Rei Thranduil (Em reconstrução)
22 Gundabad, o cativeiro mortal(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ
Os cavalos galopavam pela vasta floresta sombria. Durante um dia cavalgamos sem parar com os malditos Orcs nos perseguindo.
Durante a viagem eu observava com outra visão aquela floresta que parecia encantada aos meus olhos. Estava claro que enquanto mais eu aceitava o meu suposto passado mais diferente me sentia. Minha visão tornou-se aguçada de uma forma que enxergava nitidamente a pequena borboleta que repousava no alto do caule das árvores.
Eu conseguia ouvir o rastejar dos pequenos roedores que se esgueiravam pelas folhas secas caídas ao chão, e o galope dos cavalos pareciam tambores aos meus ouvidos quando seus cascos com força comprimiam o chão.
Fechei os olhos e recostei a cabeça nas costas de Legolas, fechei as mãos em punho espremendo o tecido de sua roupa e puxei-o mais para perto de mim a fim de me sentir mais protegida. Quando me dei conta estávamos parados em cima de uma colina rochosa.
— Chegamos. — Tauriel falou
Por trás dele observei o lugar; havia muitas montanhas ao nosso redor, e meu olhar encontrou o grande e largo portão que havia ao longe entre duas montanhas pontudas. Encolhi-me atrás de Legolas e o apertei ainda mais em meu abraço.
— Está bem, Anne? — Legolas me perguntou duvidoso.
— Aqui é Gundabad?
— Sim.
— Este luga me dá calafrios. — Sussurrei.
De relance vi Tauriel falar algo para legolas com o seu olhar e depois disso o príncipe virou sua cabeça para a direção direita e deu a notícia que me deixou feliz e ao mesmo tempo amedrontada.
— Lá está o exército de meu pai.
Desci do cavalo de pressa e fui até a ponta do abismo, lá em baixo vi o grande exército dourado do rei Thranduil, tão organizados que me deleitava com tal visão. Percorri os olhos pelo rio dourado de elfos guiados por Thranduil com sua diadema de guerra que o distinguia rei, suas vestes negras, armadura prateada e sua espada na mão.
— Thranduil.
Sussurrei seu nome feliz por vê-lo com vida mesmo que estando preste a uma guerra sem qualquer necessidade, pelo menos não para mim naquela época.
Virei-me para tentar convencer com palavras Legolas para que impedisse que Thranduil fizesse aquela barbaridade impensável, mas fui surpreendida pelo vasto grupo de Orcs que nos perseguia, três deles com lanças apontadas para Tauriel e Legolas que estavam imóveis ainda montados em seus cavalos.
Puxei as minhas espadas das botas brancas de casamento e ameacei a criatura que me parecia líder do bando:
— Solte-os e eu garanto que não vou cortar a sua cabeça.
O Orc branco riu da minha cara como se eu tivesse dito alguma piada sem graça e depois se esforçou para falar na linguagem comum:
— Você Eldatári renaxida dos elda. Meu mestre ficará feliz quando sua vida for tirada de si e dada a ele.
Ri da cara dele. Legolas e Tauriel sem entender minha reação me olhavam procurando entender minha ação desequilibrada.
— Primeiramente, pronuncia-se "renascida" e não "renaxida". Segundo, abaixem as lanças ou o pai de Legolas farão de vocês insetos sobre as solas de suas botas reais.
O Orc líder fez um sinal e os que estavam com as lanças encostaram a ponta de suas lanças na cabeça de Legolas e um fio de sangue minou sobre seus cabelos dourados escorrendo sobre a pele branca de sua face. Apesar de Legolas estar a suportar com majestade, eu via em seus olhos que ele sentia dor.
— Legolas. — Sussurrei e em seguida gritei. — Parem, vocês estão o machucando!
Soltei as espadas e levantei as mãos:
— Me levem cativa, cumpram os seus propósitos, mas solte-os.
O líder quase voou para cima de mim, e bruscamente me segurou pelo braço atando as correntes e grilhões em minhas mãos, pés e pescoço. O orc ergueu-me para cima do seu animal asqueroso tanto quanto ele, em seguida me apunhalou na costas e tudo se apagou.
Acordei enjaulada em cima dos muros de Gundabad. Com esforço levantei-me apoiando-me nas grades das jaula, minha cabeça doía.
Do alto, observei o lado de dentro dos muros da fortaleza, havia uma legião daquelas criaturas, então me dei conta da dimensão do problema em que os elfos, os homens e até mesmo os distantes Hobbits enfrentariam em um futuro próximo e entendi o verdadeiro sacrifício do rei Thranduil. Não era só por mim, mas talvez, ele mesmo desejava terminar tudo aquilo antes mesmo que começasse, ele mesmo salvaria a Terra Média, e por fim, me salvaria.
Do meu lado ficou um Orc asqueroso me vigiando. Até parecia que eu iria sair dali pra algum lugar. Ele estava com as chaves do cadeado da cela, e pensai várias vezes como eu iria arrancar as chaves das garras dele. Eu precisava sair dali de algum modo mesmo sabendo que seria impossível passar pelos portões, teria que poupar Thranduil da preocupação de uma plebeia em apuros.
Os Orcs se agitaram no lado de dentro dos muros da fortaleza. Virei o rosto para o lado de fora das muralhas e me concentrei; ouvi ao longe um som do exercito élfico que marchava para a batalha.
O Orc líder surgiu na muralha e caminhou na minha direção e ficou de prontidão ao meu lado com um sorriso sínico naqueles lábios deformados, ele não escondia a sua felicidade em esperar o grande exército do rei élfico. Observei atentamente as lanças e o arco que ele carregara, eu tinha que planejar algo para sair dali.
O exército de elfos de armadura dourada finalmente parou a linha segura, uma distancia que as flechas dos arqueiros Orcs não os alcançassem. Surgindo do meio do exército dourado, o rei com seu magnífico alce tomara posição a frente e alçou a sua potente voz em palavras élficas que ecoou pela vastidão pedregosa até alcançar nossos ouvidos que na linguagem comum dizia:
— Asazel! Eu, rei da floresta sombria ordeno que deixe esta terra em paz e nós, Elfos e homens, deixaremos que vivam em sua horripilante fortaleza.
O Orc apenas sorriu, zombava do rei. Olhei para ele com ódio nos olhos e desejei enterrar uma flecha em sua cara medonha.
Asazel, o orc que finalmente eu sabia o nome, pronunciou algumas palavras em sua linguagem asquerosa, estas que não entendi, depois olhou para o orc portador das chaves e ele abriu a gaiola. Asazel me puxou pelo braço e me virou para direção do exército, eu quase morri de enjoo com o fedor daquele maldito perto de mim.
Ter uma visão aguçada me serviu para ver as feições de Thranduil, ele com certeza não esperava me ver ali cativa dos Orcs e com certeza aquilo mudou todos os seus planos.
O rei fez um movimento com a cabeça e todos os arqueiros apontaram as suas flechas em nossa direção.
Asazel me puxou pela cintura e me comprimiu em seu corpo nojento, eu ia dar um soco com o cotovelo nele e sair correndo feito uma louca, mas senti o fio de sua lança roçar em meu pescoço. Fiquei parada e imóvel naquele momento, e por breves momentos desejei ver Thaile chegar em seu corpo de lobo da noite e acabar com a raça daquele miserável.
— Thaile meu amgo, será que está vivo? Calma Annael. Respira, respira. Você não vai morrer aqui.— tentei me acalmar em pensamentos.
— Proponho uma troca. — O rei alçou novamente a sua voz, desta vez escondia uma aflição entre a sua altivez. — A vida dela pela minha.
Eu não pude acreditar no que ele propôs. Eu não iria deixar ele morrer por mim, jamais! Viver sem ele, mesmo que brigando, seria como viver aprisionada em um buraco por toda a eternidade.
O maldito Asazel pareceu gostar da proposta e tirou a lança do meu pescoço, neste momento uma flecha o atingiu, olhei na direção que veio a flecha e vi Legolas ao longe espreitando por trás de uma rocha.
Ouvi o rei ordenar em élfico a preparação do seu exercito.
Os portões de Gundabad se abriram e o exército dos Orcs saíram de encontro do rei e seus elfos.
Asazel não morreu, aguentou firme a flecha cravada em suas costas. Ele segurou pelos meus cabelos e me puxou até uma ponte por trás das montanhas do muro principal. Fui amaldiçoando-o a gritos o caminho inteiro. Então paramos e ele soltou os meus cabelos e segurou meu braço jogando-me ao chão.
— Orc maldito, asqueroso, nojento!
— Aqui está a nasxida dos homens e dos élfos, mestre.
— Se pronuncia "nascida"! — revirei os olhos. — Além de feio é desprovido de inteligência. – Murmurei levantando-me do chão.
Asazel não deu valor ao meu insulto, apenas ficou olhando para a escuridão da montanha a nossa frente.
Já em pé me virei para a direção em que ele olhava então a escuridão tomou forma e em uma explosão de vento de luz vermelha o senhor do escuro surgiu e começou a falar em sua linguagem frases que eu não fazia ideia do que seria.
— Vai me desculpar, mas sou uma mera plebeia perante essa linguagem tão feia, meu senhor.
A aura escura do fantasma negro me rodeou e me elevou. Sentia algo ruim me envolver por dentro, uma pontada aguda em minha cabeça me transportou para a visão que mais me amedrontava em minha infância; a visão da guerra élfica em que a espada de um soldado de ferro atravessava meu coração, porém, desta vez, o soldado falou comigo:
— A segunda vida que lhe foi dada será novamente tirada pela minha espada e a essência do seu poder, feiticeira élfica, me dará forma novamente.
Eu tentei me mover, mas estava paralisada, algo impedia meus movimentos, então senti uma dor aguda do lado esquerdo do meu peito.
A ilusão da visão se desfez, e já sob a assustadora realidade, ainda suspensa pela aura escura, baixei a cabeça e olhei para o lugar da dor e vi a mesma espada da visão cravada em meu peito.
— Eu sou Sauron. — Disse o soldado de ferro, então a escuridão se desfez.
— Annael!
A voz que acalmava o meu ser chegou aos meus ouvidos enquanto eu estava em agonia ao chão.
— Thranduil. — Falei com a voz quase inaudível.
Asazel vendo que eu ainda estava com vida se preparou para dar o golpe fatal, o golpe que daria cabo a vida da plebeia filha do escritor de Barahir, e silenciaria para sempre a minha história.
Ali em agonia de morte, vi a cabeça de Asazel ser decepada por uma espada élfica, quando seu corpo caiu ao chão a face do meu garoto iluminou os meus olhos.
—Annael por favor, escute-me. Ouça a mina voz, fique na luz. – A voz de Legolas era doce mesmo em meio a preocupação.
— Legolas... — Engoli a saliva com gosto de sangue. — Eu amo você.
— Por favor... não mais uma vez. Não me deixe, fique na luz.
Consegui forçar um sorriso em meio a dor, e com a mão tremula levantei a acariciar o rosto do príncipe que nutria uma expressão de dor e desespero.
Uma névoa branca tomou conta dos meus olhos, senti as minhas forças irem embora.
A dor parecia estar cessando, conseguia ouvira minha respiração forte. Então tudo de repente se apagar.
A morte parecia calma e leve. Não havia barulho, nem preocupações, nem dor. Havia apenas silêncio.
ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ ¥ ϔ

Imagem representativa de como a Annael visualizou Sauron sobre os muros de Gundabad.
Fale com o autor