mesmo, e que naquele momento o reino e seu filho eram mais importantes que a birra de uma garota que há poucas semanas era uma desconhecida.

Levantei-me e caminhei pensando se seria um erro sentar-se ao lado dele, mesmo assim o fiz.

— Pensei uma coisa há minutos atrás. – falei, de repente.

Ele forçou um sorrisinho magoado nos lábios diante da minha facilidade em camuflar o incidente.

— É mesmo?

— Sobre você.

Ele chegou um pouco mais perto e virou a cabeça lentamente em minha direção, seus olhos azuis cravados aos meus.

— Me conte.

— Bem. – comecei um pouco relutante. – Você é um ótimo rei, independente do que pensem sobre essa sua forma dura de camuflar os seus sentimentos que o torna mal humorado.

Ele sorriu diante da minha sinceridade. Fiquei feliz por liberta-lo de seu peso por alguns instantes. Mas ainda procupava-me com Legolas,no entanto tente não transparecer naquele momento.

— Vejo que se preocupa com seu povo, — continuei — seu reino, e isto não pode ser classificado como egoísmo. Em seu lugar faria o mesmo.

— Mesmo? – Thranduil falou com um sorriso sínico nos lábios.

— Bom – Pensei no que iria dizer. – Pensando como rainha, sim faria. — Espero que saiba escolher a moça certa pra governar ao seu lado, os Elfos e Legolas merecem uma boa rainha e uma mãe.

O sorriso dele logo desapareceu dando lugar a uma expressão vazia, me fazendo arrepender-me das palavras logo em seguida.

Sem hesitar, ele segurou a minha mão entrelaçando seus dedos aos meus. Ele claramente sofria, mas parecia tentar se distrair com as minhas palavras.

Fui obrigada a parar de falar por alguns instantes quando os dedos de sua outra mão tocaram a pele do meu rosto descendo em um caminho lento e tênue em direção ao meu colar.

Não o impedi, apenas fechei os olhos e me concentrei no efeito que aquele toque tinha em meu corpo, tão intenso que me fez estremecer, perder o controle da minha respiração, dos meus movimentos até perceber que meus dedos não estavam mais entrelaçados aos dele, mas em seu punho apertando-o.

Então ele parou um pouco acima dos meus seios salientes sobre o vestido.

Abri os olhos encontrando-os com a face do rei tão próxima a minha que podia sentir a sua respiração tão controlada. Senti vergonha por minha agitação enquanto ele se mantinha tão firme.

Me dei conta de que não sentia aversão pelo rei, mas o desejava de uma forma que sentia raiva por ele ser rude comigo enquanto era um poço de carisma com as outras moças. Descobri que não sabia lhe dar com aquilo, e que eu estava incondicionalmente e perdidamente apaixonada por ele.

— Realmente você está diferente, Anne. – Ele falou baixinho ainda próximo a meu rosto.

Baixei o olhar.

— Obrigado – ele sussurrou. – Pelo menos agora tenho certeza de que, por um pequeno momento que estamos realmente juntos sob condições ruins, você e eu sentimos a mesma coisa.

Ele tocou o meu maxilar e o ergueu cuidadosamente para que nossos olhos se encontrassem novamente. Meu coração se encheu com a ternura que, pela primeira vez, conseguia ver em seu olhar, uma mistura de amor e dor.

— Desejo que fique aqui conosco por tempo que quiser ficar, até mesmo para sempre.

Thranduil roçou a ponta do seu nariz ao meu.

— Eu realmente pensei que não poderia piorar as coisas. – pensei em voz alta.

— Shhh.. — o rei pediu-me silêncio com um dedo sobre os meus lábios.

— Assim como o brilho das estrelas são infinitas do mesmo modo é o seu brilho, criança. No entanto, toda a estrela passa por momentos difíceis antes de sua explosão de luz, e eu desejo que me permita ser o meio para esta explosão acontecer.

Eu não entendi de inicio o que aquelas palavras significavam.

— Preciso de sua ajuda para salvar nosso... – Ele parou e pareceu refletir. – Meu filho.

Não houve tempo para dar-lhe uma resposta sem pensar, que seria sim sem levantar qualquer pergunta. O rangido da porta o fez afastar-se rapidamente; uma luz brilhante invadiu o abrigo.

Uma barrufada de guardas varreu nosso abrigo e rapidamente Legolas, o rei e eu fomos, mais uma vez, separados.

Notas finais
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