Notas iniciais
Depois de uma semana sem inspiração alguma, e depois de muitos rascunhos, consegui escrever o capítulo. Estou passando algumas coisas na minha vida pessoal que está me afetando na criatividade. Desculpas gente. Decidi usar passagens do filme "O Hobbit - A batalha dos cincos exércitos". Espero que gostem. Boa leitura! ♥

ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ

Sob a névoa que parecia cobrir toda Rivendell, e com aquela sensação estenda de estar imersa em um sonho, eu deslizava os dedos pelos livros da biblioteca do rei Elrond.

As pilhas de livros cuidadosamente rumados em todas aquelas prateleiras me faziam devanear imaginando o conteúdo daquelas belas páginas. Desci e subi várias vezes pelas escadas em forma de espiral para admirar os muitos andares à cima de chão. Encontrei-me sorrindo com alguns livros que eu nunca tinha lido na minha vida, até eu me virar e esbarrar com o senhor Elrond.

— Oh, por Erù! Queira me perdoar, meu senhor, eu não percebi a sua presença. – Disse meio constrangida.

— Não é necessário desculpa-se senhorita. Bem conheço que livros a deixa fora deste mundo. – gentilmente e com um leve sorriso ele me falou.

— E acho que o dom de esbarrar nas pessoas me perseguirá em qualquer vida.

Ambos sorrimos.

— Vim avisa-la que a comitiva que a levará de volta a Mirkwood está pronta, reservei a melhor égua para que possa cavalgar com tranquilidade. Todos a esperam no portal.

— Obrigada senhor Elrond. – o reverenciei.

Eu ainda saldava Elrond quando ouvi um eco débil de um uivo. Agucei os ouvidos e escutei outro.

— Ouviu isto?

— Ah, sim! – Elrond pareceu um pouco insatisfeito ao confirmar. – Aquele lobo negro vem aqui a cada seis luas e espreita à beira das montanhas após a nosso trilha.

— Thaile! Ele está vivo?

— Sim, de fato.

Sai em disparada escada abaixo mantendo um sorriso largo estampado na face. Corri pelos esplendorosos jardins suspensos de Rivendell.

Desci as escadas que dava para o portal de entrada do reino e parei quando avistei Thaile parado bem ao sopé dos grandes pilares de pedra.

Os cavalos da comitiva de cinco elfos já estavam a postos e alguns elfos esperavam em minha despedida.

Avancei em direção a meu amigo meio abismada.

— É, admita que eu continuo bonitão. – ele lançou seu sorriso torto que me fazia sentir coisas estranhas.

— Co-como você permanece assim? – Gaguejei.

— Segredo da raça, minha querida. Não são só os elfos que podem viver eternamente, ou meio elfo como você. A propósito, você agora é uma vovó assim como minha irmã Dália com seus bisnetos, com a diferença das rugas as quais você não tem.

— A propósito...

Dei um soco bem no meio de sua bela face. Thaile foi lançado ao chão. Admito quefiquei impressionada, da ultima vez que fiz tamanha ousadia quebrei o pulso.

— Au! – ele grunhiu. – Você agora é uma louca forte, lembre-se disso! – coçando a mandíbula, thaile levantou-se irritado.

— Uma lição por você ter me raptado e por isso os Orcs quase me mataram. E isto... – Me joguei em seu corpo e o abracei. – É porque você ainda está aqui, vivo.

Thaile me apertou em seu corpo quente e másculo enterrando o rosto em meus cabelos.

— Nunca sairei de sua vida Anne, ao menos que queria.

— Você é meu amigo Thaile. Eu quero que continue aqui.

Ele me apertou ainda mais em seus braços.

— Mas tenho que voltar para o rei.

Ouvi um rosnado abafado vindo da garganta dele, e com muito esforço ele disse:

— Vá! Estará mais segura com aquele velho arrogante que comigo.

Levantei a cabeça e o encarei dando a entender o meu pensamento: “Hã?! O que você falou mesmo?”.

— Não me olhe assim. – Ele suspirou e tentou esconder a raiva. – É, admito que quase te matei. Pronto! Está feliz agora?

Fiquei na ponta dos pés e encostei meus lábios aos dele, em apenas um leve e rápido beijo, e disse após ele:

— Por você não ter me deixado virar marionete de Orc na floresta. Você e a Layla. A propósito, ela ainda vive?

— Sim, claro, ela é uma elfa.

— Perai! A Layla é uma elfa e você é amigo de uma elfa?

— Não acha que está mais que na hora de você ir de volta ao buraco do elfo velho, arrogante, metido...

— Chega Thaile! – suspirei afim de não perder o controle. – Tenho que ir, mas não se afaste mim. Ao chegar em “Mirkwod” – enfatizei a palavra, Thaile revirou os olhos. — Falarei por você a Thranduil, e tenho certeza que mesmo ele não suportando a sua presença permitirá que eu possa vê-lo.

— Obrigada Anne. – Ele me abraçou. – Eu ainda amo você, e se não der certo com o velho, estarei por perto. Não me importo que você seja uma vovó de mais de mil anos.

Thaile gargalhou. Livrei-me dos braços dele e sorrindo dei um soco bem forte em seu ombro.

— Au! — Ele resmungou com uma careta de dor.

Em seguida montei na égua, e me dirigi a Elrond:

— Agradeço sua hospitalidade e a dos seus elfos. Obrigada por ter guardado-me em meu sonk durante todo este tempo, esperado o meu retorno. Mirkwood estará em dívida com Rivendell. Quando precisarem estarei aos seus serviços.

Os elfos, a princesa Arwen e o rei Elrond me reverenciaram. Eu não esperava por tantas reverências, eu ainda me sentia a Annael, a plebeia de Barahir. Embora que eu lembrasse-me da minha primeira vida, a Annael confusa e indecisa gritava dentro de mim.

Após cinco dias estávamos diante dos portões de Mirkwood. Eu estava tão feliz, meu coração batia tão forte pelo simples pensamento de que em instantes veria novamente a face do meu amado rei.

Os elfos silvestres nos recepcionaram com alegria. Alguns levaram os elfos de Rivendell para seu descanso, e Aldir, após me abraçar forte e abençoando-me aos sorrisos, me disse:

— Acompanhe-me senhorita. O rei Não está ciente da sua chegada e para ele será uma surpresa, pois não sabia ao certo o dia de sua chegada.

Assenti com um sorriso nos lábios e o segui rumo a sala do trono.

Aldir se pôs a minha frente, ele era mais alto que eu de forma que Thranduil, que conversava com Legolas que antes se fez portador da notícia do meu despertar, não poderia-me ver à sombra de Aldir.

— Meu senhor. Sou portador das boas novas. Eis o retorno da nossa rainha.

Aldir se pôs de lado e eu surgi de trás de suas costas. Fui acomentida completamente das lembranças ao avistar a face de Thranduil me olhando com surpresa.

De relance vi Legolas sorrir ao lado pai.

Thranduil caminhou até mim como se estivesse flutuando sobre macias nuvens. Ele estava ainda mais belo que antes; o vigor em sua pele e sua beleza se firmou ainda mais, parecia que o tempo o deixava ainda mais vívido, o contrário do que acontecia com os homens mortais. Estava mais jovem desde a ultima vez que o vi definhado em tristeza e desespero na guerra em Gundabad para salvar uma mera plebeia mortal como eu.

Fiquei muda diante de sua presença, queria falar, mas as palavras se retinham ardendo em minha garganta. Ele da mesma forma estava. Apenas nos declarávamos em nosso olhar.

Para não parecer uma tola, engoli em seco e arrisquei falar:

— É um prazer revê-lo, meu senhor. – Reverenciei-o como se devia, afinal, eu ainda era uma plebeia.

— É uma honra recebe-la em meus salões novamente, Annael de Esgaroth.

De relance, mais uma vez, percebi Aldir e Legolas entreolharem-se sem entender o que estava acontecendo. Talvez pensassem que o tempo deixou Thranduil e eu loucos, ou talvez estavam pensando que Thranduil não sabia que eu havia desperteado com todas as minhas lembranças. Mas o fato era que eu ainda me sentia a Annael, e embora eu tivesse sido esposa de Thranduil em uma vida passada, no presente eu era apenas uma meio elfa e não era casada com aquele magnífico rei.

— Creio que deseja descansar após sua longa viagem. – Thranduil virou-se para o elfo de cabelos castanhos. – Acompanhe-a até o seu antigo quarto e providencie o necessário para que não falte nada para nossa convidada, Narir a espera.

Confesso que fiquei decepcionada, eu esperava que ele me abraçasse. Sei lá! Mas não deixei a minha frustração nítida. Sorri e o saudei com as saudação dos elfos. No fundo eu desejava mesmo retirar as luvas, as botas, a calça e o vestido élfico para cavalgada.

Aldir me conduziu de volta pela ponte de acesso ao trono e eu ouvi Legolas falar algo para o rei, mas ele o pronunciou tão baixo que eu não entendi bem.

Ao entrar pela porta do meu quarto avistei Narir, Aranin e Lauren me esperando. Elas levantaram-se rapidamente e me atacaram juntas em um braço.

Passamos o dia rindo atoa; elas com as histórias que eu contava da minha primeira vida, e eu com as histórias que elas me contavam que aconteceu durante a minha ausência; Lauren apaixonou-se por um elfo arqueiro que lhe trazia flores todos os dias; Narir retinha um amor por Aldir que sequer percebia o olhar que ela lançou em sua direção quando entrei no quarto, olhar este que eu percebi de imediato antes; Aranin se mantinha entregue a tecelagem e algumas vezes se aventurava a correr pela floresta matando à flechadas as aranhas que ainda resistia na floresta, ela até me mostrou com empolgação a sua recente cicatriz quase invisível.

A noite caiu rápido, e eu não estava nem um pouco cansada, mas Narir me obrigou a ir para cama como se eu fosse uma criança.

Elas saíram do quarto assim que deitei-me sobre a cama, e quando me vi sozinha levantei-me, joguei sobre a minha camisola leve um manto de linho na cor azul celeste, lembrei-me dele nas vésperas do meu casamento com Thranduil na primeira vida. Sorri com a lembrança.

O manto arrastava-se ao chão quando caminhei em direção a varanda, eu queria respirar novamente o ar floral daquele lindo jardim do outro lado da porta. Mas quando afastei as cortinas avistei a face de Thranduil do outro lado. De imediato girei a maçaneta da porta e a escancarei.

— Thranduil! – Sussurrei

Mesmo surpresa, o convidei a entrar. Me senti nervosa com a presença dele em meu quarto, da ultima vez que tínhamos ficado sozinhos em um quarto eu estava disposta a me entregar a ele por completo.

Eu falaria algo idiota se ele não tivesse me interrompido:

— Talvez esteja se perguntando o que eu pretendia espreitando através de sua janela como um ladrão na calada da noite.

Ele se mantinha de costas para mim enquanto acariciava com seu dedo indicador a pétala da rosa azul sobre o jarro em uma mesinha redonda ao lado da porta. O rei, então, a retirou de lá e virou-se caminhando em minha direção:

— Lembro-me que admiras as rosas azuis.

Assenti e permaneci calada, muda feito uma boba.

Thranduil me ofereceu a rosa em sua mão, a tomei e logo a levei próximo ao nariz e respirei o doce aroma que ela exalava.

— Obrigada, meu senhor. – Agradecei com cortesia.

— Preciso confessar algo que me atormenta desde que vi seu rosto novamente. — desviei o olhar das petalas azuis para os olhos do rei igualmente suave e belo como aquela rosa. — Quando você se foi, eu não queria as lembranças, e por muito tempo me calei sobre você diante de todos, até de nosso filho.

— Como é?! – Perguntei chocada. – Legolas era apenas uma criança quando parti para o sono dos elfos, e você escondeu-me dele? Porque fez isso Thranduil? Você sabia qur eu o amava mais que minha vida e mesmo assim você o privou das lembranças sobre mim? Como você pode...

Ele me interrompeu repousando o seu dedo indicador em meus lábios, depois de contornar delicadamente a forma deles, acariciou o meu rosto.

Thranduil estava tão perto com seus olhos ternos e hipnotizantes aprofundados aos meus olhos que era impossível não sentir o coração aquecer.

— Não me repreenda, Elen. Eu te amo tanto, você não imagina o quanto te amo. Tanto que não tomei nenhuma mulher em meu leito desde que você se foi. O meu amot por você foi verdadeiro, e ainda é.

Aos sussurros ele me declarava e uma lágrima de repente rolou por seu rosto.

Me senti uma vilã. Eu tinha roubado o coração daquele elfo, e de repente, sem mais nem meus, o deixei com sua dor e uma lembrança eterna.

— Tudo que eu te dei se foi. Tremeu como se estivesse acabado. Achei que tínhamos uma dinastia impossível de abalar. Uma dinastia nunca feita antes. Uma dinastia indestrutível. A cicatriz que eu tentava curar jamais consegui fazê-lo. Quanto mais curava, mais machucava.

Sentia triste pela dor que o meu rei ainda sentia com suas tristes lembranças sobre àquele terrível dia. Afim de reconforta-lo, levantei a minha mão e toquei seu rosto. Ele fechou seus olhos entregando-se as carícias.

— É difícil ver se você foi um tolo, ou eu uma vilã. – Disse com pesar.

— Talvez você seja uma vilã que tornou o tolo mais feliz de todos os reis e de todos os Elda. surgiu como uma estrela através do escuro labirinto em que eu me encontrava. — Ele sussurrou ainda com os olhos fechados.

— Você encontrou-me em um milhão nesta e na outra vida, meu rei. Me sentia perdida sem você.

— Agora você é o início de mais uma página da história que eu estou novamente construindo.

Thranduil abriu seus olhos e estendeu a sua outra mão que estava fechada em punho, quando ele a abriu um novo anel com uma pedra das gemas brancas de Lasgalen se mantinha escondida entre seus dedos, logo reconheci a pedra sobre ela.

— Quando recuperei seu colar do rei dos anões após a batalha ao pé da montanha do reino de Erebor, pedi que forjassem um anel com uma pedra do colar que você deixou e foi tirado de nós, talvez inconscientemente eu soubesse que você voltaria para mim. E agora eu humildemente estou em sua presença não como um rei, mas como um homem imortal a lhe pedir que dê-me novamente a honra de ser a minha esposa, e agora construa uma dinastia fortalecida através do infinito amor que sinto por ti.

Senti lágrimas quentes se formarem em meus olhos a ponto que não consegui conta-las. E com a voz tremula e um feliz sorriso nos lábios, respondi:

— Sim! Mil vezes, sim.

Pela segunda vez dos muitos dias que eu estive com Thranduil o vi sorrir daquele jeito.

O elfo colocou o anel em meu dedo anelar, depois segurou em minha cintura, puxou-me para perto do seu corpo e beijou-me de uma forma que eu pude sentir ele dizendo-me através de seus lábios macios o quanto me amava.

Eu sentia a felicidade correr pelas minhas veias e pelo sorriso de Thranduil entre os meus lábios. E então, ele foi-se da mesma forma que entrou, como um belo ladrão esgueirando-se na noite pelos jardins encantados do seu próprio reino.

ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ

Link da música Dynasty by Miaa — Clic aqui

Notas finais
Beijos! ;)