Rei Thranduil (Em reconstrução)
19 Perseguida por Orcs (capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
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Os raios do Sol ainda não tinham mostrado o ar de sua brilhante e esplendorosa graça sobre todo aquele breu que cobria a Terra Média. Não sei quanto tempo a veloz criatura corria me carregando em seus lombos. Na verdade, eu estava perdida até quando cogitei pular, mesmo sabendo que a queda não seria a mais agradável para mim, mas então a criatura de repente parou.
No local que parecia um pequeno acampamento, havia uma fogueira acesa ainda protegida debaixo das copas das árvores, graças a sua luz vi nitidamente a criatura que me carregara para a morte, era um enorme lobo. Sim, um lobo que ultrapassava minha altura enquanto de pé, uma criatura de longos e macios pelos da cor negra.
A fera baixou-se encurvando as patas dianteiras e me fez escorregar para fora de seu lombo. Quando estava no chão me virei com cautela para encarar o animal, deste modo qualquer movimento que ele fizesse para me atacar eu perceberia, todavia vi mais detalhes da bela criatura.
Posso ser louca ao confessar que achei a criatura bela, mas esta é a verdade, apesar de sua cara enraivecida e por me mostrar seus dentes afiados. Havia algo nos olhos amarelo ouro da fera, que tinha a beleza sombria da noite, que me chamava atenção.
A fera foi aproximando de mim devagar como se pretendesse me amedrontar antes de cravar os dentes na presa. O rosnado súbito que rasgou da garganta da criatura me fez recuar devagar até que uma pedra gigante, que delimitava a floresta do inicio do vale das montanhas cinzentas, me impediu de prosseguir e foi quando a fera encostou o focinho na minha testa.
Fechei os olhos e arrisquei as minha ultimas palavras:
— Mate-me logo, fera.
Apertei ainda mais os olhos com o pensamento em que tinha adiantado a minha morte, mas fui surpreendida com uma enorme língua úmida e pegajosa esfregar-se na minha bochecha.
— Que nojo! – Limpei a bochecha com a manga do vestido. – Está provando qual é o meu sabor?! Fera idiota! – A criatura rosnou bem na minha face.
— Ele não vai te machucar. – Uma voz feminina soou bem atrás do lobo.
A criatura virou-se e foi em direção a uma mulher com uma capa marrom que cobria a sua cabeça, os olhos dela brilhavam em azul celeste sobre as chamas da fogueira a qual ela atiçava suas braças com um galho.
— Quem é você? E como conhece esta coisa?
A jovem se aproximou de mim e retirou o capuz da cabeça revelando seus cabelos claros e fortemente ondulados.
— Você faz muitas perguntas. – Ela disse sorrindo.
Fiquei encarando-a com expressão nada amigável e nenhuma graça em meus lábios. Então, moça loira se virou ainda sorrindo e voltou para perto da fogueira, pegou a sua bolsa, retirou dela uma muda de roupas e assoviou para o animal que não desviava seus olhos dourados de mim.
— Meu nome não há necessidade de você saber. – Ela continuou enquanto a criatura tomava em sua boca as roupas e saiu correndo floresta à dentro. — Aqui é o lugar que sempre venho quando quero me encontrar com a criatura – Ela caçoou. – Na verdade a criatura é um lobo o qual eu conheço e muito bem por sinal. Satisfeita?
— Já que o conhece muito bem como diz, me diga o porquê a criatura não me devorou ainda?
— Thaile jamais mataria você, nem mesmo fora de sua sanidade humana.
Tomei um choque no corpo. Ouvir aquele nome e a frase, “Fora de sua sanidade humana”, me deixou surpresa, confusa e com medo. Ela não poderia estar falando do meu amigo nervosinho e idiota.
— Como é?!
— Acho melhor ele mesmo lhe contar.
A loira voltou o olhar em direção da escuridão por onde o lobo se foi, por impulso fiz o mesmo e avistei uma figura se mover entre as árvores, mal acreditei no que vi até quando os belos cabelos negros daquela figura brilharam quando chegou a linha da luz da fogueira.
— Thaile? – Sussurrei tentando atiçar a minha sanidade sobre o corrido.
Ele veio sorrindo até mim e me envolveu com seus braços másculos e fortes.
— Anne, você me tira do sério. — Ele falou.
Afastei-o com um empurrão e dei uma tapa em sua face com a mão que me restou sã.
— Thaile seu insano idiota! – Indaguei com meu surto de ira, nervosismo e confusão. – O que significa isso?! Você quer me matar, é isso? – Dei dois murros em seu peito esquerdo coberto com o sobretudo negro. — Você agora virou o quê, feiticeiro?! Que tipo de criatura é você?! – Thaile tentou tocar o meu rosto. – Não me toque! – Disse me afastando um passo.
— É uma longa história, Anne. Prometo que lhe conto depois, quando chegarmos a Valfenda.
Thaile pareceu calmo, mas diferente dele, eu estava pegando fogo de raiva.
— Como é?! Você acha que depois de tudo isso eu vou para a cidade de outra raça de elfos com você? Perdeu o juízo junto com a sua forma animal feroz?! Conte-me de uma vez que maldição você é?!
Eu estava furiosa com Thaile. Não acreditava que aquele lobo que me arrastou para longe do rei era Thaile.
Cogitei uma explicação para mim mesma que da criatura não ter se satisfeito com a minha carne logo quando me viu no escuro ao lado da tenda dos elfos, ou quando eu estava indefesa longe dos soldados elfos e do rei. Mas até que fazia sentido a lambida no meu rosto, os pelos negros como os cabelos de Thaile e o fogo vivo dos seus olhos.
— Todo este tempo eu estava enganada sobre você. – Sussurrei decepcionada. – Você me feriu, não respeitou o meu desejo, não me respeitou, Thaile. Ameaçou a minha honra mesmo sabendo que eu não seria capaz de me entregar ao um homem antes de casar-me. Você jogou areia em nossa amizade de uma vida inteira, e ainda mentiu para mim todo este tempo.
Senti meus olhos marejarem e Thaile logo me envolveu novamente em um abraço o qual eu não correspondi.
— Me desculpa Anne. Eu juro que não queria feri-la, e de forma alguma teria coragem de ser o responsável por manchar sua pureza. Eu não contei a ninguém sobre o seu incidente com aquele elfo velho miserável. Mas não posso lhe contar toda a verdade sobre mim.
— Quanto drama! – A loira interrompeu já ao nosso lado. – Ele é um maldito troca peles. Fim de questão.
— Layla sua metida! – Thaile me soltou de seu abraço e encarou a loira dos olhos azuis. — Eu disse que não era para contar a Annael sobre mim.
— O que há de mal em ela saber? – Ela seguiu novamente para perto da fogueira e sentou-se no chão. – Odeio drama! Se é pra contar futuramente é melhor contar logo e acabar com essa blá blá irritante.
— Você é uma desafora irritante! Eu poderia arrancar a sua língua.
Thaile emitiu um grunhido e foi pra cima da moça que logo se levantou e apontou uma adaga que roçou a pele do queixo dele.
— Por muito tempo nos conhecemos Thaile, tempo o suficiente para saber que você não é capaz de ferir uma mulher... – Ela olhou em minha direção. – Não até saber que você foi o causador do punho quebrado dela.
Toquei o meu punho esquerdo que Thranduil havia enfaixado, não sentia mais dor, na verdade parecia que ele estava dormente.
Eu senti as minhas pernas tremerem, sentei no chão com os cotovelos sobre os joelhos apoiando a minha cabeça na mão esquerda e comecei a chorar. A minha vida tinha virado de cabeça para baixo em apenas alguns meses sem me dar ao menos o privilégio da preparação.
— Anne, meu amor...
— Me deixa em paz Thaile. Por favor, me deixa em paz. – O interrompi com a voz embragada.
— calem a boca e escutem! – A loira por nome Layla nos interrompeu.
Thaile que estava abaixado perto de mim levantou-se e eu permaneci com a cabeça baixa apoiada na mão.
— Os malditos Orcs nos acharam. – Layla falou baixo
Thaile veio em minha direção, segurou em meu braço e me levantou.
— Não é hora pra chorar Anne. Os Orcs estão vindo, precisamos que lute ou eles irão matar a Layla e eu e capturar você como forma de persuasão para derrotar um dos exércitos élficos, exercito do reizinho arrogante.
Eu estava cansada, não sentia forças, parecia que tinha tomado um chá calmante extremamente forte que inibiu todas as minhas reações e por mais que eu lutasse não conseguia reagir.
— Acho que está na hora do lobo aparecer Thaile, as criaturas nojentas estão aqui.
A moça quase ordenou enquanto se armava com o seu arco, um arco que parecia que eu já tinha visto antes.
— Acha que eu sou louco o suficiente para trocar de corpo na frente dela?! Prefiro morrer como um humano.
Mal Thailer terminou de falar e vários Orcs apareceram ao nosso redor. Estávamos cercados por várias criaturas hediondas, e eu não possuía uma espada, nem arco, nem adagas e nem minha coragem.
Thaile me puxou para trás de suas costas e ficou em posição de ataque como se fosse partir ao meio um Orc com suas próprias mãos, e a desconhecida Layla armou o seu arco com uma flecha.
As criaturas disformes se mostraram na linha da luz da fogueira, um Orc branco e maior montado em uma versão tosca de um lobo se aproximou. O Orc pronunciou algumas palavras em sua linguagem esta que eu não entendia uma letra, mas Thaile o respondeu na mesma linguagem e isso me surpreendeu.
— Thaile... como... como você conhece a linguagem dessas monstruosidades? – Resmunguei ainda tendo ele como meu escudo.
Obvio que ele ignorou a minha pergunta, no entanto, o Orc branco pareceu ouvir muito bem a minha voz e para ordenar algo com sua linguagem fazendo Thaile curvar suas pernas e emitir um rosnado em sua garganta.
— Thaile o que este maldito orc quer?! – Sussurrei.
Mas não houve tempo para Thaile responder, pois uma flecha atingiu o braço do Orc branco que emitiu um grunhido de dor. Olhei em direção a Layla e ela já estava armando uma nova flecha em seu arco e depois disse em tom confiante:
— Venha pegar o que quer Orc miserável!
Aquela mulher era uma idiota com todas as letras, quem já se viu atiçar um cão raivoso daquele jeito! Por causa dela, o orc avançou em cima de Thaile, com o impacto de suas costas em mim fui lançada para trás onde as minhas costas e cabeça bateram em uma árvore.
Eu estava no chão sentindo um líquido quente escorrer pela minha testa e vendo tudo girar em minha volta. Apertei os olhos com força na tentativa de recobrar o meu equilíbrio e enquanto fazia isso ouvia um eco distante da voz de Thaile gritar, “Annael, levante-se! Corra! Corra!”.
Esforcei-me mais uma vez, levantei e comecei a correr, mas desequilibrada cai várias vezes. Na ultima queda respirei fundo sobre o chão úmido da floresta e levantei, esfreguei os olhos e pisquei várias vezes.
Eu já ouvia o eco das pisadas dos Orcs que corriam atrás de mim e quando dei conta um deles já estava em minha frente mostrando os dentes em um sorriso grotesco.
— O que querem comigo?
Arrisquei uma pergunta antes de ser atacada, embora eu soubesse que a resposta não seria coerente. No entanto, o orc pronunciou uma palavra em élfico que eu entendia muito bem ”Eldatári”, que na linguagem comum significava “rainha élfica”.
O Orc levantou a sua lança e nessa hora o Lobo negro pulou por cima de mim e abocanhou a cabeça da criatura nojenta.
Eu corri, corri sem saber para onde ia, mas corri. A medida que corria atingia uma velocidade longe das minhas condições normais, admirei-me por tal habilidade até então desconhecida.
A floresta possuía muitos obstáculos e muitos deles eu tinha que pular ou até mesmo correr e saltitar pelos grossos galhos das árvores. Eu cai? Não, eu não cai. Para a minha sorte o meu equilíbrio era surpreendente.
Mas mesmo com estas habilidades os Orcs me alcançaram; Eu senti quando algo afiado atingiu o meu joelho quando eu pulava de um galho para o outro, então eu cai no chão.
Sentindo a dor virei-me e vi que tinha uma flecha cravada na minha perna, respirei fundo e arranquei-a, em seguida levei a mão na boca para que ela não se abrisse em um grito de dor.
Arrastei-me até em baixo de uma árvore oca para me esconder dos malditos Orcs que passaram por perto da árvore falando algo que eu não entendia.
Quando pensei que as criaturas estavam longe senti algo pegar a minha perna e puxar-me da árvore onde estava. Gritei o mais alto que pude afim de que alguém, por uma obra das estrelas, ouvisse-me, mas a mão asquerosa do Orc branco pegou em minha garganta e me levantou.
Tive medo naquele momento, medo de morrer sem ter dito ao Rei que eu o amava.
Já sem forças e sem ar sussurrei:
— Eu amo você, Thranduil. — Fechei os olhos e esperei a morte chegar.
Entretanto, senti o meu corpo tocar o chão, e um novo caos surgiu entre eles.
Com dificuldade abri os olhos e vi em meio a névoa que cobria os meus olhos, elfos lutando a fio da espada. Vi um deles arrancar a cabeça de um com apenas um golpe e depois vir até mim, ele me pegou no colo e falou palavras na voz que me fez ter a sensação de proteção.
— Anne, não desfaleça. Está segura agora, vamos para casa.
— Legolas. – Sussurrei.
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