Rei Thranduil (Em reconstrução)
20 A desolação de um elfo(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
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Passei dias preocupada com o reino da floresta, com Legolas, com Thranduil.
Ao invés de ser levada para os salões, fui levada para casa novamente, sobre a afirmação que os portões do reino estavam rodeados de Orcs e me colocaria em perigo novamente.
Para agradecer tudo o que Legolas fez por mim o abracei firme e beijei em sua face, e ele me compensou com um sorriso meio preocupado.
As palavras que Legolas pronunciou acariciando o meu rosto delicadamente antes de montar ao cavalo branco e partir, “Ammë, Ni melda tye”, por dias perambulou em minha mente. Legolas ousou me chamar de mamãe e dizer que me amava em linguagem Sindar mesmo depois de eu ter insultado a memória que ele tinha de sua mãe.
Será que eu realmente era a Elen estrela da manhã, a Elen Aurë mãe de Legolas e esposa de Thranduil?
Eu só sentia amava Thranduil e Legolas mais que a minha vida, e talvez eu aceitasse de uma vez que todas aquelas visões com Thranduil e o reino da floresta poderia ser fragmentos de memórias de uma vida passada.
Era meio dia quando uma voz conhecida implorava em minha porta.
— Vim em nome da honra e do dever que tenho para com o meu lar. Como soldado de honra e home élfico peço que deixe-me falar com a senhorita Anne.
— Aldir?! – Pensei, e com uma enorme felicidade corri para fora do me quarto dando de cara com meu pai e Aldir do lado de fora da porta aberta.
— Aldir! Por Varda, finalmente Thranduil pediu que me buscassem!
Abracei Aldir como se ele já fizesse parte da minha família.
— Eu também senti a sua falta, senhorita. Todos nós sentimos. – Disse Aldir com um sorriso gentil.
Convidei-o a entrar mesmo sobre a desconfiança do meu pai a qual eu fingi não perceber. Aldir nos saldou com a saudação élfica e adentrou a casa, pedi que ele sentasse, no entanto ele recusou da forma mais educada que conseguiu.
— Hoje o rei me confiou mensageiro, sou portador da mensagem do rei élfico. Mas não me contento com o conteúdo da mensagem e eu preciso revelar toda verdade mesmo que passe por cima da minha palavra.
— Não dou a minha permissão para que toque em uma assunto há muito tempo enterrado sobe sete palmos abaixo da terra! – Papai protestou tentando controlar sua raiva.
Encarei o meu pai por alguns instantes com desconfiança.
— Quero saber qual é esta verdade que meu pai não quer que eu saiba. – Me voltei para Aldir e continuei: — Estou ouvindo Aldir.
Percebi que o elfo pensou duas vezes antes de falar.
— Por Esgaroth, Aldir! Conte-me de uma vez! – Obriguei-o nervosa.
— Você é a renascida rainha da floresta, a mãe de Legolas, a verdadeira e única esposa de Thranduil Greenleaf. – Aldir disse sem rodeios.
— Já estou sabendo dessas suspeitas às quais ainda não tenho certeza. Mais alguma coisa além do que já me forçaram a ficar ciente?
Aldir olhou para o meu pai como se estivesse ainda esperando permissão para continuar.
— Pelo visto o assunto é muito grave. – Disse serenamente enquanto encarava o meu pai. – Estou esperando Aldir.
— Por favor senhor escritor, não acha que já é tempo dela saber? – Aldir o pressionou com tranquilidade.
Meu pai sentou-se em sua velha poltrona, e passou a encarar a lareira parecendo se desligar de tudo a sua volta. Então, me virei para Aldir e levantei uma sobrancelha.
O elfo assentiu e me conduziu até o sofá perto da janela, sentamos e ele começou a falar enquanto olhava a paisagem lá fora:
— Há vinte e seis anos, um elfo Noldor por nome de Finron pertencente a família da senhora Galadriel, resgatou uma bela jovem de longos cabelos dourados que estava perdida na floresta aos redores de Lórien. A moça permaneceu aos cuidados da senhora Galadriel por vários meses.
“...Com o passar do tempo a afeição de Finron aumentou pela bela e prendada jovem. Sempre que seu olhar encontrava os dela era como se a vida dele se ligasse a dela, era como se apenas ela existisse em seu universo. Eles passaram a se encontrar todos os dias em um lugar que só eles conheciam, até que um dia o elfo branco declarou o seu amor por ela entregando-lhe seu coração para sempre. Mesmo sem os laços do casamento eles se entregaram, mas para a tristeza de Finron a moça foi levada a força para a sua cidade, Esgaroth...”
“...A jovem era prometida a um casamento do qual ela fugia, o noivo era um homem simples escritor na cidade onde vivia, era um bom homem, mas o coração da jovem pertencia ao elfo de Lórien...”
“...Então a moça dourada descobrira que estava grávida. Desesperada, ela enviou um mensageiro a Lórien que carregava uma carta destinada a Finron, nela a jovem contara as boas novas e Finron, o elfo branco, jubilou com a notícia e, desesperado, cavalgou ao encontro da jovem em Esgaroth, estava disposto a arranca-la da casa do pai malvado, mas já era tarde. Lá, diante de seus olhos, havia a celebração de um casamento antecipado e a jovem dourada em seu vestido branco, em lágrimas aceitava...”
“Eu soube que Finron passou vários dias confinado em seus aposentos antes dele me enviar uma carta contando-me tudo em detalhes. Cavalguei até Lórien, mas quando cheguei no reino ele já havia partido ao sono dos élfos. O meu amigo Finron morreu de tristeza...”
“...Passei a vigiar a amada do meu amigo afim de cuidar para que nada acontecesse a ela e ao bebê mestiço que carregara no ventre...”
“...Certo dia me apresentei e dei a notícia da morte de Finron, a bela jovem pranteou a morte de seu amado em meus braços, a dor dela era imensurável. Por cinco meses ela permaneceu aos meus cuidados, então houve o ataque do dragão na cidade do lago. Felizmente eu consegui tira-la de lá...”
“...Foi na noite antes da batalha dos exércitos que você nasceu, menina Annael. A sua mãe a nomeou Annael, presente das estrelas na linguagem nobre e antiga dos Eldar, e só então ela morreu com você em seus braços. Mas eu fui o primeiro a segura-la em meus braços e no momento que vi a marca Lua crescente em seu ombro me dei conta de que você era renascida dos élfos, pois só os renascidos possuem esta marca.”
Fiquei chocada. Mesmo querendo gritar, berrar, chorar, eu não conseguia.
Virei a cabeça para o meu pai sentado em sua poltrona encarando a lareira imerso nas lembranças da triste e desgraçada noite em que perdera a minha mãe.
Durante toda a minha vida o meu pai sempre falava da minha mãe com ternura e nunca escondeu o quanto a amava. Então, eu soube que a minha mãe amava um elfo desconhecido e dele gerou uma criança, eu.
Fiquei imaginando o quanto foi doloroso para o senhor Alion ao saber que teria que casar com uma mulher grávida de outro e ainda ter que criar o filho dele. Senti-me uma intrusa mesmo eu não tendo culpa de nada.
— Por que não e contou papai? – Perguntei com tristeza. – Todos estes anos o senhor ocultou de mim a verdade. Por que não me contou da mamãe e o elfo branco, e que eu sou filha bastarda? Por que não me contou que Aldir foi o tal elfo que salvou vocês?
Observei meu pai encarar a lareira sem piscar os olhos por alguns segundos antes de suspirar e enxugar algumas lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
— Eu amava a sua mãe desde que ela se tornou uma bela moça. – ele começou a falar. – Luna Adamedel era a filha mais nova de sete filhas e era rejeitada, maltratada e forçada a trabalhos pesados por seu pai, pois ela também foi fruto de um amor proibido de sua mãe Irina...
“...Eu queria tira-la das garras daquele homem horrível, então trabalhei duro para que o senhor Adam me concedesse a mão dela em casamento. No entanto, Luna rejeitava o um pedido embora que me tratasse com gentilezas e elegância todas as vezes que sempre me via, e então ela fugiu. Quando o pai dela soube a caçou como se tivesse casando um animal, e quando a encontrou a chicoteou vinte vezes mesmo sabendo que ela estava grávida. No mesmo dia ele a forçou casar-se comigo, lembro-me que pedi para que ela encostasse em mim diante do altar, pois mal conseguia ficar de pé pela dor que sentia em suas costas em carne viva, foi preciso as servas a enfaixarem varias vezes as suas costas para que o sangue não manchasse o seu vestido branco. Passei a noite de núpcias cuidando de suas feridas enquanto ela chorava e abafava o grito em seu travesseiro. Em seus delírios Luna chamava por Finron... Eu só queria cuidar dela, fazê-la feliz e dar tudo que ela não teve. Quando ela foi embora me deixou um presente, um presente das estrelas, você minha filha. Não lhe contei a verdade antes, pois tinha medo de perde-la para sempre.”
Meu pai retirou o lencinho que sempre carregava em seu bolso e enxugou as várias lágrimas no seu rosto. Nunca tinha visto o meu pai chorar como naquele dia e nunca mais o vi chorar depois.
Levantei-me, ajoelhei e abracei as pernas do meu pai também em lágrimas.
— Você é a minha filha independente do que aconteceu no passado. É a minha filha branca como a Lua. – Meu pai declarou timidamente enquanto acariciava os meus cabelos com ternura.
— Eu também te amo papai. – Sussurrei.
— Desculpe-me interromper. – Falou Aldir. – Mas a senhorita precisa ler a carta do nosso rei.
Aldir estendeu o braço e me apontou a carta, de imediato me levantei e a peguei das mãos do elfo, quando comecei a ler senti como se uma lança tivesse atingido o meu coração.
Annael de Esgaroth peço-lhe que me perdoe por qualquer desgraça ou constrangimento que eu tenha lhe causado. Meditei por vários dias sobre tudo o que está lhe acontecendo depois que se envolveu conosco e conclui que será que você ficará longe de perigos estando longe de nós, de mim. Em Barahir você estará segura, e, por favor, siga com sua vida, case-se e tenha filhos, seja feliz que eu também seguirei com a minha vida imortal como antes.
Namarië!
Thranduil Greenleaf
Deixei a carta cair ao chão. Engoli em seco o nó que estava em minha garganta sentindo os meus olhos arderem com as lágrimas quentes que se formaram e depois escorreram por meu rosto.
Preocupado com a minha reação paralisada, o meu pai levantou-se e segurou forte em meus dois ombros:
— O que diz a carta do rei élfico, minha filha?
Sentindo tudo dentro de mim se contorcer em dor, e a única luz que me restara ser engolida pela escuridão, nada respondi ao meu pai.
Aldir já sabendo do que se tratara o assunto da carta, tomou o lugar do meu pai e me chacoalhou levemente agarrado aos meus ombros:
— A senhorita não pode desistir de Thranduil, ele irá definhar em tristeza e nosso reino perderá mais um rei! – Dizia com sua voz mansa.
— O rei Thranduil não deseja mais a minha presença em sua vida, não posso força-lo a nada. Sinto muito, Aldir. – Deixei o meu orgulho movido a dor da tristeza trancar o meu coração novamente.
— Você não pode fazer isso conosco, Annael. Você é meio elfa e possui a marca branca da Lua crescente assim como nossa ultima rainha, Elen estrela do amanhecer que também foi uma renascida de outra vida. O nosso rei também possui uma marca, e acreditamos que vocês estejam destinados a ficar unidos vida após vida e por toda a eternidade. Você não pode deixa-lo, deixar seu filho Légolas, deixar os Elda.
Dei um passo para trás obrigando Aldir me soltar, e ainda o encarando destinei as minhas palavras a meu pai.
— Papai, aceito o pedido de casamento de Thaile. Diga ao senhor Dan que peço desculpas pelas minhas ações de moça imatura e que estou disposta a aceitar o filho dele e honra-lo como noiva e depois como esposa.
— Mas minha filha o rei élfico...
— Sem mais, papai. – Interrompi o meu pai, engoli novamente outro nó na minha garganta e me despedi do gentil Aldir. – Obrigado pela cortesia Aldir, e por tudo que tem feito por mim desde o meu nascimento. Passar bem.
Segurei as lágrimas quando me virei e segui em direção ao meu quarto, deixando para trás um elfo contristado, Aldir seria o ultimo elfo que eu veria. Quando cheguei no quarto tranquei a porta, me recostei nela e escorreguei as minhas costa por ela até sentar-me no chão imergindo-me nas lágrimas de angustia e dor que me envolvia o meu coração.
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