Rei Thranduil (Em reconstrução)
7 Capítulo 6: As primeiras palavras (Novo!)
Notas iniciais

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No salão todos estavam em silêncio observando o comportamento do rei.
Eu jurava que ele iria dizer algo, mas ele elevou a sua mão direita ao peito esquerdo, inclinou um pouco a cabeça e nos cumprimentou em saudação élfica. Aliviada, fiz o mesmo gesto por impulso. Quando elevei a cabeça o rei percorreu seus olhos dos meu pés a cabeça com a boca entreaberta.
"Será que errei?" — Me questionei em pensamento
À alguns passos do rei, Legolas olhava em nossa direção como se estivesse se divertindo com o estado do rei, completamente sem ação e perplexo.
Senti a presença de Tahile e Dália ao meu lado. A minha senhora me cutucou discretamente com o cotovelo, e Tahile segurou a minha mão direita, ele me puxou para mais uma reverência que Dália nos acompanhou.
Após a formalidade, viramos as costas com o rei ainda lá parado, e caminhamos pelo centro do salão com todo mundo nos olhando. Minhas pernas tremiam.
Por cima do ombro olhei em direção as figuras esplêndidas no altar. O rei continuava imóvel no mesmo lugar, de cabisbaixo e punhos fechado. Já Legolas, pegou um novo pergaminho e continuou o chamado.
— O que foi aquilo Annael? – Dália perguntou perplexa ao meu lado.
— Não faço ideia. – Menti.
— Ah, por favor! – Resmungou Tahile. – É obvio que aquele rei velho e arrogante ficou impressionado com você Annael, não se faça de tonta, você é bela.
— O rei?! – Reprovei Dália com um olhar pelo quase grito. – Você só pode está maluco irmão.
— Não dê importância para o que seu irmão fala. O rei não ficou impressionado comigo coisa nenhuma, ele só quis ser gentil em nos cumprimentar, pois a sua família é ainda desconhecido pelo rei élfico. – Tentei enrolar com tal história.
— Pode ser. – Concordou Dália – Bom, acho melhor pegar mais um cálice de vinho, parece que esta apresentação não vai terminar nem tão cedo
Tahile esperou a irmã sair para me importunar mais um pouco.
— Você pode enganar minha irmã, mas a mim jamais. — Amanhã, após a reunião com o elfo rei, iremos embora.
— Deixe-me em paz Tahile! — Disse entre dentes.
Virei-me e andei a passos largos em direção de Narir e Aranin deixando Tahile para trás aparentemente furioso.
— Você foi perfeita na saudação élfica, minha querida. – Cumprimentou-me Narir com um largo sorriso e um abraço.
— Você foi privilegiada, o rei nunca saúda de forma élfica pessoas da cidade dos homens ou qualquer outra raça. – Comentou Aranin também sorrindo.
— O rei foi apenas gentil. — Tentei explicar.
A verdade era que até eu estava confusa e me questionava o que ele viu em mim para agir daquela forma, não aprecia ser o feitio dele. Ou talvez eu estivesse bem apresentável para uma reles dama.
Fiquei com as duas elfas até as apresentações terminarem.
A música começou a tocar novamente, e todas as moças élficas e também algumas humanas como a Arya, filha de Bair, filho de Bard e sua filha Tilda ainda solteira, e Dália, animaram-se.
— É a última dança Annael. Não vai dançar? – Perguntou-me Aranin.
— Não, já dancei. Obrigada por perguntar Aranin. – Demonstrei desinteresse.
— Como não vai?! – retrucou Lauren. – Ah! A senhorita não vai perder a valsa solene dos elfos.
— Prefiro ir até os jardins tomar ar puro. Com licença.
Sai sem deixar brechas para novas perguntas. Não estava acostumada ser rodeada por tantos, e depois do vexame que passei seria melhor eu sair dali correndo.
"Talvez seja algo de errado comigo. Qualquer um reconhece a cara de uma serviçal mesmo que por baixo da pompa." — pensei enquanto, chateada, caminhava em direção a porta lateral.
O jardim de fato foi a melhor escolha e o melhor lugar para mim. A tranquilidade das árvores dormentes, a paz e a nostalgia através das trêmulas luzes das lamparinas somado ao som distante da dança solene dos elfos dentro do salão, formava o ambiente perfeito para ler se eu tivesse um livro naquele momento, mas me contentei apenas a contemplar as estrelas.
Algumas estatuetas ornavam e embelezavam ainda mais o ambiente: imagens de elfos com espadas, arco e flechas e outras faziam menção de algum acontecimento antigo e importante.
Caminhava tranquilamente pelo jardim e respirava fundo o ar frio e tranquilo do lar dos elfos da floresta. Ali não era de se admirar que receberam a graça de vida longa. Mas pra minha surpresa este pensamento foi contrariado
— Ah, minha doce Ellenya! — Ouvi uma branda voz por trás dos altos arbustos alguns passos à minha frente — Por que fui amaldiçoado desta forma? Por acaso outrora fui um príncipe mal perante meus súditos ou perante os Valars?
A curiosidade me levou a aproximar-se e espionar entre s frechas dos galhos emaranhados e me surpreendi ao vistar o elfo com seu longos manto carmim lamentando-se frente a uma elfa cujo ramos de flores serpenteavam pelo seu corpo imóvel. Era linda para uma estátua perfeitamente esculpida, chegava a pensar que nela havia vida. Mas que o encanto da bela estátua foi forma submissa com que o rei Thranduil conversava com ela.
Eu ficaria mais, ouvir aquilo seria pagar todas as opiniões formadas sobre ele e saber de coisas interessantes, mas o fraco barulho que fiz ao, com as mãos, reposicionar os galhos do arbusto me denunciou.
— Mostre-se da escuridão quem quer que seja.
Estremeci. Aquela voz branda deu lugar a uma autoridade de dar medo. Afinal, ele era um rei e eu uma serviçal que agora sabia que o imponente rei da floresta conversava com estátuas. Eu iria morrer, tinha certeza disso.
Dei a volta pelo arbusto pensando no que diria e continuei encarando o chão quando me revelei.
Silêncio. Esperei que ele repreende-se-me, revelasse sua sentença, me questionasse, mas fui obrigada e levantar a cabeça.
Imóvel. O rei nada disse, e da mesma forma com que se comportou lá no salão, ali ele permanecia imóvel me avaliando, mas desta vez, sem exibir qualquer expressão.
— Perdão, meu senhor! Não tive intenção alguma de segui-lo, ou de bisbilhotar... — Falei sem esconder o nervosismo — ... apenas escolhi o jardim quê a dança.
— Pelo visto não o único que não aprecia danças.
A surpresa na minha face foi mais que evidente pelo grandioso momento que vi algo parecido com um leve sorriso nos lábios do rei o pronunciar tais palavras, e muito mais por tudo de ruim que ele poderia fazer contra mim naquele momento se desmoronar, tudo que falavam sobre ele cair por terra.
— Achei o jardim mais tranquilo, meu senhor — falei ainda surpresa — As estrelas brilham mais aqui... Peço sinceras desculpas por estar aqui no momento errado. — Insisti
O rei nada disse e muito menos eu. O que diria ele a um desconhecida, ou o que eu diria a um rei? O único som que quebrava o nosso silêncio era a nova música vindo do salão ao longe.
Decidi por fim falar algo, pedir licença e me retirar mas as palavras formaram um nó em minha garganta quando inesperadamente ele me fez um convite.
— Abrirei uma exceção.
Percebi a relutância com que ele pronunciava cada palavra. De certo era um esforço ser gentil visto a imponência com que ele se mostrava a todo instante dentro daquele salão, exceto fora das vistas de todos.
— Concede-me esta dança?
— O quê? — Perguntei por impulso.
— Perguntei se... a senhorita me concede... — Ele parou e fechou os olhos aparentemente tentando recuperar a sanidade que de fato a perdera — Melhor voltar ao meu posto.
Quando o rei virou-se e caminhou lentamente em direção ao salão e observei sua mãos fechadas em punhos forçando as unhas em sua carne, tentei imaginar como ele se sentia, como era ser rei e ter que mostrar ser algo que realmente não era apenas para manter as aparências, ser inquebrável quando de fato era o contrário. Tentei imaginar o que ele teria isto em mim para que me convidasse a uma dança, talvez fosse pelo fato de eu ser a seiçal cuja senhora Legolas fez questão em ir buscá-la pessoalmente. Cheguei a conclusão de que ele tentava se aproximar de mim para ajudá-lo a aproximar-se de Dália.
— Meu senhor — O chamei assim que percebi o verdadeiro objetivo — Sim, concedo a dança.
O rei parou, pelo o movimentar de seus ombros percebi que um peso tivesse saído de seus ombros.
Ao aproximar de mim o rei ainda possuía o olhos fixos em minha face, cheguei a me sentir como se fosse um objeto a ponto de ser comprado. Ele me encarava de uma forma que nada e nem ninguém desviava a sua atenção, e isso estava me deixando nervosa.
Dentro do salão o som da valsa élfica começara. Reverenciei rei e dei-lhe a mão. Ali bem perto do rei, podia sentir a essência da mistura de flores silvestres que ele exalava. Era cítrico, agradável, desejável. Sua pele tinha uma vida inexplicável, parecia cintilar. Me peguei desejando saber qual seria o gosto de seus lábio levemente rosados e com cheiro de doce qual o ar de sua expiração exalava por sua boca entreaberta cima e tão próximo ao meu rosto. Ele era atraente, estranhamente irresistível, e com uma beleza surreal.
Os pelos do meus corpos eriçaram-se quando a mão do rei quando segurou a minha cintura e me puxou devagar mas pra perto de si.
— Não tenha receio — ele disse — aqui você é uma convidada.
Eu de fato não me sentia confortável, do contrário o rei estava.
Assenti e iniciamos a dança cheia de passos solenes e rodopios, até que o som ficou mais brando e o passos bem mais devagar. Neste momento eu me sentia mais calma, confiante e o rei pareceu se divertir aparentemente coisa que ele não fazia há anos.
— A estrelas representam memórias — ele disse
— Uma vez meu pai me falou o mesmo, quando eu era mais jovem. — Disse com um sorriso ás lembranças de meu pai contando-me histórias sentado no banco de madeira na frente de casa.
— Seu pai é um sábio, uma raridade entre os homens. Qual o nome dele mesmo?
— Alíon Di Millenia, senhor.
— Vive em Barahir como escritor?
— Sim.
— Por que és uma dama se o posto do seu pai é tão grandioso?
Me sentia em um interrogatório, e de fato estava. O rei se propôs a me interrogar e eu não estava nem um pouco á vontade de contar-lhe sobre o infortúnio com que eu me tornara serviçal e meu pai devedor, não para o rei, iria parecer que eu era um pobre coitada merecedora da compaixão do rei elfico.
—Digamos que aconteceram coisas que são de cunho pessoal.
Quando falei percebi como as palavras soaram e pelo modo com que o rei parou de dançar afastando-se ao soltar minha cintura, conclui que fui desprezível e rude para com cortesia do rei.
— Sinto-me honrada pela dança concedida, majestade. – Tentei disfarçar.
O rei nada proferiu. Depois de alguns segundos esperando toda sem jeito a resposta do rei, ele apenas assentiu com uma leve inclinação de sua cabeça, virou e seguiu andando pelo jardim em direção ao salão.
Senti-me uma ninguém, e de fato eu era. Também era merecedora do desprezo dele depois de ser tão grosseira.
Eu fiquei sem ação seguindo com os olhos o rei que se sei foi à passos firmes e rápidos mantendo seus punhos apertados. Imaginei que ele desejasse socar a minha face, que não me espantaria, só pelo fato da minha ousadia.
Recobrei as minhas ações e caminhei sozinha até a entrada do salão, mas para quê me serviria voltar lá se eu iria ver o rei alheio a minha presença. Mas por que eu me importava com o que o rei achava de mim? Talvez por querer vista como eu mesma, ser tratada ou julgada de boa forma sem que a minha condição significasse algo.
Jurei que enquanto estivesse ali iria evitar o rei de todas as formas que eu pudesse evitá-lo, pois a presença dele me fazia sentir-se estranha, arrepios e sensação desconhecidas percorriam meu corpo, meu coração acelerava-se mesmo quando ele me deixou.
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